“A luita antirracista é a mais radical que há”. Entrevista a Yuderkys Espinosa, feminista antirracista e descolonial

“Levo mais tempo no feminismo que no antirracismo, de feito fígem-me antirracista á força, justamente porque me desgastei tentando fazer possível a suposta sororidade entre mulheres e cair na conta todo o tempo que é impossível, porque há intereses distintos”.

Colo (e traduzo) do site “Es Racismo” esta entrevista realizada por Youssef Ouled a Yuderkys Espinosa (1) publicada antontem; nela esta mulher, que se autodefine como feminista descolonial e antirracista, aporta uma outra mirada, um outro olhar ao feminismo e mais a luita de classe. Yuderkys foi convidada a vir ao Estado espanhol polo coletivo Ayllu, um grupo colaborativo de investigaçom e açom artística-política formado por agentes migrantes, racializadas, dissidentes sexuais e de gênero provintes das ex-colónias, e sua conferência “Uma década de feminismo descolonial: Reflexons a partir dum percorrido” impartida em Valencia foi um éxito de assistência. Tamém uns dias antes, participara do obradoiro “Ráiva é o que temos”, dirigido a pessoas racializadas co galho de avaliar e construir estratégias para enfrontar a colonialidade e o racismo institucional.

– Entendendo que o racismo afeta a homes e mulheres racializadas qual deve ser o posicionamento dos feminismos que se denominam antirracistas?

–  As feministas descoloniais vimos desde há muito falando sobre este tema. Uma das coisas que digo nas conferências e cursinhos que fago é que é um ponto crucial, de feito é o tema neurálgico que divide o feminismo branco e os feminismos antirracistas e descoloniais. Recordo quando as companheiras do Coletivo Combahee River, um grupo de feministas negras dos 70´s escreveram Uma Declaraçom Negra Feminista que ainda hoje resoa, adicaram um parágrafo a esta questom onde diziam que a sua luita como mulheres racializadas, é uma luita contra o racismo, o sexismo e o classismo, nenhuma pode separar-se. Pero num momento assinalam que elas estám em contra do separatismo em termos do género porque é uma política branca, elas tenhem que luitar junto seus homes negros. Em efeito nas comunidades negras há machismo e há que trabalhar cos companheiros sobre isto, pero nom é uma luita só assumível polas mulheres negras, tamém polos homes em contra do avanço do machismo. Já por entom elas propunham esse tema, que mais tarde recupera Angela Davis. A política feminista negra nom pode deixar de perguntar-se sobre o destino dos homes negros, nem pode pensar-se só em termos de mulheres.

É algo que vim pensando pero sempre atópo-me com reaçons onde mulheres brancas colocam a toda mulher como oprimidas num mesmo nivel e todos os homes como opressores num mesmo nivel. O que estamos a dizer é que á conta de quem se suponhia que se iam liberar as mulheres negras, tal e como se perguntava Bell Hooks. A resposta nom é só á conta de mulheres negras, senom á conta de homes negros e mulheres negras porque num mundo branco, a mulher branca quando quere o seu total direito a esse mundo produzido pola Modernidade (2), quando os homes brancos reconhécem-lhes que som parte, essas mulheres construem a sua liberaçom baseándonos numa redistribuiçom geopolítica do trabalho que sinifica que a categoria de raza aparece de maneira central. Passa o que já vemos, mulheres e homes do Sur global que venhem ao Norte global a fazer os ofícios de cuidados. Aqueles dos quais se liberarom as mulheres e os homes brancos. Ao mesmo tempo, nesse Sur, continua essa distribuiçom geopolítica do trabalho devido a que há empregos que já nom se fam no Norte e vam a estes paises para que os fagam. Por exemplo, as mulheres brancas já nom tecem, nem passam o ferro, quem o fai som mulheres e homes racializados graças á externalizaçom.

Quando estavamos a empurrar o feminismo descolonial, que nom existia como força política, trabalhavamos com feministas brancas, ao ponher o tema do racismo sobre a mesa elas recorriam ao que tinhamos comum, que os homes nos oprimem. É ai onde nós perguntamos: quem som esses homes opressores? Quando ponhemos em dúvida a existência desses “patriarcados indígenas” e dizemos que nom todas as mulheres estám por baixo de todos os homes, a reaçom é de rejeito. Sofremos muita violência quando expugemos isto. Ao final, a partir das minhas vivências dou-me conta de que o único que garante a possibilidade de organizaçom entre nós era converter a todos os homes por igual nos nossos inimigos. Num desses encontros deu-se uma divisom entre quem pensa numa questom interseccional desde o racismo e quem nom. Durante uma das jornadas deu-se a apariçom dum home racializado encarregado de limpar o espaço onde nos atopavamos. As feministas brancas diziam que invadira seu espaço e criavam uma narrativa onde el era um invasor do espaço das mulheres. Imaginámo-nos a cena e pensamos nesse home limpador do lugar que fora colocado como a representaçom da opressom. A questom é que em base a este sucesso tratou-se de reconstruir conosco o vínculo, vinham dizer-nos velaqui o milhor exemplo de que estamos igual de oprimidas. Algumas cairam, pero várias de nós, que nos chamamos descoloniais, dizemos que a construiçom do relato nom é tal como no-lo apresentaram, nom cremos que este home reagira assim ante mulheres brancas académicas porque sim e tampouco cremos que ele se atopara numa posiçom superior a elas numa jerarquia.

– Afroféminas sofreu ataques pola sua decisom de nom secundar a greve. Como se articula uma luita entre feminismos?

– Penso que nom há possibilidade de pontes. É óbvio que nom há que abandonar a tarefa pedagógica, é algo que nos toca. Nom descarto que haja uma possibilidade duma luita antirracista mais lá das fronteiras e a origem de onde vimos, luita antirracista que podemos fazer incluindo gente branca. Pero isto é só possível baixo certas condiçons, nom podemos ser ingênuas e pensar que vai ser fácil e vai-se a dar de forma natural, é dizer, nom pensar que polo feito de ser mulheres todas vam-se juntar e vam ser solidárias entre se. Penso que tem umas implicaçons que podem ser autodestrutivas para o próprio feminismo. É a possibilidade do feminismo branco para abandonar seu lugar privilegiado de enunciaçom, é boicotear e quitar-se as patas sobre as que sostém a sua autoridade, autoridade que lhe supom ser parte da Modernidade. Nom descarto que podamos fazer alianças, pero isso tem consequências que nom sei se o feminismo branco está disposto a aceitar.

Só é possível essa aliança se as mulheres brancas eurocentradas som capaces de admitir o seu lugar de privilégio e trabalhar numa política que vai em contra dos seus próprios intereses de raza e classe. As feministas podem dizer que som antirracistas, pero ao final protegem seus intereses, protegem esse privilégio, com excepçons. Há mulheres que estám dispostas a participar numa marcha e ir detrás, por exemplo, ou vir a um encontro para escuitar, pero som poucas. Nom crio que o feminismo no seu conjunto seja capaz, teria que fazer o que figemos as racializadas, repensar tudo quanto aprendemos co feminismo, para dizer depois, isto nom nos serve. Ainda que penso que no seu caso seria para dizer, isto sim nos serve pero só para umas.

– Como definirias entom o antirracismo?

– (Risos) Levo mais tempo no feminismo que no antirracismo, de feito fígem-me antirracista á força, justamente porque me desgastei tentando fazer possível a suposta sororidade entre mulheres e cair na conta todo o tempo que é impossível, porque há intereses distintos. Se eu tivera que definir o antirracismo diria que é uma luita no campo das ideias, que som as que ordenam o mundo. Por isso digo que estamos numa guerra epistemológica. A luita antirracista é mais que ser corretamente político, nom dizer negro de merda ou palavras racistas, integrar ás mulheres negras en espaços… é muito mais, porque ao final é pôr em questom a profundidade e fazer uma política que destitue o horizonte a Modernidade como programa de realizaçom. É difícil acordar uma definiçom do antirracismo, pero há que entender que o racismo é a base do projeto da Modernidade, nom podemos pensar Europa sem pensar na ideia de raza e o racismo que produziu.

A luita antirracista é a luita mais radical que há porque ela leva a possibilidade de interpretaçom crítica á ordem universal na que vivemos e por tanto um intento de poder observar aquilo que foi deslegitimado e refugado, para assim atopar outros modelos de justiza e benestar. Isso atentaria profundamente contra a ordem universalizada. Uma luita antirracista é uma que lhe nega á Modernidade ser o projeto por excelência de realizaçom da existência. Há outras políticas antirracistas que levam dentro dessa ordem, como as de quotas, igualdade de oportunidades… pero isso nom é mais que reclamar a ordem branca para outros mundos. Essas supostas políticas antirracistas poderám servir para umas poucas, que milhorarám individualmente a sua existência, pero nom é uma política que vaia eliminar a ordem racista.

– Nom se pode falar de antirracismo sem falar da história colonial

– Nom se pode falar de racismo sem fazer uma crítica radical e profunda á ordem moderna e colonial. A luita antirracista é uma luita pola descolonizaçom e contra a Modernidade. Nom pode haver uma cousa sem a outra, podem haver paliativos, de feito há grupos antirracistas de gente racializada que está a levar políticas de integraçom, pero som políticas de ocidentalizaçom, que nos dim que mouros, negros, indígenas, gitanos tamém tenhem direito a essa ordem. Pero este é um erro terrível porque essa ordem nom é possível, o benestar que produz a Modernidade só serve para uns poucos, nom pode universalizar-se, o que se universalizou é o desejo desse benestar, a ideia de que o único que serve para progressar é o que a Modernidade nos di, pero isso é impossível porque a condiçom para que se dea para algumas é que o resto quede fora. E nom penso só em grupos humanos, tamém penso nisso que definimos como natureza. É indispensável para esta ordem que a natureza seja algo a explorar, tudo póde-se extrair, converter-se em mercadoria, consumir. Todo ao serviço desse grupo humano que se benefícia. Pero esse benestar nom se pode generalizar porque necessita gente que faga possível o benefício duns poucos. A luita antirracista é uma luita contra a matriz da dominaçom, base que sustém a ordem atual, mesmo até o de gênero.

A luita antirracista deve ser anticapitalista, fazer antirracismo sem anticapitalismo seria formar parte da Modernidade, porque o que se pretende é integrar-se a essa ordem, a esse modelo de consumo. Pero o mesmo se passa do revés, quando o marxismo com políticas de esquerda tem uma cegueira histórica para ver a questom do racismo e como consequência dam-se projetos de esquerda que som racistas. Nom entendem que o tema nom é só de classe, dado que há uma dívida histórica, devida a como Europa construiu uns povos inferiorizados, sem história, porque se lhes roubou sua capacidade de agência e, incapaces de produzir, som qualificados como atrassados.

– Como ha de ser entom a luita antirracista no sistema moderno-colonial?

– Entendo que há niveis de luita, o problema chega quando o que é estratégico em determinados momentos, convérte-se em meta. Há políticas que se derom apelando ás instituiçons do Estado moderno que repercutiram de forma positiva, como a estratégia empregada polos nossos pais e nais para conseguir que fóramos ás universidades, assim como os movementos antirracistas que exigirom ás universidades quotas de pessoas racializadas… isso é uma política de açom afirmativa num caminho que propom a Modernidade, que nos di o tipo de futuro que devemos construir dentro desta ordem. Poderiamos dizer com tudo, que entrar nas universidades é contribuir a processos de ocidentalizaçom pero tamém figemos disso uma outra coisa. Produzimos nessas universidades pensamento e teoria antirracista a través da qual estamos a enfrontar e discutir-lhe á esquerda branca e ao feminismo.

Estamos hoje disputándo-lhes estes espaços porque usamos os médios e a linguagem que a académia nos exige. Permíte-nos debater-lhes que o que proponhem coma ordem é a aniquilaçom doutros povos, saberes, memórias, formas de viver e fazer o mundo. Permíte-nos dizer-lhes que isto é racismo. Som duas coisas que vam da mão. Hoje escrevo como uma académica, pero minha escrita passou por um processo de asimilaçom, de construiçom do conhecemento e produçom da verdade. Com tudo, neste caso, sem geralizar, póde-se empregar para o terreo epistemológico e combater no campo das ideias ante uma ordem que nos di que ou falamos nos seus códigos ou nom nos aceitam. Lémbro-me de Spivak perguntándo-se se Podem falar os subalternos? Sua chave de leitura nom é que o subalterno nom poida falar, senom a possibilidade de que escuitem o que di. Neste caso, aqui usamos de forma estratégica um modelo de fala e produçom de conhecemento que permite que seja audível o berro contra Europa, contra a Modernidade. Pero sem negar que estamos a ser modernos, pois aprendemos e aceitamos parte das suas regras.

Poderiamos dizer que somos uma geraçom intermédia, de debate quiçá. Nom somos um horizonte de chegada, nom todo o mundo deve adquirir as ferramentas para levar o tipo de políticas que devemos levar nós. Discutimos com esta ordem, pero aceitámo-la em certa medida. Quiçás nom haja outra forma, quiçáis seja a única maneira de dizer-lhe á Modernidade que é um desastre, um projeto inviável e um projeto de morte que acabará destruíndo-lo tudo. O risco é que nesse processo podemos acabar engulidas polas máscaras brancas. Nom é nada inédito, já se passou em movementos anteriores, planejar entrar nas instituiçons para muda-las desde dentro. Nom devemos ser ingênuas.

– Qual é o perigo de baleirar de contido a descolonialidade?

Estáse-lhe roubando a este conceito o que o carateriza. Por exemplo, ao que alguns chamam feminismo descolonial pero fam-no tomando por uma banda o decolonial como o indígena, o afro, etc. e doutra banda, tomam feminismo como luita contra os homes porque som todos uns opressores, entom pensam que estám a fazer feminismo descolonial porque juntam e estudam/pensam á mulher indígena ou mapuche, maia, negra, muçulmá… crem que só pensa-las nesses termos é descolonial. Pero as lentes coas que observam o seu mundo e a interpretaçom que fam destas mulheres vém desde os mesmos lugares de sempre. Estúdam-nos para dizer o que sempre digerom. Enténde-se o feminismo descolonial como algo que sempre fijo a antropologia. Tamém se passa co giro descolonial. Espaços que se chamam descoloniais que nom som mais que sujeitos que vam estudar a mouros, gitanos, negros… e vam com todas as categorias racistas e prejuízos a dizer-lhes que oprimem ás suas mulheres. E logo temos gente que fala do descolonial sem nomear a raza como algo que estrutura a ordem. O que caracteriza o descolonial é ponher num mesmo plano racismo e classismo, raza e capitalismo vam da mão, som inseparáveis.

Aqui no Estado espanhol tóma-se a intersecionalidade, algo produzido por feministas negras, e úsa-se para tudo menos para pensar a racializaçom. Quando é uma teoria que nasce desde o conhecemento encarniçado. Úsa-se em espaços da sexualidade, pero nom se toca o tema de racismo, e isso de descolonial nom tem nada. A descolonialidade pom a categoria de raza como elemento central que organiza e explica a ordem do mundo moderno colonial. Há um movemento atual interesante na América latina e na Europa de pessoas racializadas que estám a gerir uma disputa no campo epistémico, disputando o terreo do discurso e assinalando esse baleirado de contido.

– Qual é tua valoraçom da mobilizaçom do 8 de Março?

– Este 8 de março sinificou um momento de propagaçom e imposiçom do feminismo branco. Das verdades, interpretaçons e o programa político produzido por mulheres brancas de Europa e dos Estados Unidos que hoje se estendeu a aquelas que se adirem á ordem moderna como programa de liberaçom. Tamém há companheiras racializadas. Com tudo, o programa que se expom é um programa de feminismo eurocentrado. Pero tamém vivemos um momento dum gram espertar de conciência antirracista entre gente racializada de tudo o mundo, com capacidade de enfrontar este modelo e trabalhar na sua contra.

– Em que lugar fica a possibilidade de articular-nos cuma esquerda que na maioria dos casos nega esta ordem racista e reléga-lo a uma questom unicamente de classe?

Essa articulaçom seria possível se essa esquerda branca estivera em disposiçom de autoaniquilar-se a sim mesma, igual que digemos do feminismo branco. Reconhecer que a classe trabalhadora europeia tamém se beneficiou da colonizaçom, e que se puiderom fazer luitas sociais e ser capaz de negociar coa burguesia foi porque, mentres aqui conseguiam direitos, nas excolónias negábase-lhes tudo e explotáva-se ás indígenas sem direitos. Igual que lhe digemos ao feminismo, a esquerda deve ser capaz de reconhecer o seu espaço de enunciaçom privilegiada. Que reconheçam que muitas das luitas que ganharam explícam-se porque noutros sítios existiam os condenados e condenadas da terra. Há um texto de Rosa Luxemburgo no que discute com Lenin, ela di-lhe, pensando obviamente nos termos do capitalismo, que este nom acabará porque o capital tem a capacidade de expandir os seus horizontes e quando aqui lógra-se um pacto coa classe obreira, o capital encárga-se de ir a outros sítios para extrair o benefício que perdeu. O que ela di é que para poder entender a universalizaçom do capitalismo havia que estudar em profundidade o colonialismo, o papel que jogava em termos de expansom para um máximo de benefício. A esquerda, como as mulheres que se beneficiarom em Europa pola suposta luita feminista, em realidade dévem-lhe mais ás trabalhadoras e trabalhadores e aos escravizados e escravizadas ao longo do mundo. O que figerom é diversificar o benefício obtido.

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(1) Yuderkys Espinosa Miñoso é uma feminista antirracista e descolonial afro que creceu nos bairros de Santo Domingo, na República Dominicana. Viviu como migrante durante 13 anos na Argentina e desde 2014 em Colombia. Candidata a doutora em filosofia pola Universidade de Buenos Aires desenvolve uma “crítica á razom feminista latinoamericana” baixo a tutela de María Lugones. Membra fundadora e cordinadora académica do Grupo Latinoamericano de Estudos Formación e Acción Feminista ( GLEFAS). É frecuentemente convidada em universidades, ONGs e coletivos ativistas como profissora e conferencista. Entre seus trabalhos mais conhecidos atopamos: “Escritos de una lesbiana oscura…” (2007), “Etnocentrismo y colonialidad en los feminismos latinoamericanos…” (2009); “Los desafíos del feminismo latinoamericano en el contexto actual” (2010); e as compilaçons coeditadas: “Aproximaciones críticas a las prácticas teórico-políticas del Feminismo Latinoamericano” (2010) e “Tejiendo de ‘Otro Modo’: Feminismo, epistemología y apuestas descoloniales en Abya Yala” (2014)

Vídeo da conferência “Crítica epistémica y feminismo descolonial” de Yuderkys Espinosa na Universidade Autónoma da Cidade de México em 1 de outubro de 2013:

(2Modernidade: “Estou a falar da ordem e organizaçom do mundo no que habitamos, a ordem da Estado-Naçom, coas suas fronteiras, bairros marginados, o seu desprezo ao campesinado e á natureza como recurso para explotar e consumir. Uma ordem que determina a forma em como experimentamos o mundo, como o vivemos, desejámo-lo. Que determina a linha do humano. A forma na que se construe a ideia de que há uns grupos que som os atrassados. Uma ordem que nos di quem som liberados e quem devem ser salvados. Tudo isto pertence a uma mesma ordem, uma ordem moderna colonial que lhes di ás mulheres que nom há outra forma de liberaçom, que considera que a liberdade, a vida mesma, só é possível nessa ordem das cousas e no desejo para aspirar a ela, é dizer, trabalhar para que se complete ali onde nom se completou. Uma grande falácia, a Modernidade necessita que nom se complete noutros lugares para que alguns sim a tenham completa. É uma ordem de justiça só para uns. Isso é Modernidade, é racismo, eurocentrismo, por isso o antirracismo tem que começar porque essa Europa seja mais humilde e reconheça que nos chamarom bárbaros quando os bárbaros eram eles, que política existe que seja mais bárbara que o projeto europeio”.  Yuderkys Espinosa: “Falando a sério: De que estamos a falar quando falamos duma política antirracista e descolonial” conferência que tivo lugar um dia despois desta entrevista.

 

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