Cousas da vida (e da morte)

Atopei-me pola rede com um continho (anónimo ou quanto menos sem assinatura), gostei de-le e sem mudar muito do original, figem umha nova adaptaçom (ou versom) ao galego que vos colo:

900-30599-a-preguntan blog A mestra sempre andava berrando a Venâncio: ¡Vas-me tolear, Venâncio! ¡Contigo já nom podo mais! ¡Venâncio es um inútil!!.

Um dia, a nai de Venâncio, emigrante em Düsseldorf, chegara de vissita antes das feiras do nadal e fora até a escola para verificar como lhe ia ao seu filho ne-la. Tivera que deixa-lo ao cuidado dos avôs (seus pais) como tantas outras famílias e andava preocupada por saber como lhe ia ao seu filhinho no seu primeiro ano da ESO. A mestra contára-lhe a verdade e digéra-lhe que o seu filho era um desastre, que tinha as piores notas do colégio e que ela, em 25 anos de ensino, nunca vira um cativo assim, tam estúpido. A nai ficara tam abraiada com esta sinceira conversa que decidiu retirar ao seu filho Venâncio da escola e, fazendo um esforço, leva-lo com ela a Alemanha para que Venâncio estudiara num centro especializado.

Depois de 25 anos, a esta mesma mestra fóra-lhe diagnosticada umha grave doência do coraçom. Todos os médicos consultados concordaram em que necessitava umha cirugia moi delicada e moi custosa que só um famoso médico espanhol que vivia na Alemanha saberia fazer.

A mestra, já sem esperanças, decidiu vender todo quanto tinha e com seus aforros de toda-la vida, empreendeu a viagem até a clínica universitária de Heidelberg para intentar a custosa cirugia que, finalmente foi realizada polo genial médico, quem declarou que a operaçom tivera um éxito absoluto.

Quando a mestra abriu seus olhos, sentiu que toda sua força voltava ao seu corpo e viu parado ao seu carom a um mocetom com bata médica quem lhe sorria.

Ela quis dizer-lhe umhas palavras de agradecemento, mas nom puido falar… De pronto o seu rosto puséra-se azul, tentou levantar a mão e até quis berrar pero nom puido faze-lo… e rápidamente… morreu diante do médico que intentava entender que fora o que acontecera.

Foi entom que o médico decatou-se do zumbido surdo que provinha dum aspirador, mirou ao seu carom e viu a Venâncio, o raparigo torpe que se mudara a Alemanha e que trabalhava na limpeça da clínica e entom entendeu; fora Venâncio quem provocara o fatal desenlace ao desconetar o respirador artificial da paciente para poder liga-lo aspirador á corrente.
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Que pensastedes? Que o Venâncio se convertera num gram cirujano cardiovascular, nom si?

Semelha que mirastedes demasiados filmes…

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4 ideias sobre “Cousas da vida (e da morte)

  1. ogajeironagavea Autor do post

    Boa reflexom compa “nihil”; se gostei do textinho e por isso figem esta versom, foi porque leva a muitas reflexons além da aportada por ti. Por umha parte a mim levou-me a pensar na mentira dos governos e falsimédios quando contam que todas temos as mesmas oportunidades para “trunfar” na vida a traves dos estúdios; quando a realidade amosa que só os filhos e as filhas de gente adinherada e com profissons “liberais” chegam a ter títulos e masters que depois lhe servem para viver das rendas do seu trabalho; ou que neste mundo do capital podes partir da nada para chegar a ter umha das maiores fortunas do mundo, mas só sendo um grandíssimo cabronaço explorador de meninhas e gentes empobrecidas podes consegui-lo como fai e fijo Amancio Ortega; ou que a educaçom nos paises do capitalismo avançado (lea-se paises colonizadores e empreendedores de guerras) é igual de mala para as clases encaminhadas a servir de exploradas em qualquer trabalho; ou …

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  2. nihil

    Nisso estou dacordo; gostei do texto polas reflexons às que se pode chegar.
    Por que isso nom adoita acontecer? Por que é algo renegado ao cine, à fantasia? Polo que ti mesmo comentas. A igualdade de dereitos e oportunidades só é umha falácia mais da democracia. Ademais o texto nos pode conducir a analizar o putrefacto sistema educativo, a sociedade tecno-industrial e as professions nas que se sustenta (Considerava-o tonto e, numha película, o final sería esse, que se convertia num famoso e prestigioso cirujano. Pero nom num artista que cria um novo movemento artístico nem num escritor novel nem num filósofo. Por que? Cicáis porque socialmente a inteligencia identificase no estudo tecnológico, científico, matemático. Num estudo de regras rigurosas com fortes bases teóricas. Ao fin e ao cabo a ciéncia e os seus “avances” som um pilar fundamental do sistema, da perpetuación deste e a sua vez da opresión.)
    Por outro lado a influencia do poder económico e do prestigio social (se Venâncio vinhesse dumha família com moito poder económico estaria no Congreso).
    A función dxs profesorxs na sociedade e no sistema, o adoctrinamento, os tratos e educación que se recibe según o poder adquisitivo, a manipulación psicológica e até física nxs nenxs: acosar a umhx nenx chamando-lhe imbécil e inútil por nom encaixar no esquema educativo, inventar novas enfermidades ou alteracións como pode ser a hiperactividade ou a falta de atención para medicar e moldear a nenx cando o que necessita realmente é correr no campo e observar paxaros, jogar, interactuar co meio e desarrolhar a curiosidade e nom estar encarceladx diante dum pupitre escoitando coisas que nem lhe gusta nem lhe interessa…

    Certamente, se se sabe afondar no texto e na mente, podesse chegar a ver a representación dumha gran parte do mundo no que vivemos. Parabéns pola traducción e a versión.

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