“Os putos tamém existimos” Artigo de Lucas Master (Lord_Storm)

Por sorte para nós, o seitor feminista abolicionista nom se mete conosco, porque nom somos mulheres submetidas a um jugo heteropatriarcal que nos oprima ou nos leve a prostituir-nos.

Em venres 5 de maio cheguei, navigando na deriva, até este moi interesante e necessário artigo publicado na web “El Muro de Gilgamesh” e tras umha amena leitura cheguei comigo mesmo á decisom de pôr-me em contato co autor para solicitar-lhe permiso para traduzi-lo ao meu galego e publica-lo acá nesta minha bitácora. Motivou-me pedir-lhe permiso o feito de que rematara seu escrito coa pós-data “Doy la autorización expresa para que este artículo lo puedan copiar Colectivos o Asociaciones de Trabajadorxs del Sexo” e, ao nom ser eu partícipe de coletivo ou associaçom algumha que cumprimentara sua autorizaçom expressa, considerei de rigor pedir-lhe permiso; graça que me foi concedida poucas horas depois, mas que nom vim até hoje (nas findes procuro desconetar da virtualidade), e coa mesma ponho-me a elo:

“Os putos tamém existimos”

Bo, como sempre, nom sei como começar escrever e se este escrito terá ou nom demasiada vissibilidade ou será entendido pola gente pero, a verdade: farei como sempre e deixarei que as minhas maõs se deslizem soas polo teclado sacando as ideias da minha cabeça.

É algo complicado plasmar num escrito umha parte de ti, da tua vida: um aspecto que tens totalmente integrado pero vas dándo-te conta já nom só de que a gente nom o tem integrado, senom que nom o tenhem assimilado e, é mais, nem sequer expuséram-lho.

Ante todo, apresentar-me: Chamo-me Lucas e tenho 48 anos. “De que se trata?” -estarédes-vos a perguntar, nom sim?-. A resposta é moi clara . Os putos -garotos de programa… ou o termo que queirades usar cada quem- tamém existimos. Incrível (oh sim!, nom fai falha levar as maõs á cabeça). Formamos parte do Coletivo de Trabalhadorxs do Sexo desde a antigüidade (outra sorpresa para algumhes, nom, sim?), dado que as chamadas civilizaçons clássicas como Grécia e Roma já contavam com putas de ambos os sexos (incluidos travestis e transexuais) para satisfacer a qualquer orientaçom sexual.

É incrível que em pleno S.XXI haja que falar da nossa existência, que sejamos uns totais desconhecidos e que nos meios de comunicaçom, redes sociais, e em muitíssimos casos nos que se fala de prostituiçom, em público ou em privado, só mencióne-se á prostituiçom feminina obviando por completo (salvo exceçons nas que sim se nos inclue) o coletivo masculino -que nom é pequeno- de trabalhadores sexuais independentemente do nome que lhe deamos.

Porquê sei tal tamém falo em primeira pessoa? Bo: é fácil de responder. Eu som puto desde há já muitos anos, empecei com pouco mais de 20 anos e já me achego aos 50, e estou orgulhoso de se-lo. Nom o fago obrigado por ninguém. É mais: gosto do meu trabalho (sim: esse que nom está bem visto pola sociedade nem no que podo estar dado de alta como assalariado) e nom estou a dizer que seja um trabalho fácil, que nom o é desde logo.

Pero é e foi um trabalho que me permitiu sacar dinheiro para pagar faturas (que essas nom perguntam de onde sae o dinheiro) e poder-me permitir algum que outro capricho, evidentemente.

Nom foi fácil empezar para mim, quiçás pola educaçom recebida baseada numha moral judeu-cristã que me marcara muito nos anos aos que me estou referindo, primeiros dos ’90, pero se algo me planejara, desde logo, é que co meu corpo poderia fazer o que quiger sem prejudicar ninguém (nem a mim mesmo) e que era um méio, sem ter que cometer nenhum delito, para poder sacar dinheiro que me permitira poder pagar facturas e poder viver e nom só viver para trabalhar senom tamém poder ter vida e poder (aos vinte e poucos anos), manter um estilo de vida sem sangrar aos meus pais e goçar da minha mocidade (a situaçom em casa nom era para estar a sangrar á família). Por suposto que nom todos os clientes som bos e nom sempre pássa-lo como te gostaria, pero poder sacar dinheiro tendo sexo -que caralho!- dáva-me bos subidons. Quem se pense que é um trabalho fázil e que se pranteje faze-lo -como o fago eu- por necessidade, porque nom me queda outra, está num erro. Realmente, como para todos os trabalhos, fai falha valer para isso e, sobre tudo, esquecer os prejuízos que, se a gente decáta-se, vai ter contra ti e a factura que te pode passar socialmente.

Durante estes anos figem muitas amizades de ambos os sexos e atopei-me com autêntic@s canalhas, ainda que nom mais que noutras profissons, e podo dizer com muito orgulho que atopei mais apoio e ajuda no coletivo de trabalhadorxs do sexo que nos outros trabalhos aos que me adico ou adiquei. Compaginei de sempre dous trabalhos: o bem visto socialmente e polo que cotizo e o de trabalhador do sexo que, insisto, de momento nom pode um dar-se de alta mais que como autónomo e parece que vai para longo o tema da regularizaçom e índa mais em tanto e em quanto os putos parécemos nom existir.

Sempre, ou case sempre que se fala de prostituiçom, sobrenténde-se que falamos de mulheres, de putas. Nem se nos passa pola cabeça quando lemos algum artigo sobre prostituiçom ou escuitamos algumha notícia sobre trabalho sexual que poida tratar-se de homes, de putos ou gigolôs. Nom existimos nos meios de comunicaçom nem para a sociedade.

Nom só falo ademais de gais que se prostituem com outros gais senom que ademais devido á grave crise económica atopámo-nos com homes heteros parados, sem ingresos, que decidem prostituir-se com outros homes, cousa que supom em muitos casos umha dupla estigma ou umha dupla trauma, o de prostituir-se e o de aceder a manter relaçons sexuais por dinheiro com outros homes; mudando assim -quanto menos para a sua subsistência- a sua orientaçom sexual; e muitas vezes é algo que nmn logram assimilar e provóca-lhes um gram conflito psicológico.

Tamém nom se nos esqueça que dentro da prostituiçom masculina estám os gigolôs, é dizer homes que se deitam con mulheres em troques de dinheiro. Som como os putos, pouco conhecidos e inhorados nos meios. Neste caso muitas vezes do pouco que sae é no plano demasiado cómico ridiculizando a estes profissionais, tanto seja nas séries de tv como nos filmes de humor, nas que qualquer ganhám serve para esta atividade e pónhem-no como um meio rápido e cómodo de ganhar dinheiro sem valorar nada mais que as ganas de folhar e que sempre vam atopar mulheres dispostas a folhar por dinheiro.

Somos invissíveis: a prostituiçom masculina nom existe ou é marginal. Temos umha dupla estigma: o de ser trabalhadores do sexo, com tudo quanto isso leva, e o nom existir para a sociedade.

Pódo-vos ponher um exemplo moi claro que se passa numha cidade como Madrid: toda a gente que vive ou que vai a Madrid sabe por onde se ponhem as putas e em que zonas, som moi vissíveis e as que trabalham na rua estám localizadas, sábe-se onde estám os clubes, etc… Pero, sabe-se onde se ponhem os putos ou onde há pisos de prostituiçom masculina? ou mais bem é algo que nem sequer se planeja a gente? Pódo-vos dizer que tamém trabalham na rua e em sítios céntricos, pero curiosamente a gente nom os vê.

Se nos fijamos noutros síntomas tamém podemos comprovar que jamais se fala de redes de “tratas de homes” (que tamém existem nalgures), nem da precariedade laboral na que muitas vezes trabalhamos (ao ar livre, em habitáculos cutres, pois nom tudo é cor de rosa), nem da morte dum puto, nem dos riscos de padecer umha ETS índa que estejamos todes expostos a elas, nem das agresons que sofremos no nosso trabalho ao igual que algumhas mulheres. É dizer: corremos perigos parecidos aos das trabalhadoras sexuais, co inconvinte da nossa suposta inexistência ou, milhor dito, da nossa invissibilidade.

Por sorte para nós, o seitor feminista abolicionista nom se mete conosco, porque nom somos mulheres submetidas a um jugo heteropatriarcal que nos oprima ou nos leve a prostituir-nos.

Com tudo, fai-me graça, quando escuito que os putos somos uns viciosos -e mais se somos gais- e que folhamos por promiscuidade ou nos aproveitamos doutros sacándo-lhes o dinheiro, estafándo-lhes ou roubándo-lhes, deve ser porque somos assim de maus e perversos. Nom sei em que momento a gente, a pesar de estar no século XXI, segue sem entender que quando existe umha relaçom mercantil contratual entre duas pessoas (umha chapa) maiores de idade e de mútuo acordo, nom é delito nem um roubo, senom singelamente botar um canivete a câmbio de dinheiro com consentimento por ambas as partes. Quero dizer com isso que nom somos um coletivo de ladrons (home: ladrons hai-nos em todas as atividades laborais!) senom que estamos a ejercer umha atividade laboral nom reconhecida e socialmente estigmatizada.

Nalgumhas associaçons de Trabalhadorxs do Sexo já se está integrando a homes do seitor, e é um grande passo que ajuda á nossa vissibilizaçom, pero crio que em grande parte somos tamém nós, os próprios putos, os que devemos dar-nos a conhecer, participar em associaçons e fazer que o nosso coletivo exista para a sociedade e sejamos vissíveis. Por citar só algum destes coletivos podo falar de Aprosex, Hetaira, e Colectivo Caye de Asturies, do que estou a formar parte na sua posta em andamento.

Há pouco, a través do meu perfil profissional, contatou comigo um moço que queria fazer um estudo sobre nós, os putos, perguntándo-me se gostaria de ter umha entrevista com ele para poder ajudar-lhe no seu estudo de investigaçom e acedim a tal.

Na devandita entrevista, el mesmo comentábame a dificultade que atopara para atopar traballadores sexuais que quixesen colaborar e responder a unha serie de preguntas – a verdade, nada comprometidas- no terreo persoal sobre o colectivo do que formo parte como puto.

Somos nós os primeiros que devemos tentar ser vissíveis: que se nos tenha em conta e que se saiba da nossa existência.

Nom podemos, nem devemos, deixar que se nos sega ocultando; nom só por parte dos meios, senom tamém por nós mesmos.

Somos tam reais como o som as nossas companheiras putas e devemos unir-nos para poder luitar por poder trabalhar, igual que elas, dados de alta, tendo os nossos direitos e dándo-nos conta de que, sendo vissíveis e formando parte de coletivos que nos representem, poderemos ter mais opçons do que agora, de conseguir poder trabalhar saindo da clandestinidade e do escurantismo no que estamos agora.

Escrever em “modo” primeira pessoa ajuda a entender tudo muito milhor e tamém ponher-nos na pel do escritor ou de determinado coletivo, como pode ser neste caso o de Trabalhadorxs do Sexo.

É mais fázil tentar lê-lo sendo nós “xs protagonistas” que só lêr sem chegar a pensar que somos ou podemos chegar a ser nos quem estamos na pel do, ou da, protagonista do texto.

Artigo de Lucas Master

(Lord_Storm)

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