Ilustres suicidas x Acratosaurio

Índa que já falei eu do tema, agora recolho (e traduzo) de AlasBarricadas este texto de Acratosaurio e recomendo avidamente sua leitura (de feito só acostumo a colar artigos de outras pessoas quando concordo coa sua opiniom e considero que merece ser traduzido e dar-lhe pulo):

Um novo suicídio pola crise. Tráta-se dum senhor de lustre, um mata-ursos, e tal, que apareceu listo coa sua carabina o seu carom. Quem a ferro mata, a ferro morre, di a Bíblia. Acapara portadas de revistas etc., incrementando a curiosa lista de falecidos de direitas. Os ricos tamém morrem, menos mal. A polícia dizia na tele, que quando a ferida é no peito, tentando alcançar o coraçom, é porque um busca acabar coa sua vida. Claro. Evidente, se o que buscas é quedar coxo, a ferida fas-na num pé. E o certo é que a mim nom me estranha que se vaiam morrendo todos esses imputados. Os juízos prolóngam-se tantos anos, que se queira ou nom, a gente acaba palmando denantes que se ditem sentenças exemplares.

Com tudo há cidadáns que duvidam de que alguém coa cara tam dura, e que nom deixa nota de despedida, máte-se assim sem mais, porque nom quer que lhe dea o sol ao coche. Vai cambia-lo de sítio temperám, méte-lo na garagem, percatá-se de que quando volva vai estar como um forno, e nom pode suporta-lo. Sofre. Colhe sua escopeta… Absurdo, dim alguns escépticos. Eu vou demonstrar que sim se pode. Nom duvidedes amigos anarquistas. Nom duvidedes.

Claro que se pode um suicidar cumha arma longa, que seja preferivelmente de canom curto. Colocas a culata contra o chão em ângulo de 60º. Das-lhe a volta em vertical ponhendo o gatilho p’arriba, colocas o canom no peito, quitas o seguro, apertas o gatilho e Pum!. A bala penetra e fai das suas ziguezagueando. Eu realicei provas várias vezes, o que se passa é que nom som um bom tirador e tenho o teito do coche cheio de buracos.

Pero deixemos correr estas obviedades que nem nos vam nem nos venhem, e contemplemos os dados oficiais.

O primeiro que chama a atençom, é o número (1). No estado espanhol o suicídio é a primeira causa de morte externa (2). Em 2015 foram 2.680 homes e 922 mulheres quem se suicidaram. Há um fator de género moi rechamante que quigera comentar. É algo sabido que os homes som mais propensos a consumir drogas legais e ilegais, a sofrer acidentes mortais de tráfico, afogamento, envelenamento…, a lesionar-se gravemente tanto no trabalho como no esporte, a suicidar-se e a viver de média menos anos que as mulheres. E isso é porque há umha relaçom entre a identidade masculina (o que se espera de nós, o adestramento que recebemos para abusar dos débeis, suportar a dor e assumir o risco), e um estilo de vida que vai associado a umha maior mortalidade.

No caso do suícidio, um home que senta que fracasou, ou que esteja a sofrer emocionalmente, terá menos tendência a exteriorizar os seus sentimentos e a pedir ajuda. O masculino neste caso, é aguantar-se e apertar os dentes sem amossar debilidade. Pos-te um chándal velho, saes á rua, pedes esmola, agéncias-te un brick de vinho, e arranjado. E isto tem graves consequências, já que aos homes cústa-lhes muitíssimo trabalho lesionar a sua masculinidade. O qual leva-lhes a suportar o fracaso pior que as mulheres. Aos homes adéstram-lhes para assumir riscos, tomar decisons imediatas, conquistar o pracer, e viver as suas vidas coma se tal cousa. É um dos motivos polos que nove de cada dez assassinatos lévam-nos a termo homes sobre outros homes ou sobre mulheres. Ás mulheres se lhes ensina para ser mais contidas, menos impulsivas, e a suportar com resignaçom o fracaso assumíndo-lo como parte das suas vidas. Em consequência suicídam-se menos e matam menos. Ainda que, como compensaçom talvez cultural, falecem mais por trastornos mentais e de comportamento. Por essa causa vejo que em dezembro de 2014 há 559 falecidos homes e 1.135 mulheres (3). É curioso.

Seguindo coa análise, vemos que tudo concorda: o mata-ursos era um home; estava a passar por um mal momento (juízos, caçarias, coches de alta gama aos que se lhe deteriora a pintura…), e estamos em julho, que resulta que é o mês no que mais gente se suicida (junto com março)(4). Há com tudo, um detalhe que nom concorda: o método. Os espanhois tenhem propensom a suicidar-se ou bem aforcándo-se (1.664), ou bem lançándo-se desde um ático (842), por fármacos de todo tipo (282). E só 72 pessoas suicidárom-se cum rifle. Chama a atençom que podendo suicidar-se aforcándo-se ou tirándo-se desde um edifício elevado, preferira um método minoritário. Pero nom o é tanto porque se me acaba de ocorrer, que para matar-te cum rifle, há que dispôr dum rifle, coisa que nom é nada singela para multitude de espanhois que nom chegam a fim de mês nem para balas, e aos que só alcança poder usar a corda do tendedeiro da vizinha. Quem som os que se suicidam com armas de fogo no estado espanhol? Fundamentalmente, militares, polícias, guardas civís e caçadores.

Assim que este é o quadro. Nom podemos saber porque se suicida umha pessoa que nom deixa umha nota explicando seus motivos. Impossível. Pero sim sabemos que se trata dum home, que tem um rifle, que sabe usa-lo porque está afeito a matar animais indefensos a distância e sem nenhum risco, que possue –por tanto– instintos torvos e sanguinários, educado para ter éxito e tomar decisons dificis sem pestanejar que afeitam á vida doutras pessoas de maneira moi sinistra, e que despreza qualquer norma ética preferindo eludir responsabilidades…

Isso léva-me a pensar no inútil das leis para previr assassinatos em pessoas que estám decididas a matar. Esses tipos que, por exemplo, perdem o control da mulher, ejecútam-na sem piedade a machadaços, assassinam filhos e a continuaçom ou se suicidam ou se entregam, o que lhe estám dizendo á sociedade, é que lhes importa um caralho o castigo. A um bicho assim nom há quem lhe tussa, e faria falha um gram câmbio de mentalidade para mudar essas tendências que tenhem como base o Poder e a Dominaçom.

Claro, que assim voltariamos ao princípio. Para acabar coa epidémia de suicídios e assasinatos de homes, haveria que tocar o núcleo mesmo da masculinidade atual, que quere um home forte, activo, poderoso, capaz de enfrontar-se ao perigo, duro ante a adversidade, que nom se queixa, que nom suporta o fracaso e que nom pode deixar de assumir riscos, porque se nom vai ser considerado um puto maricom. Um sistema económico competitivo, require homes assim. Haveria que cambiar ou reduzir o sistema de Poder e Dominaçom, e a forma de exploraçom económica para volve-los algo mais racionais.

E isso colegas homes, sim que é complicado. Muito milhor a incineraçom do corpo, cum forense como o de Ruth e José (4) que confundiu metatarsianos humanos com restos de esquios, e a outra cosa bolboreta.

Em definitiva: suicídio por causas naturais. Repousam as cinças no panteom familiar, para evitar que a algum iluminado ocórra-se-lhe chamar a Etxeberria (5) a fazer outra autópsia dentro duns anos. Ía dizer algumhas derradeiras palavras adicadas… O silêncio. Muito milhor.

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NOTAS

(1) As estatísticas oficiais de suicídios podem ser consultadas nas táboas do INE.
(2) As causas externas som: suicídios, acidentes, envelenamentos, queimaduras, assassinatos…
(3) http://www.ine.es/jaxi/Tabla.htm?path=/t38/p604/a2000/l0/&file=0300002.px
(4) Caso Bretón.
(5) O segundo forense do caso Bretón.

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