Albert Rivera nom pilhou cocaína e nós somos umhas hipócritas

Quem bem me conhece sabe da minha teima em que a cultura e conhecemento das drogas (ao igual que das algas, fungos e de todas as ervas, mesmo das mal chamadas más ervas) deveria ser matéria de ensinança e costumes numha sociedade sã; com o que seu consumo seria consequente e nom daria lugar a máfias nem a gente enferma e presa por adiçom, nem daria pê á sua manipulaçom e “corte” que convertem seu consumo numha azarada mistura de produtos tóxicos e de placebos. Estes dias, denantes de ve-lo famoso vídeo que está a rular com gram difussom pola rede, chegou-me por diferentes fontes o “canteio” do Rivera na gesticulaçom de mãos e petos que todas as que temos pilhado nalgumha ocasiom reconhecemos como própria do “trapicheio”. As risas ao conta-lo e o feito de que Rivera seja um tipo que cae moi mal a imensa maioria das suas detratoras, aumenta o ruge-ruge e todas desfrutamos com isso. Mas, de pôr-se a profundar ne-lo com um tanto de sentidinho e procurando afastar-se de hipocrasias moralistas, hei de dizer que, além de manifestar o meu desacordo no que todas querem ver (eu o que vejo é que estám a passar-lhe umha moeda para que a bote aos músicos) passo a compartilhar o artigo com este mesmo cabeçalho autoria de Albert Pradilla que publicou ontem no seu blogue “Cocodrilos en el Ebro” no site de Naiz (e que traduzo mantendo as suas negrinhas):
Ninguém no seu sam juízo pode pensar que Albert Rivera está a pilhar cocaina em metade dum ato com dezenas de pessoas mirándo-lhe (*). Ninguém. A sério. Por moi seguidores que sejamos de Mulder e a sua lema «quero crer», nom há político que se suicide comprando um gramo em metade dum ato. A pesar desta obviedade, um vídeo no que um tipo entréga-lhe algo em gesto sospeitoso multiplicou as bromas sobre o suposto consumo de estupefacientes do líder de Cidadáns. Lémbra-me á “gracieta” que figera Juan Carlos Monedero: moralista, reacionária e tremendamente hipócrita. Coma se nom houbera mais cousas que botar-lhe em cara. Um liberal como Rivera, que supostamente deveria estar pola legalizaçom dos psicotrópicos, poderia aproveitar o ruido para introduzir o debate sobre um fenómeno que existiu, existe e existirá por riba de qualquer proibiçom. Nom o fará. Porque vivemos na ditadura do politicamente correto e nom existe possibilidade algumha de expôr um debate sério.

Irríta-me ver aos cínicos fazendo chanças sobre o gesto de Rivera. Sorrim, de forma pueril, e dam-se cotenadas um ao outro, como quem está vendo um pecadinho venial. Nom vou entrar no hipócrita de sinalar o que um mesmo fijo ou viu fazer ao seu redor. Si que me chama a atençom que seja o recurso eligido para atacar a um tipo capaz de representar tudo o pior do neocunhadismo casposo, liberal e machista, a um intento de versom sofisticada do anúncio de Campofrío. ¿De verdade nom tedes um argumento melhor? Se somos sinceros, se miramos no nosso interior, poderemos ver a esse pequeno polícia que todas levamos dentro que goça, desde a sua atalaia moralista, sinalando ao «yonki».

Nom temho nem ideia de que fará Albert Rivera na intimidade do seu lezer e, o que é mais importante, nom me importa. Si que me preocupa que, por exemplo, a dezembro de 2014 havia mais de 13.000 pessoas encarceradas por vender pequenas quantidades de droga no Estado espanhol, que está á cabeça em índice de poboaçom recluida em Europa e onde a maioria está encirrada por algum tipo de delito relacionado cos estupefacientes. Preocúpa-me que um 3% da poboaçom segundo as estatísticas (aqui som como o doutor Gregory House, crio que «tudo o mundo minte») consuma sicotrópicos ilegais e atópese em mãos de traficantes sem escrúpulos e a mercé de produtos sem nenhum control. Tamém que nom conheçamos os índices de mortalidade por cocaina, anfetamina ou LSD dado que apenas se realizam estudos. Atérra-me observar que ocorre em América Latina, onde a «guerra contra a droga» aberta por EEUU nom deixou mais que intervençons militares, mortes e a cronificaçom dumha violência desapiadada. Desespéra-me que a esquerda nom seja quem de estabelecer um discurso coerente que aborde de forma integral o fenómeno das drogas, partindo desde os lugares nos que se produzem até os narizes das consumidoras e a prevençom de riscos.

A sério, a mim nom me fai nenhuma graça.

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(*) Isto é engadido meu: “e com um feixe de cámaras gravando e jornalistos ao tanto da movida”

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