A conquista do deserto no Século XXI. Balanço repressivo do governo argentino ao povo mapuche

Colo (e traduzo) de AlasBarricadas esta analise realizada polo Departamento de Agitación Libertaria de Argentina que resume as repressons para o povo Mapuche e suas consequências políticas durante o 2017: Nele as compas argentinas falam da manipulaçom mediática progovernamental, do seu invento dum grupo terrorista mapuche (RAM) para desprestigia-lo povo para poder assassinar impunemente as suas membros; além de disfarçar a verdade fazendo passar por terras legítimas de famílias indefessas o que som intereses moi capitalistas das multinacionais que roubaram ditas terras ao povo mapuche.

Sem dúvida, um dos temas centrais relativo ao autoritarismo, repressom e avanço do neo-liberalismo em Argentina é o sofrido polo povo Mapuche durante a segunda metade do ano 2017. O desaparecimento de Santiago Maldonado foi, talvez, o que abriu as portas para exibir de forma publica a situaçom das comunidades originárias no sul, ao mesmo tempo que deu cancha ao imaginário oficialista para gerar uma nova mitologia sobre o terrorismo. Sendo que estamos adentrándo-nos no último mês do ano, vemos apropriado fazer uma síntese do acontecido em 12 meses.

A princípios de Janeiro, e no marco diferentes situaçons de violência armada contra o povo Mapuche em território argentino, o nome de Facundo Jones Huala (Lonko/Líder da comunidade Cushamen – Chubut, Argentina) começa a ressoar nos principais diários (de tiragem oficialista) do país, vinculando a este com a RAM (Resistência Ancestral Mapuche) -cuja existência até o dia de hoje segue estando em dúvida- e, a sua vez, com organizaçons “terroristas”, postulando o discurso oficial que esta pessoa e sua suposta organizaçom estariam a ser financiados polas FARC, ao mesmo tempo que se propom que seria respaldado polo ex governo nacional. Sendo que a disputa dos povos Mapuches no território argentino tem como um de seus principais antagonistas à empresa Bennetton, também se começa a vislumbrar uma manipulaçom na linguagem em vários meios de corte oficialista, ao começar a se referir a dita empresa como “a família Bennetton”, tentando gerar uma visom no leitor que nom relacione o nome Bennetton com uma multinacional. É também durante este mês quando a (comunidade) Pu Lof em Resistência – Cushamen (Chubut-Argentina), território, antes em mãos de Bennetton e que em 2015 fora recuperado polo povo originario Mapuche, sofre sua primeira repressom do ano, ao ser invadidos pola Gendarmeria Nacional e Infanteria por ordem do Juiz Federal Guido Otranto, deixando várias pessoas feridas e detidas como saldo da mesma. Cabe realçar que dita comunidade pertence ao Movimento Autónomo do Puelmapu (MAP), que nucleia diversos lof (comunidades) em Chubut, Rio Negro, Neuquén, Buenos Aires e La Pampa e nom à suposta RAM, como tamém plasmam os meios oficiais em outra tentativa por manipular a opiniom publica.

Desde Janeiro a Junho, inicia um ataque constante de parte da polícia de Chubut para com dita comunidade e que esta denúncia de forma legal e publica. Nestas arremetidas, o uso de balas de chumbo por parte das forças policiais é uma constante.

                             Facundo Jones Huala (o do poncho no centro). Contrahegemonia Web

É a fins de Junho, o 28, que Facundo Jones Huala é detido arbitrariamente em Bariloche, por um suposto pedido de extradiçom a Chile, polo qual já fora privado de sua liberdade e depois de dois meses libertado em 2016, e pese a nom ter nenhum cargo na Argentina. Este feito volta a trazer aos meios ao fantasma da RAM, a vitimizaçom sobre a “família” Bennetton e soma-se ao repertório de vítimas nos meios oficiais, uma nova cara (lavada) entre os terratenentes em solo patagónico, Joe Lewis, quem em nenhum momento, em ditos meios, foi relacionado com Tavistock Group, empresa multinacional com sede nas Bahamas da que é fundador e principal investidor.

A fins de Julho, no marco da luta de um mês, entre pedidos e manifestaçons de diferentes tipos pola detençom de Jones Huala por parte das comunidades Mapuches tanto em Chubut como em Rio Negro; mas precisamente na manhã no dia 31 de dito mês, quando Gendarmeria, sem exibir ordem de despejo (o qual é ilegal) arremete com balas de chumbo contra um dos tantos cortes de rota, este realizado nas cercanias do Pu Lof Cushamen, sendo as manifestantes que se resguardaram em dita comunidade assediadas até entrada a madrugada, com ataques esporádicos por parte das forças do Estado. Este acionar dá como resultado, durante o escape das assediadas na madrugada do 1 de Agosto, o desaparecimento de Santiago Maldonado, um jovem oriundo de Buenos Aires que se encontrava apoiando a causa Mapuche, além de várias pessoas feridas de bala e outras detidas.

Informe da APDH da invasom em 18 de setembro no Pu Lof em Resistência de Cushamen | AnFed

Durante o mês de Agosto, depois que a Justiça declare que Maldonado nom estava entre as detidas pola Gendarmeria, e baixo as ordenes do Juiz Otranto, realiza-se o primeiro rastreio da zona. As investigaçons para Gendarmeria polo acionar realizado o 31 de julho som entorpecidas em vários sentidos e desde os meios de comunicaçom inicia-se uma campanha de desinformaçom que vai desde o feito de propor uma suposta fuga do desaparecido para terras chilenas até uma suposta relaçom do mesmo com a já mitológica organizaçom RAM e, como nada basta quando se trata de ensujar a vítimas da violência institucional, com o ex governo kirchnerista. Intitúla-se a causa como “Desaparecimento Forçado de Pessoa” pese às tentativas de desviar a causa para rumos mais favoráveis para a integridade, ou o que ficava dela, do Ministério de Segurança. Diferentes Organizaçons Sociais, Agrupamentos Políticos e independentes começam a pedir em marchas multitudinárias, redes sociais, boletins, etc. pola apariçom com vida de Santiago Maldonado.

Setembro encontra as ruas tomadas baixo a consigna de “Onde Está Santiago Maldonado?”, frase que rompe as fronteiras e é esgrimida por diferentes organizaçons em vários países do mundo. O estado reforça sua campanha de criminalizaçom dos protestos sociais, intimidando ás manifestantes a base de detençons arbitrárias, arrasamentos de moradas e de sedes de organizaçons, ameaças por parte da mesma ministra de segurança Patricia Bullrich; quem, além, confabula dando opinions sobre o caso que se relacionam fortemente com os falsos dados exibidos polos meios oficiais. No final de mês, e depois de entorpecer a investigaçom em muitos sentidos, o Juiz Otranto é afastado do caso pola Câmara Federal de Apelaçons e designa-se a Gustavo Lleral para seguir a causa. É neste mês, e em parte por pressom popular, que o Senado lhe dá média sançom à prorroga da lei nacional 26.160, a qual proibe os despejos das comunidades originárias.

Marcha do 2 de outubro | El Tribuna Digital

Outubro inícia-se com mas de 250.000 pessoas marchando em diferentes lugares do país pedindo a apariçom de Maldonado. A câmara de Deputados dá o ditame para o tratamento da prorroga da lei nacional 26.160, ante isto, as comunidades originárias do território argentino pedem que o INAI (Instituto Nacional de Assuntos Indígenas) acelere a realizaçom dos censos a ditas comunidades, já que, ainda que esta lei impediria os despejos das comunidades, faltariam por censar mais do 70% das mesmas no território nacional. Os meios de comunicaçom oficiais mantêm sua campanha de desprestígio para com o caso Maldonado, a qual é cada vez mais descarada e pouco verosímil, postulando a existência de supostas provas que demonstrariam que Santiago Maldonado está com vida e livre, inventando testemunhas e, sobretudo, relacionando ao povo Mapuche com o terrorismo. Inicia-se tamém por parte de ditos meios uma campanha de “expatriaçom” simbólica do povo Mapuche, postulando que dita comunidade nom é oriunda do território patagónico argentino, tachándo-la ademais, de naturalmente “violenta” num ato de revisionismo histórico que parece saído dum manual de escola primária. É o dia 17 do corrente; uns dias antes das eleiçons legislativas, e durante o terceiro rastreio (segundo realizado baixo ordes do juiz Lleral) que se encontra um corpo em estado de descomposiçom na beira do rio Chubut, 300 metros rio arriba de onde fora visto por vez derradeira Santiago Maldonado, dito lugar já fora rastreado com buzos e cans de rastreio. A família reconhece o corpo ao dia seguinte, é Santiago. A cercania da apariçom do corpo com as eleiçons dá pé para especulaçons mediáticas que vam desde que a RAM (o fantasma do terrorismo que só foi visto por Bullrich em fantasias repressivas) plantou o corpo, até que o jovem morreu ao se ir a banhar ao rio. As Eleiçons dam por ganhador ao oficialismo na maioria do país por uma ampla margem e as repressons das marchas sociais refletem o empoderamento do mesmo. O corpo de Maldonado fica em poder da Equipa Argentina de Antropologia Forense para realizar a peritagem que de com a causa física de sua morte.

Novembro inícia-se com “uma paz armada”. O passo das eleiçons faz que os partidos debilitados polas mesmas se repreguen; as falsas notícias postulando a morte de Maldonado como acidente, alegando supostas peritagens filtradas e declaraçons inventadas para fortalecer dita postura; mas o desgaste mesmo do povo depois de meses de marchas e atos polo caso Maldonado, vêem-se refletidos no decréscimo do acompanhamento. Enquanto espera-se que os forenses dêem o parte da peritagem, no dia 8 do corrente a Lei 26.160 é, por fim, aprovada por Deputados. Inicia novamente o pedido dantes proposto para o INAI, em forma de necessidade urgente. No dia 23 de novembro a Prefeitura e o GEOF da Polícia Federal despejam o Lof Lafken Winkul Mapu, comunidade Mapuche de Villa Mascardi, Bariloche; o acionar das forças repressivas é sumamente violento e ficam rastros de balas de chumbo na zona; pouco e nada os meios oficiais dam conta do sucedido e só se limitam a falar de  “confrontos”. 24 de novembro é o dia prometido para dar o parte da morte de Maldonado, este é revelado pola tarde, a perícia deu por resultado que o falecimento do mesmo foi por afogamento acelerado por hipotermia e que o corpo se manteve 70 dias baixo a água, o corpo nom tem marcas de violência física; o descontentamento por parte de quem apoiaram a causa durante os últimos meses para com a perícia faz-se saber, enquanto as novas especulaçons dos meios oficiais nom se fam esperar. O analise forense só postula a causa física, interna, de sua morte, mas nom baixo que condiçons externas deu-se. O 25 de novembro uma nova arremetida para o lof Lafken Winkul Mapu por parte de Gendarmeria deu por resultado um morto por bala de chumbo e várias feridas. O morto é um jovem mapuche de 27 anos chamado Rafael Nahuel, a causa é uma ferida de bala no estómago. Os meios oficiais reagem postulando que o acionar dos gendarmes foi no contexto dum confronto armado, volta a aparecer o monosílabo mais significativo do relato oficial, RAM, como suposto culpável dum falso ataque armado contra os oficiais. O país volta a tingir-se de vermelho, desta vez com sangue originária. A caça nom é fortuita, as comunidades atacadas pertencem ao 70% nom censado polo INAI e a lei nacional 26.160 que foi aprovada, ainda nom entra em vigência; o governo acuou consequentemente, como nas anteriores repressons mas apressado polos tempos legais, para com Bennetton e Lewis. Isto mesmo fica ao descoberto quando tanto a ministra Bullrich como o presidente Mauricio Macri declararam-se em favor do acionar repressivo de Gendarmeria, dando a entender que num futuro estas forças podem voltar ao fazer com o beneplácito do governo.

Última imagem de Rafael Nahuel, publicada por Al Margen, um coletivo de seu bairro no que aprendia carpintaria e participava em atividades sociais.

Dezembro encontra-nos numa situaçom de alerta, a tensom começa a subir polo empoderamento do Governo Nacional depois de quitar-se o “morto de enriba” do caso Santiago Maldonado, e expressa-se num recrudecer nas políticas contra os protestos sociais e o reforço da ideia de militarizaçom do território contra o novo inimigo imaginário do governo, o “Terrorismo”. Vários meios de comunicaçom e organizaçons sociais som registrados em procura de provas que lhes relacionem aos mesmos com a RAM, os governos provinciais começam a tomar cartas no assunto, reforçando as políticas antiterroristas, de perseguiçom e espionagem, as quais propõem de forma pública, dando a entender que a aceitaçom social das mesmas é grande.

2017 esta finalizando, as políticas repressivas de Estado para com os povos originários foram a pior à medida que o avanço do tempo; os meios de comunicaçom cúmplices ajudaram a que se recrudeza a situaçom nom só para com mapuches, senom tamém para com organizaçons sociais e agrupamentos políticos que se encontram num processo de demonizaçom cada vez maior. Isto, em relaçom com as diferentes políticas de Estado para com outras situaçons, já sejam do plano económico, educativo, laboral, social, etc. nom vaticinam um futuro prometedor em território argentino.

Departamento de Agitaçom Libertária

Uma ideia sobre “A conquista do deserto no Século XXI. Balanço repressivo do governo argentino ao povo mapuche

  1. Pingback: [Povo Mapuche] O “peñi” Facundo Jones Huala sae em liberdade e fai um chamado à unidade mapuche na luta contra o único inimigo: O Gram Capital | COMOCHOCONTO

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s