Kichi: de vozeiro antimilitarista a alcaide podemita de Cádiz pro-indústria armamentística

“Para que a pesar del castigo que sufrimos aquí con el desempleo, nadie aquí sucumba al engaño de que el escudo antimisiles generará empleo en la zona…” Kichi tras a Marcha antimilitarista para Rota em 2013

Francisco José Cuevas Noa, excompanheiro de luitas de Kichi na sua antérior etapa a ser alcaide de Cádiz, escreve na web “La Voz del Sur” este seu texto (que traduzo e dou pulo) ao respeito do posiçonamento favorável de Kichi para que se construam barcos de guerra nos asteleiros da sua cidade com destino á armada dum dos paises ditatorias com mais denúncias por vulneraçons dos direitos humanos, e no que fai umha moi boa reflexom de como as “podemitas” mudam de maneira drástica de opiniom e de formas em quanto se fam com um espaço de poder, por moi pequeno que este seja como no caso que nos ocupa :

Kichi e as corvetas militares para Arabia Saudita

Fai um par de días vimos ao alcaide de Cádiz, José María González, Kichi, defender a construiçom de corvetas militares para Arabia Saudita na Baía de Cádiz. Numha entrevista no programa Salvados, e despois num artigo em El País (Reféns do paro contra vítimas da guerra), reconhecia que era umha contradiçom (a de ser antimilitarista e á vez defender a industria militar na zona) que el assumia, e que o fazia para “poder supera-la”.

Gostaría-me contestar-lhe, partindo da minha posiçom pacifista, e coa familiaridade que dá o compartir com el várias luitas na sua etapa anterior a alcaide.

Expom el que essa contradiçom entre o antimilitarismo e a indústria militar (resolvéndo-la a favor do emprego) é ineludível no nosso contexto, e mais ainda para trabalhadores que nom tenhem mais opçom. Pois bem, eu nom assumo essa contradiçom. Ser antimilitarista e estar a favor das corvetas para Arabia Saudita é algo intragável.

Lembremos que Kichi foi portavoz da Marcha para Rota no 2013, é dizer, na manifestaçom por antonomásia do pacifismo andaluz, e agora defende o emprego por diante dos direitos humanos no que el chama unha “trincheira moral”; como se come isso? Di el que o “sistema” nos obriga a tragar essas contradiçons, nom nos deixa escapatória. Pois bem, eu penso que nenhum sistema pode imponher-che mudar de opiniom tam rápido, isso está na consciência de cada quem e na sua coerência moral.

No comunicado da Marcha para Rota do 2013 (*) dizia Kichi “Para que a pesar do castigo que sofrimos aqui co desemprego, ninguém aqui sucumba ao engano de que o escudo antimísiles gerará emprego na zona…”, e que há que apostar pola desmilitarizaçom da crise para que a crise nom acabe por militariza-lo tudo. E semelhava umha profecia: a crise, co seu monstro do desemprego, está a arrasar com qualquer crítica de índole antimilitarista. O “emprego” é sacro, por encima das guerras e as mortes de miles de pessoas de lugares que nom vemos. Olhos que nom vem, coraçom que nom sinte.

Dizia-lo há pouco um amigo meu, Juan José Ruiz, curiosamente companheiro de sindicato de Kichi e professor de Filosofia: “Porque nom fabricamos minas antipessoa em Cádiz para dar de comer aos parados? Por certo, os nazis criaram muitos postos de trabalho. Exterminar judeus dava muito emprego. E os que fabricavam o gas velenoso nom tinham responsabilidade algumha, ao parecer”. “Já o dizia Hanna Arendt. Isto é a banalidade do mal. Entre todos destruímos o mundo, pero ninguém é responsável. Só obedecemos ordes. Ou buscamos justificaçons para nom eleger o mais justo”.

Porque essa é a questom: a responsabilidade. Nom a culpabilidade, que é um conceito cristã que fai muito dano. A responsabilidade de eleger o caminho da coerência moral, que fai que a consciência esteja por encima das “contingéncias” e das obrigas do cargo. Por exemplo, a responsabilidade que figera dimitir a Nicolás Salmerón da jefatura do Estado na I República por se negar a assinar as penas de morte. Ou a responsabilidade á que chamaba Rudolf Rocker, o ativista libertário alemám, para que os trabalhadores das fábricas de armas baixaram seus braços em 1919, cara ao final da I Guerra Mundial, no seu chamado “A responsabilidade do proletariado ante as guerras”.

É a coerência entre fins e medios, que explicava Gandhi. “O fim está nos médios, assim como a árvore está na semente”. Esse é o tipo de  “política” que necessitamos, nom a de sempre, do tacticismo político, a do fim que justifica os médios, de Maquiavelo. Os marxistas como Lenin, Trotsky, Bensaid e outros, som mestres dessa arte maquiavélica; expertos em riça-lo riço das justificaçons para acumular poder, “superar” as contradiçons e desinflar os movementos de base, profundando nesse estruturalismo determinista que impede que tomemos a iniciativa e comprometámo-nos persoalmente para iniciar os câmbios.

Se nom, em pouco tempo, pode um acabar assemelhándo-se a esse “capitám sem palavra que vestia chaqueta de pana”, como dizia Kichi, em alusom ao Felipe González dos 80, que tamém foi primeiro pacifista e depois meteu-nos na OTAN até à medula.


(*) Nota do gajeito: Declaraçons do Kichi no vídeo desde o minuto 4 ao 8

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