Sequelas da Madrugá sevilhana, e umhas propostas construtivas para o desenvolvemento andaluz x Acratosaurio Rex

Depois de ter publicado acá, dias atrás, a sua genial versom do acontecido este ano na “Madrugá” sevilhana coas carreiras noturnas e as cenas em pánico, venho de lêr em “A las Barricadas” a sua “sequela” com esse sorriso permanente que se me pom nas comissuras dos meus lábios e, de quando em quando, umhas quantas risas estrepitosas dessas que fam girar os rostros da gente ubicada a distância, mas nom o suficinte como para nom escutar minhas risadas. Assim que, movido polo riso, véjo-me na obriga de traduzir tal texto e dar-lhe pulo nesta minha bitácora:
Quiger, agora que já se passou a Semana Santa, o 1º de Maio e a dimissom de Aguirre, comentar a sequela das carreiras da Madrugá. A cousa começa a diluir-se, e os que asseguravam que chegariam “até as últimas consequências” capturando e buscando aos culpáveis das debandadas, vam conformar, finalmente, com descortiçar a tres cidadáns (pobres, malcarados e de idade madura), aos que desejam ferventemente sacar a pel a tiras, dado que caudais nom possuem (1).

Recapitulemos os feitos. Tras as debandadas da Madrugá, ao dia seguinte podiamos ler na imprensa que havia detençons. Polo visto os alborotadores davam vivas a Alá e a ETA, golpeavam o chão e brandiam garrotes. Tudo presunto. Publicárom-se fotos de vários paus como de sombrinhas. A rumorologia disparatou-se, e faláva-se dumha açom orquestrada, coordinada, organizada para “afundir a nossa Semana Santa que tanto trabalho custou-nos construir”. “Alguém” pagara a delinquentes comuns, e um confesara “receber dinheiro”…

Ao final, ficou nada. A polícia, num alarde de objetividade, sinalava que tudo partira dumha peleja num bar, ao jeito do selvagem Oeste, iniciada por um comentário sobre a noiva de alguém. Nem sequer consta que os litigantes estiveram bébedos. Os seus teléfones e perfis sociais, limpos de toda sospeita de vinculaçom co ISIS, ou com Podemos (2).

Com tudo, esta explicaçom policial nom satisfez ao Conselho de Irmandades, ao Delegado Municipal de Seguridade, Mobilidade e Festas Maiores, ao Delegado de Governo, ao concelheiro do ramo, etc., que juravam, coma se umha invasom alienígena estivera a produzir-se, que: “nom nos vam vencer, seguiremos celebrando a Madrugá”. E como estám a buscar seguridade, quero achegar o meu aporte de cordura ao tema.

Há umha tormenta de ideias da hóstia. Dim de limitar os aforamentos, e de incrementar as medidas de control (3). Como nos aeroportos? Todo deus passando um arco magnético, deixando as chaves, a carteira, as moedas, o cinto, os sapatos… Carambolas, que se trata dum ato místico. Nom de entrar no Búnker de Hitler. Vejo-lo inviável e inútil: nom se podem ponher mais cámaras das que já há; o centro está mais visto em tempo real que Grande Irmão; ter a umha cheia de tios com metralhadoras polas ruas sementará mais inquietude da que já há. E suponhamos que alguém quiger fazer um atentado entre essa multitude assimilada. Estou a falar dum atentado de verdade. Um tolinho que colha umha arma qualquer, um garfo de alumínio dum bar, por exemplo, e incrústa-lho na cabeça a um Irmão Maior [berro arrepiante]… Quem dianhos pode impedir isso?… Nom quero nem pensa-lo. Pónhem-se-me os pelos de espeto.

Criticam aos vándalos bébedos, e ocórre-se-lhes ás mentes pensantes Qué há que imponher na Madrugá a Lei Seca! Pensou alguém que pechar os bares da contorna, nom impedirá aos entranháveis bébados ponher-se alegres, e que proliferem vendedores ambulantes? E isso sem contar com que os empresários dos bares ponherám o seu berro no ceu, e lembrarám que na Última Cea houvera vinho, foder, que vam amolar o pouco bo que temos… Como pode haver umha Santa Cea sem tinto? Teremos que perder as nossas raizes, e fazer-nos abstémios como os muçulmanos? Nunca.

Talvez, só talvez, resulte que a cidade de Sevilha… Talvez deveria buscar aos verdadeiros culpáveis das desbandadas. Como? Descubrindo as suas causas.

Vale. Admito que os sevilhanos tenhem medo. Nom gosto delo, pero reconhéço-lo: Sevilha treme de medo (4). Quem lhes transmite o temor? os terroristas, nom. É certo que em 2004 houvo em Madrid vários atentados tremendos. Pero já se passaron doze anos… E foi em Madrid, caramba. E atacaram no metro a trabalhadores, trabalhadoras, estudantes… Nom a fiéis cristiáns. Nom volveu passar nada similar desde entom. Que possibilidade há de que se repita na Madrugá? Moi escasa, penso eu. Há maiores possibilidades de cair num sumidoiro aberto. A mim passou-me e por pouco máto-me. E, com tudo, caminho cheio de optimismo, sem medo.

E a ETA? A ETA rendeu-se caramba, e ademais som católicos, de ai nom pode vir nada. Se numha procissom cristiá provóca-se um tumulto e alguém berra um vigoroso “Gora uskaditacatuca! Gora etá miguitarra”, póde-se ter a seguridade de que estamos a salvo. Há que publicar isso em trípticos da Oficina de Turismo, para que o estrangeiro ténha-lo em conta. Agora bem, se eu no meio dumha desbandada, escuitara berros de Viva o Partido Popular! Viva Donald Trump!, Arriba a Democracia Cristiá!… Entom sim que eu pensaria “Ceus. Chegou a minha hora”… Porque algo raríssimo estaria a acontecer.

Tenhamos sentido comum. Se alguém quiger lea-la parda com bombas, em primeiro lugar teria que superar a vigilância das Forzas de Seguridade do Estado. Há dezenas de miles de polícias e investigadores pendentes do tema. Quando chegam esses acontecementos religiosos, infestam as ruas de secretas, ponhem tiradores de elite nos terraços, curtam o tráfico e revisam os sumidoiros com mergulhadores da Armada. Tem que ser alguém moi preparado, para poder superar o caos circulatório que se lea em Sevilha. Nom há que temer, por tanto.

Ademais, reduzamos as possibilidades: há centos de lugares com aglomeraçons nos que se pode produzir “um ataque”: estádios de fútebol, praças de touros, entroidos, verbenas, festas, discotecas, escolas, cinemas, catedrais, vodas, comunhons, enterros, gasolineiras, hospitais, bares, autobuses, trens, túneles, atascos, desfiles de moda, a Feira, o metro, as “Setas”, o acuário, mercados, rodagem de Jogo de Tronos… Há umha quantidade de “lugares com gente” que estám taaaam indefensos, que pensar que precisamente “na Madrugá” vaia a ter lugar um massacre, é dar-se demasiada importância, acho eu. E ademais, que impediria aos supostos terroristas, transladar o tema do assassinato ao Martes Santo, se a noite do joves ao venres está tudo brindado? Nada. A mim cambiárom-me as quendas do emprego fai um par de anos, e ante o impedimento de duchar-me, como era o meu costume, o dia quince de cada mes, passei ao dezaseis o do banho, e sem problemas.

Há que ser um pouco passota. Nom há que ter medo. O medo caresce de fundamento. O medo nom é cristiá. Um crente ao que protege Deus, a Virgem, Sor Ángela da Cruz, e que vai gozar dum encontro enteógeno e místico com Jesucristo, caramba, nom pode ter medo.

E porque a gente corre entom na Madrugá, e nom na noite do martes? Porque já está predisposta e polo costume. E quem lhes mete tal predisposiçom nas suas cabeças? Os médios e as forças vivas. Todos esses jornais que fomentam a crença de que esta sociedade está assediada por terroristas, delinquentes e vándalos bébedos; todos esses políticos que declaram nesse senso; todos esses juízes que julgam, a qualquer por chistes de mal gosto e que metem cinco anos de trena a alguém com advogado de ofício por manifestar-se diante do Congresso (5)… Toda essa propaganda subliminar que nos fijo passar nuns anos de “a tradicional amizade cos povos árabes” do franquismo, a “esses islamitas que nos querem matar a todos”, predispóne-nos.

Esses som os culpáveis: jornalistas, tertulianos, juristas, políticos, governantes… A psicose plantou-na o Governo e a imprensa, tanto que a dia de hoje aparece na Madrugá alguém vestido de Simbad o Marinho, e sabe Deus o que pode ocorrer. É umha tolémia, porque com essa pedagogia do terrorismo, ao final á gente o que lhe entra é o pánico. Antes tínha-se medo aos vascos, aos irlandeses, aos maçons, aos judeus, aos negros, aos romaneses, ou aos gitanos negros vascos (a maldade infinita)… Agora ténse-lhe pavor ao Islam, que como sabemos, é na realidade umha religiom tam pacífica como a cristiá.

Sabede que os muçulmanos, num 99,99%, quando algum correligionário fai umha barbaridade, tíram-se dos pelos cagándo-se nos seus mortos. O que quere um muçulmano, o mesmo que um cristiám, é viver em paz. Certo que há algumha excepçom que quiger ver-nos assados. Pero tamém entre os cristiáns hai-nos desse talante sanguinário que quereriam acabar cos muçulmanos todos, porque quando Deus o nosso senhor creou a estupidez, repartiu-na equitativamente. E cristiáns, muçulmanos e ateus, gozam dela de forma igualitária. Seja como for, som grupúsculos.

Por tanto, afírmo-lo: Quem tem culpa desse temor infundado? Quem enche de terror os coraçons cristiáns? A imprensa. A rádio. A televisom. Os comunicados do Governo de quenda. Os tertulianos. Porquê? Porque som maus, gente chunga que pretendem afundir a única indústria andaluza que queda: a hostaleria, cos seus contratos precários e soldos de quatrocentos euros (6).

E como evita-lo? Ocórrem-se-me duas cousas. A primeira, aproveitar as dificultades para crecer, para milhorar, para superar… Que se publicitem as carreiras da Madrugá como atrativo turístico: “Gozar dumha desbandada em plena noite, com muita mais seguridade que nos Sanfermines. Consejería de Innovación. Junta de Andalucía”. E a segunda, que se lhe dea aos atentados terroristas, sejam os que sejam, o mesmo tratamento de imprensa que se lhe da a qualquer assassinato bárbaro que seja feito por um branquinho de cara, cristiá, anglosajom de direitas, que tenha moita pasta e que seja empresário ou desportista de elite. Por exemplo, o atentado de Breivik em Noruega, que deixou vários edifícios destruidos e 76 pessoas mortas das Mocidades do Partido Laborista. Nom se insistiu em que el (Breivik) defíniu-se a sim mesmo como um “cristiá conservador” (7). Evidentemente podemos aforrar-nos essas etiquetas. A imensa maioria dos cristiás conservadores nom som noruegueses louros. Breivik é –simplesmente– um assassino de direitas que está nos seus cabais. A imprensa disse de passada, sem meter-se em maiores fonduras. Pois isso é o que há que fazer com todo assassinato de massas: nom incidir no periférico, e sim centrar-se no ato, e no essencial.

Algo essencial é isto: Sevilha está orgulhosa de como gere as suas bulas. E sabemos que no salto da reixa da Virgem do Rocío, nom há feridos, nem medo ao terrorismo. Certamente, a nenhum terrorista ocorrería-se-lhe meter-se nessa lea, porque os vizinhos de Almonte nom mais o detetem como forasteiro, redúzem-no a papas.

Assim que o mesmo trazer uns centos de almontenhos a dirigir o tráfico procisional, dáva-lhe um empurrom de seguridade á festa, desbandadas á noite, e paz de espírito aos fieis. Ai deixo a ideia, gratis, altruista, porque se coa, coa.

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NOTAS

(1) El Consejo reclama una Semana Santa “segura” y que “todo el peso de la ley caiga sobre los culpables”. http://www.diariodesevilla.es/semana_santa/Consejo-reclama-Semana-Santa-culpables_0_1127887853.html

(2) El análisis de los móviles tumba la teoría conspiratoria en la Madrugada. http://www.diariodesevilla.es/sevilla/analisis-moviles-teoria-conspiratoria-Madrugada_0_1130287413.html

(3) Madrugada 2018: Bares cerrados y detectores de metales. http://www.diariodesevilla.es/semana_santa/Bares-cerrados-detectores-metales_0_1128187390.html

(4) Sevilla, y todo quisque. Si alguien ve que la gente corre, a correr. Estampida en el metro de Barcelona tras una falsa alarma, http://www.abc.es/espana/catalunya/barcelona/abci-estampida-metro-barcelona-tras-falsa-alarma-atentado-terrorista-201609011407_noticia.html

(5) Un condenado por ‘Rodea el Congreso’ deberá entrar en prisión. http://www.eldiario.es/andalucia/condenado-Rodea-Congreso-debera-prision_0_637637473.html

(6) La otra cara del turismo: precariedad al alza, bajos sueldos y fraude laboral. http://www.laopiniondemalaga.es/malaga/2016/09/04/cara-turismo-precariedad-alza-bajos/874080.html

(7) Ver en la wikipedia: Atentados de Noruega de 2011. https://es.wikipedia.org/wiki/Atentados_de_Noruega_de_2011

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