A Revoluçom Cubana: Um Olhar Libertário x Capi Vidal

Decidim dar pulo a este artigo de Capi Vidal publicado este domingo passado, tras a leitura do seu moi interesante artigo “O movemento anarquista en Cuba” que descreve a situaçom deste movemento desde seus inícios no século XIX (maioritário em Cuba) até agora, e que minhas compas de Abordaxe tiverom a bem de traduzir e colar no seu blogue. Quando rematei sua leitura quigem profundizar nalguns aspetos tam sinificativos como os dados de que “o Partido Comunista Cubano pactara com Batista, apoiándo-lhe eleitoralmente” quando sua suba ao poder (sim ao igual que Hitler, o ditador cubano acedera ao poder numhas eleiçons democráticas em 10 de outubro de 1940 com umha candidatura “populista” e “progressista”); e mesmo o feito de que anos depois, em março de 1952, quando Batista dirigiu o golpe de estado, o PCC tamém pactara com el; ou mesmo o feito de que as anarquistas cubanas foram ativas combatentes contra a ditadura de Batista junto a diversos grupos guerrilheiros e mesmo participaram no Movemento 26 de Julho que fundara Fidel Castro; e outros dados moi interesantes que vos comino a lêr. E assim foi como dim com estoutro artigo no blogue de Capi Vidal, Reflexiones desde Anarres (sobre os anarquismos e sobre toda forma de emancipaçom individual e coletiva)” e que traduzo e colo (mantendo negrinhas, aspas e ligaçons), junto a um seu próprio comentário sobre a Repressom ás Anarquistas nos primeiros anos da revoluçom castrista:

A Revoluçom Cubana: Um Olhar Libertário

A revoluçom cubana, do mesmo jeito que acaeceu coa chamada “bolivariana” mais recém, produziu paixons e rejeitamentos por todas partes; tantas vezes, sem possibilidade de matizar entre os dous extremos. A realidade é que o comunismo originado em Marx viu fracasado umha e outra vez, tanto a sua teoria supostamente científica, como suas experiências políticas; falamos de fracaso em termos autenticamente revolucionários e socialistas, por suposto.

A pesar desta praxe errada, coa negaçom da liberdade em todos os âmbitos da vida, e com umha questionável política económica (que, em qualquer caso, nunca foi autogestom por parte dos trabalhadores nem pareceu caminhar cara isso) certa esquerda atopava novos referentes umha e outra vez nestas experiências de Estado. Vejamos como viu o movemento anarquista, partidário do socialismo autogerido, este mais de médio século de “revoluçom cubana”. Na luta contra Batista, como é lógico, as anarquistas tiveram um papel ativo. Moi pronto, coa chegada de Fidel Castro ao poder, atoparám umha repressom nas suas filas; nas suas publicaçons, advertirám sobre o autoritarismo, o centralismo estatal e a hegemonia do Partido Comunista e reclamarám democracia nos sindicatos. As anarquistas, do mesmo jeito que deveriam faze-lo os marxistas, apostavam pola autogestom e pola emancipaçom das trabalhadoras. Com tudo, a via do Estado cubano derivou, coa sua falha de liberdade e de iniciativa própria, no totalitarismo e a dependência do modelo soviético.

Ao ser conscentes deste desastre, em 1960 as anarquistas figeram umha declaraçom de Princípios mediante a Agrupaçom Sindicalista Libertária; nela, atacáva-se ao Estado, ao centralismo agrário proposto pola reforma do governo, assim como ao nacionalismo, ao militarismo e o imperialismo. As libertárias mantínham-se fideis á sua concepçom da liberdade individual, como base para a coletiva, do federalismo e dumha educaçom livre. As habituais acusaçons, que chegam até nossos días, de estar a soldo de Estados Unidos ou outros elementos reacionários nom tardariam em chegar. Depois daquilo, a repressom castrista fijo que o anarcosindicalismo nom tivera lugar ao erradicar-se a liberdade de imprensa e nom poder fazer propaganda ideológica. Iniciou-se o éxodo anarquista nos anos 60, quedando poucas militantes em Cuba e sofrendo um miserável despotismo.

Naqueles primeiros anos da revoluçom cubana, criáram-se organizaçons no exterior, como o Movemento Libertário Cubano no Exílio (MLCE), e houvera outros manifestos libertários criticando a deriva totalitária (*). Umha obra anarquista destacada é “Revolución y dictadura en Cuba”, de Abelardo Iglesias, publicada em 1961 em Buenos Aires. A posiçom anarquista, quanto menos por parte da maior parte do movemento, estava clara. A incansável atividade intelectual dalgumhas anarquistas cubanas fai que se exponha com claridade meridiana conceitos como os seguintes: “exprópriar empresas capitalistas, entregándo-las aos operários e técnicos, isso é revoluçom; pero converte-las em monopólios estatais nos que o único direito do produtor é obedecer, isto é contrarrevoluçom”. A pesar destes esforços, a finais da década dos 60, o castrismo parecia estar a ganhar a propaganda ideológica, o que provocou que alguns médios libertários, na Europa e na América Latina, tendiam cada vez mais a apoiar á revoluçom cubana.

Um ponto de inflexom para esta situaçom será a publicaçom em 1976 no Canadá do livro “The Cuban Revolution: A Critical Perspective” (A Revoluçom cubana: um enfoque crítico), de Sam Dolgoff, que tivera umha excelente distribuiçom e que “figera um impacto demoledor entre as esquerdas em geral e as anarquistas em particular”. O livro constituiu um certeiro enfoque crítico do castrismo, recolhendo a luita do MLCE (reiteradamente acusado de estar ao serviço da reaçom) e propiciando o seu reconhecemento internacional; o impacto sobre o anarquismo internacional, e mesmo sobre outras correntes de esquerda, foi considerável. Nos seguintes anos, é destacável a publicaçom “Guángara libertaria”, a cargo do MLCE, iniciado em 1979 e que chegou até 1992. Nos últimos tempos, destaca o boletim “Cuba libertaria”, do Grupo de Apoio aos Libertários e Sindicalistas Independentes em Cuba, com um primeiro número aparecido em fevereiro de 2004. Na atualidade, é umha obriga dos movementos anarquistas internacionais apoiar a rede do Observatorio Crítico Cubano, que implica projetos socioculturais internos e externos, cum marcado caráter antiautoritário e autogerido.

Se algo alimentou o mito da revoluçom cubana foi o criminal bloqueio dos Estados Unidos, que chega até nossos días apesar do início de relaçons propriciado por Obama. Tam intolerável é esse bloqueio norteamericano como o que estabeleceram os Castro sobre a poboaçom cubana. Essa eleiçom entre o mau e o pior, tendência tantas vezes da mentalidade humana, é pobre e falaz; o mau segue sendo mau, há que trabalhar por umha vía que assegure a justiça e a liberdade. Assim o figeram na história as anarquistas, desde a época colonial até o atual sistema totalitário. Por desgraça, os movementos sociais som inexistentes em Cuba, dado que a única representaçom política é a través do Partido Comunista e da Unión de Jóvenes Comunistas. O regime cubano semelha perverso por partida dupla, pola sua condiçom intrínseca, suavizada pola magnificaçom dos seus logros, e por arrogar-se umha autoridade moral fundamentada na sua suposta natureza transformadora e progressista. Tras a morte de Fidel Castro, o regime já tivo continuidade co liderado do seu irmão Raúl; é digna de assombro a capacidade do falecido comandante para perpetuar o seu legado.

O processo que se abriu, nos últimos tempos, co início de relaçons com Estados Unidos e com algumhas reformas internas aparentemente liberais (ainda que assegurado o control estatal da economia), parece umha nova etapa capitalista na ilha na linha do “comunismo” chinés, ainda que claramente liderada polas mesmas elites políticas e militares. Lembremos que em Cuba, a pesar da dificultades do bloqueio, operam e operaram empresas do capitalismo internacional. Como em tantas outras experiências marxistas, o suposto socialismo acabou sendo capitalismo de Estado e umha triste e perversa prática totalitária. Nestes Estados totalitários pseudosocialistas, do mesmo jeito que nos “liberais”, os paradigmas hegemónicos som a exploraçom e a dominaçom. A crítica anarquista a toda forma de poder demostrou-se acertada.

(Comentário de Capi): Repressom ás Anarquistas nos primeiros anos da revoluçom castrista

samPara isso, seguirei a obra dum dos grandes historiadores sobre o anarquismo em Cuba, Frank Fernández.

A mentada declaraçom anarquista da Asociación Sindicalista Libertaria (assinada polo Grupo de Sindicalistas Libertarios, falamos do vrão de 1960) foi um dos primeiros ataques direitos ao regime desde um ponto de vista ideológico, o que provocou a rápida resposta do PCC coas consabidas acusaçons de estar ao serviço dos EEUU. Nesse momento, as anarquistas convertíram-se em inimigas do regime e passaram á clandestinidade; nom puideram levar a cabo nenhumha resposta, a pesar de estar preparado um libreto de 50 páginas, dado que os impresores estavam “aterrorizados pola ditadura” (tampouco foi possível umha ediçom clandestina).

As opositoras anarquistas ao regime vem-se acosadas, começam a delaçom e as acusaçons como acenos de identidade dum sistema totalitário. A acusaçom de “contrarrevolucionária” supom cárcere ou fusilamento, atacar ao regim era um crime de lesa “pátria”. A pesar desta situaçom, “a gram maioria das anarquistas cubanas acordaran rebelar-se e iniciar umha luita que estava condenada desde o primeiro día a um fracaso rotundo”. Publicou-se um boletim clandestino (de agosto a dezembro de 1960), mantínham-se reunions, levavam a cabo atos de sabotagem, incluso a luita armada mediante a guerrilha. O governo cubano considerou esta atividade como simple bandidagem e atuou de forma implacável (aqui podemos atopar outro paralelismo com os maquis durante o franquismo).

A situaçom das anarquistas na ilha era cada vez mais dramática. O fracasso da invasom de Baia de Cochinos, planejada pola CIA, serviu para liquidar toda oposiçom interna e para consolidar o regime de Fidel Castro. O 1 de maio de 1961, o governo cubano declarou-se socialista (seguindo o modelo soviético), o que serviu para exigir umha adesom absoluta. Noutras épocas e noutros regimes, a tormenta para as anarquistas podia-se afrontar de tal maneira que nom supugera o exílio forçoso, pero o novo sistema totalitário cubano só oferecia mais alternativa que a fidelidade ou escolher entre tres opçons: cárcere, paredom ou exílio…

Capi Vidal

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(*) Nota do gajeiro: Por ejemplo podedes lêr acá o “Manifiesto de los Anarquistas de Chile sobre la Revolución Cubana” de 1960

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