Explicando a Anarquia e nossa batalha de 200 anos contra as Elites x Pablo Heraklio

Colo (e traduzo) este artigo autoria de Pablo Heraklio, que publicou no blogue de La Tardoteca:

Quando falamos com pessoas nom familiarizadas coa política ou mesmo hostis ao anarquismo dá igual que espalhes aos sete ventos que a anarquia nom é caos, que te podes organizar sem jefes. Dá igual que expliques que há distintas formas de fazer democracia e que eles só optarom por umha, a parlamentária. Dá igual que demonstres que te podes organizar sem governos nem estados, que as empresas organizam o trabalho social e que os seus proprietários som só rentistas. A gente nom o vê. Nom se fam á idéia, nom o imaginam, nom o concebem. Só repitem o que oem dos médios e o “vox pópuli” do bar ou do trabalho. Capa sobre capa os prejuízos móntam-se uns riba doutros como num pastel. Um pastel que nos teremos que comer se nom lhe damos resposta.

Para esta gente nom valem as definiçons nem conceitos abstractos, polo que temos que fazer um esforço didáctico com ejemplos e explicaçons simples que lhes abram a porta ao pensamento. Pequenos câmbios de sentido podem ser a chave para transmitir a idéia.

Inimigos das elites

O Socialismo do S.XIX marcou como Inimigo ao Capitalista, aquel que explota ás pessoas e despossui-nas obrigándo-las a trabalhar para obter o seu substento, e assim extrair o seu benefício e goçar de privilégios, como tempo e lujos. A sua arma a propriedade privada e a violência. Quedou claro que para que umha sociedade prospera-se sem autodestruir-se devia distribuir e nom concentrar.

As Anarquistas fomos máis aló e démo-nos conta de que mesmo entre as despossuias, ainda sem capital, há gente que se organiza para tirar proveito da condiçom humana, subgrupos autoprivilegiados que nada tenhem que envejar os poderes do capital. Crem-se superiores, actuam como superiores. Por tanto a nossa condiçom de servas nom é tanto umha questom de dinheiro senom de Poder. A estes privilegiados que se organizam para parasitar-nos chamámos-lhes em conjunto elites. A história da anarquia é umha história de loita contra as elites, internas e externas.

Póde-se entender que há umha batalha entre a Anarquia e o resto de correntes políticas, e é porque há umha batalha ancestral entre o povo contra as elites a todos os niveis e em todos os lugares, político, económico e social. Moitas som as diferenças entre o Anarquismo e qualquer outra forma de política.

‘Arj-on’ contra ‘An-Arj’. A etimologia colóca-nos como antagonistas históricos das elites. Na Grécia o governante era chamado Arconte, ou ‘Arj-on’, o que tem a força, o que emprega a força. Com ela podem cumprir a sua vontade, seja esta benigna ou maligna, laudeada ou infame. 2000 anos despois organizárom-se as Anarquistas, aquelas que loitam contra os Arcontes.

Atopamos maneiras de organizar-nos sem elites e practicámo-las activamente. Combate-las sem transformar-nos naquilo que rejeitamos. O mais básico para seguir profundando é que no seu afám de Igualdade a Anarquia nom se rege por preceptos, leis, regras, mandamentos ou ordes, senom por princípios voluntariamente aceptados, sendo os mais importantes os chamados “tres Aes”: Autogestom, Açom Direita e Apoio Mutuo.

Anarquia nom é ‘Sem Força’, é ‘Sem Forçar’

De “per se” o concepto de ‘Anarquia’ ainda que acertado apressenta problemas: ‘An-Arje’, Sem poder, ‘Sem força’. Pero força há na Anarquia, tanto construtiva como destrutiva. Talvez umha aproximaçom mais exacta seria ‘Sem Forçar’. Assim pois ‘An-‘ tamém pode ser entendido como ‘contra’: ‘Contra o emprego da Força’. Contra a coerçom.

Em qualquer modo estamos a falar de Apoio Mutuo, a Solidariedade, um dos fundamentos da Anarquia. É o antónimo da coaçom e a caridade. Implica Acordos negociados, pautados, consensuados, nom impostos. E sobre tudo Reciprocidade, a necessidade de corresponder, a necessidade de que cada quem aceite a sua responsabilidade empeçando com cada membro do grupo voluntariamente e seguindo coas organizaçons. O nosso sistema nom funciona sem reciprocidade.

Vivemos num Estado de Direito regido por Leis coercitivas como princípio reitor fundamental, estabelecidas por elites, defendidas polos exércitos. Nom existe o Pacto Social como dizia Rousseau, ninguém mais que o legislador ou ditador elige a lei, umha camarilha das elites. É a coerçom da violência institucionalizada. Puide-se haver algumha lei justa, claro, como as que regulan as ‘leis naturais’, pero sempre som impostas, e por tanto contrárias ao nosso espírito de Concórdia. O Estado de Direito é o antagonista á Confederaçom anarquista.

‘Sem Obrigar’ nom é o mesmo que ‘Sem Obriga’

Realmente nom se pode entender ‘Anarquia’ como ‘Sem Obriga’, dado que os acordos tomados devem ser respeitados, o conjunto vai pedir que atues de acordo ás tuas intençons declaradas. Nom estás obrigada por coaçom, pero sim por conviçom voluntária a respeitar os acordos por ti tomados, e por tanto poder pedir responsabilidades. Podes obrar ‘Sem Ser Obrigada a comprometer-te’ pero umha vez comprometida há um dever real, chámese-lhe obriga ou chámese vontade. Essa é a Responsabilidade.

Anarquia nom é ‘Falha de Poder’, é ‘Contra o poder’ duns poucos. Contra as elites

Na anarquia, por muito que filósofos e pensadores digam, sim há Poder, sim há capacidades, sim existe a vontade e a direçom, a decisom, o conflito de intereses, a razom e a força bruta que deve ser canalizada. O Poder na Anarquia é simplemente distinto que o da força jerárquica a que estamos habituadas, isto é, monarquia ou com sorte oligarquia. É produto da sinérgia das suas membros, e a cooperaçom dos seus coletivos. É froito da combinaçom dos princípios básicos do Anarquismo. É difícil de imaginar para quem nom o experimentou.

A palavra chave é Vontade. É a nossa vontade distribuir e compartilhar o poder, respeitar-nos e apoiar-nos, por isso o poder aparenta que desaparece.

Da vontade de distribuir, do poder distribuido, emana a Vontade Social, algo que nom se vê no sistema Capitalista ao estar cuberta polos mecanismos de alienaçom despregados polas elites. ‘A Sociedade nom existe, só existem individuos’ Dizia Margaret Thatcher.

‘Empresas Políticas’ contra as ‘Assembleias de Iguais’

O Poder do Estado divíde-se em tres poderes, ejecutivo, legislativo e judicial, pero cada um govérna-se de forma jerárquica de acordo co Modelo Empresarial. E este a modo militar. Ordeno e Mando: o Jefe ordena e decide, as subordinadas cumpren. O modelo Empresarial-Militar triunfou nas elites, cria elites. Nom há diferenças entre a forma de gerir umha Corporaçom e a forma em que o fam os distintos Partidos ou os Poderes do Estado. Fágam-no bem ou mal, sejam justas ou nom, as jerarquias criam elites e nom podem nom cria-las. Som elites. As que por dinámica tenhem intereses distintos aos daquelas que dim representar. Nós esforzámo-nos cada dia por disolver o poder.

Este modelo empresarial, é um poder curtopracista, desmemoriado, interesado. Permite umha rápida adaptaçom ás circunstâncias, o qual é apreciado, pero tamém privilégios infinitos, abusos e impunidade e umha falha de estratégia e responsabilidade a longo prazo que é simplemente nociva e leva a cometer erros fatais. Por isso som desprezados.

O modelo assembleário, é um poder a médio-longo prazo, com muita memória pero maciço e difícil de articular. É lento e ao estar tam controlado o seu processo está cheio de interrupçons o qual leva á desesperaçom dos seus membros. Pero é assertivo, inclusivo e distributivo, o qual leva a tomar decisons com perspectiva e á satisfaçom geral.

Anarquia nom é ‘Sem Governo’, é ‘Sem Governantes’, sem elites

A anarquia léva-nos ao caos do ‘barco sem piloto’, ‘nom há ninguém ao volante’. Em efeito Governo provém do grego ‘Kubernei’ e é isso mesmo, Piloto de barco.

Do conjunto de acordos emanam resoluçons que controlam, ordenam, organizam, processam, distribuem e avaliam a sociedade. Estes som os princípios gerais da ‘Governança’. Pero esta Governança Popular, este autogoverno, esta Autogestom, choca coas Instituiçons do ‘Governo de Estado’, que é a percepçom superficial desta ideia geral.

O Anarquismo é distinto. Se todas mandam nom manda ninguém. Dizer que na anarquia há um Governo tem tanto sentido como dizer que nom o tem. É o Governo descentralizado, estendido, repartido, daquelas que voluntariamente decidirom navegar juntas.  É á sua vez um sem-governo, um anti-governo de pessoas que rejeitam a organizaçom jerárquica das elites. Som as Assembleias Horizontais de Vizinhas e Trabalhadoras. Um poder voluntariamente diluido que precisa de constante cooperaçom e oposiçom. ‘O barco navega, pero se guia de forma distinta’ porque é um sistema distinto. Há Governo pero nom o há, parece mais um problema légico que factual.

O Sistema é simplemente distinto.

Anarquia nom é ‘Anti-Instituiçons’ senom ‘Anti-Elites’

A sociedade em que nos movemos é suficientemente compleja como para entender que há tarefas sumamente especializadas ou concretas que nom se podem desenvolver sem uns conhecementos prévios, sem umha preparaçome umha organizaçpm que se cristaliza nas Instituiçons. Pero isto nom quere dizer que se devam organizar criando elites nem outorgando privilégios.

Empresa Pública ou Privada. O problema das Instituiçons é fázil entender, já que no mundo capitalista som poços de ineficientes de nepotismo que servem aos propósitos clientelares dos poderes políticos, sendo umha extensom do poder e das empresas.
– Os Cargos na Administraçom som utilizados como Agasalhos e Recompensas.
– Os Contratos som Favores e Comissons bidirecionais.
– Os Serviços som um subproduto dos Impostos, escusa para extrair o capital das trabalhadoras, a Taxa.

Nom nos enganemos, Tudo gira ao redor dos Impostos, é a sua forma de espremer-nos. Temos que pagar miles de serviços indesejados do mesmo jeito que há miles de leis sem sentido. Empresas que tenhem como único fim o lucro dos seus empresários, o qual dá umha ideia do serviço público que podem dar. Que curioso, quando a Administraçom nom tem capital pécham-se os serviços, pero manténhem-se cargos e contratos, incorrendo em créditos antes de deixar de pagar estas dádivas aos seus clientes.

É a nossa obriga romper as cadeas de favores que conectam a política e a economia capitalista se nalgum lugar pretendemos cambiar o nosso destino. Por sorte é umha cadeia com muitos elos, muitos Clientes, muitos de-les débeis. Eles, favorecidos, ainda que vivisem na miséria, servirám voluntariamente ás elites e sempre se oponherám á Igualdade e a Justiça. Nom conhecem a Solidariedade, senom a Caridade das elites que lhes extorsionarám até conseguir que cumpram a sua vontade por manter os seus privilégios. Nom nos vemos noutra opçom mais que libera-los ou evitar a sua interferência.

Saúde! PHkl/tctca

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