Acontecementos em Efrîn do 30 de março ao 5 de abril de 2018

Recolho (e traduzo) de Rojava Azadi Madrid, que á sua vez recolheram e traduziram de IC Afrin Resist:

Introduçom

Coa derrota do ISIS na Síria e especialmente depois da liberaçom de Raqqa em outubro de 2017, o Estado turco intensificou as suas ameaças e ataques contra a Federaçom Democrática do Norte de Síria. Neste contexto, a guerra de ocupaçom turca contra Efrîn começou em 20 de janeiro de 2018 violando o direito internacional e a soberania do seu pais vizinho. O exército turco lançou esta guerra em cooperaçom com grupos jihadistas das filas do FSA. Muitos deles som antigos membros da Al-Qaeda ou ISIS.

Desde princípios de março, todos os distritos e o centro da cidade de Efrîn foram objeto de intensos bombardeios e vigilância por médio de drons do exército turco; estes ataques foram especialmente dirigidos contra civís. Em 18 de março, mais de 200.000 pessoas abandonaram o centro da cidade, sendo evacuadas para evitar um genocídio real. Desde entom, a maioria das refugiadas permanece na regiom de Shehba sem nenhuma garantia de seguridade nem apoio internacional.

Nesta nova fase, está a produzir-se uma intensificaçom do enfrontamento entre as potências internacionais e os seus intereses em toda Síria.

Os acontecementos da semana passada dentro de Efrîn

Despois de 78 dias de resistência contra a guerra de ocupaçom turca, centos de miles de pessoas do Cantom de Efrîn seguem deslocalizadas e enfróntam-se a difícis condiçons. O exército turco e os seus aliados jihadistas estám a implementar políticas de limpeza étnica, assimilaçom e colonizaçom, fazendo preparativos para agregar de facto a regiom Efrîn ao território estatal de Turquia. Ao mesmo tempo, miles de jihadistas foram transferidos desde Gouta até Efrîn para produzir câmbios demográficos e instalar uma orde islamo-turca. A resistência das forças das YPG- YPJ em todos os distritos do Cantom de Efrîn continua, assim como a resistência das deslocalizadas de Efrîn nas regions de Sherawa e Shehba. Turquia estendeu as suas ameaças agora cara á regiom de Tel Rifat / Shehba, Manbij e Shengal. Ademais, a tensom entre os dous bloques Rússia-Turquia-Irám e a Coaligaçom Internacional liderada polos EE.UU. está a medrar.

Guerra e situaçom humanitária

As condiçons das pessoas deslocalizadas desde Efrîn até a regiom de Shehba seguem sendo moi precárias e inseguras. Com tudo, as Auto-administraçons democráticas do norte de Síria e a Média Lua Vermelha Curda trabalham na construiçom de campamentos e na entrega organizada de subministros e ajuda humanitária.

Construírom-se dous campamentos de refugiadas no distrito de Sherawa e na regiom de Shehba. Segundo o censo da Administraçom de Efrîn e Shehba, a situaçom do deslocamento de refugiadas é a seguinte: 24.000 pessoas em Tel Rifat, 40.000 no campamento Fafînê (agora rebaptizado como “Campo da Resistência”), em Shehba’ s Ehres mais de 37.000, 10.000 no distrito Kefernayê, 30.000 no distrito de Sherawa de Efrîn, mais de 25.000 no subdistrito Nûbûl- Zehr de Aleppo. E estimam que 100.000 pessoas deslocalizáram-se ao centro de Alepo. As cidadás de Efrîn que se atopam no campamento de refugiadas de Fafinê (regiom de Shehba) apelam á ONU: “Cumpram coas suas obrigas e respeitem as suas proprias leis e princípios! Protejam á gente contra o genocídio. Acabem coa ocupaçom de Turquia e os grupos jihadistas do FSA e garantam o regresso seguro das pessoas de Efrîn aos seus fogares!”.

Em 31 de março, a Média Lua Vermelha Curda entregou um comboio de ajuda composto por 26 camions com subministros de alimentos na regiom de Shehba. Outro comboio, formado por 18 camions, que trazia tamém subministraçons recolheitas no sur do Curdistám (Estado de Iraq), chegou em 4 de abril. Até agora, chegarom 5 comboios humanitários a Tel Rifat (em 25 de março chegaram 35 camions da Média Lua Vermelha Curda, incluidos 3 com subministraçons médicas; 26 camions em 31 de março e 18 em 4 de abril; um comboio da Cruz Vermelha Síria e a Média Lua Vermelha Síria chegarom a Tel Rifat em 20 de março e um da Média Lua Vermelha Síria e diferentes agências da ONU em 25 de março). Até agora, a Média Lua Vermelha Curda construiu 7 clínicas móveis sanitárias para proporcionar atençom médica ás refugiadas, 2 delas no distrito de Sherawa (cantom de Efrîn) e 5 no cantom de Shehba.

Cumprindo o acordo russo-turco para entregar Tel Rifat a Turquia e aos seus jihadistas associados, as tropas russas retiráram-se, pero a área ainda está baixo control das YPG / YPJ. O régime sírio tamém está presente nessa área. É mais, despois do acordo com Rússia, Turquia trasladou ao grupo “Jaysh Al-Islam” desde Gouta oriental a Jarablus. Ademais, os combatentes jihadistas e as suas famílias de Gouta oriental e Idlib assentárom-se em Efrîn.

Exército turco e jihadistas do FSA continuam saqueando propriedades, ameaçando e secuestrando a civis. Segundo os informes disponíveis, dúzias de nenas e mulheres foram sequestradas na cidade de Efrîn. Em concreto, um comandante da Brigada Hamza estivo percorrendo os báirros reunindo a mulheres novas, que se atopam detidas nalgumas casas preto da rua Vilayat no centro da cidade. Aqui as mulheres forom submetidas a violência sexual por soldados turcos e milicianos do FSA [1]. As pessoas vem-se obrigadas a abandonar as suas casas e deixa-las aos milicianos do FSA [2]. Especialmente, a gente jezidí ve-se ameaçada polo FSA para converter-se ao islam e obedecer aos seus “códigos religiosos”. O fotógrafo kurdo Dilş an Qereçol foi arrestado pola Brigada Sultan Murad (grupo islamita apoiado por Turquia) na regiom de Efrîn e foi deportado ao distrito de Azaz [3].

Turquia está a tratar de estabelecer um novo governo de ocupaçom em Efrîn. O chamado “Congresso de Liberaçom de Efrîn” cordina a sua administraçom desde Antep (Turquia). Foi composto por 35 homes baixo o control do exército e o governo turco, assim como do FSA. Hasan Shindi, conhecido pola sua colabouraçom co MIT (serviço secreto de Turquia) e relacionado cum ataque terrorista em Efrîn, é o seu vozeiro. Afirmou que Efrîn pertencerá á província turca de Antakya. Com tudo, os governadores de distrito turcos, os comandantes em jefe e os comandantes de gendarmes estarám ao mando como em Azaz, Jarablus e Mare. Os homes do FSA quedarám afiliados a uma força policial de 450 efetivos [4]. Sobre este assunto, TEV- DEM declarou: O conselho Dilok ( Antep) do serviço secreto turco e pessoas como Fuad Aliko e Ibrahim Biro foram a razom pola que morreram 1500 pessoas em Efrîn, a metade deles civis. Chamamos a ENKS e YEKÎTÎ para que amossem uma atitude clara e sepárem-se deles”. [5]

Durante a última semana, as YPG / YPJ levarom a cabo várias açons contra as forças de ocupaçom: no outeiro Mame Gur (distrito de Bilbile, 30 de março), Dayr Sawan (distrito de Shera, 31 de março), centro de Efrîn (2 açons, 1 de abril). Como resultado, 5 soldados turcos e 37 milicianos do FSA foram abatidos e um tanque destruido. Em 2 de abril, o exército turco levou a cabo uma operaçom contra as forças YPG / YPJ nos arredores de Rajo e no triángulo Bilbil, Shera e Mabeta, utilizando tamém bombardeio aéreo. As YPG / YPJ nom informarom de perdas durante esta operaçom.

Turquia pechou a presa do Éufrates cortando a subministraçom de auga a Manbij, o que Turquia nunca figera durante os anos do régime terrorista do ISIS em Manbij. Ademais, levam a cabo na cidade ataques com dispositivos explosivos: numa explosom morrerom 2 efetivos da Coaligaçom Internacional, um americano e outro británico. Ademais, localizárom-se e desmantelarom 2 artefatos explosivos em 1 de abril. A pesar do anúncio de Ronald Trump de retirar as tropas estadounidenses de Síria num curto periodo de tempo, o exército estadounidense aumentou sua presença em Manbij e construiu novas bases nos arredores. Ademais, forças especiais do exército francês chegarom á cidade.

Em 2 de abril, 2 delinquentes desconhecidos montados em motocicleta detonaram duas granadas em Raqqa. Como resultado, 17 pessoas ficaram feridas.

Turquia esfórça-se por estender a sua guerra de agressom e ocupaçom tamém ao território iraquiano. Em 1 de abril, avions de guerra turcos bombardearom as vilas de Alia Resh, Besta, Marado (distrito de Jarawa), Khakork, Lolan, Sopapo, Bert (zona de Bradost) e a aldeia de Bokriska no sur do Curdistám (Estado iraquiano). Depois de que as unidades HPG e YJA Star ( PKK) retirásem-se de Shengal ( Sinjar), Erdogan começou a ameaçar ás tropas iraquianas que chegaram para garantir a seguridade da regiom de Shengal junto coas Unidades de Resistência de Shengal YBŞ e YJŞ.

Solidariedade com Efrîn

No día 11 da greve de fome fronte á ONU em Genebra para pedir uma intervençom da comunidade internacional contra a invasom turca de Efrîn, ativistas do PYD tomaram o relevo. O deputado do HDP Sirnak declarou: “A (ONU) sabe que Turquia comete crimes de guerra em Efrîn pero nom fai nada (…)”.

Em 1 de abril, o Comando Geral das HSNB (Forças de Proteçom das Mulheres Beth Nahrin) e o Conselho Militar Sírio celebrarom o Festival Akitu dos povos caldeo-sírio- asírio e pedirom apoio para a luita pola paz, a igualdade e a democracia. [6]

Em 31 de março, durante as marchas de Páscua na Alemanha (Hannover, Hamburgo, Frankfurt, Stuttgart) estalarom protestas contra a ocupaçom turca de Efrîn. Novas marchas de solidariedade tiverom lugar em muitas cidades europeias como Berlim (Alemanha), Lorient (Bretanha), Paris e Montpellier (França), Estocolmo, Gotemburgo (Suécia) e Lavrio (Grécia), assim como na América Latina, entroutras em Huanchaco (Perú). Durante a marcha em Londres (Reino Unido), a polícia arrestou a alguns manifestantes, mentres que a gente tratava de libera-los. Em Bilbo (Pais Vasco), em 2 de abril, duzias de mulheres levarom a cabo uma açom de protesta contra a ocupaçom de Efrîn. Ademais, na manifestaçom geral, a faixa dizia: “Efrîn = Gaza, detenham o genocídio em Oriente Médio” e “Deixem de tomar as nossas terras e assassinar a natureza”.

Começou uma nova campanha “Boicote turístico contra a ocupaçom turca de Efrîn”. O obxetivo é aplicar presom económica porque o seitor turístico é uma importante fonte de ingresos para Turquia.

Em 4 de abril chegou a Rojava uma delegaçom do Reino Unido, composta por Lloyd Russell- Moyle (deputado laborista), Lord Maurice Glasman (laborista), Simon Dubbing ( Unite, sindicato), Ryan Flecher e Ibrahim Dogus ( Kurdish Progress). A delegaçom está aqui para manter conversas e obter impresons sobre Rojava. [7]

Declaraçons e análises

Em 29 de março, o parlamento português aprovou uma declaraçom de condena da invasom turca de Efrîn, á que qualificou de “ilegal”. Em 31 de março, o ministro de Relaçons Exteriores de Turquia condenou a declaraçom dos parlamentários portugueses sobre Efrîn e presionou para que se retratasem. [8]

Tras a matança de 15 palestinos em Gaza, Erdogan e Netanyahu mantiverom uma discusom chamándo-se entre eles “invasores da terra de outros” e “terroristas”. Ambos tenhem o direito para declara-lo, dado que as açons de Israel e Turquia compartilham uma política de repressom e massacres ao longo de décadas.

Em 31 de março, representantes de TEV- DEM e a Federaçom do Norte de Síria reunírom-se co presidente francés Macron. Durante a reuniom, discutirom sobre o apoio francês na luita contra ISIS, a fim de assegurar os avances logrados em Síria que agora estám ameaçados polas agressons de Turquia em Efrîn e em todo o território do norte de Síria. Numa declaraçom oficial, França elogiou ás SDF na sua luita contra ISIS no norte de Síria, condenou a ocupaçom turca de Efrîn e ofereceu a sua mediaçom entre Turquia e as SDF para restabelecer a estabilidade. Segundo diferentes avaliaçons, o presidente Macron tomou esta decisom para obter um lugar na reconstruiçom de Síria, encher um baleiro se as tropas estadounidenses retirásem-se de Síria e para garantir a seguridade interna da França contra os ataques de ISIS.

Em 27 de março, anunciou-se em Raqqa a fundaçom dum novo partido político, o “Futuro Partido de Síria”, no que estám representados os diferentes povos, culturas e religions de Síria. O partido declarou que o seu obxectivo fundamental é contribuir a uma soluçom política e á criaçom duma “Síria democrática, pluralista e descentralizada”.

Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França e mais de duas dúzias de membros da OTAN expulsarom a oficiais de inteligência russos tras do assassinato dum ex agente russo e a sua filha no Reino Unido em 4 de março. Em resposta, Rússia começou tamém a expulsar a dúzias de diplomáticos ocidentais. Estas som expresons da confrontaçom estratégica global entre os bloques USA / EU e Rússia, que tamém se reflicte na guerra de Síria e tivo um gran impacto no estabelecemento duma aliança turco-rursa para provocar a guerra em Efrîn [9].

Em 4 de abril, Rússia, Turquia e Irám reunírom-se para discutir o futuro de Síria. Nesta ocasiom, o avance dos laços económicos entre Rússia e Turquia (nova planta de energia nuclear, sistema antiaéreo, gasoduto…) fíjo-se evidente uma vez mais. Segundo o acordo de Tel Rifat, Turquia e os seus representantes poderiam obter o control duma parte relevante do território sírio. Deste jeito, Rússia trata de equilibrar e utilizar a Irám e Turquia um contra do outro nas políticas de Oriente Médio, mentres ganha uma influência mais hegemónica. Rússia esfórza-se por agravar as contradiçons dentro da OTAN por médio das ameaças turcas em Manbij e a regiom ao leste do Éufrates. Tamém se evidenciarom severas contradiçons nas políticas de seguridade dos EE. UU. e as estratégias militares dentro do governo de EE.UU., a CIA e o Pentágono. Mentres que o presidente estadounidense Trump anunciava que as tropas estadounidenses retiraríam-se moi pronto de Síria (congelando os fundos para as SDF), os comandantes do Exército destacarom a necessidade de continuar a luita contra ISIS e manter posiçons em Síria para determinar o seu futuro e controlar os recursos energéticos. Ademais, Arabia Saudita declarou que estariam dispostos a contribuir economicamente á permanência do exército estadounidense em Síria para contrarrestar a influência iraniana em Oriente Médio.

Fontes:

[1] https://anfenglishmobile.com/features/dozens-of-girls-missing-in-afrin-25829

[2] https://twitter.com/HosengHesen/status/980168418035978240

[3] http://www.rudaw.net/kurmanci/kurdistan/0104201819

[4] https://ahvalnews.com/afrin/congress-makes-afrin-part-turkish-province

[5] https://www.hawarnews.com/kr/haber/bang-li-enks-yekt-hat-kirin-ku-ji-gurupa-dlok-veqetin-h762.html

[6] https://twitter.com/HSNB_/status/980149034953428992

[7] https://anfenglish.com/latest-news?page=4

[8] http://www.hurriyetdailynews.com/turkey-condemns-portuguese-parliaments-statement-on-afrin-operation-129580

[9] https://www.nytimes.com/2018/03/29/world/europe/russia-expels-diplomats.html

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