Supostos siareiros ultra-esquerdistas e seu suposto violador.

Tenho que reconhecer que nunca me afiz a essa divisom entre siareiros dum e outro extremo ideológico nas equipas profissionais de futebol; um feito que, tenho constatado, controlam moi bem meus compis “infecionados” a este espectáculo de massas e gram negócio financieiro-especulativo.
c2yf36bxcaarbap_3764_1 Suponho que minha inhorância vem dada porque, nos meus tempos de adolescente em que fazia seguimento entusiasta deste desporte, nom havia tal divisom ou nom se manifestava em público, em parte porque ainda eram tempos da Ditadura de Franco e ninguém da extrema esquerda era tam estúpido como para jogar-se o tipo por expressar suas preferências ideológicas numha partida de futebol e além, porque ainda nom chegaram a estes lares a demência coletiva praticada polos siareiros nas grades dos estádios, e nos seus arredores, co galho de animar aos seus lançando berros e cânticos de glória militar heróica com grandes doses de violência estéril; impostura que a mim me lembra mais ás guerras das cruzadas que a manifestaçons das paixons dos afeiçoados; de feito pouco tempo depois de deixar eu de seguir este negócio foi quando nos grandes estádios se começaram a cavar profundos fossos e instalar elevados valados para evitar que os siareiros saltaram ao terreno de jogo e tamém para separar as afeiçons de ambas equipas e assim tratar de evitar liortas entre elas. Pelejas que antes so vivias nos campos de terra das divisons inferiores, mas estas nom tinham nenhum caráter nem índole política pois dita rivalidade vinha dada nom só polo jogo de futebol senom por inimizades históricas entre vizinhanças rivais e que mesmo se manifestavam em bailes e romárias.

st-pauli-flag Quando tenho comentado a algum dos meus amigos, mais novos ca mim e que sabem do tema, que eu de pequeño era siareiro do Racing de Ferrol (cidade na que me criei e na que morei desdes os 2 meses até os 18 anos) e que nas nossas “pachangas” luzia com orgulho meu pantalom branco e minha camisola verde com o escudo no peito e o nº ao dorso e as médias altas branquiverdes; todos fam-me ver que os siareiros deste clube som moi fachas; é mais, dim-me que som a única afeiçom de extrema direita da Galiza tuda; e ei de reconhecer que isso me desconcerta; nom tanto polo meu gosto infantil “desviado” senom polo feito de que se me conte que o resto de siareiros das equipas galegas que participam das divisons superiores som gente de esquerdas e mesmo anticapitalistas; porque eu podo entender a existência de equipas desportivas de cárater e inspiraçom mesmo anarquista infiltradas neste mundinho dominado polas altas fináncias e a especulaçom capitalista, de feito have-los hainos, como o FC St. Pauli (1), mas o que nom me colhe na minha cabecinha é que haja gente que se autodefine anticapitalista e que esteja disposta a deixar-se a vida numha liorta por defender umhas equipas que estám em mãos de grandes especuladores milhonários, capitalistas sem escrúpulos e mesmo fascistas aos que só lhes interesa os réditos e ganâncias que poidam obter com esse jogo e que coa mesma vendem e compram equipas de futebol e deslocalizam sua sede se fora menester como acostumam fazer com qualquer outra das suas empresas.

Além do Racing tamém gostava do Real Madrid, suponho que porque na altura era a equipa ganhadora e porque meu irmão maior já abrira a brecha geracional fazendo-se siareiro desta equipa quando meu pai era da sua eterna rival capitalina, o Atlético; e, ainda que pareça um paradojo, tamém gostava do Betis porque vestia de verdibranco ao igual que meu Racing e porque gostava imenso do seu lema “luthierano”(2) do “Viva er Betis manque pierda” e que eu entendia como a milhor filosofia de ânimo incondicional e bastante afastada dos cânticos vitoriosos militaristas das outras equipas; eu, na altura e durante muitos anos depois de deixar de prestar atençom ao mundo do futebol, estava convencido de que “er Betis” era a equipa das currelas sevilhanas e que “el Sevilla era dos pijos e senhoritos; mas ve-se que é do revés.

Com estes meus gostos e segundo a opiniom dos meus amigos enterados e interesados neste mundinho das afeiçons e das inquedanças políticas dum ou doutro signo de siareiros ultras; agora podo dizer que na minha escolha de preferências tirei polas piores equipas.

Mas o passado no estádio de “El Sadar” do Osasuna de Pamplona nesta finde passada veu confirmar minhas suspicácias ao respeito das clasificaçons que distinguem as afeiçons deste desporte espectáculo e as dividem entre ultras de esquerda e de direita. O Osasuna enfronte tinha ao Sevilla e no espaço das grades onde forom ubicados os siareiros desta equipa andaluza havia colgada umha faixa que rezava em letras enormes: “GORDO” em homenagem a José Ángel Prenda, um dos seus siareiros que agora mesmo fica em prisom pendente de ser julgado; mas nom fica preso por ter-se envolvido numha liorta com inimigos fascistas de outra equipa nem por ter cometido supostamente um ato ilícito de corte anticapitalista, nom!! este elemento é um dos 5 encarcerados tras violar umha moça em Pamplona nos S. Fermins do ano passado; o mesminho que se jactara de ter tirado da placa do seu amigo gardia civil (um outro dos encarcerados, além dum outro militar) para quitar-lhes “médio gramo” de cocaina a uns “pringaos” em Pozoblanco e de quem já se dera a conhecer sua militância nos “Biri Norte”, grupo de siareiros com ideologia supostamente da ultraesquerda e que a raiz deste assunto da faixa venhem de tirar um seu Comunicado com o que pretendem desvincular-se da faixa e no que, ao tempo que aclararam que “Biris Norte” nom estivo presente nas grades de “El Sadar” (??) (pese a que ao carom da mesma ve-se umha outra na que pom “Gol Norte”, que é onde se ubicam esta “afeçom” no seu estádio sevilhano), dim (sic) “Aprovechamos también para pedir que se tenga la decencia de no condenar a quien aún no ha sido juzgado, de no crear un juicio público paralelo y que se respete la presunción de inocencia”.

Depois de tudo isto acho que, este mundo da loucura polas cores dumha equipa de futebol profissional, está moi afastado das minhas inquedanças e preocupaçons vitais pois, ao igual que sucede noutros campos profissionais com as atitudes corporativistas de defesa do indefendível, assisto perplejo ás declaraçons destes supostos anticapitalistas defendendo o direito a inocência dum militar, dum garda civil e dum siareiro futboleiro (além de outros dois elementos) acusados dumha violaçom múltiple dumha moça de 18 anos e da que se jactaram e mesmo enviaram mensagens aos seus coleguis; som estas provas, sem lugar a dúvidas, as que levaram a esta gentalha a prisom; dado que se nom fossem tam evidentes, de que iam encirrar em preventiva a um picolo e a um militar??

actualidad_140249003_12834404_854x640 Com este seu comunicado e por muito que digam no mesmo que estám contra da violência de género e sexista e que estám orgulhosos de ser umha das poucas grades que luita ativamente contra estas lacras; para mim que estám a ficar ao mesmo nivel que o falsimédio navarro que qualifica de hipócritas a quem, ante este escándalo com grande repercussom mediática, protestarom porque houvera tal faixa colgada em “El Sadar” com estas palavras (sic) :

¿Pero no son todos estos los que, cuando se trata de otros delincuentes, defienden sus carteles y pancartas? (…) ¿Acaso violar a una chica está a un nivel de gravedad superior a matar a un guardia civil, a un concejal del PP, a un periodista o a un niño que pasaba por allí? (…) “Podría subrayarse además que los sospechosos de la violación aún no han sido condenados, a diferencia de toda la patulea de criminales a favor de los cuales se inundan las calles de todas las localidades navarras a cuenta de cualquier festividad, concierto o carrera. Si hay alguna diferencia, es a favor de los sevillanos. Al menos hasta que haya una sentencia condenatoria” (…) ¿Se ha respetado su presunción de inocencia? ¿No es esto lo que seguramente reclaman quienes han colocado la pancarta?

O certo de tudo isto é que eu nom acabo de entender como pode haver pessoas que se categorizam como antisistema e anticapitalistas e que defendam a morte umha cores dumhas equipas que estám dirigidas e presididas por especuladores capitalistas sem escrúpulos. Nom me entra no meu magim, nom dou entendido isso, mas agora que o penso, quando comecei a dar-lhe voltas a esta história de “El Prenda” e sua filiaçom nos “Biri Norte” veu-me a mente esse dito de “tendo amigos assim, quem quere inimigos!!”.

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Notas

(1) Equipa ubicada no porto de Hamburgo e que nos anos 80’ adotara seu logo nom oficial (ver imagem) e a filosofia anarquista que se respirava nesse lugar, e desde entom som conhecidos como “Os Piratas do Elba”.

(2) Les Luthiers na sua cantata “Ya el sol asomaba en el poniente” exaltavam a derrota: “Perdimos… perdimos… otra vez”. Vos colo esta verssom montagem que atopei pola rede assinada por Richard Dees quem a descreve como “Confesiones de un desencantado, ni siquiera indignado: gane quien gane, perdemos siempre…” :

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