Carta Aberta a Manuela Carmena, mulher “alcaideiçada”. Resposta das prostitutas organizadas ao libelo tirado polo concelho madrilenho

“A nenhuma das pessoas que elaborarom esta guia impórtam-lhes as mulheres em situaçom de trata, senhora Carmena, impórta-lhes sair-se coa sua e abolir a prostituiçom”.

A ex-juíza podemita madrilenha, mulher “alcadeiçada”, vem de tirar do prelo umha guia de recursos para jornalistas intitulada “El abordaje de la prostitución y la trata de seres humanos con fines de explotación laboral” que, ao dia seguinte de fáze-la pública, foi respostada pelo colectivo Hetaira e APROSEX (Asociaçom de Profissionais do Sexo) com o seguinte texto que recolho da web de APROSEX e colo acá depois de traduzi-la:

CARTA ABERTA A MANUELA CARMENA, A MULHER ALCADEIÇADA

trata09301972763154_117781993_n Sempre se disse que o nosso, é o trabalho mais antigo do mundo.

Com tudo, é possível que o fosse a política, ou concretamente umha forma de fazer política, chafalheira, a destempo e moralista, o primeiro ofício desacreditado.

Preguntámo-nos e ultimamente fazêmo-lo moi a miúdo, de onde saca a sua moralina a política de esquerdas. De onde tanto ódio cara ao que nom deseja compreender e como é possível que, desde as instituiçons públicas, recebamos as putas, tanta violência.

Porque si, senhora Carmena, o seu foi violência. Da dura. Da que te parte o beiço, te fratura a mandíbula, te rompe um braço e te deixa chorando num recuncho, só para vir logo com cara de salvadora da velha moral a fazer-nos sentir vítimas por ser culpáveis da sua violência.

Vimos muitos destes comportamentos as mulheres, como para nom saber identificá-los, senhora Carmena. Padecémo-los a mão dos nossos pais, dos nossos noivos, dos nossos maridos, algumhas tiverom a desgraça de sufri-lo a mãos dos seus próprios filhos.

O passado dia 23 de setembro de 2016, como alcaldesa de Madrid alçou-se do seu trono e arremeteu com toda a sua fúria machista contra as miles de mulheres que, no estado espanhol, exercem a prostituiçom de forma livre e voluntária.

Pero nom só isso, ademais jactou-se de ser a mulher que melhor sabe discernir entre o bem e o mal e desse modo, grotesco, de exercer política, abalançou-se contra as mulheres vítimas de trata e de exploraçom laboral, menosprezándo-las até o total extermínio do seu amor próprio.

Chámase violencia machista, senhora Carmena.

Porque ás mulheres em situaçom de trata, crianos, nom lhes favorece que as minimice na sua dor e no seu desamparo. Estas mulheres nom precisam de sobérbia institucionalista e generosidade de advento.

Dê-lhes vostede, senhora Carmena, políticas municipais reais, fagam vostedes que se executem as leis, assegúrem-se de que o tratado de Palermo cúmpre-se a machada e tráte-las como a seres humanos com direitos, que é o que som, em troques de falar dêlas, coma se fossem seres doutro planeta.

mujeres-dibujo As mulheres em situaçom de trata som exploradas laboralmente, fága-no no contexto do sexo de pago, da agricultura, da indústria téxtil ou do serviço doméstico.

Pero, com esse mesmo pouco tacto que lhe caracteriza neste tema, obviou a todas as demais vítimas e cremos saber porquê.

Umha guia para “salvar” mulheres do serviço doméstico nom vende. Quando se fala de prostituiçom e de sexo, todo o mundo abre os ouvidos e fica expectante a absorber a proclama do dia.

A nenhuma das pessoas que elaborarom esta guia impórtam-lhes as mulheres em situaçom de trata, senhora Carmena, impórta-lhes sair-se coa sua e abolir a prostituiçom.

Vostede, senhora Carmena, está em situaçom de mullher alcaldeiçada e assumao, nom é capaz de vê-lo.

Nom pode, porque os satélites que pululam ao seu redor impídem-lhe ver a realidade do que a sociedade demanda.

Como mulher em situaçom de alcaldeiçada ímo-nos referir a vostede a partir de agora, tal como vostede tráta-nos a nós, coma se nom tivéssemos dous dedos de fronte para saber que nos convém.

Vive vostede de costas á realidade de centos de miles de mulheres que trabalham no sector do sexo de pago e demandam, precisam, necessitam, exigem os seus direitos laborais, sociais e civis.

Isso que venhem sendo os direitos humanos, sóam-lhe de algo senhora alcaldeiçada?

Em agosto da 2015 Amnistia Internacional declara que se deve deixar de perseguer e criminalizar a todo o coletivo puta, pero ao Excelentíssimo Concelho da Vila de Madrid, as notícias sobre Amnistia Internacional, conhéce-se que se lhe traspapelarom

Tamém fixo vostede caso omiso, ainda que entendemos que deve ser pola sua situaçom de mulher alcaldeiçada, o feito de que desde 2010 tanto a ONU como a OIT sejam referentes genuinas e genéricas em quanto á defensa do trabalho sexual e por tanto dos direitos, das mulheres que trabalham no sector do sexo de pago, ou por entender-nos com mais facilidade, em prostituiçom.

Ao mesmo tempo, fai-se referência com gram claridade, á diferença entre o exercício livre dum trabalho e a trata de pessoas com fins de exploraçom laboral.

Repetirémos-lho até a saciedade, senhora alcaldeiçada, exploraçom laboral.

trabajo-sexual1-300x226 Porque, se nom fazemos este reconhecemento, seguimos excluindo e degradando ás mulheres, umhas estarán por riba doutras e isso, nom é feminismo. É outro atentado machista, mais doloroso ainda, por vir dumha mulher que pode fazê-lo bem ou mal e que optou por fazê-lo pior.

Senhora Carmena, mulher alcaldeiçada, nom queremos deixar passar por alto tampouco o feito de que aos nossos clientes preténdase-lhes chamar prostituidores.

Talvez, aos seus votantes haja que denominar-lhes alcaldeiçadores, pois.

Nom vemos outra saida a esta confusom de palavras que semelham saidas direitamente da mente perversa da santa inquisiçom. Imos queimar ás putas. Porque elas fam que nom obtenhamos a maioria absoluta!

Loitaremos como sempre o figemos, com poucos recursos, nom como vostedes.

As asociaçons prol-direitos das mulheres que exercem prostituiçom, centrarémo-nos no importante que é ajudar ás nossas companheiras, estejam na situaçom que estejam.

Ajuntaremos os nossos esforços para derrogar ordenanças e batalhar contra iniciativas desproporcionadas e claramente putófobas como a sua.

E ponheremos ao serviço da sociedade a verdade da nossa realidade, do nosso trabalho, da nossa vida, porque senhora Carmena, putas hainas em todos lados, algumha das suas vizinhas poderia se-lo, quiçá algumha mulher da sua família, quem sabe se algumha companheira de trabalho, pero o que si resulta certo e singelo de compreender é que as formas e as maneiras som importantes e que nem pode, nem se deve, fazer política desde o despreço a quem a rodea.

E menos ainda, tentar sobreviver do bucle da mentira tantas vezes contada de que prostituiçom é igual a trata, porque desse modo insulta ás profesionais e ás vítimas.

Estamos desexosas de que esta carta aberta, puide-se ser-lhe útil e que sexa vostede capaz de volver ser a alcaldesa á que nos tinha afeitas, librándo-se da peçonha mal-intencionada e deixando de ser dumha boa vez, Carmena, a mulher alcaldeiçada.

APROSEX

Asociaçom de Profissionais do Sexo

Colectivo Hetaira

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Uma ideia sobre “Carta Aberta a Manuela Carmena, mulher “alcaideiçada”. Resposta das prostitutas organizadas ao libelo tirado polo concelho madrilenho

  1. ogajeironagavea Autor do post

    Além desta contundente resposta da APROSEX e do Colectivo Hetaria; as prostitutas de Hetaria junto da Agrupaçom Feminista de Trabalhadoras do Sexo (AFEMTRAS) tiram dum seu outro MANIFESTO para amosar seu desacordo com os contidos de dita guia, pero sobretudo seu malestar pola apresentaçom que da mesma figera a alcaldesa Manuela Carmena:

    É dizer, que as fontaneiras som fontaneiras “e nom mulheres em situaçom de fontaneria”. Porque nosso ofício é um trabalho, ainda que a algumhas pessoas nom lhes goste. Nem necessitamos que ninguém nos denomine “vítimas de trata” quando nom seja certo.
    Señorxs periodistas, llámenme puta
    COMUNICADO DE PRENSA/ COLECTIVO HETAIRA Y AFEMTRAS

    (lêr acá)

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