Ataque de soidade.

tapas Era fora do normal o que lhe estava a suceder naquel momento, sentia-se fatal e nom bebera apenas, só um par de chupinhos, pero nom era borracheira o que sentia no seu corpo, senom algo desconhecido, algo assim coma um ataque de necessária soidade.

Estava sentada na barra do local de todas as noites e mirara para onde mirara só via caras de gente conhecida que lhe sorriam quando as mirava. Gostava desse lugar porque lá sentia o seu redor, quanto menos até o de agora, a sempre grata companhia das pessoas coas que compartilhava as alegrias e as penas, as luitas e mais as festas. Mas agora sentia que a soidade ia-se apoderando irremisivelmente do seu corpo e da sua mente, algo totalmente desconhecido que estava a fazer melha ne-la dum jeito incontrolado, a música soáva-lhe estridente e os risos da gente estávam-lhe a produzir nojo, nunca sentira tal coisa na sua vida, era umha experiência nova que lhe turbava e fazía-lhe sentir um sufoco insofrível. Coa mirada tratou de atopar os olhos cumplices da sua companheira, da amiga, da amante, da pessoa coa que levava já mais de dois anos compartilhando intimamente tudo, atopou-na mas seguia a sentir-se terrivelmente soa.

Apoiada na barra tudo semelhava-lhe alheio a ela, um desazo inimaginável a aturdia e foi entom quando saltou do taburete coma dum resorte, soltou o chupinho que tinha na mão e, abrindo-se passo entre toda a gente que enchia o local, dirigiu-se desesperada cara a porta de saida coma se, de repente, tivera a urgente necessidade de sentir a soidade com todas as consequências.

rain,smile,lovely,girl-66a93d40bd81e07379df678341a297c1_h_large Fora chovia copiosamente, um forte chaparrom invadia as ruas, por um momento pareceu duvidar, pero sentiu algo que a impulsava a sentir essa chuva sobre o seu corpo; deu um passos para alonjar-se do local e, aos pocos metros parou-se, mirou ao ceu e soltou umha ampla gargalhada e sentiu que, de repente, nom podia parar de rir, a soidade seguia presente ne-la pero agora caera na conta da importância de sentir essa soidade, e assim, por vez primeira em muitos anos, sentiu que nom era umha cifra mais dum número, que nom era um grao de areia numha praia, era ela na sua soedade, na sua saudade, era alguém fora do grupo, alguém fora da parelha, e seguia a rir cos braços abertos entanto a chuva caia com força sobre seu corpo.

A gente passava ao seu carom ás carreiras, inhorándo-la, indo ao seu e tapándo-se como podiam cos seus paraugas, mas algumhas olhavam sorrindo cara ela e pensavam: que bem o está a passar, mas vai colher um bo resfriado.

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