“Irmandinhas” Peça microteatral sobre os cárceres

Lá por 2014 escrevera esta peça curta a petiçom das “Bichas lerchas”, um grupo de compas envolvidas numa experiência teatral já desaparecida (se bem alguma delas segue ativa nesta arte dramática) coa que montaram (juntando textos escritos por outras pessoas, das que agora mesmo só lembro a Santi Cobos) sua obra de denúncia da situaçom dos cárceres focalizada nas mulheres, e que teria sua estrena co galho da II Feira do Livro Anarquista de A Guarda celebrada a finais de abril desse ano. A mesma foi representada num domingo de sol na praça de S. Benito desta vila marinheira com grande sucesso e assitência e depois rulou por algum outro lugar da cena antisistema.

Agora, abrumado pola notícia segundo a qual é uma mulher, Gina Haspel, a nova máxima responsável da fabrica de torturar que é a CIA, que além tem sona de ser tamém uma experta na matéria; publico neste meu blogue a versom atualizada e corregida desta minha colaboraçom á que pugera de cabeçalho o título de “Irmandinhas”:

Entrada
(Cena.- Presa em ilhamento, case a oscuras, falando a soas)

  • 3 meses em ilhamento por intento de assassinato com premeditaçom e ainda pendente de juízo!! Pero se eu nom conhecia de nada a essa tipa!!, que premeditaçom nem que hóstias? O que passou foi que a situaçom foisse-me das mańs porque se tenho algo claro desde que estou encirrada é que nom estou disposta a perde-la minha dignidade a costa de sair de acá coa cabeça gacha e pedindo perdom, isso sim que nom.

Flashback
(Cena- Gavinete com uma mesa retangular. Do lado mais perto da porta e de costas a ela ve-se sentada uma carcereira. Nesse intre abre-se a porta e entra a presa sujeita por dois gardas que a levam case em voandas e coa mesma marcham deixando soas ás duas mulheres. Entom a carcereira convida á presa a que sente e di-lhe:

  • “Olá, eu som Sandra Sende, a nova diretora deste penal, sente e ponha suas mans enriba da mesa que eu poida ve-las bem” indicándo-lhe ao outro lado da mesa.

A presa no seu caminhar até lá, quita o pincho que levava agochado entre suas penras e garda-o numa manga. É um baldeo plástico, um anaco da tapa do water bem afíado com uma “bainha” feita co envase dum tampom

Dialógo

  • Assim que é vostede Alícia?
  • (entre murmúrios) do país das maravilhas
  • Dizia algo?
  • Sim, som Alicia Luaces, nascida e criada em Moeche ao norte de Ferrolterra, Galiza
  • Onde os irmandinhos?
  • Certo, mas nom pensei que vinha a um concurso da tele
  • Nom por suposto as duas sabemos bem porque estás aqui digamos que ainda que é a primeira vez que falamos já te conheço moi bem e tenho lido a fundo teu expediente. Sabes bem que se agora estás aqui nom é por vontade minha senom porque a lei exíge-me que aceda a tua demanda de examinar-te para ver se mereces uma reduçom de grado, assim que nom estás num concurso mas sim podes ganhar ou perder muito, pero vou-te deixar claro que só vou a dar-te a palavra para que me mintas, pero da-te por perdida porque eu estou aqui para julgar-te no nome da sociedade e se até agora soubes-te disfarçar moi bem a tua raiva e dar o pego ao meu antecesor ponhendo cara de nom ter rompido nunca um prato… a mim nom me cola
  • Sua fama de dura a precede e já tinha claro que á primeira nom ia ganhar, para mim isto é um jogo de desgaste no que mantenho minha dignidade íntegra e se leu a fundo meu expediente saberá que já há tempo que nom me meto em disputas que nom levam a nada que me deixe sair deste poço
  • Estás no poço porque nom soubeste assumir que a prisom é um penal, onde tês que humilhar-te e arrepender-te dos teus males, nom é um lugar onde levar nenhuma luita pola tua dignidade porque se estás aqui é porque a sociedade te julgou como indigna de convivie com os justos
  • Eu só cometim um erro do que me arripendo: nom ter mirado a imprensa do dia quando fum atracar aquele banco, eu que ia saber que já o roubaram no dia anteiror!, eu era uma cria e andava de mono, que ia lêr!!, pero nada mau figem, se nem sequer cheguei a sacar a navalha e já me tinham colhido presa. O resto da minha condenaçom, já que dim que sabe, foi a consequência de ter sido maltrada e denigrada e isso levou-me a participar do motim onde concedéram-me o título de cabecilha; mas em verdade eu só me sumara tras receber uma brutal malheira no dia anterior
  • Sei-no pero teu ánimo e teus berros foram decisivos para animar ás tuas companheiras, tenho visto o vídeo e ve-se claro que no momento mais crítico eras tu quem arreava da turba, tal qual Maria Castanha, irmandinha como tu
  • Erra se o viu assim, foi só meu jeito de manifestar minha raiva e as ganhas de responder a tanto abuso o que me levou a berrar como possessa. Eu nunca tivem madeira de líder nem quero se-lo, e além erra no de Maria Castanha, pois ela era de Cereixa de Terra de Lemos e enfrentára-se ao bispo de Lugo polo abusibo cobro de impostos case 50 anos denantes do assalto ao castelo dos Andrade em Moeche, tamém por tema de impostos. Além eu nom som irmandinha por mais que entrara neste poço por tentar recuperar parte do que roubam os novos caciques agora disfarçados de banqueiros e de políticos que lhes seguem seu jogo e de gente como vostede que se sinte contenta colabourando com os maus, de verdade pode vostede durmir tranquila com este trabalho e arrodeada de torturadores?
  • Vaia! A insubmissa se nos está ponhendo farruca! Quitou-se a máscara por fim!. (serena) Eu nunca fum com um arma contra ninguém, estou aqui por méritos próprios e sei fazer moi bem o meu trabalho, dignifíca-me como pessoa social, onde a gente como tu nom tenhem mais espaço que este poço do que nós controlamos a polé e mais a corda. Mas isto fica entre nós, nom som rancorosa, a vindoira vez que nos vejamos aguardo que venhas mais submissa, e nom esqueças que te vigio, porque ainda que esta fosse a primeira vez que estamos cara a cara, eu te teno controlada desde há bem tempo, nom gosto das cabecilhas e pese a que neguyes que o es, sei que tês boa mão e sabes levar moi bem a todas tuas companheiras. Queres engadir algo denantes de que chame para que venham buscaaarrrrrggggg

(acá, entanto a diretora solta seu discurso, a presa, como que aos poucos, vai-se ponhendo em posiçom de ataque felino e da um chimpo por riba da mesa baldeo em mão até situar-se ao seu carom sem que a outra reagira, ficando pávida ante o inesperado do gesto da presa, entanto esta da-lhe um corte superficial no pescoço)

(volta á cela de ilhamento, case a oscuras, a presa soa)

  • Foi algo que me saeu de mim, o acordo era que eu tinha que reter á “catedrática” com histórias para que se fosse passando o tempo até que minha saida do exame coincidira com a saida ao pátio das minhas compas, pero nom fum quem de evitar que ela dera por concluida a vissita e quando dijo que ia chamar já aos carcereiros, foi-se-me das mãos…, Seu berro apagado, quando passei-lhe o fio polo pescoço e seu rostro de assombro ante meu inesperado salto cara ela baldeo em mão, foi agudo abondo como para que o ouviram os gardas que estavam fóra e de imediato fum reduzida entanto ela dessangráva-se no chão e eu afundia-me ainda mais no poço.
    Pero isso sim, moi digna porque eu nom venderei minha dignidade por nada, terei tempo de volver frabicar baldeos com cachos das tapas dos vateres e voltarei a reparti-los entre as compas. Espero que se desfigeram dos que lhe dim ontem denantes dos cacheios das celas, seica fastidie a festa da menstruaçom que com tanta ilusom preparáramos, pero estou certa de que saberám entende-lo, som boa gente, minha gente desde há já tanto!!

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