Operaçom Marianne ou a detençom “inteligente” de quatro inocentes

c28n6056 28 de novembro de 1917.- Europa está em guerra, o governo espanhol baixo a monarquia de Alfonso XIII decidira manter-se neutral mas Galiza era um fervidoiro de espias e nos seus portos houvera vários afundamentos de buques de ambas partes contratantes. Mas pese a sua teórica neutralidade, a situaçom política é totalmente inestável e recém estoupara entre seus límites fronteiriços a crise que ficaria para a história com o nome de “Crise espanhola” (antecessora imediata da gripe de igual toponímia surgida nesse mesmo inverno e que se desvelaria como a mais mortífera epidémia da Idade Contemporánea). Dita crise era a fatal consequência do contraste entre os niveis de desenvolvemento entre a nascente indústria e o atrasso seqular do agro e das políticas do governo ao aplicar umha violenta redistribuiçom das rendas que viram agravar as tensons campo-cidade e centro-periféria. No mesmo ano em que na Rússia triunfara a revoluçom bolchevique e derrocaram ao último Czar, no território espanhol viviram-se meses no que se sentia um processo pre-revolucionário com revoltas populares que desembocaram numha greve geral no mês de agosto, mas como noutros momentos da história, os militares nom duvidaram em pôr-se ás ordes do Rei para reprimir ao povo com o trágico resultado de 71 pessoas mortas, 156 feridas e umhas 2000 detidas. Dessa brutal repressom sairiam reforçados tanto o papel do Rei como o do ejército na vida pública.

Em 16 de setembro desse ano, Antonio González Vázquez, emigrante na América escreve ao seu pai Benito, recém retornado, interesándo-se, entroutras coisas, por saber se “Arturo biene para esta” e na mesma carta há umha “PD” assinada por Manuel González Marzais quem escreve (sic): “Antonio si de mi necesita yo los sirba como si fuera miermano no tenga pena por el que esta fuerte le aprueba bien el pais yolos consegos se los doy”

Do que se despreende desta carta, atopada no Arquivo da Emigraçom Galega  , vem sinalar o mesmo que qualquer outra que escolhera ao açar escrita por emigrantes para seus familiares e amizades e que falara de facilitar desde o lugar onde emigraram o transito para supera-las penalidades de viagens, barreiras fronteiriças e trámites de aduanas e mesmo conseguir um posto de trabalho para á paisanagem vizinha com anceios de mudança. Que eu saiba, an altura, ninguém era julgado por isso. Era um gesto humano que era apreciado em toda Galiza, tanto entre quem ficava na nossa terra como quem residia na diáspora. Algo que nom só constitue um anaco da nossa história passada e presente, senom mesmo um rasgo que afeta nossa idiossincrasia como povo.

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emigracion-19 28 de novembro de 2017.- O mundo está em guerra, Ocidente contra o Terrorismo Islámico. O governo espanhol que segue baixo a monarquia borbónica, agora com Filipe VI (bisneto de Alfonso XIII), anda em tratos para considerar terrorista a toda pessoa que resida entre suas fronteiras e que professe a religiom muçulmana ou mesmo que provenha dum pais onde sua povoaçom tenha, maioritariamente, estas crenças. As crises capitalistas seguem produzíndo-se de maneira cíclica tal como corresponde a um sistema que, um século depois, segue profundizando nas diferências em quanto á redistribuiçom, se bem dada a despovoaçom paulatina do agro, agora apenas ficam tensons entre campo e cidade, e essas diferências palpam-se agora entre bairros ricos e arrabaldes. No estado espanhol já nom há greves gerais nem luitas populares, a repressom ás ativistas com ansias revolucionárias acadou niveis que nunca antes se acadaram a base de operaçons policias com nomes rimbombantes que acabam com músicos, titeriteiros e simples opinadores nos seus democráticos cárceres.

O povo galego continua sua deriva constante por terras alheias fugindo da miséria na busca de milhores condiçons de vida por outros lugares; mas tamém é receitora de algumhas pessoas, moi escassas, que consiguem chegar tras inúmeros e complejos trámites e que tamém fugem das misérias e mais do terror das guerras nos seus país de origem.

Nom sei em que día nem em que mês deste ano, Abdelkar Redjimi, argelino de 33 anos de idade residente no lugar de Tufions, do concelho de Vimianço, onde trabalha na indústria madeireira e gandeira, pom-se em contato telefónico com um seu irmão, quem reside na Turquia de jeito eventual na sua derrota migrante a Europa, para notificar-lhe que lhe estava a tramitar um seu permiso de residência e padrom na sua vivenda, onde el já leva 3 anos compartilhando sua vida com umha mulher deste lugar coa que tivera recém umha criança.

Umha chamada similar deverom fazer tamém Abdelkarim Tergou, argelino residente em Arteixo e dois homes marroquinos residentes em Almeria que, como um século atrás, tratavam de facilitar o transito para supera-las penalidades de viagens, barreiras fronteiriças e trámites de aduanas e mesmo conseguir um posto de trabalho para á paisanagem vizinha com anceios de mudança. Neste caso agravado polas guerras e seus terroríficos efeitos colaterais que causam inumeras (pois nom há intençom algumha de conta-las e que se saiba) mortes a inocentes.

Mas aquí é quando o nosso relato nom segue a mesma deriva do que se passava coa gente migrante um século atrás e é quando remata todo paralelismo possível mesmo que o forces a e-lo. Porque é quando fai sua entrada os Serviços de Inteligência da Garda Civil, que tras mais de um ano em cordinaçom especial com outros serviços europeios, que suponho eu de igual inteligência, decidem montar a Operaçom Marianne, cordinada desde Madrid e desenvolvida pola Jefatura de Informaçom da Garda Civil baixo a direçom do Julgado Central de Instruiçom nº 2 e a Fiscalia da Audiência Nacional, e deter em 28 de novembro de 2016 a Abdelkar Redjimi e os outros 3 magrebies por ter fundadas sospeitas de que estes quatro indivíduos mantinham relaçons “bastante fluidas” com o terrorista Estado Islámico (Daesh) “tanto no estado espanhol como em outros estados de Europa”.

Ato seguido, todas as televisons e resto de falsimédios, tanto impressos como digitais ou rádios, sumavám-se entusiastas á exposiçom pública das peças caçadas e facilitavam dados persoais e filiaçom completa dessas pessoas, seus rostros e os da sua familia e da sua vivenda (no caso de Abdelkar Redjimi). Ninguém punha em dúvida a laboura dos serviços de inteligência da GC e tocava fardar diante de Europa e do mundo da sua eficácia. Para elo nom duvidaram em entrar as 6 da manhá a golpe de patadas na porta e equipas especiais de ataque armadas até os dentes numha vivenda onde residia além do detido, a sua companheira, a criançinha de 13 meses filho de ambos e mais duas filhas adolescentes e a nai e umha tia-avó dela. Abdelkar, ao igual que os outros 3 detidos foi levado maniatado a Madrid para declarar ante a Audiência Nacional, mas nessa viagem algo se passou que fijo cair todo o trabalho de inteligência da GC e quando chegaram á capital das espanhas, tras 72 horas sequestrados, nom tiverom mais remédio que deixar-lhes livres e sem cargos alguns na sua contra.

Num estado que se auto-considera de direito o normal seria que saira, em todos quantos faslimédios colabouraram na criminalizaçom e estigma destes homes, o máximo responsável deste desaguisado a dar explicaçons e pedir desculpas públicas e um a um aos quatro sequestrados e suas famílias, mesmo o governo deveria facilitar os trámites aos seus familiares envolvidos nesta trama da inteligência europeia e espanhola para que chegaram aos seus anelados destinos. Mas nom só, o único que fijo este governo foi deixar-lhes nas ruas de Madrid sem um peso para poder regressar aos seus lugares de residência e mesmo há quem conta (nom puidem confirma-lo) que um dos marroquinos residente em Almeria ia ser deportado por carescer de permiso de residência!!. Pola sua banda os falsimédios tratarom de justificar seu posiçonamento e derom pulo ao comunicado hipócrita que tirou a Garda Civil querendo zafar da sua incompetência e reiterando a falsidade de que os detidos estavam presuntamente relacionados com redes de imigraçom irregular que supostamente estava utilizando o Estado Islámico e que os investigadores sospeitavam que mantiveram contato quanto menos com um dos terroristas participantes antes e depois dos ataques terroristas que causaram 130 mortes nos atentados cometidos em Paris em novembro de 2015.

Abdelkar Redjimi manifestou nalgum médio local o seu profundo malestar por todo este tema tras volver ao seu fogar: “Isto nom é cousa de broma já que acabou saindo em tudo o mundo: a televisom de Argelia, da França…”. “O único que eu queria era ajudar ao meu irmão, mais nada”, além enfatizou seu imediato objetivo de “limpiar seu nome”.

Sirva este texto para ajudar-lhe nilo.

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2 ideias sobre “Operaçom Marianne ou a detençom “inteligente” de quatro inocentes

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