“O entroido nom é coisa de governantes, mesmo que vaiam de guais”

“Quando governas formas parte de Poder, nom da Rua”

Dada a polémica criada estes dias ao respeito da denúncia contra o concelheiro de Cultura de a Corunha por um dos cartazes de Antroido que o governo corunhês editou e colou pola cidade; recupero esta minha reflexom que já publicara no meu aporte ao Boletín Abordaxe nº 17 de março passado: “Aqueles que, desde suas poltronas que dim “alternativas”, organizam como publicitar e viver esse tempo de escárnio, estám a atacar á essência dessa festa popular. (…) Eu nom quero alcaides e concelheiros que tirem de cartazes e que organicem a ruta de desfiles de espidos cariocas baixo a chuva polas ruas das cidades e vilas, nem sequer que engalanem as mesmas com luzes, bandeirolas e outros colgarejos festivos. Eles som tamém parte do problema e polo tanto, objetivo das mofas do povo; nom é a sua tarefa promover nada para festejar nem como fáze-lo nem por onde podem circular. Que nom me venham com andromenas!!. Esta reflexom nom me veu dada por nenhuma musa nem por nenhuma mania coa Marea Atlántica nem por simples antolho; senom que parte da minha experiência vital e passo a contar-vos:

Aos 2 anos de chegar a viver em Compostela, nos meus anos moços de estudante, já andava eu metido de cheio no ativismo social desta cidade que, na altura, estava presidida por Xerardo Estévez do PSOE que chegara a alcaldia por 1ª vez com verdadeiras ânsias de mudança. Umha das iniciativas da sua equipa foi tratar de recuperar a festa do Entroido e para elo figera umha reuniom com todos os coletivos sociais que existiam na cidade e acordára-se que ia ficar nas mãos destes coletivos a organizaçom dum desfile polas ruas e co tal motivo o concelho ia limitar-se a dar uns quartinhos para a confeçom dos trajes e carroças; pois se bem num princípio querriam controla-lo tudo, ficou claro pola nossa parte que nom iamos a deixar que o governo fosse quem organizara e controlara umhas festas nas que, umha das razons da sua existência e permanência no tempo, é o seu carater anti-governativo e fazer mofa e escárnio dos diferentes poderes.

Assim as coisas o governo de Estévez cedera á lógica e o 1º ano das comparsas organizadas por coletivos sociais fora um exitaço de participaçom, de interrelaçom entre os diferentes coletivos, de criaçom de trajes e carroças num ambente festivo e de burla e mofa de todos os poderes e em concreto umha feroz crítica ao governo do PSOE em Madrid baixo a presidência de Mr.X do GAL, Felipe González, quem já estava argalhando como meter-nos na OTAN. Como curiosidade dizer que mesmo os senlheiros Generais da Ulha, estando em pleno processo de recuperaçom, foram quem abriram a comitiva cidadá com seus cabalos. O concelho limitára-se a assinar uns quantos cheques (de pouca monta) e facilitar o percurso da comitiva, mesmo por decissom da gente dos coletivos nom houvera prémios nenhum porque nom estávamos lá para competir senom para recuperar essa festa nas ruas que estivera proibida durante o franquismo e que ainda ninguém pulara por ela nesta cidade nos anos que levávamos da pretendida democracia. O resultado fora um exitaço.

Claro está ás governantes da cidade nom gostaram muito dos objetivos que fumos criticar; e nom deveu ser-lhes moi grato pagar para que te critiquem aos teus. Além entre os coletivos que formavamos as comparsas estavamos grupos antimilitaristas, ecologistas e feministas misturados com grupos juvenis, esportistas e como ja digem “generais”.

Ao ano seguinte quando fóramos convocadas de novo pola alcaldia as coisas mudaram e muito. Os quartos reduziam-se e queriam controla-lo tudo para que nom houvera o despiporre do ano anterior. Nossa atitude foi rachar as conversas e decidir sair igual sem a colabouraçom do concelho, e nisso estivemos todas as pessoas e coletivos que contribuiramos no ano anterior na recuperaçom da festa. Mas o concelho nom estava disposto a facilitar-nos a coisa e coa mesma organizou pola sua conta e com todos seus medios um seu desfile com prémios e mesmo umha comparsa brasileira a ritmo de samba que abrira tal egendro. Quando soubemos delo acordaramos em assembleia fazer um desfile a contrapassos do oficial e aquilo nom nos foi moi bem, a verdade, mas era tanta nossa raiba ao comprovar como desde o Poder figeram tudo o possível para manipular o verdadeiro sentido da festa que nom calculamos bem as consequências e para ser sinceiro nom gostou a ninguém ver na praça de Galiza como umhas comparsas se enfrontavam a outras e se interrumpiam em meio dum espetáculo nom apto para crianças.

Assim rematou nossa participaçom no Entroido compostelá e desde entom é a alcaldia a organizadora do desfile. Um desfile onde seguem a participar comparsas dançando salsa caseque espidas nas ruas em pleno inverno e desde aquel ano tamém contam com “Os Generais”, os únicos que se sumaram á algarada instituiçonal, e mesmo ao final segue haver concursos onde se prémia quem se gastou mais dinheiro em se fazer o traje. E assim deste jeito, desde o mesminho governo municipal que incentivou a sua recuperaçom como festa popular, acabarom com umha iniciativa que partiu com moi bó pê e rematou numha pseudofesta nojenta da que, hoje em dia passados já mais de 30 anos dos sucessos narrados, caseque ninguém participa em Compostela.

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