Cacos e Polis

e50a32cf94e0ae90a3372b96c4f5d037oQuando pequeno eu era dos índios e dos quatreiros, nas minhas aventuras de jogo cos pequenos bonecos de vaqueiros sempre ganhavam os malos, a diferência dos westerns que passavam na segunda canle da tele os sábados á hora da sobremessa. Nom sei porque sempre me punha do lado contrário ao que se supom que deviera; mas dessas cenas, nas que me ilhava do resto do mundo para jogar, só goçava eu e hei reconhecer que mesmo sentia prazeres proibidos ao fazer justiça aniquilando aos bos colonos e assim compensar a má e injusta fama que levavam os povos originários indígenas nesses filmes. Mesmo tamém quando me coletizava nos jogos enfundado coas pistolas no cinto e o sombreiro de ás, e onde já tinhas que ser alguém com pedegrí entre as personagens das séries de vaqueiros dado que os malos nom tinham protagonismo algum, eu sempre optava polos sequndários e gostava muito de «Trampas» em troques do mais solicitado e aclamado «El Virginiano», a quem eu considerava um pedante engreido.

Na altura as crianças de cidade viviamos os jogos coletivos nas ruas, praças, parques e jardins, onde a presência de coches era pontoal e aos que mesmo faziámos partícipes sequndários dos nossos jogos: “Lá vem a Diligência!!”. Mas esses jogos nom deixavam de ser meras reproduçons do que toda umha geraçom de crianças víamos abraiadas na tele e no cine, e mesmo algumhas líamos com fervor e paixom nos tebeos e nos livros de aventuras ilustradas e nossos modelos iam marcados por certos patrons de conduta onde os bandoleiros eram maus de solenidade e o sheriff e seus ajudantes umha bençom do mesmo Deus. Nom havia fissuras no discurso nem do decurso do jogo e sempre ganhavam os que tinham que ganhar mais que nada porque todos eramos da banda dos bos e os maus eram personagens invisíveis aos olhos de quem nom participava das nossas batalhas.

diario-verano_clip_image001_0024 No entanto tamém tinhamos outros jogos de rua que permitiam sacar á luz as nossas preferências acorde nossos sentimentos de justiça. E dentre delas eu gardo um grato recordo das grandes partidas de “Cacos e Polis” no parque municipal de Ferrol onde, ás íntrigas da própria trama, se lhe sumava o aliciente dos gardas muncipiais que tratavam de controlar-nos para que nom pisaramos o cespede nem rubiramos polas polas das árvores nem saltaramos a verja do estanque dos patos. Eu sempre prefiria ser Caco, mas era a eleiçom favorita de todas e nom ficava outra que sortear e se por desgraça te tocava ser Poli o teu interés ia encaminhado a tratar de pilhar quantro antes a todos os Cacos para começar outra partida na que te tocaria ser Caco.

A verdade é que molava muito mais ser Caco; entanto os Polis contavam até 100, os Cacos saiamos correndo e começavamos a planificar como evitar ser pilhados; havia quem optava por ocultarse perto do cárcere (umha farola ou umha árvore á que iam sendo amarrados e colhidos da mão em cadeia quem caiam presas) co galho de planejar umha espectacular fuga (se um Caco era quem de, sem ser apresado, toca-la mão de quem estava no último elo da cadeia, todas as presas acadavam a liberdade e podiam fugir correndo dos seus captores); tamém havia quem iam fazer burlas dos carcereiros ajejantes, para que estes sairam correndo tras eles e deixaram ó cárcere sem qustódios e que outro Caco aproveitara para liberar a seus compis. Fosse como fosse o papel dos Cacos era muito mais interesante e divertido, pois os Polis só tinham como missom tratar de capturar a todas, léva-las até prisom e nom deixar que ninguém se achegue tanto a ela como para que qualquer Caco poidera liberar a toda a récua de compas capturados. De todas era um jogo fascinante onde a camaraderia e o apoio mútuo era um componhente imprescindível para o desenvolvemento do jogo e no que um bo jogador nom tinha porque ser moi rápido correndo dado que eram, a astúcia e a capacidade de driblar ao teu perseguidor e zafar dele, as milhores qualidades, nom para sair vitoriosos da partida porque ao final sempre ganhavam os Polis (objetivo do jogo) senom por durar mais tempo conservando a categoria de Cacos, e assim mesmo ás vezes as partidas se prorrogavam e prolongavam durante días para desfrute da equipa de Cacos e a raiva frustrante da equipa de Polis.

Tamém eram tempos da Ditadura franquista na que os cárceres estavam imersas nas cidades, as gentes iam levar-lhes aos presos viandas e outros objetos a traves das ventás enreixadas que davam á rua e as presas, que eram parte do povo, ou bem davam lástima ou bem, fugistas e rebeldes, formavam parte do elenco de hérois da rapazada; pois o régime que figera da “Lei de Fugas”(*1) um jeito de ejecutar vilmente a seus detratores políticos se enfrontava ao sentir do povo, onde ainda latejava forte aquela sentência popular que reclama que ‘a primeira obriga de todo preso é intentar fugar-se’. (*2)

2E assim, aos poucos, entre a caterva de rapaces e rapazas que nos juntávamos a jogar, foramos colhendo olheira contra os representantes uniformados da lei e jogando aprendimos a odiar a grises, marrons e depois azuis; e nehumha de nós sonhava, nem pretendia, com ser no futuro um desses agentes com caras de poucos amigos e olhares avinagrados que semelhavam ter como única missom amolar-nos nos nossos jogos.

Agora e desde há bem anos, e segundo dim pola ameaça do paro e pola escasez de contratos de trabalho fijo, há centos de crios e crias que anelam ser policias e colabourar assim com o mantemento dum sistema que criminaliza a pobreza e acossa a verdadeira dissidência. Som fruito do alonjamento e ocultismo dos cárceres ao olho do povo e da cultura do elógio ao “bon vivant” democrático, onde milhons de pessoas trabalham arreo para ganhar umha miseria e assim colabourar para fazer multimilhonários aos piores especímens da humanidade tuda.

Nesta sociedade da injustiça é triste e patético ver a crios e crias do povo entusiasmadas por acadar umha praça permanente de fidel servidor do amo e de traidora da sua gente.

Eu, que nunca me considerei “presista” (*3) pois nom vejo no feito de ter sido preso nenhum direito a colgar-se medalhas e a exiger um trato preferencial ao resto, seguirei no meu jogo de nom deixar que me atrapem e de nom esquecer as presas que estám agardar que alguém turre das suas mãos para ajudar a escapar-se.

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Notas

(*1) Baixo apariência legal e mediante a técnica do “passeio”, foram assassinadas durante os primeiros anos do franquismo miles de vítimas que aos olhos do povo eram inocentes. Um procedimento que já fora aplicado em Barcelona na decada dos anos 20 polo general ferrolá Severiano Martínez Anido, quem era Governador civil desta cidade durante o periodo da Restauraçom Borbónica, e fora quem dirigira a repressom contra a CNT ao ordenar á Garda Civil e aos pistoleiros do Sindicato Livre (fascista) cometer mais de oitocentos atentados de terrorismo de estado co trágico resultado de mais de cincocentas anarquistas assassinadas; heroicidade que lhe valera ao general acadar depois os postos de ministro da Gobernaçom durante a Ditadura de Primo de Rivera e ministro da Ordem Pública do 1º govierno do seu paisano Franco.

(*2) Há diferentes paises em todo o mundo onde as presas nom recebem castigo nem pena algumha por fugarse do cárcere; e se som capturadas de novo nom verám incrementada o periodo de cumprimento da sua pena por elo.

(*3) A tais efeitos recomento a leitura deste texto da “Asamblea de solidaridad de Valencia”

 

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