“La Manada” somos nós…

Colo e traduzo (com permiso) do blogue Estrabismo Ilustrado:


O caso da violaçom múltiple de S Fermines tem-me perturbado. Sinto angústia, moita tristura, ráiva e confusom. Nom fum quem de “repostear” as fotos dos cinco violadores. Nom sei moi bem porque. Crio que nom queria ter essa barbárie tam perto, ponher-lhe cara, pensar que pode ser real. Coma se quiger negar o mau ou afasta-lo e pensar que nom forma parte de mim e que é menos real. Passarom uns dias e crio que me dá medo pensar no que poida haver de mim nas caras desses moços. Dá-me vertigem.

Este caso é tam simbólico porque eram um grupo de 5 rapaces novos. Quando é um só o violador, inconscentemente é mais fácil de abstraer-nos e pensar nele como um perturbado, como algo que está fóra do normal, algo que está longe e nom forma parte da nossa realidade. Pero com “La Manada” é mais dificil abstraer-se e pensar que é algo que nom nos toca de perto. Porque som cinco moços novos, aparentemente normais e sans (filhos sans do patriarcado). Este caso demóstra-nos que isto é um problema coletivo nom pontual.

Outra das cousas que me perturbam e que denota o enferma que está a sociedade é que alguma pessoa (ou médio de comunicaçom) poida considerar que uma nena de 18 anos consinta o que passou nesse portal. Crêr que essa nena poida desejar que 5 feios de 26 anos folhem nela por todos lados num portal ás 3 da manhã numa cidade desconhecida é simples violência. Escuito uma e outra vez testemunhas que consideram isso uma possibilidade. Que crem que uma meninha poida desejar isso. A cultura da violaçom é isto. Uma sociedade que está impregnada duma sexualidade masculina enferma que naturaliza atos de violência sexual como algo normal e desejável. Uma sexualidade masculina baseada na violência e a dominaçom. A construçom da identidade masculina baséa-se nisso, na capacidade de dominar, possuir e usar outros corpos para obter prazer. O prazer rége-se por uma lógica de dominaçom. Tem-se de anular á outra pessoa para domina-la e que sirva para satisfazer o nosso desejo. Paradoxamente havemos de anular-nos a nós mesmos, pois a nossa sexualidade e prazer é algo social, necessita das outras pessoas para cobrar sentido. É sempre bidirecional. Até quando nos masturbamos quando nossa identidade desdóbra-se no baile de desejar e ser desejadas. O prazer está no baile.

E aquí chega a vertigem, eu que fum educado, mirado e tratado como home, que se pugerom expetativas sobre mim como home, que tenho eu de toda essa sexualidade enferma? Que fica em mim, na minha subconsciência e no jeito de viver minha sexualidade e meu prazer. Na minha capacidade para viver uma sexualidade sã livre de violência.

Nom escrevo isto desde a culpa senom desde o sobrecolhimento. Fágo-me estas perguntas desde a perplexidade e a vertigem. Isto nom é só um probema que atinge aos heterosexuais. A cultura gay é tremendamente masculina. O porno que vemos, um porno asséptico que reproduz modelos heteronormativos e sobre tudo, que limita as nossas sexualidade a atos sexuais mecanizados sem explorar os nossos distintos sentidos e as diferentes partes do nosso corpo. Um porno que reproduz corpos normativos (e a norma sempre é irreal e inalcançável, porque é uma ilusom que a realidade nunca cumpre). Outra característica da cultura gay pero que afeta a toda a sociedade tamém é o hedonismo. O acesso ao sexo e ao prazer sexual antepom-se a qualquer outro valor. Equipára-se uma sexualidade livre a poder aceder a ter sexo sempre que queiramos, sem antigas culpas moralizantes e sem compromisos relacionais. A nossa sexualidade convérte-se num bem de consumo que temos a “liberdade” de consumir sempre que queremos. Que relaçons persoais estabelécem-se neste exercício liberal da nossa sexualidade? Quanta violência há ne-la, para coas nossas necessidades, todas, e para coas das demais? É sã o caráter utilitarista deste tipo de sexualidade?

Dim que este será o século das mulheres, que assim seja. Pero entom haverá que mudar muitas cousas, cousinhas que temos dentro, porque num mundo androcéntrico e violento todo leva fazéndo-se mal muito tempo. Os corpos que fomos educados para dominar e possuir, os tratados como homes, deveremos de começar uma revoluçom interior radical, uma revoluçom que é complicada e achéga-nos a monstros… Provávelmente a revoluçom de fóra deixarémos-lha aos outros corpos e acompanharémos-lhes. Até entom… Eu sim te creio, abaixo o patriarcado e toda forma de dominaçom…

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A imagem é autoria de Malagon e está recolhida do artigo “Las otras manadas” de Anita Botwin publicada na sua coluna Ser Feminazi Hoy no portal ctxt que vos convido a lêr

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