Um paro de 2 hs nom é uma greve!! 8 de março: 24 horas de luz x Acratosaurio Rex

Nom estava eu moi ao tanto de como se estava perfilando esta convocatória dirigida em exclusiva ás mulheres; o que entra dentro da lógica da convocatória dado que eu som home e como tal nom me di por convidado; tamém nom figem caso algum desses chamados que correm pola rede de como devemos comportar-nos os homes nessa jornada de luita; mais que nada porque desde já há muito tempo sei qual é o meu papel nos 8 de março e noutras convocatórias feministas; quanto menos desde que compartilhara militância comunista lá polos anos 80 coas mulheres envolvidas na revista Andaina e por suposto desde que, minhas milhores amizades femininas daquelas, participavam moi ativas nas luitas pola Igualdade de direitos (laborais e civis) ou pola despenalizaçom do aborto.

Cicais e em consonância com minhas aprendizagens passadas deveria, como home, ficar calado e nom adicar espaço algum na minha bitácora para fazer uma crítica ás convocatórias dos grandes sindicatos pactuantes (como dado a sinalar nenhum deles nunca forom dirigidos por mulheres) tanto espanhois CCOO, UGT como o galego CIG. Mas crio moi acertada a opinióm de Acratosaurio em AlasBarricadas, porque tamém fala do papel dos homes e do que sinifica uma greve para o Sistema Capitalista e do que vale fazer um paripé de 2 horas de paro pactado; é por ilo que nom puidem deixar passar a oportunidade de criticar o oportunismo destes pactários que prefirem prantear fazer algo anedótico nesta jornada porque “o risco de tirar-se a uma piscina vazia era moi alto e o pior que poidera passar é que resultara um fracaso convocar 24 horas de greve” (segundo palavras dalguém da CIG querendo justificar o injustificável). Colo (traduzido):

No dia 8 de março há convocada uma greve. A iniciativa partiu de centos de organizaçons de mulheres, entre elas as libertárias, que têm apontado na agenda que nesse dia nom se trabalha. Desde que comecei a ler sobre esse assunto no final de 2017, e anos anteriores, ficou-me claro que a greve ia dirigida às mulheres, e que se lhes convocava a nom fazer absolutamente nada durante 24 horas. E como todas as greves, me pareceu uma ideia fabulosa, porque… Pode haver algo mais maravilhoso no mundo capitalista, que deixar de currar um dia às bravas, e parar esta loucura?

Tu o viste claramente. A greve possui sempre um sentido prático difícil de negar: Detém o Capitalismo. Detém a produçom, a distribuiçom, o consumo. Evita a reproduçom ampliada do capital. Nesse dia, nom há benefícios, nom há plusvalia, nom há mortes por acidentes de trabalho, e os donos do país, se vêem obrigados a sentar-se a negociar.

Há, ademais, outro efeito positivo da greve: o simbólico. Os gestos têm um valor que vai sempre bem mais lá do sentido prático. Há desafio, valor, generosidade, paixom, uniom e solidariedade. Há tamém traiçom, egoísmo, medo, cálculo mesquinho e indiferença. Há conflito entre fura-greves e grevistas, entre quem manda e quem obedece. E a parte dominada, descobre que nom está sozinha, que som milhares, milhons, e que ante elas abrem-se as águas do Mar Morto que dam passo à Terra Prometida. Nada volta a ser igual depois duma greve bem levada, porque o desenvolvimento dessa tragédia, com suas mais e suas menos, muda a percepçom da gente, do que é a realidade, a verdade e o que importa.

Por isso a greve, tem sido e é temida polas classes dominantes, polos poderosos. Por isso limíta-nas, canalíza-nas, cercéa-nas, combéte-nas, perségue-nas e mutíla-nas. Por isso a polícia detivo às colegas que faziam propaganda (1). Quem dizem que as greves nom servem de nada, deveriam reflexionar em torno de como se conseguiu todo quanto temos. Que usem a imaginaçom e se transladem ao ano 1800. Que se ponham em frente a um patrom do século XIX, solitários, de boas maneiras, a pedir que lhe subam o salário porque suas criançinhas morrem de fome. Pois exactamente, estás a vê-lo claro agora mesmo. O senhorito tivesse dado –se talvez– esmola. Nom direitos.

Como digo, os dominantes tentam tirar à greve sua força prática, e seu valor simbólico, para que pareça que as concessons se dam de boa gana, porque som guais. Vindo a nosso momento atual, vemos que há convocatórias para esse dia, que chamam a paros de duas horas, de media hora ou de cinco minutos. Som propostas que –meditadas muito ou nada– levarám melhor ou pior intençom, mas que o que vam conseguir é diluir a força. Volto a apelar a vosso coraçom, a vossos sentimentos, à imaginaçom. Uma greve de mulheres de 24 horas, obrigará a fechá-lo tudo. As escolas nom poderám receber crianças, os hospitais nom atenderám doentes. O celador terá que fazer de mestra, e o cirujám de enfermeira. Os quebra-greves verám-se obrigados a ir à obra, à fábrica e ao polígono com as crianças, que corretearám entre martelos e soldadores, entre formigoneiras e gindastres, entre gasolina e sebo, entre lava-louças e esfregons (2). Tudo irá de costas! E quando chegue a hora da manifestaçom, que imenso piquete!, que serpe de cor marchará polas ruas, incitando a fechar, a parar, a unir-se à luita ás crumiras (3)!… Ninguém poderá escapar ao canto da sereia. Nada voltará a ser o que foi.

Em mudança, com esses paros parciais, consentidos pola empresa e aplaudidos polas administraçons, com sistemas de relevos para que todo funcione como se tal coisa, o que vam conseguir essas organizaçons inomináveis, é que a greve de mulheres, pareça irrelevante, inexistente, invisível, inútil. De novo incito à reflexom: sei que quem andades em instituiçons e crieis ostentar representatividade, tendes medo de que a convocatória seja um fiasco, e prefirades manter o cómodo status obtido. E tamém sei que se fosse um sucesso a greve de 24 horas que nom convocades…, [voz tenebrosa] ao minuto os dirigentes que promovem os paros de media hora, e que ademais som homens e ineptos, sairiam nos meios exigindo uma reuniom com o Governo para pactuar as reivindicaçons e matar de aborrimento ao pessoal, reptando num hipócrita exercício de acordo e bla bla bla.

De modo que, por suposto, eu me submeto às convocatórias originais, ao falado em 2017, e rogo às mulheres, que dado que o movimento operário dormita em tanto a crise nos esmaga, suplico que elas joguem a volta ao país mediante a Greve Feminista de jornada completa. Sem compaixom e sem ódio. Sem piedade nem condescendência.

E que que devem de fazer os homens? Os homens o único que temos que fazer, é nom estorvar. Porque a vitória, pertence às mulheres, que com seus centos de organizaçons de base, e seus milhares de debates, têm proposto a batalha. E vam ganhá-la.

O 8 de março, 24 horas de greve, 24 horas de luz.

————————————

NOTAS

(1) Há 2 semanas 3 mulheres da Assembleia do 8M de Valladolid foram conduzidas á comissaria por colar cartazes e no venres passado nesta mesma cidade agentes á paisana da polícia requisaram cartazes da CNT chamando á greve de 24 hs no 8M

(2) É curioso que num sistema capitalista que se rege polo benefício e o ganho, nom se contabilize a atividade económica das mulheres, nom só em matéria de organizaçom e cuidados, se nom inclusive de reproduçom social. Parir tem um efeito económico importantíssimo, já que cria o principal médio de produçom: o povo trabalhador. Se nesse dia as mulheres fizessem uma greve radical e rigorosa, dentro de nove meses nom nasceriam 1118 crianças, futura mão de obra, que tem um valor de mais de 67 milhons de euros. E isso só contabilizando o valor da gravidez, sem ter em conta o custo da criaçom.

(3) Crumiros.- Sinónimo de quebra-grteves no espanhol de Argentina, Chile e Uruguay, e​ utilizado tamém em italiano com o mesmo sinificado

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s