Bolas de lume!! Assim é como avançam os incêndios e jurdem novos focos.

Já tenho tocado nalgum outro artigo o efeito das pinhas voadoras e da casca do eucalipto ardendo. Como espécies pirófitas (gostam do lume) que som, entra dentro dos seus cometidos na luita por um lugar na natureza, expander-se polo território aproveitándo-se dos incêndios e de ai que, segundo expertos na matéria, possuam tais pinhas e cáscaras para servir-se delas para expander os lumes. Soa um tanto a ciência ficçom por aquilo que estamos afeitas a ver ás árvores como seres inánimados e sem sentimentos e por suposto incapaces de fazer tais maldades (nessa dicotomia de bos e maus na que as humanas gostamos de qualificar comportamentos naturais e instintivos do resto dos animais, vegetais, fungos, protistas e mais das moneras). Pero é-che o que há!!

Estes dias nas imagens que nos serviram as televisons e mesmo nos vídeos que gravou a gente e publicou na rede, poidemos olhar e escuitar como várias vizinhas afetadas polos lumes falavam de grandes bolas de fume que vinham polo ceu a cair perto delas quando o monte que ardia estava ainda a muitos metros de distância. Imensas bolas de fume que passavam por riba das suas cabeças e assim que caiam eram origem dum novo foco.

Isto que, unido ás condiçons imelhoráveis para sua rápida propragaçom, mesmo poderia explicar esses misteirosos focos que jurdiam case ao mesmo tempo por diferentes zonas dum mesmo incêndio. Pero nossos governantes e governantinhos prefirem inhora-lo e apurarom-se a falar desses focos coincidentes como umha monstra infalível do carater delituoso de todos os lumes na sua teima em buscar grupos terroristas organizados para matar (que nom digo eu que nom existam tais, pero se é que existem é muito mais provável que sejam mercenários do Capital moi bem pagados e nom umha associaçom da paisanagem pirómana que atua cordinada em comandita).

Recolhendo da hemeroteca opinions de gente que sabe disto, cheguei á umha página do diario de Ibiza com data de 5 de junho de 2011 (días depois dum grande incêndio no norte desta ilha) onde entrevistam Jaume Estarellas, na altura técnico de Biodiversidade do Consell de Ibiza, e o jornalista Joan LLuís Ferrer tocando o assunto das ´pinhas voladoras´e outros fragmentos incendiados que saltam a grande distância e que surpreenderam muito á gente que nom conhece o campo nem o bosque, pergunta-lhe: Realmente podem chegar tam longe? ao que Estarellas resposta: —Isto é habitual. O pinheiro é uma planta pirófita, amante do lume. Porquê? Porque ao pinheiro beneficia-lhe. A gente pode estranhar-se muito ao escutar isto, pero o pinheiro tem uma estratégia como espécie. Tem-na como espécie, nom como indivíduo, porque estes queimam-se. Como espécie, o lume arrasa tudo e quando tudo volve começar, que espécie é a mais beneficiada? O pinheiro. Tem um crescemento rápido e tem um sistema de propagaçom de sementes que outras espécies nom tenhem. O fogo é o agente modulador da paisagem de Ibiza. O pinheiro, depois do incêndio, coloniza o solo e esse romper e volver a empezar benefícia-lhe. Em quanto ao das pinhas, trata-se de pinhas fechadas que só se abrem quando há temperaturas moi elevadas. É o mecanismo que tem o pinheiro para regenerar-se depois dum fogo. Quando recebem o lume, saem disparadas e assim espalham suas sementes. Esses pinhons podem aguantar temperaturas altíssimas e germinam quando chegam as chuvas. Essas pinhas som moi molestas e moi perigosas quando há um incêndio, pero som as que conformarám o futuro bosque.

Mais recém é o artigo escrito por Daniel Cela no jornal Público tras o aparatoso incêndio deste ano no parque natural de Doñana e que recolhe a resposta do diretor general de Gestom de Médio Natural da Junta de Andaluzia, Javier Madrid, á pergunta do jornalista de Como se propagaram as lapas dumha a outra árvore? tras contar que os bombeiros atoparam dentro do perímetro afetado árvores queimadas, separadas entre elas por dez metros de distância sem vegetaçom, só area. Javier Madrid culpa ás faíscas, troços de madeira ou cortiça das árvores que saltam ao entrar em combustom inflamada e convertem-se em cinzas ou esquírolas. “Formarom-se bolas de fogo que, movidas polo vento, saltarom os cortalumes, passando da copa duma árvore a outra alonjada vários metros de distância”.

Tamém nesse artigo recolhe a opiniom do portavoz de Ecologistas en Acción no Conselho de Participaçom de Doñana, Juan Romero:  “O pinheiro que se repovou aqui nos anos 50 é uma espécie propagadora de lume, como o eucalipto. O fogo fijo explorar as pinhas nas árvores, que saltaram de copa em copa extendendo as lapas. As faíscas podem saltar uns metros ou incluso kilómetros, dependendo do vento. Entom de pouco valem os cortafogos”.

Dito isto e sabendo as condiçons climáticos da fim de semana passada, já nom resulta tam estranho que houvera 132 focos incendiários no mesmo dia do Domingo 15 de outubro (por certo data de início da tempada de caça na Galiza). E resta valor a essas declaraçons do nosso presidentinho Alberto Núñez Feijóo que sostém categórico que a situaçom criada nesse dia «no es resultado de la casualidad ni del azar», e engade tirando de cifras: “En la jornada con más incendios del mes de agosto se registraron 50, mientras que el pasado domingo alcanzaron los 132, lo que confirma el «terrorismo incendiario». O que nom conta Feijoó é que nessa data á que fai referência (suponho que refíre-se ao 22 de agosto) os ventos apenas superaram os 26 kms/h entanto no domingo passado acadaram ventos que superavam amplamente os 80 kms/h com rajadas de mais de 100. Além a seca do domingo era muito maior que a de agosto, pois apenas choveu entre ambas datas o que facilitou que qualquer faísca poidera originar um grande lume.

E por se alguém índa tenha reticências ao respeito da importância de que tipos de árvores som pirófitas e as que nom ardem tamém (as nossas árvores frondosas autóctones  como o carvalho ou mesmo alóctones pero que se adaptaram em perfeita sintónia coa paisagem do bosque galego como os castinheiros) servam este par de vídeos colgados na rede por um vizinho de Vigo que gravou nos montes de Coruxo para explicar como os lumes se propagaram e como árvores frondosas, arrodeadas de eucaliptos queimados, salvaram-se da queima:

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