A tergiversaçom nos média alternativos, um mal dos nossos tempos?

tumblr_o5p3p26qb21sthf15o1_500Desde que começei a participar nos “contra- informativos” da rádio Kalimera, lá por mediados dos anos ’90, sempre procurei informar desde a subjetividade que se precisava para tratar de “contra-arrestar” a manipulaçom dos médios do Capital; Na altura a internete (esse invento desenvolvido no Pentagono USA) ainda era alheia ao uso das simples mortais para espalhar suas versons das notícias e sucessos e, a maioria das vezes, as únicas fontes que possuiamos eram as dos próprios falsimédios; tratava-se entom de saber lêr entrelinhas e extrair a informaçom precisa para conta-la dum outro jeito. Por isso, entroutras razons, falava-se nos médios autogeridos de “contra-informativos”, porque partiamos da informaçom que se nos dava nos médios capitalistas (a versom policial e/ou governamental) e tratáva-se de dar-lhe a volta, de “contra-atacar”.

Eramos por entom verdadeiras ativistas da informaçom que contavamos com moi poucos recursos para construir as nossas próprias notícias, mas nom crio que ninguém poidera dizer que nom cumpríramos as expectativas que a gente que nos escuitava demandava; porque, além dos escasos medios em papel que circulavam e nos chegavam por entom (O Molotov, A Nosa Terra, Fanzines e pouco mais), eram nossas próprias ouvintes (e as membros da rádio) as criadoras de notícias que nos faziam chegar por diferentes médios e que, junto das nossas próprias coberturas a pê de protesto com gravadora de cassete, eram a essência dos “contras” e o coraçom que fazia later a propria existência da Kalimera como rádio livre (de feito por entom todas as pessoas que ingressavam na kalimera tinham que se passar por “contras” mesmo fossem fazer um programa de contido só musical). Com tudo e-lo sempre procurávamos que a nossa versom estivera despejada de manipulaçons e tergiversaçons e, por suposto, de mentiras para tratar de enganar ás nossas fideis ouvintes. Por isso chegáramos a ganhar-nos a sua fidelidade e reconhecemento, pois pese a ser subjetivas (a objetividade nos média é um mito ou umha falácia), ninguém poderia dizer-nos que nom contrastaramos as fontes pois a versom policial ou estatal tinhámo-la em todos os jornais, rádios e televisons do régime e a nossa construíamo-la nos mesmas.

Os tempos mudarom e a chegada das novas tecnológias permitiu que as notícias criadas por médias alternativos e por ativistas de rua e/ou pantalha chegaram fluidamente a qualquer e por muitas vias; a razom de ser dos “contra-informativos” na Kalimera ficou mesmo num segundo plano ante o aluviom de webs e blogues com contidos muito interesantes e informaçons moito jogosas; pero com o aluviom tamém chegaram as saraivadas em forma de bulos espalhados como certos e que fam díficil separar as maçãs boas das más. Com o que, por paradoxo que poida parecer, complicáva-se a tarefa de tirar boa informaçom e mesmo algumhas vezes déramos por boa algo que depois soubemos que fora umha patranha.

Entanto denantes sabiamos diferenciar com muita facilidade o que era a informaçom do Capital, manipulada e tergiversada, da que era, por dize-lo dalgum jeito a nossa, sempre contrastada e subjetivada; depois chegava a resultar-nos dificil saber se quem nos remitia informaçom estava a contar-nos mentiras ou a sua versom tergiversada dum assunto noticiável.

Mas nom só, com a chegada das redes sociais (criadas, ao igual que a internete, polo inimigo) por doquier jurdem opinions de sucessos que nom atingem a contra-arrestar a manipulaçom dos falsimédios e dar conta dos abusos dos poderes; senom que se facilita a expansom de notícias falsas (feitos que nunca acontecerom, conhecidos como “fakes”) e de falácias (a versom duns feitos sem contra-arrestar as fontes) ou mesmo de mentiras perigosas lançadas co galho, nom de desprestigiar ao inimigo, senom de criar umha imagem de monstro de alguém com quem nom simpatizas e mesmo de espalhar um sucesso banal como se fosse umha sentência de morte.

facebook E ainda mais. A rede de redes é hoje por hoje um eficaz médio para espalhar umha mentira sobre alguém que participa do ativismo social; pode-se utilizar para mentir e humilhar para sempre a alguém de quem nom gostas, mesmo para excluir-lhe de toda vida social; basta mentir manipulando feitos ou mesmo inventándo-los e ser alguém que conte com certa sona e/ou credibilidade dentre o ativismo social, ou mesmo que, quem de conta do feito (quem minte ou manipula), seja a suposta vítima dum ato moi grave. E o pior de tudo isto é que os média alternativos estám, por vezes, a cair na mesma caça de brujas que praticam os falsimedios divulgando casos sinificativos, que depois se souberom falsos, nos que se arruina a vida dalgumha gente; e assim ao igual que os falsimédios criam monstros (como o famoso Caso Wanninkhof *), tamém agora nos media alternativos estamos em risco de dar por boa umha informaçom que nos chega de fontes conhecidas e que depois resulta ser um bulo que perjudica gravimente a imagem pública de alguém. E que, por conseguinte, resta credibilidade a tuda informaçom que difundam esses médios alternativos.

Mesmo agora é comum desde o ativismo anticapitalista orquestrar campanhas pedindo assinaturas para tratar de dar maior validez e difusom a notícias ou situaçons que se consideram de muito interés espalhar, muitas vezes buscando a solidariedade de ativistas que, fiámdo-se da trajectória das promotoras, nom duvidam em dar por certo o que lá se conta e assim assinam muitas pessoas sem conhecer a outra versom. Nada raro se quem está a ser denunciada é do grupo das inimigas ou quem está a ser apoiada é do grupo das amigas. O problema jurde quando as partes enfrontadas pertenecem ambas ao grupo de amizades; porque entom corremos grave risco de dar por boa umha das duas versons sem conhecer á contrária e mesmo dar por bo e assinar o que se conta num comunicado público que se pretende certo ainda que recolha inexatitudes (ou mentiras). E mesmo há quem exige aos médios alternativos que deam pulo a tais comunicados mesmo sem que se contra-arreste essa informaçom com a versom oposta ou serám tildados publicamente de favorecer á parte contrária (isso no milhor dos casos).

Nom há moito rulou um comunicado publicado numha rede social onde, Joan, um moço anarquista catalám e ativista de movimentos sociais reconhece que mentiu quando contara a sua exnoiva que MariCarmen (umha moça trans) forçara-lhe a manter relaçons sexuais e que lhe contagiara umha ETS, algo que circulou com amplitude polos movimentos sociais cataláns. Isso causou um tremendo trauma á pobre Mari, que resposta assim ao comunicado de Joan:

Maricarmen Martinez

Este comunicado ha costado mas de un año de digerir, no estoy del todo contenta con ello, ni con el proceso, me sigue costando mucho de aceptar. Mas de un año de depresión, de ansiedad y estrés, dolores pectorales y falta de respiración, dolores de cabeza, diarreas, taquicardias, arritmias y extrasístoles, sensibilidad aguda a los sonidos y olores, terapias mil, picologa y farmacos innombrables, no salir de casa, empotrada en un sofá o en cama, con miedos incomprensibles, pánicos que aun a día de hoy me han dejado huella, hay secuelas que no me podre quitar tan fácilmente… aun duele

Después de todo esto, no quiero que este comunicado os haga creer que la persona que lo escribe, Joan Peiró Tura lo ha hecho por propia iniciativa, no es así, ha sido como he explicado antes un proceso super complicado y complejo, este comunicado surge de mas de un año de presionar a Joan para que cuente la verdad de lo sucedido, con intermediarias, y otras personas afines gastando fuerzas. tiempo, energía y un desgaste emocional enorme…

Sobre todo y lo mas importante para mi es que este suceso no pueda servir para justificar la existencia de acusaciones falsas sobre agresiones machistas, sino para visibilizar lo retorcida que puede ser la heteronormalidad y las estrategias que puede llegar a usar contra las disidencias sexuales y de genero…

Ahora por mi parte no quiero ver a Joan Peiro por lo menos cerca, no quiero encontrarlo en los espacios que frecuento etc…

Assim acho que as pessoas que estamos ativando as medias alternativas devemos ter coidado com o que nos chega de qualquer fonte, e agora tamém quando o objetivo a bater nom é nosso principal inimigo: O Capitalismo e suas valedoras. E mesmo nom ceder aos primeiros implusos de quem mete presom para que se publiquem comunicados e notícias, onde a pessoa objetivo é um ativista, sem conhecer antes a versom desta. Eu levo anos na procura de-lo e tenho cometido erros de bulto ao espalhar dados como certos sem te-los contra-arrestado ou analisado na sua totalidade, intento nom cometer mais erros nesse senso mas ultimamente só recebo críticas por e-lo. Espero nom ser nunca o objetivo dumha campanha orquestrada e tergiversada porque é moi dificil demonstrar que os feitos nom som como se relatam e tês todas as de perder se quem lança tal comunicado é um lobby antisistema.

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Caso Wanninkhof *.- A galega Dolores Vázquez Mosquera fora declarada culpável por um jurado popular de assassinar a Rocío Wanninkhof e condenada a 15 anos de cárcere graças á campanha orquestrada e alimentada pola imprensa e televisom sensacionalistas, que já condenara a Dolores como culpável denantes do juízo e a estupenda laboura da Garda Civil e o fiscal que declararam que duas fibras da roupa desportiva que Dolores vestia de jeito habitual, correspondiam-se case na sua totalidade com fibras atopadas no cadáver de Rocío. Só graças a que, quando Dolores já estava no cárcere, aparescera umha outra mulher assassinada e se sopubera que o ADN do assassino coincidia com o do crime de Rocío, Dolores puido ver sobresaido seu caso e abandonar o seu sequestro depois de 17 meses de privaçom de liberdade.

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