Nais em pê de paz e outras batalhas das kurdas

Madre, ya no estés triste, la primavera volverá,
madre, con la palabra “libertad”.
Madre, los que no estemos para cantarte esta canción,
madre, recuerda que fue por tu amor.
“Madre”, Silvio Rodríguez

Cemile-judit-prat-870x1303 Este domingo vindouro, além do 1º de maio, é tamém, por aquilo de ser o 1º domingo de maio, o dia da Nai; e co galho de tal celebraçom colo aqui este texto autoria de Judith Prat, fotógrafa documental interesada especialmente em temas relacionados cos direitos humanos, e que recolho (traduzido) do portal Pikara Magazine. As razons para escolher este texto som várias, além de homenagear a todas as nais, e em especial á minha e ás Nais contra a Impunidade, Pastora e Carmen, represaliadas por reclamar que se saiba a verdade sobre as mortes (assassinatos) dos seus filhos Xosé Tarrio e Diego Viña e que serám julgadas em 6 de junho em A Corunha (feito ao que adicarei umha entrada em dias vindouros e do que podedes lêr seu comunicado nesta entrada da revista anarquista Abordaxe; e aproveito para dar pulo a jornada contra a impunidade e em solidariedade com elas que , compas do C.S.O. A Quinta da Carminha convocam para manhám sábado 30); tamém para que se saiba o que se passa em Turquia, esse pais a onde os governos europeios vam a derivar aos “despojos” das suas guerras económicas ás que chamam hipocritamente “refugiadas” (quando o que lhes ofrecem é repressom e violência) e razom pola qual nesse mesmo dia 1 de maio está convocada umha jornada de luita em Compostela).

Cemile (na foto de © Judith Pratna na sede das Nais pola Paz em Istambul. Janeiro 2016), Penham e Bedia, nais de guerrilheiras kurdas, reivindicam o papel das milícias na loita contra o ISIS, ao mesmo tempo que reclamam o fim da violência no seu pais, pois sentem que elas ponhem as mortas.

Cemile sorrí orgulhosa entanto se coloca o pano e fala do seu sinificado. O pano branco tem umha enorme simbologia na cultura kurda. Segundo as nossas tradiçons mais antigas e arraigadas, quando havia um conflito entre clans ou famílias, se umha mulher saia da sua casa cum pano branco na sua cabeça, os disparos deviam deterse para que ela puidese cruzar a rua.

Em honra a esta tradiçom, as Nais pola Paz kurdas decidirom desde seus inícios em 1999 que o seu distintivo seria o pano branco como símbolo da paz, ainda que na atualidade, di Cemile, já ninguém respeita a umha mulher que leva um pano branco.

Dersim, a vila de Cemile, foi queimada e destruida polo ejército turco em 1994. A pesar de que o val de Munzur nom era umha zona que apoiase maioritariamente ao PKK (Partido dos Trabalhadores do Kurdistám), o Governo turco emprendeu umha campanha de terra queimada na que se destruirom mais do 80% de vilas e aldeias da zona. Contam como foram queimados campos e cultivos e incendiados os bosques. Rapidamente, o lume propagouse alimentado polos produtos químicos que pulverizavam desde os helicópteros. Moitos homes forom detidos, torturados e outros simplemente desapareceram. Miles de famílias ficaram repentinamente sem fogar.

Cemile lembra o dia no que os militares entrarom na sua casa e torturarom ao seu marido diante dela e das suas crianças. Despois queimarom a casa, queimarom tuda a vila. A sua filha tinha entom 12 anos e decidiu irse ás montanhas para loitar na guerrilha. Moitos moços e moças figeram o mesmo naqueles dias e, empurradas pola repressom e a violência, unírom-se ás filas do PKK.

“Perderamos todo -continua Cemile- nom quedava nada ali e tivemos que fugir a Istambul. Pero a metade do meu coraçom ficou nas montanhas. É impossível descrever a dor de fazer isto. A minha filha quedava loitando pola causa kurda nas montanhas e eu afastáva-me dela e ía-me a viver a Istambul co resto da família. Nada pode ser mais duro para umha nai”.

As histórias das Nais pola Paz som dramaticamente similares. Penham chegou a Istambul em 1993 despois de que a sua vila fóra totalmente destruida e a maioria da sua vizinhança assassinada. Lembra o duro que foi chegar a umha cidade onde nom conhecia a ninguém, onde nom se falava seu idioma, onde nom tinha nada. Pero buscava um futuro melhor e a pesar de que a sua família tinha umha longa tradiçom revolucionária, ela pensava que as armas que deviam empunhar suas crianças eram um quaderno e um bolígrafo. A sua filha era umha estudante brilhante e pronto se converteu tamém numha respeitada ativista política. “Um dia ela dísse-me: mamá, som umha estudante excepcional, pero nom podo falar a minha língua; som ativista política, pero se dou a minha opiniom podem matar-me“. Com estas palavras comunicou á sua nai que ia unir-se ás filas do PKK. Na atualidade atópa-se em Kobane loitando contra o ISIS.

As Nais pola Paz kurdas falam com orgulho das suas filhas, que loitam ou “derom a vida”, como elas mesmas dim, pola supervivência do seu povo. “Nom som terroristas, som guerrilheiros e guerrilheiras que defendem os nossos direitos, a nossa identidade, nossa própria existência. Sem elas, já estariamos eliminadas”, di Bedia.

Cemile, Penham e Bedia reivindicam o papel das milícias kurdas na loita contra o ISIS em Iraq, Síria ou a própria fronteira turca, ao mesmo tempo que reclamam o fim da violência no seu pais, pois sentem que elas ponhem as mortas. Nom só avogam polo fim da violência senom que desempenharom um papel essencial no processo de paz com Turquia, que se iniciara em 2013 e que Erdogan deu por finalizado em julho de 2015.

Pero o papel e a relevância das Nais pola Paz nom pode entender-se ilhado do movemento feminista kurdo e do Congreso Kurdo de Mulheres Livres (KJA polas suas siglas em kurdo). Mentres Occidente construe um relato case romántico do papel militar da mulher kurda na loita contra o ISIS, a realidade pom de manifesto que a sua ativa achega em todos os ámbetos da vida pública -tamém no terreo militar- nom é senom umha deriva natural dum longo processo de loita pola igualdade.

Umha das mais importantes contribuçons do movemento de mulheres kurdas em toda Turquia foi o processo de igualdade que a dia de hoje está presente em todas as organizaços civis e políticas kurdas. A igualdade dentro do HDP (Partido democrático dos povos) é um exemplo que transcende o ámbeto da representatividade formal e confórma-se como um motor de feminizaçom da açom sociopolítica. Algo que, como elas bem conhecem, nom pode ser se nom se aplica a todos os niveis institucionais e organizativos desde a mais pequena assembleia ou instituiçom local.

Quizá por isso a repressom e a violência do Estado contra as mulheres kurdas sitúa-se á altura dos seus logros. Tanto o Congresso Kurdo de Mulheres livres como as Nais pola Paz, denunciam esta situaçom, froito, segundo os seus representantes, “do medo que lhe dá ao poder que as mulheres se organicem e loitem”. Várias ativistas forom assassinadas em Istambul pola polícia na porta das suas casas e diante das suas famílias; a diário moitas outras som detidas e golpeadas e em várias ocasions exhibírom-se os corpos espidos de guerrilheiras mortas.

Sem ir mais longe, o 4 de janeiro de 2016 tres reconhecidas ativistas e políticas kurdas eram assassinadas pola polícia em Silopi quando abrirom fogo intenso durante horas sobre a povoaçom. Membros do HDP asseguram que os corpos de Seve Demir, Pakize Nayir e Fatma Uyar amosavam signos de ser torturadas. Estes assassinatos enmárcam-se na campanha de violência desatada no Kurdistám turco desde que o passado 28 de julho de 2015 o Governo dese por finalizado o processo de paz.

Apenas uns dias despois dessa data, vários alcaides e representantes de cidades e distritos kurdos figerom declaraçons de autogoverno e a reaçom do ejecutivo nom se figera esperar. 17 alcaides e alcaidesas foram detidas e segundo o informe de 2015 da Asociaçom de Direitos Humanos (IHD) de Turquia e a Fundaçom de Direitos Humanos (TIHV), um total de 1.299.061 pessoas forom vítimas dos 52 toques de queda ordenados polo Governo desde o 16 de agosto ao 12 de dezembro. Nesta situaçom continua na atualidade o distrito de Sur em Diyarbakir e as cidades de Cirze e Silopi, onde forom assassinadas as tres ativistas.

A violência contra o povo kurdo e a violência específica contra as suas mulheres sofrem destinos paralelos ainda que é certo que, segundo o KJA, há umha maneira de atuar concreta para atacar, humilhar e destruir ás mulheres que chega mesmo ao ámbeto parlamentário, onde os intentos por ridiculizar ás deputadas kurdas som constantes por parte dos representantes doutros partidos. O feito de que o 29 de julho do passado ano o viceprimeiro ministro Bulent Ariç, no transcurso dumha sessom do Parlamento, digera á deputada do HDP Nursel Aydogan “cala como deve fazer umha mulher” pom de manifesto as intençons do atual ejecutivo, que busca limitar o papel das mulheres na sociedade ao ámbeto familiar e desenmascara a sua ideologia patriarcal. Quizás seja esta a explicaçom do incremento da violência machista num 1500% desde a chegada ao poder do AKP.

Em Turquia, cada día 5 mulheres som assassinadas a mans dos homes. Só no ano 2015 forom assassinadas 282 mulheres e 132 forom violadas ou sofrerom abusos sexuais.

Cemile, Penham e Bedia som conscentes das terríveis consequências da violência. Vivírom-nas moi de preto como kurdas, como mulheres e como nais, e assim as relatam, com toda a sua crueza, cargadas da dor do perdida pero tamém da serenidade de quem busca a paz e de quem mantém a esperança de consegui-la. Por isso e a pesar de tudo reivindicam a alegria, algo que resulta entranhável tras escuitar o relato das suas vidas.

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