As minhas vizinhas: As Pombas

Niño_vs._palomaE só então Jonathan ficou transido de medo, só entom os cabelos se lhe eriçaram de puro horror. Saltou para trás, para dentro do quarto, e bateu com a porta antes que o olho da pomba se tornasse a abrir. Fez girar o fecho de segurança, deu três passos cambaleantes em direçom à cama e sentou-se nela a tremer, com o coraçom a palpitar desordenadamente. Tinha a testa gelada e sentia o suor escorrer-lhe da nuca e ao longo da espinha.  “A Pomba”Patrick Süskind

Sendo eu um pícaro tivera junto aos meus compinches mais dumha vez a louca aventura de caçar pombas para um colega que tinha um pombal no terraço da sua casa. A técnica, seguindo suas instruçons, semelhava simples: ajeja-la peça polas costas, achegar-se a modinho e corre-la berrando e ò alçar o voo, tirar a modo de rede umha chupa ou um jersei para atrapa-la. O certo é que, de todas as vezes que fumos e que o intentamos, só colhimos umha, bom mais bem colheu-na o colega porque ao resto dáva-nos certo nojo pensar em ponher-nos depois a prenda cheia de parásitos. Fosse polo que fosse, as pombas sempre atentas, voavam antes de poder achegar-nos a e-las, e exceito aquela que foi parar ao pombal do meu colega, lá rematava o jogo. Pombas desconfiadas que levantavam o voo sem nos deixar case achegar-nos. Pombas aburridas, pensávamos nos.

Dibujo Com este avisso, começava seu artigo “Pombas: um páxaro de coidado” o já desaparecido Ricardo Utrilla, jornalista que foi presidente da agência EFE que fora publicado em Interviu lá por princípios dos anos 90 quando eu já dera começo á minha guerra particular contra estas ratas com ás, cheias de parásitos nocivos e muitas de-las coxas por causa do ácido das suas próprias cagadas e, em particular, contra do bo papel adxudicado a este páxaro na sociedade e na história. De feito o artigo em questom chegara ás minhas mans de parte dumha boa amiga que me agasalhara por um meu aniversário com um “paquete pombeiro completo” que constava do artigo em questom (que ainda conservo), dum ejemplar do livro “A Pomba” do que recolhim as palavras do início e mesmo, já de brincadeira, com um poster de pombas dum produto alimentício que pedira numha tenda de animais (e do que me desfigera ás primeiras de câmbio, se bem durante um tempo e por seguir a broma da minha colega, o tivera pegado na parede da minha habitaçom). O agasalho tinha sua raçom porque, na altura, eu já colhera sona pola minha campanha orquestrada contra deste animal que convive com nós desde tempos inmemoriais; se bem as minhas arengas soiam cair em saco roto e provocavam mais risos que aceitaçom. Hoje em dia essas mesmas ideias de antanho seguem em vigor no meu bagagem, se bem semelhara que a aceitaçom daquelas teses tenhem hoje em dia plena aceitaçom e mesmo aplauso da maioria social. O que som as coisas.

Dizia Utrilla no seu artigo, que estamos a falar dum ser que foi quem de conseguir que o cuidemos e alimentemos com um pracentero sorriso nos nossos beiços, dum ser capaz de enganar-nos até o ponto de que invitamos ás nossas crianças a mima-lo e protege-lo. Dum ser miserável que leva séculos, mais bem milénios, co seu engano, desde que graças ás suas más artes, convertira-se no primeiro animal doméstico. A “Operaçom Noé”, que desenvolveu com diabólica habilidade e cuidada estratégia com ocasióm do “Dilúvio Universal” (*) instalou-na definitivamente ao nosso carom coma privilegiada companheira.

tumblr_inline_mn43ltV8rF1qz4rgp E nom só isso, também a sua intervençom nesse triunvirato dos católicos, a “Santíssima Trinidade”, foi de aupa, neste caso a pomba adotou o papelom do “Espiritú Santo” e incluso entre as fias ateias e comunistas de depois da 2ª gram guerra europeia a pomba adotou o papel de símbolo da paz e da concórdia entre os povos, foi moi famosa na primavera de 1949 a litografia de Picasso “A Pomba Branca” que, empregada coma cartaz do I Congresso Mundial da Paz apareceu empapelada em caseque todas as paredes da cidades mais grandes do mundo.

Assim tamém nas Olimpiadas e grandes acontecementos esportivos internacionais fijo-se ritual a solta de pombas coma mensagem de paz. Deste jeito a pomba someteu-nos ao seu falaz encanto e fingida imagem. E até convertiu-se num dos símbolos do amor

Mas agora noto que algo se mudou. Bo mais bem há já tempo que nom me sinto um rarinho pola questom. Vai saber qué o que se passou, tal vez algo relacionado com resíduos tóxicos, alpistes geneticamente modificados, ou que as pombas nom cessarom em nenhum momento de transmitir-nos parásitos e germens, nem de corroer cos seus ácidos excrementos as nossas pedras mais veneraveis até se converter num pesadelo, numha praga que agora, depois de séculos de convivência, quere-se eliminar com práticas crueis de guerra: pinchos, falcons, gaiolas, gases, electricidade, ovos falsos, produtos químicos velenosos… A guerra contra as pombas está declarada.

antipombas As pombas caem assim vitimas das suas próprias cagadas, vitimas da palomina (que assim com tal nome tam mimoso conhece-se a caca deste páxaro). Assim e sem ter cambiado nem um ápice a sua idiossincracia animal, as pombas sofrem agora a incompreensom e o desprezo.

Agora ás pombas já se lhes viu o plumeiro. Agora de nada lhes vale a sua qualidade de companheiras de anciás, crianças e gente solitária. Nalgunhas cidades já proibirom baixo multa que a gente lhes dea de comer.

Se bem poida que as pombas queiram retomar o poder das vilas e cidades, que como bem sabemos foram fundadas por elas junto aos pardais e outras aves.

Assim hoje em día vas caminhando polas ruas e as pombas nom se apartam e nom é porque estejam comendo, nom, estam lá, caminhando e pululando, con caras de pomba e miradas de pomba, com essa expresom misturada de confusom e propriedade, e se segues caminhando tes que apartarte tú para nom pisa-las, é como se as pombas tiveram mais direito que nós a estar nas ruas e Ganha a pomba! E assim vai-nos depois.

A pomba é parva pero nom tanto. E vindo o que se passava se lhe subirom os fumes à cabeça. Agora se crem as donas da vía pública. Voam rasante polas nossas cabeças, cagam acima de nós e mesmo fornicam nas nossas praças, e nom vos criades que se agocham na noite para faze-lo, senom que o fam a plena luz do dia. Os ingénuos meninhos, confundidos, expressam coisas como “Mamá, mamá, essas pombas atorarom-se”.

Se todo segue assim as pombas vam cumprir o seu plano de se afazer donas dos nossos pisos e casas e imos ter que mudar-nos nòs às polas das árbores. Por se acaso eu já estou subido na minha gávea.

Paloma 22149 Monzón (Huesca) 12-07-2009 Quero deixar bem claro que a minha intençom ao adicar-lhe este espaço ás pombas nom é, ainda que o pareça, fazer causa comum com todas essas autoridades sanitárias ou com os arquitetos municipais, a mim persoalmente paréce-me moi bem que as pombas caguem acima de todas essas estátuas equestres ou nom equestres dos próceres históricos, ou dos santos e cristos das igrejas.

A minha intençom é, e segue a ser, que empecemos a ver aos animais coma animais, com todas as suas qualidades e deixemos de aproveitar-nos de-les, porque quando deixam de ser de nosso agrado convertem-se em problema, e esse problema criamos-lo nós, quando eliminamos aos seus depredadores naturais, quando otorgamos-lhe personalidade e damos-lhe valores humanos que som totalmente alheios a sua idiossincrasia como quando aproveitamo-nos de-las coma joguetes com vida para as nossas crianças ou quando aproveitámo-nos da sua capacidade de orientaçom para usa-las coma correios durante as guerras.

Isso sim, a mim que nom me caguem, me cagho na!!

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(*) Dim assim os textos sagrados das tres religions monoteistas com mais siareiras, pois a história de Noé aparece tanto na Bíblia cristiana como na Torá judeia como no Corám muçulmano: “Quando rematou o dilúvio, Noé mandou umha pomba que voltou com umha pola de oliveira no seu peteiro indicándo-lhe assim a Noé que as águas voltaram ò seu leito”.
A história da Arca contada no Génese tem paralelismos no mito sumério de Utnapishtim, que conta cómo um antigo rei fora advertido polo seu deus persoal de que construira umha embarcaçom na que fugiria dum dilúvio enviado polo conselho superior dos deuses; e tamém é recolhida nas mitologias hindu e grega e várias culturas precolombinas como chibcha, mapuche, maya, méxica, inca e além é parte da cultura da ilha de Páscua e da do povo africano moussaye
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