“Debandadas, tumultos e conspiraçons secretas em situaçom de êxtase religioso” x Acratosaurio Rex

Queria ter escrito algo sobre as procissons da Semana Santa católica e as cenas de pánico que se vivirom, umha vez mais, nas ruas de Sevilha. Notícia amplamente defundida polos grandes falsimédios que pugeram todas suas ferramentas manipuladoras em riste co galho de procurar converter umhas cenas de histerismo misturadas com fervor religioso, em um ataque terrorista organizado contra da liberdade de credo católico. E assim foi durante dias onde polícias, políticos, diretivos religiosos e tertulianos do “tudo-sabem” lançaram sua campanha orquestrada contra um suposto clã do crime organizado que estaria formado por ateus, islamistas e rapazada de festa dispersa polas ruas de Sevilla e com ánimo de amolar, e assim seguiriam in infinitum até que a merda tuda que lançaram deveu reverteu-lhes dalgum jeito e sem mais, os mentideiros todos ficaram calados e tras dar com o nariz na porta e ficar sem poder luzir o palmito do trunfo da fe contra a maldade, deram fim ás silandeiras, a sua campanha em prol do direito a sair ás ruas os nazarenos e seus tremendos tronos de imagens barrocas que foram criados no seu dia co galho de dar medo á gente; numhas cenas que retrotraem reminiscências dos tempos da “Inquisición a la Española”.

Quando me pugem a escrever caim na conta de que o texto ía-se-me fazer moi extenso como para fazer umha entrada neste meu blogue e esperar a que a gente o dera lido na íntegra (nestes “maus tempos para a escrita” nos que só quatro linhas escritas já parecem umha barbaridade de texto); assim que acordei comigo mesmo deixa-lo tema para mais adiante e mesmo fazer um programa de rádio ao respeito. Assim se me passou o tempo até que hoje, navigando pola rede, se manifestou diante dos meus olhos o seguinte artigo autoria de Acratosaurio Rex na web A las Barricadas e tras rir a cachom e mesmo aplaudir coas orelhas sua excelência, nom puidem mais que recolhe-lo, traduzi-lo ao mei jeito (para as esquisitas lingüistas com conhecemnto de idiomas recomendo-lhes a leitura original em castelám) e dar-lhe pulo:

Debandadas, tumultos e conspiraçons secretas em situaçom de êxtase religioso

Sabendo que a polícia solicitou a colaboraçom cidadá, para determinar a causa das debandadas que durante alguns minutos ou horas levarom ao histerismo (e nom precisamente religioso) a miles de fieis devotos do calvário de Cristo na Madrugá sevilhana, aprésto-me a dar minha versom dos feitos.

A gendarmeria, o alcaide e os diretivos das confrarias, estám a chegar a esta penosa conclusom: nom é “a ETA”, nom é “o jihaidismo”, nom som “ateus organizados”. Tampouco é “Podemos”, cachis na mar. Com tudo, o povo nom se chucha o dedo, e manifesta que é moi sospeitoso que precisamente esse dia, mais ou menos á mesma hora das quatro da madrugada, em focos moi dispersos e afastados entre si, miles de pessoas botaram a correr sem motivo. E sim, claro, motivos tem que haver.

A polícia insiste em que os detidos nom estavam organizados nem provocaram as carreiras. Tres imputados polos feitos resulta que som quarentons que vinham sendo observados pola poli, e que quando estava a gente correndo, armavam bulha para –supostamente–, ver se podiam rapinhar algo no balbordo. É dizer, que nom foram os causantes do alboroto, se nom que atuavam de forma oportunista –sempre segundo a pasma–. Detívose-lhes longe de onde começaram as carreiras (1).

Outro tanto se passava com outras detençons efeituadas entre rapazes, alguns minores de idade, capturados quando a gente corria e eles pegavam vozes para incrementar a confusom cheios de jolda polo que estava a ocorrer. Neste caso o perfil dos raparigos e raparigas –dim–, é o de gamberretes sem relaçom cos tres presuntos e maduros delinquentes comuns. Poderiam ser os meus filhos, nesse caso a guilhotina seria pouco para eles. Pero nom. Nom som filhos meus ainda que poderiam se-lo. O seu único delito: tomar-se a situaçom de brincadeira. Os únicos seres racionais da noite, diria eu.

E, por último, houvo outro detido por dar vivas a Alá ao passo dumha procissom. Segundo as testemunhas lançou miles de aclamaçons a essa deidade, até que um polícia municipal, até as orelhas dele, retirou-no da via pública. Botárom-lhe um multaço de 480 euros (2). Qual é o problema? Pois que o detiveram entre média e tres quartos de hora denantes que se liasse o caos. Ou seja, que tampouco tem nada que ver.

Co bem que teria estado um senhor senegalês sementando o pánico, e resulta que nom, que só foi um irritante espontâneo ao passo. Claro, o pobre quando vira a cara do verdugo e pugéram-lhe por diante o que se passou essa noite, daria graças a Alá, a Buda, a Cristo e a Manitú porque o tiveram retirado da via pública a tempo, polo módico preço de 480 euros. Milhor isso que dez anos de prisom, nom há dúvida.

Perguntados os encarcerados polo juíz sobre a sua participaçom nos feitos e se deram berros em favor a ETA, negárom-no de jeito contundente. Poderám ser o que queira que seja que diga a poli. Pero som bos espanhois e jamais diriam nada a favor da ETA (3). Faltaria mais. Nunca. Nom. Nom nos paga ninguém.

E sim. É moi sospeitoso que mais ou menos a umha hora concreta, começasem todos esses distúrbios inexplicáveis. A polícia atribue-lo ao clima de terror que implantou o jihaidismo. Pero imos ver… É que houvo outra desbandada destas características ou piores no ano 2000, denantes da caida das Torres Gemelgas, e nunca se soubo que hóstias se passou nessa Madrugá que deixou a umha pila de nazarenos e público feito po. E uns meses despois houvera outra no Corpus Cristi… E nom estamos diante a pior das desbandadas. Lembremos a que em 2015 deixara mais de 700 mortos na Meca, que seguramente iam rezando que Alá é o mais Grande (4). E nom se trata só de muçulmanos, laicos e cristiáns. Na Índia houvera umha outra com mais de cem mortos em 2011 (5), e ali nom há ETA…

Periodicamente prodúcem-se desastres religiosos deste tipo: demasiada gente aglomerada, demasiadas emoçons e sentimentos de éxtases, demasiada noite que altera os biorritmos, todo se magnifica co fervor religioso. Se a isso súma-se um pouco de histerismo de massas, que um se tire um peido e que bote a correr porque viu ao seu primo a cem metros… E póde-se lear umha que te cagas.

Ainda assim o povo insiste na teoria da conspiraçom para cargar-se essa Semana Santa “que tanto trabalho custou-nos construir”. E vale. Vou esquecer por um momento que umha das bases da Semana Santa atual foi a ditadura franquista cos seus assassinatos, golpes de peito e adesom inquebrantável. Há dous motivos para que em diferentes partes da cidade, a gente pónha-se em marcha ao uníssono.

O primeiro motivo é a rádio. Se fossem pessoas observadoras e mirasem ao público assistente, caeriam na conta de que há penitentes que levam um transistor com pinganilho.

E é que a rádio retransmite as procissons, e aos fieis que estám a ver em La Campana á Cordial Flagelaçom co Látego de Sete Colas ao Aloe Vera, gostam de saber que á mesma hora no Arco de La Macarena está a bailar a Borriquinha do Santíssimo Nazareno do Círio de Cera da Abelha Virgem.

A rádio retransmite a emoçom do momento ao vivo e fai a espera mais amena… E igualmente conta que se armou a de deus nesse intre na rua Arfe e que correm como possuídos cara á rua Adriano… E já está tudo o mundo em toda Sevilla, no espaço de dez segundos, cos pelos de ponta. E entom entra em funcionamento o segundo fator: os teléfones móveis. Como todos os presentes tenhem gente desfilando ou esperando em diversos pontos da cidade, muitas delas minores, começam a soar teléfones perguntando “que se passa, estás bem, a avoa desapareceu”. E umha vez psicotiçado o persoal, tês cinco debandadas em marcha. Por suposto, umha conspiraçom é muito mais vistosa que fazer o parvo, sim.

Nom é o terrorismo, nom é o jihaidismo, nom é Maomet. Nas grandes aglomeraçons de pessoas, e nom fai falha nem sequer que sejam eventos religiosos, a gente se se crê em perigo, corre deixando atrás sapatos de tacom, mochilas, malas… Ou nom é verdade que há uns dias no metro de New York umha detençom com pistola atordidora provocou que miles de americanos botasem a correr berrando “maricom o último”, abandonando a velhos em cadeiras de rodas, mascotas e carteiras com documentaçom e pasta (6)

Em definitivas contas: na rua Arfe houvo umha peleja de borrachos. A polícia afirma que essa peleja é a “zona zero” da catástrofe. Ti estás na rua Cuna escuitando a rádio e cóntam-no. Muda a cara de decenas de pessoas que se passan do fervor ao “cagámo-la”, e ao minuto interminável, escuita-se no extremo da rua, onde nom se vê nada, ás quatro da manhá, o estrondo dumha legiom de dianhos que estiveram a eligir condenados para arrastra-los ao inferno e friti-los em aceite de palma cheio de toxinas.

Por suposto, os de proteçom civil (miles deles/delas), a polícia (dous mil) e os diretivos da confraria (centos e centas), começam a fazer a galinha: movem seus braços coma se tentaram voar dizendo “tranquilos, nom corrades que nom se passa nada”. E o mesmo aguantas o tipo porque es um senhor respeitável que considera de má educaçom e ridículo sair correndo. Pero igual ves-te vir a trescentas pessoas arrasando com todo ao seu passo, comprovas que os das confrarias e a polícia vam já rua abaixo, e nom te quedam mais colhons que colher as tuas crianças nos braços e botar a correr para nom morrer por esmagamento.

E isso é tudo. Os culpáveis nom som “delinquentes comuns”. Tenhamos um pouco de seriedade. Um honrado carteirista nom vai lea-la na Madrugá de Sevilla. Vai ver os passos com fervor, e a levar um jornal a casa sem se fazer notar. Os de esquerdas, nem falar. A metade estám procissonando e a outra metade abandona em massa Sevilla para librar-se do lio das Virgens e Cristos.

Alguém se pensa realmente que numha cidade tomada por 2.000 polícias e gardas civis, com cámaras por todas partes, com miles de membros de proteçom civil pendentes, e com tudo o mundo tirando fotos e vídeos cos seus móveis, ninguém filmou nem viu nada dessa Grande Conspiraçom?

A causa real, é umha cheia de gente aglomerada, cos pelos de espeto, as emoçons amplificadas, muitos deles com boas doses de alcol encima, e com comunicaçom caseque instantânea a través da rádio e os seus teléfones móveis. Case todos os anos se passa algo disto, nesta ocasiom foi um pouco mais gordo, pero se no-lo tomamos as boas… Deus coida polo seu rebanho. E se nom, que aprendam das manifestaçons laborais, que ali tamém se corre, pero sempre por causas moi motivadas.

Pero os das confrarias, os do Concelho, os crentes, pedem sangue inocente: que caia todo o peso da lei sobre quem fossem sinalados como culpáveis! (nom eles por suposto); que ponham mais cámaras!; que dous mil polícias nom som abondo!; que se cortem mais ruas!; que se limite o aforo!; que se proiba a venda de alcol!!!… A tormenta de ideias é das boas. Já nos dirám que nos espera quando atopem “a sua verdade” (7).

Seja santificado o teu nome, oh Senhor das Desbandadas e Estampidas, e perdoem a este tolo racionalista.

———————————-

NOTAS extraidas da imprensa canalhesca.

(1) Os investigadores chegarom a esta conclusom tras analisar 16 vídeos de médios de comunicaçom e/ou colgados em redes sociais e interrogar a 47 testemunhas direitas dos feitos, 33 das quais chamaram á Polícia para alertar dos feitos e outras 15 resultaram feridas nas distintas desbandadas.

Tudo sucedeu entre as quatro e as cinco da manhá. Segundo apontaro, fontes da investigaçom, um dos focos foi umha peleja num bar da rua Arfe mentres se passava a confraria do Grande Poder. Nessa peleja, ocorrida ás quatro e cinco minutos, chegarom a sacar do local a um home a empurrons, ao que lançarom sobre os nazarenos que passavam pola porta. Isto gerou umha primeira carreira que afetou á confraria do Grande Poder, que causou um posterior movemento de pessoas que se propagou com rapidez e em círculo por toda a cidade.
http://www.diariodesevilla.es/semana_santa/Policia-incidentes-Madrugada-planeados-Arfe_0_1127587792.html

(2) O fiscal atribuíu-lhe em concreto um delito contra os sentimentos religiosos do artigo 523 do Código penal, polo que solicitava umha pena de quatro meses de multa a umha quota diária de 6 euros (720 euros). A conformidade do acusado propiciou que a pena se reducira um terço, quedando em 80 dias coa mesma quota (480 euros), o que permitiu que o reo fosse posto em liberdade. Os feitos que reconheceu o acusado tiveram lugar sobre as 03:30 horas, quando o acusado, P. M. D., que nom tinha antecedentes penais, atopáva-se na rua Reyes Católicos por onde procissionava a irmandade da Esperanza de Triana. O condenado, “com intençom de alterar o normal desenvolvemento da procissomn”, começou a berrar á comitiva quando se passava o passo de mistério “Alá é grande”. Este berro repetiu-no “em multitude de vezes e gerindo o lógico desassossego aos confrades e ao público em geral”, precisava o fiscal no seu escrito de conclusons provisionais, co que o acusado mostrou a sua conformidade.
http://www.diariodesevilla.es/semana_santa/senegales-detenido-Madrugada-acepto-Ala_0_1127587772.html

(3) O advogado Epifanio Ponce, que defende a um dos imputados que está em prisom, explicou onte a este jornal que estes tres investigados acolhéram-se ao seu direito a nom declarar ante a Polícia, pero si declararom quando foram conduzidos ao julgado de garda. Ante a juíz de Instruiçom 5 negarom a sua participaçom nos incidentes, afirmando que nom provocarom as desordes públicas. O letrado indicou que todos reconheceram que eram um “grupo de amigos” que estavam algo “contentes” e goçando da noite, chegando a afirmar que mesmo sairam “correndo” quando se produzirom as desbandadas. Negaram igualmente proferir os berros de “gora ETA”, chegando um deles a afirmar que é “espanhol” e nunca diria frases desse tenor.

http://www.diariodesevilla.es/semana_santa/encarcelados-niegan-causantes-distintas-carreras_0_1128187392.html

(4) Centos de muçulmanos mortos em desbandada na Meca.

http://www.elnuevodia.com/noticias/internacionales/nota/cientosdemusulmanesmuertosenestampidaenlameca-2103402/

(5) Mortal desbandada durante peregrinaçom na Índia.
http://www.elnuevodiario.com.ni/internacionales/92496-mortal-estampida-durante-peregrinacion-india/

(6) Detençom dum home em trem de NY gera desbandada.

http://noticieros.televisa.com/ultimas-noticias/eeuu/2017-04-15/detencion-hombre-tren-ny-genera-estampida/

(7) É um tanto horrível a manifestaçom espontânea que com oradores espontâneos, fam umha série de esigências “em defensa das nossas raizes”

http://xyzdiario.com/portada/no-hay-derecho-a-tener-miedo-en-la-calle-protesta-en-plaza-nueva-por-la-madruga/

Falando de seguridade, Para quando se proibirám os círios? Toda essa cera no chão provoca esbarons, caidas de motoristas e uns chirridos moi molestos. Proponho substituam os círios, por tubos fluorescentes tipo “espada jedai”

http://xyzdiario.com/sevilla/numerosos-accidentes-motociclistas-la-cera-acumulada-las-calles/

Anúncios

Uma ideia sobre ““Debandadas, tumultos e conspiraçons secretas em situaçom de êxtase religioso” x Acratosaurio Rex

  1. Pingback: Sequelas da Madrugá sevilhana, e umhas propostas construtivas para o desenvolvemento andaluz x Acratosaurio Rex | ogajeironagavea

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s