Sobre privilégios eurocentristas e as magnificaçons das luitas branquistas x Daniela Ortiz

Nom tenho o privilégio de conhecer Daniela Ortiz mas polo que sei é umha ativista e artista multidisciplinar de origem peruano que na atualidade reside em Barna. Cheguei a ela por um seu texto que atopei na rede ao respeito das declaraçons de Julian Assange sobre as mobilizaçons do referendum catalám e coa mesma atopei um outro que ia no mesmo caminho. Agora (traduzidos) vos cola ambas suas reflexons que considero muito interesantes e pranteja questons que poucas vezes som refrejadas por estes lares. Dizer que o cabeçalho é de meu, dado que seus textos nom tinham encabeçamento algum:
Este tipo de declaraçons reforçam o eurocentrismo e consolidam a supremacia branca. Julian Assange dizendo que “O que sucede na Catalunya é o mais importante desde a queda do muro de Berlim”. Desta maneira Assange nega e minimiza a importância e existência da Revoluçom Bolivariana em Venezuela, a Intifada em Palestina, o levantamento zapatista do EZLN, a luita e aboliçom do Apartheid em África do Sul, a queda da ditadura fujimorista em Peru, a resistência do movimento Black Lives Matter ante o racismo norte-americano ou a luita pola libertaçom do povo Kurdo, entre outros tantos processos de luita levados a cabo polos povos racializados e nos territórios das ex-colónias.

Umha das características do branquismo e o eurocentrismo é que magnífica as situaçons vividas por essas populaçons. Os sentimentos, ideias e experiências das sociedades eurobrancas som vistas como cruciais, determinantes e históricas, as opresons para estas sociedades som narradas como as mais ferozes e injustas e suas lutas som lidas como as mais dignas e radicais.

Esta situaçom ademais responde a que estes grupos sociais, apesar dos momentos específicos de opresom que vivem, contam com umha grande quantidade de recursos económicos, ferramentas e espaços nos meios de comunicaçom que facilitam a difusom de suas próprias narrativas, de seus pontos de vista, que lhes permite construir-se a eles mesmos como a sujeitos vítima das piores opressons e, pior ainda, permite-lhes narrar-se como heróis, como grandes luitadores da humanidade, para finalmente situar a história dos povos eurobrancos como a História universal, a História da humanidade.

Desta maneira a grande maioria de repressons e violências vividas polas populaçons racializadas, migrantes, as do sul global, ficam invisibilizadas, minimizadas e normalizadas, e suas luitas e resistências sofrem um constante esquecimento, questionamento, infantilizaçom e criminalizaçom, passando desapercibidas polos meios de comunicaçom e os livros de história comandados polo brancocentrismo. Ademais a repressom contra os povos racializados e nos territórios das ex-colónias, é umha repressom onde a morte e a extrema violência é a norma e nom a excepçom.

Umha das consequências deste fenómeno da ordem colonial é que termina gerando solidariedade por parte das luitas anticoloniais do sul global e racializadas para com as luitas dos eurobrancos e colonodescendentes, umha solidariedade que obviamente nom é correspondida. Por outra parte, isto desencadeia em que depois as esquerdas brancas  permitem-se lecionar sobre o fazer político às lutas do sul global e as racializadas. Com a arrogância do colono, a esquerda branca trata de lecionar a militantes racializados que se enfrentam a situaçons bem mais complexas e violentas, e que portanto têm um saber e um fazer político bem mais elaborado.

Estes episódios da ordem colonial sucedem muitas vezes no mesmo contexto e com pouco ou nada de diferença temporária, um exemplo, a sacracilizaçom da luita da esquerda branca de Maio do 68 na França e a total invisivilizaçom da luita antirracista e anticolonial do povo argelino no contexto francês poucos anos antes, luita anticolonial que terminou com o assassinato e desaparecimento a mais de 200 argelinos e argelinas, refíro-me à pouco conhecida “Massacre de Paris do 17 de outubro de 1961”.

Isto vim com o 15M, vim com o feminismo branco e vejo com o independentismo catalám
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Os cartazes que acompanham este texto som autoria de Daniela Ortiz da sua série “Propaganda Libertaria” de 2015.- Forom desenhados para umha exposiçom sobre arte e propaganda libertária no bárrio de Vallekas, Madrid. De fundo aparecem as cores utilizadas nas bandeiras de distintos coletivos anarcosindicalistas europeios.

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Uma ideia sobre “Sobre privilégios eurocentristas e as magnificaçons das luitas branquistas x Daniela Ortiz

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