Umha verdade incómoda: “A tua casa nom fica tam longe do mar”

Recolho da web A Nosa Costa (a comunicaçom na costa da morte) este artigo assinado por Xosé Manuel Barros, cofundador da Associaçom Mar de Fábula:

CAMPAÑA BASTONCILLOS NO Por um conceito antigo, por um costume atávico, pensamos que o mar é um saco sem fundo, que pode com tudo. O mar é o Panhol Grande para os marinheiros do Gram Sol, o mar é o pátio de atrás ou o pátio do vizinho para a gente de terra.

Em apariência, estám a mudar as coisas quando assistimos ás declaraçons dos principais organismos a nível mundial expressando a sua preocupaçom polo câmbio climático, pola perda de biodiversidade, pola acidificaçom dos océanos ou pola contaminaçom dos plásticos no mar. O último gram show tem sido a Conferência do Clima de Paris, em dezembro de 2015. Dirigentes de 195 paises estamparom suas sinaturas para reduzir as emisons de CO2 á atmósfera, para reduzir o quentamento global, para evitar que no ano 2050 nos chegue a água do mar ao pescoço.

Já está às portas o Dia Mundial do Meio Ambiente, de caminho segue-lhe o Dia dos Océanos. Faremos atos, celebraçons, muitos cheios de contido, muitos só de cara à galeria, depois, tudo seguirá coa mesma inércia. Nom serám os grandes líderes os que salvem o planeta. A soluçom só poderá vir de nós, da gente de a pê, das nossas decisonns. Desde a associaçom Mar de Fábula proponhemos tomar umha iniciativa, pioneira no nosso pais, para dar um passo moi importante na defensa do meio ambiente marinho.

A nossa associaçom tem previsto começar o vindouro dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, umha campanha pública de informaçom e concienciaçom cidadá que levará por título: “A TUA CASA NOM FICA TAM LONGE DO MAR”. O seu objectivo será informar sobre a necessidade de atalhar um perigoso contaminante do meio marinho que chega às nossas praias por dúzias, por centos ou por milheiros segundo seja a situaçom geográfica da praia com respeito às povoaçons.

Estamos a falar dos bastoncinhos de algodom (“cotonetes”), um dos principais contaminantes do meio marinho a nível mundial.

Na nossa organizaçom levamos nove meses monitorizando este refugalho plástico em quatro praias piloto da área metropolitana da Corunha ao tempo que temos feito mostragens aleatórias todo ao longo da Costa da Morte. Os dados recolhidos som alarmantes e ponhem de manifesto a existência dum grave problema de contaminaçom ambiental no mar.  Já nos registros de limpeças que temos feito nistos dous últimos anos, tínhamos recolhido e levado aos contentores moreas de “cotonetes” coma um integrante mais do lixo marinho. Temos informaçom da sua presência, desde há muito tempo, em todas as praias da Galiza e tamém nas beiras dos rios.

Em Mar de Fábula chegamos à conclusom de que já era hora de lhe prestar atençom a este anaquinho de plástico.

Os “cotonetes” atuam como testemunhas dumha contaminaçom específica, aquela provocada polo comportamento irresponsável dumha parte da povoaçom que elimina os produtos de higiene íntima polo W.C. Som o resíduo mais numeroso com esta origem mas nom viajam sós. Aparecem tamém na area aplicadores de tampax, toalhinhas, cueiros, cabichas… Estes produtos eliminados polos inodoros em milheiros de toneladas ao ano a nível mundial, produzem com frequência atascos nas tuberias de conducçons das águas residuais, gerando custes milhonários, tanto no nosso pais (nom há dados) como noutros paises europeios, que sim sácam-nos à luz. Por exemplo Water UK (o equivalente de “Augas de Galicia” no Reino Unido) calcula que um 75% dos atascos que se produzem nas redes de saneamento británicas som provocados polos produtos higiénico-sanitários eliminados polo W.C.. No ano 2014 tiveram um custe de 80 milhons de libras na resoluçom destes atascos.

Ao mesmo tempo, os “cotonetes” som potenciais portadores dumha contaminaçom biológica devido à sua origem e ao meio no que viajam.  Já a simples vista, a sua presência nas praias produze um efeito visual desagradável sabendo da sua procedência.

Estes “cotonetes”, normalmente fabricados de polipropileno, aparecem na areia rotos e aplastados numha alta porcentagem. Este feito pode ser indício de que a sua degradaçom no meio marinho seja mais rápida que outros plásticos. A esta constataçom nas nossas mostragens, haveria que engadir o feito de que o seu pequeno tamanho (730x2mm.) sinifica que, de partida, tenhem ja muito caminho percorrido para chegarem á fase de microplásticos (<5mm.), a fase mais perjudicial para a vida nos océanos. Ao ser tam miudos, os microplásticos podem ser tragados polas aves ou pola fauna marinha ao serem confundidos com comida. Neste segundo caso, ingeridos por espécies com valor comercial, entrariam na cadeia alimentícia, rematando o ser humano por consumir a própria contaminaçom que origina.

A Uniom Europeia na sua Directiva de Estrategia Marco para o Meio Marinho (MSFD), de cara a conseguir um Bo Estado Ambiental (GES), a nível europeio para o ano 2020, no anejo I, descriptor 10, relativo ao lixo marinho, manifesta que. “(…) limpar os océanos é umha opçom, notanto nom é o método mais eficiente para retirar e prevenir o lixo marinho. A melhor soluçom é atalhar o problema na sua origem”.

Aqui é onde jurde o factor possitivo deste específico problema de contaminaçom ambiental. Dumha botelha de plástico na beiramar nom sabemos a sua procedência. Desta contaminaçom ambiental conhecemos a sua origem certa: Os quartos de banho das povoaçons. Já que logo, temos a soluçom ao alcance da mão.

Compre informar e sensibilizar á cidadania que só com introduzir um pequeno câmbio nos seus costumes no quarto de banho teriamos a soluçom dum sério problema de contaminaçom ambiental, problema do que nom se fala porque é incómodo, porque toca á nossa mais estrita intimidade. A mensagem é clara. Nom eliminar os produtos de higiene íntima polo wáter se nom deposita-los no contentor de lixo inorgánico que todos temos na nossa casa. Esta simples decisom, além de sinificar a eliminaçom desta perigosa contaminaçom do mar, marcaria um despertar na concienciaçom individual e coletiva para assumir, cada um de nós, a nossa quota de responsabilidade de cara a trabalhar pola sustentabilidade do planeta.

Esta simples decisom teria um resultado prático muito mais grande que todos os discursos do Cúmio de París.

Xosé Manuel Barros

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