Mugardos em luita: Reganosa ilegal !!

Coruña_Bay,_Ferrol_Bay,_Spain_WDL135 O outro dia falei-vos de Sada como dum lugar polo que sinto umha querência especial e se tivera que sinalar umha outra vila galega pola que meus sentimentos vam mais alá do que é o entorno físico e que se remonta a um feixe de gratas lembranças de quando crio e moço, essa é sem dúvida algumha a vila marinheira de Mugardos.

Para quem coma mim criou-se em Ferrol, percorrer os lugares da ria, tanto por terra, desde Carinho a Chanteiro como por mar desde a desembocadura do rio Grande de Júvia até A Marola (“Quem passou A Marola passou a mar tuda”) era sempre umha aventura fantástica para um crio namorado do mar coma mim.

Por sorte os melhores amigos dos meus pais tinham (e tenhem) umha vivenda familiar na mesma avenida do Mar no porto de Mugardos e era normal que foramos a vissita-los colhendo as “lanchas” que faziam essa ruta marítima. Para quem conheça a ria saberá que a viagem por mar é muita mais curta que por terra, e para mim cada viagem era diferente por mais que a ruta fosse sempre a mesma, pois havia circunstâncias que influiam nessa riqueza.

LanchaPor umha parte estavam as mareas (as de verdade nom as patéticas plataformas eleitoralistas atuais) que influem tanto á hora de embarcar como para desembarcar e ás vezes com marea alta só tinhas que dar um salto desde o muelhe até a “lancha” e vice-versa e se estava baixa tinhas que baixar (ou subir) varios escalons de pedra molhada e esbaradiza que fazia mais compleja a maniobra de embarque ou desembarque, algo que para um crio era mais divertido de ver polas possibilidades de caidas e tropeços da gente com problemas de mobilidade, pois se bem os marinheiros sempre estavam solícitos a colher-te para ajudar a da-lo passo (algo que eu evitava, porque isso era de crios pequenos ou de anciás) mais de umha vez tenho visto esbarar a gente e caer de cu ou dar-se umha boa cabeçada contra o barco ou contra o muelhe e ter que aguantar a risa por nom passar por maleducado e/ou nom receber umha reganhadela.

Por outra eu buscava sempre a prazer na viagem e algunha vez levava comigo um soldadinho de plástico atado a um cordel que soltava pola popa para fazer com e-le patim aquático (e no meu magim infantil cebo para monstros marinhos que poideram emerger em qualquer momento). E outras eram circunstâncias alheias a mim o que a faziam diferente, como o clima e assim se chovia a raudales tinhamos que ir metidos na parte cuberta de abaixo vendo as ondas cobrir os ventanais; e se fazia sol iamos nos asentos do andar alto desde o que podiamos ver as duas margens da ria. Tamém tinha o seu componhente do medo a naufragar e nom poucas vezes nos avissavam de que nom nos pugeramos todas as viageiras no mesmo lado pois poderia volcar, de feito umha das histórias anedóticas mais comentadas a bordo era umha viagem de fazia nom sei eu que de tempo, na que morreram várias passageiras ao volcar a lancha por babor ou estribor depois de que caera umha pessoa á água e toda a passagem se movera cara onde caera provocando que a lancha emborcara; nunca soubem (e ainda desconheço) se foi verdade tal acontecimento ou nada mais era um bulo que soltavam para evitar que na travesia os crios andiveramos correndo de babor a estribor. O que sim dam conta as hemerotecas é doutra história trágica acaecida em 1947 quando 20 pessoas, a maioria mulheres mugardesas, morreram quando um “destrutor” da armada a toda máquina impactara contra a lancha provocando o seu afundimento imediato á entrada do porto de Mugardos.

Lancha1947Além em Mugardos, na altura, o sítio de atraque e desatraque variava segundo estivera a marea baixa ou alta e tinha o ingrediente engadido de que sempre havia crios banhándo-se nas augas sujas e oleosas do porto e mergulhándo-se para colher as monedas que alguns viageiros dos barcos lhes lançavam (sim, nom havia que ir-se a Cancum ou ás ilhas Fiji para ver aos nativos fazendo o que ti quiger e que nom te deixavam porque podias colher qualquer mal).

Todas essas minhas lembranças unidas a que os filhos dos amigos dos meus pais (todos machos) eram algo minores do que eu pero tinham um pátio com canasta de baloncesto e bicis e umha horta com frutais e até umha barquinha a remos, pois podedes imaginar que eu nunca me negava a ir de vissita com meus pais a passa-lo dia enteiro a Mugardos, de feito o normal era que voltáramos no derradeiro barco ainda que se figera de noite e os crios vigiavamos desde as fiestras da casa a chegada do barco a porto porque já tinhamos calculado que apurando um pouco dáva-nos tempo a chegar justo denantes de que partira e quando alviscavamos a proa avissavamos como bos gajeiros, recolhiamos os bartulos e volta a Ferrol aonde sempre chegavamos rendidos pero felices e com ganas de voltar. E assim, por umha causa ou outra sempre eram viagens pracenteras e ilusionantes e cada dia era diferente do resto.

Se passou o tempo e a minha família marchou de Ferrol á ilha de La Palma (Canárias) quando eu contava já 18 anos e tocáva-me começar os estudos universitários em Compostela (por causas de impossibilidade de translado do meu expediente nom começei na universidade de La Laguna) e eu deixei atrás a minha vida em Ferrol e só de quando em quando ia de vissita familiar ás minhas avoas.

MURAL1As primeiras vezes que voltei a ir com certa assiduidade foi quando começara a luita contra as intençons de montar a perigosa gaseira de Reganosa em Mugardos, as razons para acodir a estas mobilizaçons som óbvias para quem me conheça um pouco, pero a componhente afetiva para com esta vila e suas gentes foi o que me fijo sentir-me outra vez como na casa.

Agora o Tribunal Supremo espanhol vem de tirar sua segunda sentência em firme contra da instalaçom desta planta de gas liquado, nesta ocasiom por carecer do desenho urbanístico ajeitado. Os fasimedios e a propria empresa estám em campanha mentideira para quitar ferro ao assunto, pero as gentes de Ferrolterra estám argalhando a sua resposta e as que estám organizadas no Comité Cidadá de Emergência para a Ria (CCE) venhem de fazer público um seu comunicado contradezindo essas mentiras que vos convido a lêr acá e já como colofom a esta entrada só me resta sumar-me aos seus berros:

PLANTA DE GAS: PECHE JÁ!

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