“O INFERNO DA AMOREXIA” x Israel Sánchez

Recolho (traduzo) e dou pulo a este artigo assinado por Israel no seu blogue “Contra el Amor”, no que nos fala da Amorexia que está trunfando nalguns seitores, esse bo rolhismo infantiliçoide de dar-se coidados e mimos e nom suportar que ninguém lhes mire, nem lhes fale, nem lhe roça sem seu permiso ou o da sua “pandi” (e nom estou a falar de adolescentes); um mal que nos atenaza em todas partes, como di Israel:
Talvez tenhas detectado no teu entorno algumas dessas pessoas com uma especial proclividade a reivindicar mais amor no mundo, ou a solicitar e provocar, especialmente para com elas, expressons repetitivas de afecto, às vezes vazias ou até inadequadas.

É possível, inclusive, que te tenhas topado com alguém que, apesar de viver envolta neste mar de amor, pareça estar a sofrer um déficit crónico de afecto.

Com frequência julgamos a estas pessoas benévolamente, atribuindo-lhes alta sensibilidade ou empatia, e respondemos de maneira favorável a sua conduta.

Quiçá, no entanto, estemos ante algo que deve ser tomado muito mais a sério: uma nova síndroma aditiva, às vezes devastadora, que recebe o nome de “amorexia”.

Em 2015 a equipa da doutora em psicologia social I. Martheleur, da Universidade de Hasselt, detectou rasgos similares aos de uma síndroma de dependência em algumas estudantes.

“Fizemos um primeiro estudo de campo nas instalaçons da própria Universidade no que observamos algumas condutas inquedantes. Nom era raro encontrar estudantes entregadas a intermináveis rituais afectivos que pareciam carecer de propósito. Algumas abraçavam inesperadamente a outras. Estas costumavam responder receptivamente. Mas depois desse primeiro abraço, solicitava-se outro e outro mais, á mesma pessoa ou a qualquer outra que estivera próxima. A expressom da pessoa que os solicitava, longe de mostrar satisfaçom, refletia uma crescente angústia. Em ocasions acabava proferindo expressons estereotipadas e fora de contexto como “viva o amor!” ou sons inarticulados, como uma longa “i” ao modo do berro agudo de um roedor.”

Ante feitos tam estrafalarios e preocupantes a equipa da doutora Martheleur decidiu pesquisar o fenómeno a fundo. O que descobriu ultrapassou suas piores previsons. Mais de 20% da populaçom universitária era vítima do que ela denominou “Síndrome de Obsessom Afetiva Infantilizante” ou “amorexia.”

O SOAI é uma síndroma completamente diferente à tradicional dependência afetiva duma parelha. “Neste caso nom é um sujeito, senom uma visom mágica e edulcorada do mundo o que se converte no objeto de dependência. A pessoa que padece amorexia precisa representar continuamente a ideia de que vive num universo trivializado do que têm ficado fora tanto os conflitos da vida adulta como os mecanismos de afrontamento de ditos conflitos. Para compensar a evidência de que o mundo nom coincide com sua projeçom idealizada da infância, estas pessoas contrarrestam toda a aresta que lhes apresente a realidade com diferentes mecanismos objetivadores de amor. Podemos descrever à pessoa amoréxica como aquela que tapa sistematicamente a realidade com amor” –explica a doutora Martheleur.

“Tapar a realidade com amor” nom parece tam má ideia em algumas ocasions. “A amorexia é uma síndrome altamente incapacitante” –aclara a doutora. “Tapar a realidade com amor é um modo tam autodestrutivo de fugir da realidade como refugiar-se em qualquer outro paraíso fictício que destrua progressivamente as ferramentas de afrontamiento deixando á pessoa cada vez mais indefensa. Utilizar o afeto como ferramenta para reparar problemas de indefensom ante circunstâncias adversas é dar-lhe ao afeto um uso normal e adaptativo. O problema começa quando o afeto convérte-se na única ferramenta e, ao mostrar-se insuficiente, supre suas carências com mais afeto numa espiral aditiva”.

Esta é a razom pola que a síndroma recebe o nome de “amorexia” e nom “afetorexia”. Quando o afeto se exalta e se utiliza como uma cura onivalente e onipotente nom falamos já de afeto, senom dessa palavra mágica que encontramos por todos os lados representando a realizaçom da felicidade completa.

É, entom, esta cultura do amor a causante da amorexia? Parece que há que lhe atribuir uma grande parte de responsabilidade.

Estudos posteriores têm confirmado que a combinaçom entre cultura amorosa e crise do modelo relacional normativo é uma bomba de relojoaria. “As pessoas que escapam aos falhanços em suas relaçons de parelha mediante a glorificaçom de alguma variante dessa mesma ideologia –isto é, de alguma forma de amor- entram num bucle infinito de busca de substitutivo amoroso. Pouco a pouco vam atribuindo a origem de qualquer dificuldade à falta de amor, e desenvolvendo uma fóbia paralisante a todo aquilo que nom chega apresentado baixo a espécie de expressom amorosa. Sua vida simplifica-se, infantiliza-se e volta-se inoperante. É urgente que a descoberta da Doutora Martheleur seja tomada muito a sério pola comunidade científica” –afirma Ángel Miguel Guzmán, psicopatólogo e experto em adiçons da Universidade de Badajoz..

Como reconhecemos a uma pessoa amoréxica?

A equipa de Hasselt propom os seguintes critérios diagnósticos:

-Manifestaçons afetivas afuncionais ou disfuncionais (“afeto inútil” e “afeto incómodo”).
-Presença desproporcionada do amor como tema de conversa ou explicativo.
-Preguiça mental.
-Condutas infantilizadas (aflautamento da voz, imitaçom da sintaxe prescolar, simulaçom de torpeza motora, fetichismo nom sexual, etc.).
-Gostos infantilizados (tendência ao consumo de doces e lambetadas, preferência polas combinaçons caóticas de cores vivas, gostos musicais singelos e evocadores de melodias infantis, afiçom polas narraçons de conteúdo mágico ou fabuloso, leituras com alta percentagem de imagens, etc.).
-Sensibilidade a flor de pele, especialmente para a tristeza, a melancolia e a decepçom (“personalidade amigdaliana” ou de controle pré-frontal ineficaz).
-Entorpecemento ou deterioro das dinâmicas sociais (cumprimentos inacabáveis, constantes malentendidos, hipersensibilidade à ofensa, intrusismo comunicativo –falar improcedentemente do amor ou da situaçom afetiva pessoal-, descarrilamento, etc.).
-Narcisismo.
-Insatisfaçom sentimental cronificada (constante crise de parelha ou de falta de parelha, conflitos pola atençom das pessoas mais próximas, angústia social repercutida sobre o espaço pessoal ou síndrome do “público inexistente”, etc.).
-Hostilidade ou agresividade para qualquer forma de questionamento do amor. “Polícia do amor”.
-Riso nervoso.
-Alegria estúpida e frágil.

Como fugir da amorexia?

Até o momento nom há respostas que tenham demonstrado ser eficientes, de modo que, por enquanto, parece mais fácil entrar que sair. Em opiniom da doutora Martheleur o problema das pessoas amoréxicas é sobretudo contextual. “É o seu entorno o que reforça suas condutas obsessivas interpretando-as sistematicamente como adequadas, beneficiosas e dignas de elogio, até o ponto de que a própria amorexia chega a converter-se na virtude mais apreciada da pessoa que a sofre. A infelicidade na que a amoréxica vai caindo progressivamente é entendida polas pessoas que a rodeiam como um sintoma de que nom está a ser entendida e valorizada como merece, e a animam a que incida ainda mais em sua dependência. A diferença de outras síndromas próprias de nosso tempo, a obsessom polo amor carece de crítica e, quando num espaço social se manifesta um caso, costuma ser questom de tempo que a comunidade inteira se contágie.”

Com o apropriado consentimento reproduzo este fragmento duma conversa mantida faz poucos dias com uma pessoa próxima:

-Nom me atopo bem. Acho que me resfriei. Lembras-te de que ontem à noite sai com minhas amizades? Pois para despedir-nos, como sempre, mais de 40 minutos de beijos e abraços.

-Pero se estávamos baixo 0º!

-Já, mas é tam bonito… Há outras duas com febre e uma que diz que lhe dói todo o corpo. Mas olha, entre que no-lo contávamos por wsp e que nos queixávamos de estar tam mainhas, outro feixe de beijos e abraços. De modo que genial.

Uma perigosa cepa amoréxica? É moi provável. Tentarei manter-me afastado.

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