“BENETTON E O CORPO PLANTADO” – Um artigo de Federico Soria com Ana Maria Conejeros

«Nom assassinaram um mero inimigo da Benetton, creio. Nom assassinaram um simples defensor do movimento mapuche, paréce-me. Nom assassinaram um adversário, entre outros, do macrismo. Tem sido assassinado, assim o penso, um antagonista de quase todos os que estám a falar dele; um antagonista de toda a forma de Estado, de todos os meios de comunicaçom, de todas as militâncias socializantes… Têm assassinado uma pessoa sem etiqueta, como as anarquistas de verdade». Pedro García Olivo , num seu comentário do artigo.

Nom me é alheio o tema do povo Mapuche, nunca pisei terras do além do Atlántico, mas sim tivem a fortuna de conhecer gente implicada na sua luita e colaborar a espalhar por esta nossa terra galega suas teimas e batalhas junto a compas implicadas no projeto informativo Abordaxe, tanto no seu 1º blogue coma no 2º, podedes atopar infomaçom abondo ao respeito, além de botar uma mão em palestras, concertos e outras atividades para recaudar dinheiro para sua luita. Tampouco e-me alheio Santiago Maldonado, nem tantas outras desaparecidas e sequestradas nos estados argentino e chileno, peñis ou solidárias coa luita Mapuche; e já di conta nesta minha bitácora que para mim Santiago “Lechuga” «nom é um mártir nem um héroe, é só um mais das miles de anarquistas que em tudo o mundo som criminalizadas polos seus atos solidários e de luita contra as injustiças que desenham os possuidores do Deus dinheiro» .

Agora prefiro ceder a voz a alguém que escreve desde lá, Federico Soria, quem no seu blogue «Yo tampoco me callo…»  diríge-se assim ás suas leitoras: «Em definitiva, os feitos aqui pesquisados, estudados e relatados nom revelam outra coisa que uma sorte de “verificaçom de redundância cíclica” que chama o sistema e o deixa pendurado sem possibilidade de autorrecuperaçom. Desde meu ponto de vista, baseado mais que nada no sentido comum, a única possibilidade previsível, ante o turvo panorama que se nos apresenta, é “resetar” o sistema e voltar a começar todo de novo».

Dizer tamém que o texto publicado é assinado com Ana Maria Conejeros e a fonte dalgumas das fotos que acompanham este texto som documentos históricos que apoiam a tese de que as terras recuperadas polo Lof em Resistência [1] de Cushamen -onde foi «desaparecido» Santiago Maldonado «Lechuga»– nom figuram a nome de Benetton.

BENETTON E O CORPO PLANTADO

Desde o primeiro momento da desapariçom forçada de Santiago Maldonado pôde-se ver claramente como todas as instituiçons e forças repressivas de todos os âmbitos do Estado têm operado em defesa e ao serviço dos interesses de Benetton contra os Mapuche. Isto tem sido assim com factos concretos como a fustigaçom sistémica, os contínuos roubos, as diferentes repressons e urgências ilegais, a actuaçom de grupos de tarefas parapoliciais do próprio Benetton, bem como o acto mesmo do desaparecimento e seu encobrimento. Agora tamém a implantaçom do corpo no Rio Chubut NO MESMO DIA EM QUE SE TINHA ORDENADO A INVASOM DA ESTADIA LELEQUE.

Recordemos que, para além de ser o terratenente maior da Patagonia, as terras recuperadas pela Pu Lof em Resistência de Cushamen nom pertencem a Benetton. NEM SEQUER FIGURAM A SEU NOME NO CATASTRO SUPERFICIÁRIO DE CHUBUT, documento público onde estám registadas todas as propriedades com sua localizaçom, superfície e proprietários. Segundo o mesmo, estas terras fazem parte da Colónia Cushamen, um conglomerado de lotes que foram entregues polo Estado Argentino a fins do século 19 e princípios do século 20 [2] , ás antepassadas de quem hoje têm recuperado essas terras e estám a ser reprimidas polo próprio Estado Argentino.

Num artigo anterior expuseram-se todas as razons de Benetton para ordenar ao Estado Argentino a repressom à Pu Lof em Resistência de Cushamen, onde foi desaparecido Santiago Maldonado, bem como as açons concretas que Benetton levou a cabo neste sentido.

Agora observamos que se conformam como feitos públicos e notórios o passe de factura entre o Governo Nacional e as diferentes forças repressivas do estado, as que evidentemente estám a atuar numa sorte de autogoverno que intervém nas decisons do Estado (apesar de que em Argentina a ditadura terminou fai 34 anos).

Desde já, os meios hegemónicos seguem propalando conjeturas falsas para desviar à massa do foco principal da questom: que concretamente estamos ante um feito de desaparecimento forçado perpetrado pelo estado, com a gendarmeria como partícipe necessário, e Benetton como autor intelectual e financeiro. Esta estratégia mediática distrativa está planificada e implementada em sintonia com a defesa corporativa dos interesses de Benetton. Convém voltar a recordar que o aparelho de comunicaçom de Benetton está manejado pela agência corporativa Burson-Marsteller, que dentro de seu prontuário figura ter sido contratada pola ditadura de Videla para lavar sua imagem ante as violaçons aos direitos humanos desse entom.

Existem sobradas razons para sustentar que foi Benetton o que plantou o corpo no Rio Chubut:

– A principal é que a Estadia Leleque ia ser invadida no mesmo dia em que foi encontrado o corpo no rio.
– A usurpaçom ilegal de Benetton na Colónia Cushamen está sustentada polo aparelho do estado e o acionar de suas forças repressivas, em coordenaçom com seus próprios grupos de açons parapoliciais
– Esse sector do campo conhecido como Colónia Cushamen, segundo o Catastro Superficiário de Chubut (recordemos, documento público), que conforma a recuperaçom territorial levada a cabo pola Pu Lof, está completamente rodeado polas estadias de Benetton, tanto águas acima como abaixo do Rio Chubut e é acessível desde as mesmas por caminhos transitáveis.
– Particularmente o lugar onde foi achado o corpo está situado a poucos metros da ex-Rota Provincial 4, que antigamente unia El Maitén com Cushamen e na atualidade está tamém usurpada por Benetton desde fai já uns anos.
– Benetton possue cámaras frigoríficas em lugares recônditos da Patagonia onde esconder nom um, senom milhares de cadáveres, durante todo o tempo que fosse necessário.
– Tamém possue toda a logística e o pessoal necessário para levar a cabo este tipo de operaçons
– Tamém possue o apoio e aval do estado e de suas forças repressivas autónomas para realizar e/ou encobrir este tipo de acionar
– Há uma deliberada intencionalidade de parte do governo e os meios hegemónicos sócios em nom fazer nenhum tipo de mençom a Benetton e seus interesses no lugar onde foi desaparecido Santiago Maldonado.
……………….

E vou rematar coas palavras de Awka, graças a quem soubem deste texto e de quem colhim esta última imagem:
Nom é “um” gendarme, é toda a instituiçom: foi o Estado.
Estamos vivxs e temos bronca.
Arriba a Resistência Mapuche!
Santiago Maldonado Presente! Agora e sempre!

———————-
[1] Lof ou Caví, é uma forma básica de organizaçmo social do povo mapuche, consistente num clã familiar ou linhagem que reconhece a autoridade de um lonco (cacique).

[2] BENETTON: EL MAYOR TERRATENIENTE DE ARGENTINA

[3] Atopan o corpo sen vida do compañeiro Santiago Maldonado. As compas da Irmandade da Costa tamém escreverom sobre o assunto.

[4] Aqui tendes a localizaçom das tendas de Benetton, se bem ao parecer “polas dúvidas sacarom as sucursais do mapa na Argentina”.

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