“O galego-português nom é umha língua”

na-galiza-em-galego Com esta sentência começa um comentário que me remitirom a umha das minhas entradas recéns desta minha bitácora; é a continuaçom dum outro no que se me recrimina que “si sodes un blogue de ámbito galego, e máis de carácter reivindicativo, deberiades escribir nalgún idioma que se fale en Galiza (galego ou castelán), xa que a gran maioría das vosas lectoras son galegas”. Como a temática de dita entrada nom tem nada a ver com a questom lingüística, considerei que merescia umha breve resposta numha entrada escrita a propósito. Se bem para e-lo cumpre colar acá a minha resposta ao seu 1º comentário e a totalidade do seu 2º que começa com o cabeçalho desta entrada:

Eu- “Este é um blogue persoal onde manifesto minhas inquedanças. Escrevo no galego que conheço e reconheço como origem da língua espalhada por toda a lusofonia: o galego-português”.

Ela- “O galego-portugués non é unha lingua xa que non se fala de forma natural, é unha lingua “espalhada” por linguistas que nun momento determinado renegaron do galego como lingua natural da nosa Galiza. Dende que era nova coñecín moitas persoas galegas de antepasados galegos e non coñecín ningunha que falase galego-portugués. E a gramática e nomenclatura con caracteres portugueses non ten sentido xa que os fonemas galegos en calquera das súas variantes faladas en Galiza non teñen un son parecido ó dos fonemas portugueses”.

Poida que haja quem pense que é umha perda de tempo querer respostar a tal sentência; mas quiger faze-lo sem tirar de ironia nem retranca por mais que mo pida o corpo. E assim optei por recolher as opinions de certas personagens que poida fagam reflexionar a minha categórica comentarista e que recolhim da página da AGAL, onde há muitas mais. Poida que estes sejam os linguistas que nun momento determinado renegaron do galego como lingua natural da nosa Galiza que nomea minha comentarista:

«Existe entre o galego e mais o português tam estreita afinidade que quanto mais português é o português e mais galego é o galego, mais vêm a se assemelharem» (Rafael Dieste – Ante a terra e o céu)

«Ou é que ainda hai quem, possuindo algumha cultura, pense que o nosso idioma vernáculo e o idioma de Portugal nom som todo um e o mesmo, com idêntica sintaxe e idêntico léxico, salvo pequenas diferenças de morfologia, ortográficas e prosódicas. (…) Entre o galego e o português de hoje nom hai mais diferenças que as existentes entre o castelhano de Castela e o de Andaluzia e América; e a sua unificaçom é tam fácil, se nom mais, que a realizada por flamengos e holandeses com o idioma comum» (Antom Vilar Ponte – Pensamento e sementeira)

«O galego é um idioma extenso e útil, porque -com pequenas variantes- fala-se no Brasil, em Portugal e nas colónias portuguesas.» (Castelao – Sempre em Galiza)

«Para adaptar a nossa literatura aos leitores portugueses temos que admitir a sua ortografia, quer dizer, a hoje válida em Portugal, somente com aquelas modificações (bem pequenas por certo!) que exigem as diferenças da língua. Este caminho já foi seguido polos flamigantes na Bélgica, que houvérom de tomar a ortografia holandesa, o que lhes aumentou de maneira considerável os leitores. Fagamo-lo, pois!» (Joám Vicente Biqueira – Ensaios e poemas)

«Comecemos polo estudo do idioma que falamos hai mais de dez séculos. Povo que esquece a sua língua é um povo morto. O primeiro a nossa língua, a língua que falou este povo, e a que falam e entendem cerca de três milhões de galegos, dezoito milhões de habitantes de Portugal e dos seus domínios, doze do Brasil. Nom pode perecer um idioma que tem umha literatura gloriosa, e nomes que som orgulho da inteligência humana. Por isso, e para recolher em Galiza o seu verdadeiro léxico, dar a conhecer a sua gramática e afirmar a sua existência, fundou-se esta Academia» (Manuel Murguia – palavras na apresentaçom pública da RAG, 30/09/06)

«Poucos galegos se tenhem precatado do que Portugal é para nós. Portugal é a Galiza livre e criadora, que levou polo mundo adiante a nossa fala e o nosso espírito, e inçou de nomes galegos o mapa do Mundo. Bento Vicetto -que é o Wells da história de Galiza, como Wells é o Vicetto da história universal- atina algumhas vezes nas suas fantasias. El insiste de cote na ideia das duas Galizas: A Galiza Lucense e a Galiza Bracarense. Embora se nom podam sinalar os lindeiros de umha e da outra, o certo é que tal dualidade, nom somente existiu, senom que foi decisiva -e por certo para mal- na nossa história. Com efeito, mentres a Galiza Lucense se entregou inerme e esquecida, os bracarenses soubérom alargar Galiza até o Algarve, sustê-la independente, e criar novas Galizas na América, na África, na Índia, na China e na Malásia» (Vicente Risco – Revista Nós, nº 79, 1930, pág. 143)

Serás épica tuba
e forte sem rival,
que chamarás os filhos
que alô do Minho estám,
os bons filhos do Luso,
apartados irmãos
de nós por um destino
invejoso e fatal.
Cos robustos acentos,
grandes, os chamarás,
verbo do gram Camões,
fala de Breogám! (Eduardo Pondal – A fala, Queixumes dos pinos)

«Do mesmo jeito que os diferentes dialectos do castelhano se escrevem coa mesma ortografia, ainda que a pronúncia andaluza, por exemplo, difere consideravelmente da burgalesa, caberia umha ortografia unificada para o ámbito galego-português, ainda que um falante compostelano, um falante lisboeta e um falante evorense manifestem tamém as suas peculiaridades na pronúncia» (Ricardo Carvalho Calero – De ortografia galega)

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