“Como enfrontar o caso de “La Manada” desde um transfeminismo antipunitivista” x C.A.M.P.A.

Recolho, traduzo e cópio do seu blogue:

Desde o Colectivo de Apoio a Mulheres Presas em Aragón (C.A.M.P.A.) queremos fazer uma reflexom a propósito da sentença do juízo a “La Manada”:

Desde nossa perspectiva antipunitivista esperavamos com certo medo o resultado da sentença, que fosse uma condena de mais de 20 anos e, esta, fóra aplaudida desde o movemento feminista e desde a sociedade em geral. Temiamos tamém que, como sucedeu há apenas umas semanas, se reabrira o debate sobre a prisom permanente −ainda que esta só poida imponher-se em assassinatos onde haja alguma circunstância específica agravante− num momento de especial enfado e frustraçom.

Nós definímo-nos como transfeministas e abolicionistas do cárcere, do sistema penal e penitenciário. Isto léva-nos ás vezes a gerir debates e repensar as contradiçons que agromam.

Quando conheces de perto o cárcere, es consciente de que serve única e exclusivamente para castigar, tanto á pessoa condenada como as suas familiares e amizades. O armaçom penal só gera mais violência. Nada nos fai crêr que tras um, nove ou cinquenta anos de prisom estes homes nom vaiam volver violar uma outra mulher com igual ou mais violência coa que já o figeram.

Submeter a um régime penal, anular a alguém como pessoa, ter umas relaçons baseadas numa jerarquia absoluta, despersonalizar, infantilizar, som algumas das consequências da privaçom de liberdade. Em nenhum caso tráta-se de reeducar ou de reinsertar á pessoa. O cárcere nom é a soluçom ao problema. As mulheres necessitamos doutros mecanismos que realmente evitem que sejamos discriminadas em todos os aspectos das nossas vidas. Soluçons reais que impidam que sejamos intimidadas pola rua, ameaçadas, maltratadas, violadas e assassinadas.

Nom existe a prevençom, nom existe uma reflexom sobre o porquê ou ás circunstâncias que levarom a essa pessoa a cometer um delito. Sem uma mudança radical nas estruturas da nossa sociedade, sem uma verdadeira reeducaçom e outra forma de entender o castigo, seguiremos sendo intimidadas, ameaçadas, maltratadas, violadas e assassinadas.

Uma vez dito isto, entendemos que o debate deve ir noutro sentido, e estamos contentas de que assim esteja a ser.

O feito de que desde os poderes públicos, desde a justiça patriarcal, enténda-se que quando nom existe consentimento, nom existe intimidaçom nem violência, é um discurso político moi perigoso. O feito de que cinco homes metam uma mulher num portal e obríguem-lhe a realizar todo tipo de atos sexuais nom se entenda como uma violaçom, paréce-nos alarmante e repugnante. Moitas das mulheres que se defenderom forom assassinadas. Nós querémo-nos vivas e livres.

Como bem di Rita Segato (antropóloga feminista), o ato da violaçom é a ponta do icebergue dum mal social: “A agresom sexual que conseguimos tipificar como crime é a ponta dum icebergue dum comportamento social extenso e que é uma espiral de violência como se di no feminismo mundial (cujas manifestaçons) nom som nem podem ser tipificadas pola lei pero constituem o sementeiro, o caldo de cultivo, onde germinam os agressores e por isso a lei nom está a conseguir parar em nenhum país este tipo de crimes.”

Doutra banda, cremos que tamém deberiamos começar a problematizar e a analisar o concepto de consentimento (como já se está a fazer desde alguns sectores) . Em muitos casos, eles desejam, e ao redor do seu desejo organíza-se tudo, incluso o nosso consentimento. Consentir, no fim de conta, é consentir ao desejo deles. Consentimos ante o seu desejo ou manifestamos o nosso e fazemos que importe? Nós desejamos na mesma medida; que o nosso desejo nom passe por riba do desejo de ninguém nom o fai minor, nem menos importante, nem menos urgente, nem menos potente, nem menos pracenteiro, senom simplemente ético.

A violência machista, ao ser posta entre reixas, apressénta-se como uma excepcionalidade individual, separándo-la de prácticas sociais e violências cotiás e convencionais que a possibilitam, invisibilizando o carácter histórico da sociedade patriarcal e da actual estrutura social de relaçons de poder. Se queremos construir um mundo mais justo, mais humano, o cárcere nom serve nem para nossas piores inimigas. Temos que ponher-nos já a pensar numa outra maneira de solucionar os conflitos que nom passem pola lógica punitivista que unicamente castiga ás pessoas e nom se ocupa das condiçons que conformam o conflito.

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