Desmontando a suja e rasteira campanha para criminalizar os estivadores

Tinha em mente escrever algo sobre os operários e as operárias (sim como as meigas tamém haver hainas) da estiba, sobre a sua valente luita e sobre as mil e umha mentiras da imprensa do capital ao respeito. Mesmo tamém queria falar das 3 deputadas da “nova política de esquerdas”, Ángela Rodríguez (Unidos Podemos), Teresa Jordà (ERC) e Marta Sorlí (Compromìs), que se forom a NY em viagem de lujo a gastos pagos por todas e que pretenderom fazer-se as heroinas do povo por voltar para “apoiar” aos etibadores e que com iso quigerom tirar partido para si dumha luita que lhes supera por abaixo e pola esquerda. Mas cheguei a este estupendo artigo em EL BLOG DE JULIÁN (MUTXAMEL-VALENCIA CONNECTION) e adiquei-me a traduzi-lo para ajudar a dar-lhe pulo tal como Julián solicita na pdt do final. Vos convido a espalha-lo:

O passado joves 16 conseguiu-se um ponto de inflexom. A imagem é muito mais que umha imagem.

Essa imagem é a derrota do Governo ante o intento de volver impôr, umha vez mais, a um sector laboral, um decretaço com o único galho de precarizar as condiçons de trabalho, baixar soldos, desregular, despedir trabalhadores e fazer as delícias de empresas financeiras e fundos voitres multimilhonários para que encham de benefícios os seus petos á conta dos trabalhadores. Já o figeram cos mineiros, cos professores, cos médicos, com tantos e tantos trabalhadores afetados pola reforma laboral. Pero desta vez, NOM. Desta perderom. Já ia sendo hora!

E nom foi porque os políticos que apoiaram a este Governo, coa sua abstençom ou o seu voto, mudaram: Foi porque os estibadores som um coletivo unido, com umha forte consciência de classe e capaces de fazer pressom coa greve. Foi porque os estibadores, índa oferecéndo-lhes in extremis o Governo o caramelo envelenado dumhas zumentas prejubilaçons que lhes dividiriam entre maiores de 50 anos e minores, entre fijos e eventuais, rejeitárom-nas.

Essa imagem é muito mais que isso: É a primeira vez desde 1979 que um Real Decreto Lei é tombado no Parlamento espanhol. É, além, umha vitória moi simbólica: O Governo, a patronal e as multinacionais que se íam beneficiar devido á pressom da UE imponhendo umha liberalizaçom dos portos, eram derrotadas pola firme resistência de 6150 trabalhadores da estiba.

A reaçom do Governo e dos meios de comunicaçom, em poder dessas mesmas multinacionais, foi imisericorde, carregada de rancor e desapiadada. Seguramente, nos seus adentros, pensarám: “Quem se creu que som esses sujos obreretes para desafiar-nos?“. Desde entom, a campanha a coitelo contra os estibadores é constante, aplicando todas as técnicas de propaganda, em nada diferentes ás do nazi Goebbels. Ademais, o mesmo PP está a organizar ás suas hostes para que tirem e disparem a matar contra os estibadores nas redes sociais. É por isso que crio que é necessário desmontar algumhas mentiras que levam días verquendo contra os estibadores, a quem em troques de odiar como querem os poderosos, deveriamos imitar e tomar ejemplo deles.

Empecemos co assunto mais comentado: A “Multa”:

Todos os meios repítem-no a mão-tente, todas as televisons falam disso, todos os tertulianos a soldo: “A multa custará aos espanhois bla, bla, bla”. Assim, repetido e repetido, coma se amanhã fosse vir alguém ás nossas casas e dizer-nos, qual recadador de impostos medieval: “Oia, mire vostede, tem que dar-me tanto e tanto por culpa dos estibadores”. E sempre com números maiores: Em troques de explicar que a multa som 50 milhons de euros, dim que se tenhem que pagar ao día 130.000 euros cada día, para que pareça muito. E mesmo alguns meios e jornalistas chegam a calcular em pensions quanto custa a sançom europeia, por se algum descuidado ainda sente ademiraçom cara aos estibadores. Busquei no mesmo meio se atopava o mesmo cálculo sobre o resgate á banca, autoestradas, almacem de Castor ou corrupçom: Por suposto, nom atopei nada, como esperava. Essas multas nom doíam tanto aos acionistas de Atresmedia.

O mais triste disto é que nom é verdade, é que tudo é umha campanha baseada em meias verdades, informaçons tendenciosas e mentiras:

1. A multa nom se paga pola derrogaçom do decretaço: Há margem de vários meses para que o Governo negócie cos trabalhadores. É dizer, é rotundamente FALSO que a derrogaçom do decreto contemple o pago da multa de jeito imediato.

2. O custo da multa era menor que o Decretaço: De aplicar-se o disposto no decreto do Governo contra a estiba havia que pagar 310 milhons de euros polos despedimentos, pagados com dinheiro público a trabalhadores de empresas privadas, cousa verdadeiramente vergonhosa e que nenhum meio de comunicaçom calculou ( e alguns nem sequer informarom disso). Ao que haveria que sumar as prejubilaçons prometidas por Emprego: Outros 225 milhons de euros. Estamos a falar que, em total, liberalizar a estiba custaría-nos 535 milhons de euros, é dizer, case o importe de 11 anos de multas da Uniom Europeia: A diferença é que coa multa, 6.150 estibadores estarám a trabalhar e co decreto estariam na rúa, para que as empresas se beneficiaram da desregulaçom laboral e de converter a estiba numha profesom precária.

3. Poderiamos mesmo debater a injustiça da multa. Se o Parlamento Espanhol vota em contra de liberalizar a estiba, porque temos que aceitar a orde da UE, passándo-se polo forro o votado em Espanha? A resposta é singela: a UE, sempre, está ao serviço dos monopólios empresariais, os fundos de investimento e os grandes bancos. É por isso que algumhas pessoas oponhémo-nos a ela.

4. E tamém umha cousa que deveria chamar a atençom de tudas. A sançom da estiba custa 50 milhons. Se o comparamos co resgate bancário, que som mais de 100.000 milhons de euros, co custo social da corrupçom, que som 90.000 milhons de euros, ou co resgate ás autoestradas, que som 2.000 milhons de euros, falamos dumha cifra ridícula. Só o dinheiro que ingressem os salários desses estibadores por IRPF e o pago da Seguridade Social das empresas por esses trabalhadores pode ascender anualmente a umha cifra moi similar á ditosa multa. Para pôr mais cifras sobre a mesa: o custo da sançom pola estiba seria de 1€ por pessoa, fronte aos 50€ das autoestradas, os 2560€ do resgate aos bancos. É aqui onde deveria atuar o teu sentido crítico, leitor, e preguntar-te: Porque os mesmos que chamam “resgate” ás autoestradas ou “injeçom de liquidez” aos bancos chamam “multa que pagaremos todos” á sançom da UE”? Porque nunca me informarom do custo em pensons ou em hospitais que tinham esses conceitos e sim o fam cos estibadores?

A campanha para criminalizar aos estibadores nom remata ai: Um seitor que era desconhecido polo 95% dos mortais até o día 3 de fevereiro, agora está na fala da gente, botando pestes sobre eles (em base ao que escuitaram nos meios de comunicaçom, sem expor-se ou contrastar a informaçom). E sobre eles estam-se dizendo muitas mentiras e meias verdades.

Nom é certo que a estiba seja um seitor pechado e ninguém poida aceder se nom tem família. Aqui deito umha convocatória pública dum porto, o de Pasaia, para trabalhar de estibador, onde se pode comprovar que o acesso é totalmente livre e nom existe discriminaçom positiva para quem tenham familiares trabalhando, como já se explicou aqui há semanas.

Do soldo pouco que comentar: Som trabalhadores privados, o soldo que cobram é o soldo que conseguirom arrincar em acordos coas empresas navieras que ganham milhons e milhons de benefícios. Ainda que, como saberás, o soldo dos estibadores sofre umha curiosa inflaçom nas notícias: Cada día que se passa a cifra aumenta: Em fevereiro eram 40.000, despois 50.000, posteriormente, 70.000. E La Sexta (cuja conselheira delegada do Grupo Atresmedia é tamém conselheira de JP Morgan, banco que se fará de ouro coa liberalizaçom da estiba) chegou a publicar um tweet, logo borrado, falando de soldos de 140.000 euros.

Tampouco é certo, como carregos do Governo e meios como Libertad Digital estám a difundir de que nom haja mulheres na estiba. É radicalmente falso: Só existe um porto onde nom há, Algeciras, e a razom é que desde 2013 nom há convocatórias para a bolsa de trabalho. De feito, para provocar a rejeiçom do coletivo de estibadores, Libertad Digital difundiu um vídeo de 2014 do Canal Sur onde um estibador manda “a fregar” a umhas mulheres que pedem que se admita a trabalhar a estibadoras no porto de Algeciras. Evidentemente, nom dim que o vídeo seja de há 3 anos e a intençom é vincular a celebraçom da derrogaçom do decreto com esse vídeo: É dizer, que o comentário machista e deplorável dum estibador, de UM, seja extensível a todos e cada um dos 6.150 estibadores, incluidas as 400 estibadoras do Porto de Valencia, o porto com meirande porcentagem de mulheres (no vídeo podedes escuita-las). Rechamante dum meio como Libertad Digital onde se acusa ás feministas de “feminazis” e “tolas”. Ou coma se o machismo nom fosse algo estrutural e presente em todos os grémios e na sociedade.

No fundo, o que se dirime é algo mais importante. É que aos poderosos interésa-lhes que sintas ódio, verdadeiro ódio e nojo contra os estibadores. Enveja, muita enveja, que em troques de perguntar-te porque tu cobras um soldo tam baixo, indígnes-te polo soldo dos estibadores. Ou que sintas que, por culpa deles, tu vas pagar umha importante multa, que na realidade nom te custará mais de 1€.

Os meios de comunicaçom, propriedade de bancos e fundos de investimento, querem que penses que os seus intereses som os teus intereses: Que se eles perdem, ti perdes. Quando na realidade, a vitória dos estibadores é um ponto de inflexom e algo que pode reforçar a todo coletivo de trabalhadores: Demostrarom que a luita, a perserverância, a consciência de classe, umha forte organizaçom e, sobre tudo, a unidade, conseguirom ganhar a batalha, nom só a um Governo, ganhárom-lha a importantes fundos voitre, bancos internacionais e á patronal de empresários.

Por isso, muitos, o joves, sentiamos algo nossa a vitória desses trabalhadores: Umha vitória contra os mesmos que nos machucarom a todos: A mineiros, a professores, a médicos, a trabalhadores do setor privado, a varredores, a bolseiros, a estudantes. Umha vitória da que devemos extrair muitos datos e, sobre tudo, muitas ensinanças. Porque, por muita propaganda que emitam todos os meios de comunicaçom, por muita campanha orquestrada polo PP nas redes com cibervoluntários repetindo mensagens idénticas, sabemos quem som dos nossos, quem som coma nós e á beira de quem devemos estar. Só o prazer de ver a trabalhadores que som coma nós  exultantes e as caras dos ministros desencaixadas, dos mesmos que mandarom á miséria a tanta gente, os mesmos que causarom tanto sofremento e tanto dano, já merecia a pena. Paga tam bem a pena, que pagar a multa, a 1 euro por cabeça, parece-me até barato. Tirado!

*PD: Este escrito nom será publicado em nenhum meio de comunicaçom. Por isso pído-te que fagas o possível por faze-lo chegar a muitas: Se o compartes, ajudarás a que outras leam estas linhas, leam os dados expostos e poidam ter umha segunda versom que, por desgraça, nom sairá na TV. Muito obrigado.

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