Votar ou nom votar? É útil a vía eleitoral para mudar a sociedade?

Na web do Grup Antimilitarista Tortuga há uns contributos de vários articulistas ao respeito das eleiçons, do que é na realidade a democracia, contra a farsa e o ilusionismo eleitoral e a abstençom; e de todas elas vos colo (traduzido) o artigo com o cabeçalho desta entrada se bem vos colo ao final do mesmo as ligaçons aos outros artigos que considero de muito interés para quem, coma mim optamos pola abstençom. O artigo é autoria de Pablo San José Alonso , membro do coletivo Tortuga, e o aprensenta assim: “Esta é a minha achega á mesa redonda “Votar ou nom votar? É útil a via eleitoral para mudar a sociedade?”, celebrada no Centre Sociocultural O Margalló de Elx em 14 de maio de 2016. Ne-la estavam anunciados como relatores: Rafael Gallardo, de Esquerra Unida Elx (que foi substituido por umha companheira, ainda que logo participou desde o público); Anabel Mateu, de Podemos Elx; José Parreño, de CNT-Elx e eu mesmo representando a opiniom do Grup Antimilitarista Tortuga”. O texto que segue, que preparei para o evento, reflicte mais ou menos a minha achega oral ainda que logo repassei-no dándo-lhe um pouco de redaçom, engadindo algum detalhe e mantendo algumha que outra ideia que nom deu tempo a expressar.

PRESENTAÇOM

Pedo desculpas de antemam por se algumha das cousas que vou dizer levanta suspicácias entre os meus companheiros de mesa ou entre o público. Nom pretendo personalizar nem ser ofensivo pero crio necessário falar claro e sem panjolinhas dumha questom de tanta transcendência. Para abordar as duas perguntas que dam título á mesa redonda vou ir dizendo algumhas cousas que considero que NOM é o sistema político que nos governa.

NOM É DEMOCRACIA

A democracia supom governo do povo (demos: povo; cracia: governo). O povo, a gente, as pessoas… É óbvio que no sistema político atual a gente nom pode deliberar e nem muito menos decidir sobre as decisons que se tomam, mesmo sobre as que lhe afetam. Usar a palavra “democracia” para definir isto é umha mentira intencionada. Um conto de mal gosto. Quem criou este modelo nos albores da nossa idade contemporánea (a declaraçom de independência dos EEUU e a sua constituiçom) nom usavam essa palavra. Á contra, diziam que a democracia era algo perigoso e a evitar. No seu lugar usavam o termo “governo de representantes”.

NOM É UMHA CONQUISTA POPULAR

Havia já alguns precedentes em monarquias do antigo régime que viram útil criar algumha que outra cámara de representantes para que o tirano parecera menos tirano. Pero é a burguesia liberal do século XIX quem pom em marcha este modelo de governo e o universaliza aos poucos. As classes dominantes, as detentadoras da riqueza, para quem este sistema político era o mais ótimo para gerir o seu novo “estado nacional”. Este sistema de governo é, pois, umha criaçom e instauraçom do próprio capitalismo em prol dos seus intereses.

NOM É UN GOVERNO “REPRESENTATIVO”

A representaçom supom um diálogo entre representante e representadas e umha fidelidade permanente daquela á vontade destas. Em política isso cháma-se “mandato imperativo”: a pessoa que representa há de ater-se ao decidido previamente polo conjunto das suas representadas e há de convoca-las a deliberar e decidir cada vez que se apresente umha questom nova. Estas á sua vez podem cesa-la quando queiram. Isto nom só nom ocorre assim no nosso sistema senom que a constituiçom espanhola no seu artigo 67, 2 di textualmente: “Os membros das Cortes Gerais nom estarám ligados por mandato imperativo”. Crio que a ideia fica clara. Dado que nom é um governo nem popular nem representativo, quiçás o termo mais ajeitado seria o de “aristocracia”.

…pero NOM É UMHA ARISTOCRACIA

Baseándo-nos na definiçom de Platom, segundo a qual a “aristocracia é o governo dos milhores”, podemos inferir que o nosso sistema eleitoral, dado que nom é nem popular nem representativo, talvez seja a procura dum governo das pessoas mais capacitadas. Nada mais longe da verdade. A observadora menos esperta poderá cair na conta de que com freqüência chegar aos postos de saida que dam acesso ao poder desde cada formaçom política é umha sorte de competência ou carreira que adoitam ganhar as pessoas mais ambiciosas, as que tenhem menos escrúpulos éticos e as que som mais acomodadiças e acríticas coas suas próprias estruturas de poder internas (“o que se move nom sae na foto, que dizia Alfonso Guerra”). Aqui estou a incorrer numha geralidade. Haverá as suas excepçons, claro. Pero polo que ao mim vém-me parecendo, nom ham de ser muitas.

(Algunhas das ideias expostas ata aqui as tomo : deste video: )

NOm É UM EXERCÍCIO DE LIBERDADE

Porque vivemos permanentemente bombardeadas polos discursos do poder, os quais saem em prensa e televisom a cotio, chegando aos últimos faladoiros de bar e sobremesa cada dia. Nom é que a gente seja parva senom que o poder é tremendamente insistente e eficaz á hora de implantar o seu pensamento na sociedade. Por isso as pessoas acabam votando maioritariamente a quem sae na tele. Podiamos fazer um experimento e que as eleitoras votasem nos próximos comícios coma se dumha cata de vinhos a cegas tratáse-se: “Programa número um: se ganhamos faremos tales cousas; programa número dois: idem”. Sem saber de que partido tráta-se. Estaria assegurado o éxito dos de sempre? Ao final igual ganhava as eleiçons o Partido Comunista dos Ponos de Espanha. Exemplo: Podemos empezou a ser maciçamente apoiado nas urnas quando seu líder começou a sair avondo nalgumhas das principais televisons e rádios. Alguns atuais membros destacados de Podemos antes apressentávan-se com outro partido, Esquerda Anticapitalista. Eram os mesmos e diziam cousas similares pero nom lhes votava praticamente ninguém. Qual é a diferença? A televisom. E a quem pertencem os méios de comunicaçom? Ás classes populares témo-me que nom; mais bem ao capital. Crio que a cousa está clara. O discurso político dos méios de comunicaçom propriedade do capital tem umha lógica, e neste caso a motivaçom aponta a um interese de renovaçom dos rostros do inócuo e irreal binómio eleitoral “esquerda-direita”, que vinham estando desgastados e dificultando que a gram mentira seguira sendo crida cos olhos pechos.

Um inciso. Dizia García Calvo há já umhas décadas: “…o ideal democrático consiste na crença, sem resquício, nessa falsidade, é dizer, a crença no indivíduo, em que cada quem sabe o que vota, cada quem sabe o que compra, cada quem sabe o que quer, cada quem sabe onde vai co seu auto. (…) …jamais nenhuma forma de Estado, nem a Banca, vai ter o minor resquemor de intranquilidade respeito dumha votaçom: sábe-se que o resultado da votaçom vai ser o resultado da suma de vontades individuais, e que este vai ser o que se esperava e o que Eles querem. Está claro. Este é o Régime, o último truco do Poder que padecemos. É importante fijar-se nisso. Está fundado na crença do cada quem, em que cada quem sabe onde vai, como a usan ainda para a venda de autos, entanto nom se lhes ocorre outra maneira de explorar ao persoal, ainda utilizando o slogam que eu conhecim quando era neno: a vantagem do auto era que podias ir onde querias, parar-te onde quiger, fazer co auto o que quigeras; seguem manejándo-o. Logo, pois o resultado é o que Eles apeteciam: atasco: claro, cada quem ao sítio que quere e á hora que quere: o resultado, todos ao mesmo sítio á mesma hora, pero cada quem pola sua conta.”

ENTOM, ¿VOTAR OU NOM VOTAR?

Depois do devandito, a conclusom cae polo seu peso, crio: nom votar. Dado que, segundo vem-se argumentando, as eleiçons som umha gram montagem para que o sistema continue o seu caminho seguro e legitimado, o coerente é nom colaborar com isso. Desde Tortuga levamos vários comícios proponhendo a “abstençom ativa”. A ideia é que em troques de votar pódem-se fazer cousas muito mais útiles para a possível transformaçom social. Pero é que hoje em dia eu crio que o simples feito de nom votar, de nom colaborar com essa mentira, já é algo “ativo”, mentres que o “passivo” é votar, seguir a inércia, seguir virando estáticamente na roda de rato crendo que se avança cara a algures. Hoje, em lugar de justificar o meu nom votar falando de abstençom “ativa”, prefiro dizer que me parece perfeito quem esse dia simplesmente vai-se á praia ou aproveita para ir regar os tomates. E se nom votas, que? A eterna pergunta. Vénhem-me muitas respostas á cabeça. Poderia fazer umha longa enumeraçom de alternativas. Pero o primeiro que quigese responder é que a responsabilidade de buscar a alternativa nom é tanto nossa (que tamém) como a de quem coa sua papeleta eleitoral estám a colaborar co sistema, reforçando o seu caráter antidemocrático.

E, É OU NOM O PARLAMENTARISMO UMHA VIA ÚTIL PARA A MUDANÇA SOCIAL?

De feito é umha via útil mais bem para a perpetuaçom do status quo. Que eu saiba, nenhuma sociedade mais alo do capitalismo, a pesar de tentar-se, logrou-se nunca mediante a via eleitoral e si, em câmbio, alguns sistemas fascistas.

AINDA QUE NOM ASPIREMOS A UMHA MUDANÇA RADICAL (OU NOM O VEJAMOS POSSÍVEL), É QUANTO MENOS O PARLAMENTARISMO UMHA FERRAMENTA PARA MELHORAR O EXISTENTE HOJE E AGORA?

Ao final, neste debate, a postura de quem -desde a esquerda- apostam polo voto adoita quedar reduzida a um único argumento: “ainda que isto nom seja umha democracia, contribuir co meu voto a que ganhem uns ou outros pode ajudar nas suas circunstâncias cotiás a muitas pessoas concretas”. Opino que nem tam sequer tal coisa sucede assim na prática.

A alternância de rostros nos escanos parlamentários e nas cadeiras governamentais, habitualmente entre as opçons conservadoras ou liberais e as progressistas ou socialistas, em todo Ocidente, nom propícia mais que pequenos câmbios, case estéticos ou referenciais, gestos para a galeria, para suas televidentes, poderiamos dizir, sem roçar nunca o estrutural.

Quando suceden mudanças de maior entidade, basicamente dam-se, por umha banda, entre ter quotas mais ou menos amplas de liberdades e direitos, ou de autoritarismo, visto em negativo, e pola outra em que a instituiçom estatal seja mais ou menos redistributiva (ter mais ou menos serviços em mans do estado, maior ou menor quota de estado de benestar). Pero os partidos políticos governantes, com respeito a esta questom, nom adoitan ser especialmente fieis aos seus programas senom que, mais bem, adoitam adaptar-se á conjuntura que atopam. Nunca há grandes oscilaçons em nenhum dos dous temas (liberdades, redistribuçom), pero polo geral, governe quem governe abrirá mais a mam (e a bilha) em época de vacas gordas e pechara-na quando cheguem as vacas fracas, as crises.

No caso espanhol, se nos fijamos, do 75 á atualidade, exceptuando a recém lei mordaça do PP, os principais endurecementos do código penal e recortes de liberdades dérom-se baixo governos socialdemócratas. Tamém alguns tixeiraços importantes ao estado de benestar. Lembremos a reconversom industrial dos anos 80 ou o último câmbio constituiçonal para beneficiar aos bancos. Zapatero já figera umha reforma laboral antes do PP. E nom esqueçamos que, paradoxalmente ao que deveria propiciar “em teoria” um sistema parlamentário fronte a umha ditadura, havia muitas mais empresas e serviços estatais no franquismo que agora. Da mesma forma, a maioria de prestaçons sociais estatais atuais tenhem sua origem no tardofranquismo. Outorga-las, como as eleiçons, é algo que no seu dia lhe veu bem ao capital (paz social e desenvolvemento dmn mercado interno) e que nom procedeu de nenhuma luita popular nem da implantaçom do programa de partido algum.

Atendendo a estas questons comprovamos a escasa margem que os governantes mediáticos (porque som actores de televisom mais que outra cousa, igual que os tertulianos) tenhem para aplicar os seus mornos programas no caso de que desejaram fáze-lo. Porque esquecemos nomear um terceiro factor; obviamente o povo nem pica nem curta á hora de decidir, pero o capital -desenhador e dono do sistema político- si. É moi importante nom perder de vista esta questom.

Nom é a primeira nem será a última vez que um partido com umha imagem radicalmente renovadora que ameaçava com socavar os cimentos da sua sociedade, presionado polos próprios poderes económicos e mediáticos que dum ou outro jeito erguerom-no ao poder, acaba governando basicamente como o faria qualquer outro partido convencional. Véja-se o caso grego. Á contra, muitos partidos “de direita” quando atoparom as arcas do estado bem provistas, nom desaproveitarom a ocasiom de solicitar votos aumentando o gasto social.

Co qual concluimos que o eleitoralismo tem umha utilidade mínima, nula mesmo, á hora de obter esses pequenos benefícios que se invocam para sectores e pessoas concretas. Mais vale, em tudo caso e se é essa a aposta política em lugar dumha transformaçom social de maior calado, luitar por eles na rua, contra o poder, adoite o rostro que adoite em cada momento.

Pablo San José Alonso

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Outros artigos de interés na página Tortuga:

Contra el ilusionismo electoral, la abstención no basta x El blog de Nanín

La farsa (tomado de internet)

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