Meu pai, o home que me aprendeu amar a mar

FAROHoje mesmo cumpriria 87 anos, mas deixou-nos em corpo em 14 de novembro de 2013, botamos as suas cinzas no mesmo mar que me vira a mim nascer, apenas a 0,135 milhas marinas da cidade e porto de Cartagena (uns 250 metros). Hoje a minha nai estará asomada á ventá, como fai qualquer dia desde entom, e desde lá observará o Faro pintado com as mesmas cores do seu “Atleti” (era umha das suas paixons), lugar de remanso e seneridade que ficará para sempre como o lugar familiar onde ir falar com e-le e lembrar a sua bonomia e amor a sua gente, entre a que tenho a gram sorte de formar parte.

Meu pai ensinou-me a querer aos teus, a sair na sua defensa incondicional, mas tamém a debater com fervor por coisas banais sem nunca chegar ao enfado ou ao mal-estar por nom concordar nos prantejamentos.

E tamém ensinou-me a amar a mar. El, marino de profissom e de devoçom, estivera embarcado vários anos quando eu era um cativinho, tanto de idade como de estatura e era umha alegria cada vez que voltava a casa. Umha das minhas lembranças que nunca se me esqueceu foi a primeira vez que me levou, junto ao meu irmão maior, a umhas manobras fóra da ria de Ferrol (*); lá vivim a força do mar contra um barco, as ondas salpicándo-me a contravento e um sorriso permanente de orelha a orelha e por dentro um orgulho polo meu pai que nunca deixarei de sentir.

Quem lia isto já suponherá (se é que nom o sabia já) que meu pai além de ser marino era militar, o que pode resultar paradoxal para quem conhece as minhas conviçons antimilitaristas, pero lógico para quem me conhece bem; pois meu pai nunca nos educou baixo a típica obediência do ordeno e mando com a que, meus amigos da infância e adolescência (muitos de-les tamém filhos de militares) tiveram que apandar naqueles anos do tardofranquismo; alguns mesmo, dia sim, dia tamém, recebiam brutais malheiras dos seus progenitores por insignificâncias ou sem motivo aparente, só para que aprenderam disciplina e mesmo havia quem punha aos seus filhos a desfilar polo corredor!! Entanto a minha casa era, habitualmente, um remanso de paz e de jogos; no que, de quando em quando, tamém jurdia entre irmás umha disputa ou umha carreira aloucada, á que meu pai ou minha nai (a verdadeira jefa do fogar) punha fim categoricamente sem miramento algum pero sempre sem recorrir á violência.

papá É claro que meu pai nunca foi um militar ao uso, de feito odiava ter que vestir o uniforme e nunca levava suas armas ao domicílio familiar; só lembro umha vez que apareceu com um sable porque, moi ao seu pesar, tinha a obrigatoriedade de desfiar num passo da semana santa ferrolá com o uniforme de gala e sable.

Meu pai tampouco tinha boa opiniom dos altos mandos e nunca perdoara que lhe obrigaram a se passar á escala de terra e têr que deixar de navigar, outra das suas grandes paixons. Outro feito que da conta da sua particulariedade foi quando tivo que ir destinado a Euskadi no ano 1980 (na altura houvera vários atentados da ETA contra instalaçons militares espanholas em Euskadi e como ninguém queria ir voluntariamente, iam obrigados por quenda durante 6 meses) e quando voltara digera, moi seguro do que nos dizia, que a Euskadi tinham que conceder-lhe a independência porque isso era o queria o povo.

É por esse amor á mar que hoje escrevo neste blogue marinheiro ainda que resida em terra adentro, poderia contar muitas coisas mais de-le, pero prefiro nom espalha-las na rede, se alguém quere conhece-las só tem que interesar-se por e-las e a carom da mar eu desatarei a minha língua.

(*) Apenas dois meses depois de nascer eu no mediterráneo, fumos viver a Ferrol, onde tanto meu pai como minha nai se criaram, e lá nasceriam o resto da minha família, para, depois dum periplo de 24 anos, voltar a residir em Cartagena)

Pdt.- A 1ª imagem que acompanha esta adicatória homenagem é a vista desde o piso da minha nai, a cinzas do meu pai foram lançadas detrás do faro da direita e a 2ª é um texto do meu irmão Jesús que escreveu na parte de atrás dum quadro na sua homenagem pintado sobre madeira e que refleja em poucas palavras o seu caráter de bo home e que cópio e colo acá:

Cada mañana sale del mar
nadando despacio sin salpicar
y en la orilla seca su cuerpo al sol
sacudiendo las manos
tarareando alguna canción.
Y echa a andar
paso firme y ligero
con parsimonia, sin molestar.
El caminar del hombre bueno
que vuelve al hogar
y allí le esperamos
a que presida la mesa
un vasito de vino
y arrancar a cantar
algún viejo tango, de amor y de sal
y hablar de la vida
y filosofar…

Cada mañana sale del mar…

Anúncios

Uma ideia sobre “Meu pai, o home que me aprendeu amar a mar

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s