“Outra gaita na festa” – Tamém há um militar entre os 5 violadores do S. Fermín

13626968_1952525521640429_6193135244560595919_n Nom nos esquezamos da tolémia identitária das festas populares. As festas populares som sacras e ai de quem se atreva a meter-se com elas. É como o fútbol. Se criticas a Messi, criticas ao Barça, esse que é “mais que um club”. Em Tordesillas únem-se PP e PSOE por defender o direito para matar touros e a ver quem é o político guapo que se declara antitaurino ou defensor dos animais ante a sua vizinhança. Discurso e racionalidade contra atavismo e “tradiçons”, as das festas populares, ou as religions, as pátrias, as fronteiras, etc… E já sabemos quem leva as de ganhar. Comentário de JMGP na rede

Ontem deitei escrito no meu antérior artigo sobre este deleznável feito que, em quanto soubem de que entre os 5 violadores da moça no San Fermín havia 1 picoleto, a minha primeira impressom foi que nom podia ser tal coisa e ato seguido perguntei-lhe estranhado ao meu informante: Só um??.

A noite seica já se contava em algum médio basco que, entre os 5 energúmenos violadores, há tamém 1 militar profissional. E assim, aos poucos, é como os falsimédios vam tirando a informaçom sobre a violência contra as mulheres neste San Fermín. Se hoje fas umha busca na rede sobre as violaçons e abusos sexuais nestas festas apenas atoparás novidades nos grandes médios estatais; e nos bascos a notícia fica num segundo plano oculta entre a autosatisfaçom pola nova resposta da cidadania pamplonica contra estes execráveis crimens e a suposta rápida resposta do responsável da Garda Civil, Cuco Fdez de Mesa, suspendendo de funçons ao picolo detido por violador, mas isso sim deixando claro que nom está apartado do Corpo até que nom saia a sentência, e que a suspensom é devida á “gravidade dos feitos investigados” e tamém pola “importante alarma social” gerida (o que me leva a pensar que, se nom saira nos falsimédios, o Cuco teria mirado para outro lado?).

Além na rede saltou a imagem que acompanha esta entrada, umha fotos dos 5 violadores que 1 deles subira a umha rede social; imagem que saiu nalgum falsimédio como os olhos pixelados; porque como já digem na antérior entrada, nom som nem titeriteiros nem anarquistas e quando há membros das forças armadas polo médio sempre há que reservar o seu direito de presunçom de inocência por riba de tudo.

Como novo aporte colo acá (traduzido) o seguinte artigo de opinióm de Ruth Toledano no jornal digital El Diario

Tetas, sangue e história patológica

13631659_1270586299620560_162980598392137006_n Umha moça de 19 anos foi presuntamente violada por cinco tios durante os sanfermins de Pamplona. Metérom-na num portal, abusarom todos dela e gravarom cum móvil a violência dos agressores e a indefensom da vítima. Imagino a escena. A escuridade desse portal, a brutalidade física desses machos, acompanhada de comentários soezes e de gargalhadas (que graça teria se nom?), os seus alentos etílicos. O desconcerto primeiro dela, o pánico despois, a humilhaçom, seica umha rendiçom de supervivência.

Os cinco presuntos violadores, um dos quais é garda civil (*), descarregaram seu lixo semental e largárom-se a seguir esparecendo polo mundo o seu lixo mental. Nom em balde atopáro-nos despois na praça de touros, menos a um, que fora capaz de conciliar o sonho num coche. Quero imaginar o estado de ánimo deles, o seu comportamento, as suas conversas despois do que figerom, e na minha reconstruçom descúbro-os de novo sujos e borrachos e oio as suas risadas ou os seus ronquidos e vejo seus movementos de banda de terror falócrata, seica olfateando a outras possíveis vítimas. Dam nojo.

Os supostos violadores nom se agocharom. Nom fugirom do escenário do seu crime. Nom deixarom atrás Pamplona, nom pissarom o acelerador, urgidos pola culpa. Nom: fórom-se á praça de touros. A seguir coa violência. A ver como se despanzurra um animal que corre despavorido, a ver como babeja, a ver como busca, taquicárdico, aos seus irmáns atrasados polo medo, a ver como entra aos tombos nessa praça abarrotada de gente que nom o mira, que nom ve os seus olhos desorbitados tratando de atopar umha saida ao seu pesadelo. Os presuntos violadores fórom-se á praça de touros a seguir goçando da violência, a seguir divertíndo-se co sofremento das vítimas. Seica o seu mais íntimo afám fosse assistir a umha colheita.

Os sanfermins forom internacionalmente conhecidos por essa violência taurina, que os seus defensores lograrom mistificar a través da figura do escritor Ernest Hemingway, quem deu passaporte a um sangue e um machismo que lhe eram consubstanciais: “Caço e pesco porque gosto de matar, porque se nom matara animais suicidaria-me”, declarou o estadounidense. Terminou suicidándo-se. Antes de descargar a sua violência contra si mesmo assassinara a moitos animais em África e fardava de matar 122 prisioneiros alemáns durante a Segunda Guerra Mundial: “Sem dúvida nenhuma caçaria é comparável coa caçaria do home, e quem caçou homes armados durante moito tempo e com prazer, despois já nom sente interese noutra caça”. De nom ter recebido o prémio Nobel em 1954, Hemingway nom se passaria de ser um escritor como tantos e um tipo degenerado que só mereceria desprezo. Com tudo, é a sua abjecta e alcolizada patobiografia (biografia patológica, segundo Joyce Carol Oates) sobre a que se construiu o mito das festas taurinas de Pamplona.

Em justa correspondência, os sanfermins terminarom sendo conhecidos em todo o mundo nom só pola sua violência contra os animais senom pola violência contra as mulheres (este ano, tamém um home denunciou umha agressom sexual: figérom-lhe umha felaçom entanto durmia numha tenda de campanha). Som violências parelhas, ambas as machistas, patohistóricas (história patológica), só que a que se exerce contra as mulheres gerou já umha alarma e espertado umha repulsa que aos animais ainda nom se lhes permite merecer. Hordas de machos empapados em alcol, embrutecidos pola massa desse corpo de corpos desde o que brama a sua masculinidade, cuxo prazer consiste no acoso a uns animais que nom querem estar ali e nom o eligirom, e no acoso a umhas mulheres que, de jeito incomprensível, insistem em acompanha-los á sua orgia de testosterona.

Duas imagens ocupam os medios cada San Fermin: unma, a do sangue dos empitonados durante o peche e a dos animais torturados na praça; outra, a de mulheres alzadas sobre essa massa de machos que lhes magream as tetas. Cada umha é moi livre de fazer coas suas tetas o que queira, dirám (mesmo o dirám moitas delas). Certo. Tam certo como que som elas, e nom eles, as que som rodeadas por dezenas de tios, as que som sobadas, manoseadas, as que som zarandeadas e manteadas. É a elas ás que eles ispem arrincándo-lhes a roupa, deixándo-lha feita farrapos. Som elas as violadas por eles despois. As tetas em Pamplona nom som o símbolo do empoderamento das mulheres sobre os seus corpos senom, moi á contra, a divisa do seu sometemento, a encarnaçom do sexismo, violento por definiçom. Como, por definiçom, é violento qualquer festejo taurino. Violência de machos.

Cada julho, em Pamplona, sofre e morre um bo número de animais. Cada julho, em Pamplona, um bo número de mulheres sofre agressons sexuais. Cada juhlo, em Pamplona, há feridos ou mortos nos peches (ainda que estes últimos nom som propriamente vítimas, seica só da patohistória). Todo iso legitimado por umha tradiçom á que se lhe enche a boca coa lenda dum escritor assassino de animais (humanos e nom humanos), machista e alcólico. Todo quadra. Se a nossa sociedade quere suicidar-se, fai bem em seguir o rego de sangue das botas de Hemingway. Se a nossa sociedade quere evolucionar para ser melhor, deve reconhecer, com Oates, que os sanfermins som um brote vissível da sua patohistória. E que, para ponher-lhe remédio, devem desaparecer.

…………
(*) No momento de ser escrito o artigo ainda nom se sabia que outro deles é militar

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