O que o santo nom ve, ou como questionar os Sanfermins sem deixar ser um bo pamplonês x Paco Roda

Hoje lim na rede que em Iruña (Pamplona) volvera haver umha moça violentada por um grupo de energúmenos durante as festas e que a manifestaçom de protesta por estes feitos fora um éxito de participaçom, mesmo feministas galegas davam loas, numha rede social, a tal suposto éxito de participaçom com um simples clic de “compartilhar” a notícia do jornal Gara-Naiz com o cabeçalho “La repulsa a la agresión sexista congrega más gente que el txupinazo”; como se fosse umha vitória popular á que nom há nada mais que aportar e sem pôr em questom nenhum outro aspecto destas râncias celebraçons da tortura animal, da loa á gentrificaçom do casco velho pamplonica e da mercantilizaçom da festa. Nom sei se estas mulheres galegas (e alguns homes) seguem abduzidas pola “bascofília” que leva a olhar com amor todo quanto chega de Euskal Herria e nom se pararam a pensar bem o que apaludem porque, se é manifestamente loável que a gente saia a denunciar os abusos sexuais nessas festas, nom o é tanto que defendam essa festa a morte e que vaiam ao protesto portando a simbologia festeira que promove essa violência sexual e animal. Outra coisa seria se se manifestaram em contra dumha festa que, tal como é hoje em dia, favorece estes abusos.

Como contraposiçom a esta simpleça de “eu gostos” e “compartilhos” vos colo acá (traduzido) este magnífico artigo do pamplonica Paco Roda publicado na web Pamplona.Info, na que fai umnha crítica a esta festa da sua cidade sem necessidade de recorrer ao espinhento assunto do maltrato animal nas touradas:

San Fermín. Nom há no imaginário coletivo pamplonês umha evocaçom mais simbólica, mais vinculante. Nom há. Por muito que te esforces, nom atoparás nada que vincule tanto a um pamplofascista sem rubor cum esquerdista radical livre. A umha votante de UPN com outra de Bildu. E é que O Santo tem poderes de seduçom que chegam mais alo da ideologia que professes. Porque o Santo está por riba de tudo. Para justificar tudo. Tudo na sua honra e desonra. E é que Pamplona por San Fermín (em diante Pamplona por SF) deixa de ser umha cidade para converter-se num macroevento festivo de proporçons gigantescas que altera a vida e mesmo a morte desta gloriosa cidade. Pamplona por SF oferece todas as chaves simbólicas para gerar umha identidade colectiva que esconde e omite a autêntica realidade da cidade, que apaga os focos dos conflitos internos, as contradiçons, as diferenzas, os usos e abusos cotiáns da festa em si. Pamplona por SF trata de lograr, e conségue-o, um aval de alto rendemento. Consegue que a cidadania defenda esta festa sem igual por riba de tudo. Mais ainda, evita o questonamento da festa em si e sorteia com isso penetrar-se nas cloacas por onde circulam os excrementos das gravíssimas contradiçons que gera.

Pamplona por SF é um macroevento anual. O nosso particular macroevento perfectamente embalado em papel-tradiçom. E este evento responde, polo menos desde há 25 anos, a umha pretensom megalómana-festiva que tem um forte componhente político superando a sua pretendida raíz tradicional-cultural. Porque detrás desta festa há estrategias de lezer, consumo, relaçom, compra, venda, distribuiçom, márketin, usos e abusos, modelos de relaçom e submissom, absolutamente politizados, a pesar de quem pese e pese ao berro: ¡San Fermín, San Fermín! silenciador e amortiguador de toda crítica ao Santo e os seus delírios.

Pamplona por SF convérte-se assim numha cidade-empresa, numha cidade-marca, num processo industrial coa finalidade de singularizar-se como tal e associar essa singularizaçom a certos valores culturais e únicos para vender-nos melhor no mercado da festa sem igual, na cidade mais casta do planeta. Logramos destacar no contexto mundial polo que fazemos, pero tamém polo que deixamos fazer esses dias. Polo visível e o invisível. E considerámonos únicos, porque vendemos intangíveis, sensaçons, emoçons, sentimentos, símbolos, momentinhos de alto valor associados á nossa urbe sem igual.

Pamplona por SF gentrifica-se. Ainda que seja por 9 dias. Porque produze-se umha diáspora local que expulsa ao 35% da povoaçom da Zona velha. Mais de 3.500 pessoas de todas as idades estám obrigadas a fugir deste báirro onde é imposível conciliar vida, descanso, lezer e relaçons familiares. É nossa particular diáspora sanferminera, o nosso autoexílio forzado. Pamplona por SF desaloja á sua povoaçom natural, a essa povoaçom da Zona velha, já maltratada durante o ano, ao converter esta Zona velha num espaço espectacularizado, eixo e centro da festa, alterando as suas condiçons de habitabilidade e relaçom vizinhal.

Pamplona por SF gera umha compravenda de drogas superior ao milhom de euros. Calcúla-se que se consomem quase 10 quilos de cocaina, mais outros tipos de drogas duras e de desenho; consumo inquestionável, socializado e reconhecido como arte e parte da festa. Por se isto nom fosse pouco, em Pamplona por SF consómem-se quase quatro milhons de litros de alcol que geram situaçons de conflito, violência e risco psicosocial de alta voltagem.

BPx0-ifCEAAL5_O.jpg largeEm Pamplona por SF prodúzem-se mais de 250 situaçons de acoso sexual encuberto e nom denunciado. É o micromachismo, os microataques sexistas nom contemplados em nenhum código, salvo nas perversas relaçons machistas amparadas e validadas por umha festa sem control.

Pamplona por SF fai que uns 200 anciáns, de entre 70 e 95 anos da Zona velha, habitantes desta gloriosa cidade até que se converte num inferno para eles e elas, véxam-se obrigados a um peche involuntário nos seus domicilios porque non poden transitar por esta cidade aberta ao mundo. A todos menos a eles. Mesmo em Pamplona por SF detectou-se umha maior taxa de mortalidade nestas coortes de idade entre o 6 e o 25 de julho.

Pamplona por SF expulsa a mais de 60 drogodependentes que soportam como podem os seus tratamentos terapéuticos e curativos pero que esses dias devem abandonar forzosamente esta cidade porque se fai inviável a sua recuperaçom no médio dum alto consumo de estupefacientes e alcol.

Pamplona por SF gera o peche involuntário de varias duzias de pequenos comercios da Zona velha que nom podem conciliar a sua atividade comercial coa festa. Singelamente porque a festa pása-lhes por encima, léva-os por diante.

Pamplona por SF gera 630 toneladas de resíduos de todo tipo e condiçom. Esses dias onde todo permíte-se, a reciclagem é umha bricandeira de mal gosto. E isso que a MCP recupera 352 toneladas de vidro e consómem-se 963 litros de água por segundo. Pamplona por SF gasta em limpeza viária dez vezes mais que em qualquer fim de semana festivo. E ninguém se pregunta por essa sustentabilidade.

Pamplona por SF alardea, especialmente o seitor hostaleiro, de criar uns 1.300 postos de trabalho durante 9 dias de festa sem fim. Esquecem mencionar que é precário na sua maior parte. Deles, mais do 75% som contratos “em B” de Bárcenas, economia mergulhada, contratos lixo ou contratos express salvajizados. Contratos que se geram no marco dumhas relaçons laborais subjugadas polas condiçons desse mercado pontual e ao amparo dumha situaçom festiva que permite, de entrada, nom questionar nada e validar tudo. Tudo pola festa. Tudo pola pasta. Tudo pola crise. Calcúla-se que aproximadamente esta cidade, toleada numha espiral de gastos de todo tipo e condiçom, gera uns benefícios netos de orde dos 29 milhons de euros nesses 9 dias. Benefícios que, na meirande parte, vam a mans privadas sem que revertam na cidade ou na povoaçom. E é que Pamplona por SF é tamém a cidade do lezer sem fim, pero tamém do negócio. Pero selectivo, porque nom reparte dividendos por igual.

Pamplona por SF reproduce graves situaçons de desigualdade entre homes e mulheres que o resto do ano nom se dam. Ocorre no espaço doméstico, nos interstícios dos coidados familiares e na participaçom festiva. Calcúla-se que esta desigualdade aumenta durante os dias sanfermineros num 45%. É dizer, durante 204 horas de festas, somos um 45% mais desiguais en materia de género. Degenerámo-nos nom só nas relaçons privadas senom na própria rua, nos espaços públicos avalados por umha festa degenerada. Pese ao esforço municipal em abordar esta degeneraçom.

Pero ademais, Pamplona por SF nom só é desigualitaria entre homes e mulheres, ademais gera exclusom social como poucas cidades fam-no. Os Sanfermines, a pesar da propaganda borrolhista, nom é a festa de todos e todas, som segregacionistas. É a festa das que podem estar de festa. Porque há umha ampla minoria excluída e apartada que vive fóra, nas margens da festa: a gente precarizada, as pobres, as desempregadas, as gentes con prestaçons sociais moi exíguas, as que nada cobram, as sem teito.

Pamplona por SF presume de multiculturalidade. E nom é verdade. Nom é verdade porque essa falsa mensagem de culturalidade é umha pantalha que esconde o dia a dia das “sem papeis”, as que nom estám na festa.

Finalmente, Pamplona por SF nom é um ato de rebeldia social como se vendeu entre as elites casto-pamplonautas. Todo o contrário, como di o filósofo Fernando Bayón, “eu nom vexo nenhum tipo de subversom num fenómeno como o chupinaço. Paréce-me umha exibiçom de obediência coletiva tremenda. E bastante deprimente”. Servidor engade que, longe de ser insubmissos á orde, os sanfermines obedecem á orde imperante, seja da cor que seja, porque legitimam umha orde festiva cultural poscapitalista de última geraçom. E tamém de degenere. Esta cidade está a perder qualidade e calidez festiva. Há tempo que iniciou o seu descenso aos infernos durante esses dias de julho. Porque se um dia esta festa foi popular e participativa, hoje está ferida de morte ao formar parte desse circuíto de cidades de bebedeira, como Magaluf, gerado num Mediterráneo onde miles de cadáveres reclamam um fim de festa mais honroso.

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