Peter Gelderloos: Fascistas som instrumentos do Estado

Recupero este artigo, autoria de Peter Gelderloos que, se bem foi escrito e publicado em 2007, é de raivosa atualidade por estes lares, agora tras a irrupçom mediática de VOX, que se passou de ser uma candidatura moi minoritária e case desconhecida a ser uma das candidaturas que mais interesa promocionar desde os falsimédios eleitoralistas em mãos dos grandes empresários das multinacionais expertas na manipulaçom de massas. Mas quero aclarar que, ao meu entender, o fascismo que desprendem por todos seus poros as cabeças vissíveis desta plataforma eleitoraleira que é VOX, nom difere no mais mínimo do fascismo que atufa, nas filas da direitona espanhola (patente e presente entre as filas do PP e mais do C’s e mesmo entre alguns destacados elementos do PSOE) desde que Franquito vestira por primeira vez pantalons longos polas ruas de Ferrol.

Nosso compa anarquista Peter, ao meu humilde entender, neste seu artigo, dá as chaves para compreender ás siareiras do fascismo e as suas impulsoras e defensoras como milhor jeito para poder combati-las e nom vai ser a base de urnas senom dirigindo a raiva das pessoas insultadas a diário pola exploraçom e a autoridade cara aos objectivos que em verdade o merecem: o Capitalismo e o Estado. Traduzo e colo:

  1. Fascismo estende-se em muitos países industriais e pós-coloniais, e existe em forma de nacionalismo extremo, neo-nazismo, ou algum outro autoritarismo. Em quase todos os casos, siareiros dos movimentos fascistas soem ser membros dum grupo privilegiado dentro da sua sociedade pero despossuidos das riquezas. Olhando á história, na Alemanha anterior à Segunda Guerra Mundial, a maioria dos alemáns da classe trabalhadora estavam empobrecidos pola Gram Depressom, em contraste com sua auto-imagem de naçom rica e poderosa. Na Alemanha moderna, os partidos políticos neo-nazistas obtenhem a maior parte de seus votos, com frequência mais de 10% do total, nos estados federados onde o desemprego é maior. Nos EEUU, os brancos pobres do sul que nom desfrutam da riqueza prometida às pessoas brancas da naçom mais rica na terra, com frequência se unem ao Ku Klux Klan. Em Ruanda, os Hutus, empobrecidos e em grande necessidade de terra, expressaram seu desejo de mais riqueza e poder identificándo-se com a etnia maioritária, uníndo-se ao partido fascista Hutu responsáveis do genocídio ruandês (1). Houvera tamém um movimento fascista similar entre os Indianos em Índia, asseverando seu poder como etnia maioritária. Assim, o fascismo pode ser visto como uma resposta á privaçom do poder para esta gente e às promessas incumpridas de acesso aos postos de privilégio.

  1. Fascismo pode também ser visto como um fenómeno da elite, coma um movimento de cavaleiros. O partido Nazista Alemám tinha entre seus membros a muitos dos industrialistas mais ricos, os fascistas espanhóis despois de Franco eram uma aliança de generais, da aristocracia terratenente, e de líderes da igreja, enquanto Mussolini disse que o fascismo devia ser chamado de “corporativismo” já que é a mistura do poder do Estado e do poder corporativo. Nos EEUU, o KKK era em origem um clube de cavaleiros, e dantes da Segunda Guerra, os industrialistas ianquies mais ricos (Hearst, Rockefeller, Ford, DuPont, Morgan) apoiaram aos fascistas em Europa (2). Na atualidade dos EEUU, muitos conservadores de elite apoiam ao grupo anti-imigraçom Minutemen e a outros grupos cripto-fascistas. Fascismo está unido especialmente aos seitores conservadores da elite. De tal jeito podemos entender o fascismo como o jeito em que a elite preserva a moral tradicional, fortalece a hierarquia social, e se defende contra a atividade revolucionária que poida emerger das classes que os fascistas consideram inferiores.

  1. As ideias básicas comuns ao fascismo (a: anti-imigraçom; b: pureza racial; c: supremacia branca; d: empoderamento político através do nacionalismo; e: ideias darwinistas sociais da “sobrevivência do mais apto”; f: anti-semitismo) som todas vazias e incorretas:

    a) Anti-imigraçom é hipócrita. Os partidos políticos anti-imigraçom nos EEUU e na Uniom Europeia em geral apoiaram os mesmos tratados de livre comércio e as guerras que som a causa de grande parte da imigraçom, e suas economias dependem do trabalho de imigrantes (a agricultura de EEUU e a indústria da construçom colapsariam da noite para o dia sem o trabalho de imigrantes). Os governos europeus que estám supostamente preocupados de proteger suas culturas contra as imigrantes som, polo geral, os mesmos que colonizaram os países de origem destas imigrantes; na altura nom tiveram problema algum em levar sua cultura a estes países, e tampouco agora fam nada por deter a “contaminaçom cultural” de McDonalds e a MTV.

    b) Em quanto à pureza racial, a ideia nom tem base científica alguma, e de facto a raça é uma generalizaçom arbitrária. Nom há perigo na reproduçom interracial, aliás um acervo genético diverso é bem mais saudável que um homogêneo, e nenhum grupo étnico é em realidade “puro.” Todos em realidade vimos das mesmas ancestras e nos misturámos desde o começo dos tempos.

    c) A supremacia branca também é uma mentira sem base nos factos mais que a crua (e fabricada) pseudo-ciência da medida de crânios ou craniometria que se levou a cabo no século XIX.(3)

    d) Nacionalismo é uma mentira descarada: as elites política e económica estám a cotio fazendo tratos com outros países e enriquecendo-se enquanto ensinam a seus cegos seguidores a odiar às pessoas destes outros países, dividindo assim às classes baixas. Ondear a bandeira e amar a naçom dá-lhe poder ao governo, e isto é o oposto a lhe dar o poder às pessoas. Ridiculamente, nacionalistas acham que serám livres se seus carcereiros vêem-se igual e falam o mesmo idioma do que eles.

    e) Darwinismo Social — a ideia da “sobrevivência do mais apto” enaltecida como sistema político — tem nada que ver com o Darwinismo científico. De facto, Darwin nunca utilizou a frase “sobrevivência do mais apto,” e descobriu que as espécies sobrevivem adaptando à natureza, nom lhe declarando a guerra. Humanos malgastamos nossas maiores vantagens evolutivas — as habilidades de comunicaçom e de pensar criativamente — conformando-se a estritas hierarquias sociais que nom têm base natural real alguma.

    f) Quanto ao anti-semitismo, na Idade Média, os mesmos que assassinaram judeus lhes puseram no papel de prestamistas e dependiam deles. No século XX, capitalistas anti-semitas afirmaram que os judeus eram parte da “conspiraçom bolchevique internacional” enquanto os anti-semitas anti-capitalistas disseram que os judeus eram parte de uma conspiraçom de banqueiros e capitalistas. Claramente, os fascistas simplesmente usam aos judeus para quando seja que requeiram culpar a alguém.

  1. Tantos fascistas e neo-nazistas nom poderiam seguir crendo tais ideias estúpidas e sem base a nom ser que seu ódio servisse a um propósito importante. Claramente, nom podemos tomar as ideias fascistas á sério, mas sim devemos tomar aos fascistas á sério, por todos os assassinatos, a violência social, e a intimidaçom da que som responsáveis. Entom, se o fascismo é útil, devemos perguntar: para quem é útil? O exemplo anterior do anti-semitismo oferece uma pista. Fascismo provê de um bode expiatório. Fascismo alenta aos membros pobres do grupo dominante (p.ex., branquinhos de pele ou cristãos, pobres) a odiar a algum outro grupo, de maneira que seu real inimigo esteja a salvo. Pobres têm boas razons para odiar aos ricos. Se os judeus podem substituir aos ricos (como parte de alguma conspiraçom internacional de banqueiros), entom os pobres odiarám aos judeus, e ao judaismo, em vez de odiar aos ricos, e ao capitalismo. Quando isto ocorre, a elite pode sorrir e estar em paz: estám a salvo da ira daqueles a quem explodem. O ódio do fascismo também aponta a grupos oprimidos. Na história dos EEUU isto quer dizer aos negros, aos nativos americanos e aos imigrantes latinos. Os branquinhos pobres devem tomar parte em explodir às classes inferiores (nos dias da escravitude eram quem acostumavam empunhar os látegos). De acordo à mitologia da supremacia branca, supom-se que todos os brancos som superiores (inclusive em termos de riqueza e poder). Fascismo ensina-lhe aos branquinhos pobres e sem poder a culpar e odiar aos negros e aos imigrantes (por “criminais” ou por “acaparar nossos empregos”) em vez de seu real inimigo: a elite. Este ódio cria ademais uma distância psicológica que lhes faz mais fácil a uns oprimir às pessoas de cor, e mais difícil aos outros unir-se. Som os brancos ricos, os capitalistas e a elite dirigente, quem se enriquecem graças à escravitude, ao emprego imigrante, e a outras formas de exploraçom, mas som os brancos da classe trabalhadora quem devem assumir o papel de polícia. Obtêm pouco benefício material, mas enganam-se com benefícios psicológicos, pretendendo ser poderosos e superiores como membros duma raça branca mítica. Brancos ricos devem escachar da risa por ter logrado, de maneira tam fácil e por tam pouco, que tantos branquinhos da classe trabalhadora sejam seus instrumentos.

  1. Se é certo que as elites som as beneficiadas com o fascismo, entom devêriamos poder atopar evidências do apoio ao fascismo por parte destas. E de facto podemos. Muitos governos da Uniom Europeia fomentam a ideia da “pureza cultural” e de proteger a cultura superior europeia da “poluiçom” da imigraçom, submetendo ás imigrantes a aprovar exames culturais (4). Os meios de comunicaçom corporativos (propriedade das elites) na UE e os EEUU tratam o assunto da imigraçom dum modo em que fomentam a ignorância e o medo. Por exemplo, rara vez falam do porquê as pessoas migram, das corporaçons e das guerras de quem destruíram suas terras de origem. Rara vez mencionam o facto de que as economias Europeias e dos EEUU colapsariam sem o trabalho das imigrantes, de que os consumidores brancos dependem da mão de obra barata e das importaçons baratas (froita, vestimenta, computadores, telefones celulares, etc.) dos imigrantes e dos países dos que vêm. E nos EEUU, os membros da elite dam grandes apoios financeiros aos grupos fascistas mais respetáveis (em especial aos cristáns fundamentalistas). George W. Bush mesmo foi moi generoso (ao igual que o fora Reagan) ao dar dinheiros do  governo a tais grupos. Em países como Itália, Polónia, Ucrânia, e Rússia também é fácil achar evidências de que os governos ou a igreja outorguem apoio ideológico ou material a fascistas. Claramente, a elite alimenta os medos e a ignorância para dar-lhe um alicerce ao fascismo.

  1. Que obtém a elite em troca do fascismo? Muito. Os instrumentos fascistas nom desilusionam a seus amos da elite. Fascistas ajudam a distrair às classes baixas culpando dos problemas da elite (pobreza, desempoderamiento, globalizaçom corporativa) a um bode expiatório, como por exemplo ás imigrantes. Os distúrbios em Hungria em 2006 som um exemplo perfeito: as pessoas estavam tam molestas com suas horríveis condiçons que saíram às ruas, combateram à polícia, e ocuparam a estaçom estatal de televisom, mas esta nom era nenhuma revoluçom! As multitudes estavam dominadas por ideologias fascistas de maneira que, de cara à exploraçom capitalista (que piorou depois que o governo se uniu à UE) culparam em vez às pessoas mais pobres que eles, ás imigrantes e assim as massas adozenadas atacaram uma sinagoga, e desviaram-se para uma fantasia duma história húngara idílica, de fai centos de anos, ainda quando a maioria dos responsáveis de seus problemas e da suas horriveis condiçons de vida eram húngaros coma eles. Fascistas dividem assim às classes baixas, fazendo-lhes brigar entre si, e criando o ódio e mais a distância que permitem, aos branquinhos e cristãos, oprimir e explodir a pessoas com outra cor de pele, outra religiom, etc. Assim protegem à elite dos perigos duma revoluçom.

  1. Alguns fascistas (inspirados polo “nacional socialismo” de Hitler) som mais conscientemente anti-capitalistas, ou crêm que o som. Estes extremistas também som úteis para a elite, ainda quando estes odeiem geralmente aos governos dos que som instrumentos. Primeiro, fazem que todo o potencial revolucionário anti-capitalista seja menos efectivo ao dividir às classes baixas, e ao pôr ênfase nas raças. Como confundem a natureza real do capitalismo terminam por apoiar um capitalismo nacional (como muito isto só implicará maior controle governamental, similar ao “socialismo” de Hitler ou Lenin). Segundo, como extremistas que pretendem ser revolucionários, reservam muito de seu ódio ás comunistas,  ás anti-fascistas, e ás anarquistas. Comunistas autoritários som tal como outra seita de fascistas em concorrência, e uma vez no poder têm demonstrado ter a vontade de utilizar os mesmos métodos para purgar ou purificar seu país. Fascistas de direita ou de esquerda poderám brigar, mas ao final têm muito em comum (como vemos no tratado de Lenin com austro-alemáns, o tratado nazista-soviético, e mais recém o surgimento dos “nacional-bolcheviques” fascistas). Anarquistas, por outro lado, querem abolir todo poder político, de modo que representam uma ameaça sem compromissos para a elite. Nom é coincidência que fascistas nom tenham compromissos em seu assalto contra anarquistas. Fascistas têm atacado e inclusive assassinado anarquistas em toda Europa e nos EEUU. Em algumas partes da Europa Oriental, anarquistas mal podem organizar um concerto a benefício, pola certeza de sofrer ataques fascistas. Deste modo, fascistas funcionam como força paramilitar para o Estado. Nos EEUU, o FBI (a polícia federal) tem-se infiltrado por longo tempo no KKK e outros grupos supremacistas brancos, usando-lhes para ataques contra negros radicais, como no Massacre de Greensboro; em Itália durante a “Estratégia de Tensom” na década de 1970, os serviços de inteligência utilizaram a grupos fascistas para assassinar esquerdistas, ou para fazer explodir bombas em zonas concorridas e culpar às Brigadas Vermelhas; em Moscovo no 2006, os neo-nazistas lutaram junto à polícia para atacar ao desfile do Orgulho Gay.

  1. Aparte de prover este serviço constante, fascistas som úteis instrumentos do Estado porque a elite e a burguesia pode usar uma revolta fascista para salvar-se duma verdadeira revoluçom das classes baixas. Ainda que fascismo possa derrocar a um governo em particular, o governo é só uma ferramenta da elite. Em Itália, depois que os terratenentes, os líderes da igreja, e os donos das fábricas viram que lhes ia tam bem baixo Mussolini, a burguesia de todas partes compreendeu que fascismo lhes podia salvar da revoluçom. Isto conduziu a que a elite em Espanha apoiasse o golpe fascista de Franco, para se salvar do crescente movimento anarquista.

  1. Fascismo nom é nem anti-autoritário nem anti-capitalista, de modo que a elite capitalista estará protegida com o fascismo. Inclusive fascistas que som anti-ricos e anti-globalizaçom, que acham que som “nacional-socialistas” anti-capitalistas põem seu nacionalismo dantes que nada, isto é, serám controlados facilmente polos capitalistas de sua própria nacionalidade. Privaram-se a si mesmos do arma da solidariedade ao separar das pessoas de outras naçons. Os governos nacionalistas que se ganharam o apoio dos fascistas sustentam as desigualdades capitalistas e seguem facilitando a globalizaçom — o único problema é que distraem a todos dos mesmos problemas de sempre ao ondear a bandeira, despregando uma guerra contra um país mais débil, ou culpando a alguma minoria. Mas os problemas da pobreza e o desempoderamento continuam. Assim, fascistas que acham que estám “a defender à naçom” ou “fortalecendo a sua gente” estám em realidade simplesmente lambendo botas. Estám a pedir ser controlados por líderes da mesma nacionalidade, estám a jurar cegamente lealdade a uma elite que lhes consentirá em seus nímios preconceitos, e estám a assegurar que sua exploraçom e falta de poder continuem.

  1. Muitos fascistas (particularmente os neo-nazistas) baseiam muitas das suas críticas aos problemas sociais na raça. Mas é importante compreender que em termos científicos, a raça nom existe. Algumas pessoas som mais claras de pele que outras, outras mais escuras, mas nom há linhas claras, e todos têm herança mista. Em termos da genética, há por longe mais diversidade dentro duma mesma “etnia” do que há diferença entre as médias das diversas etnias (isto é, teus genes poderiam facilmente ser mais parecidos aos de alguém de outra etnia que de alguém de tua mesma). A raça é pois uma invençom social. A ideia nom existia até que Europa começou sua fase colonial. Uma vez que começaram a escravizar africanos, a colonizar asiáticos e a exterminar nativos americanos, a elite europeia começou a falar em termos de raça para se separar e embaucar aos europeus de classe baixa para que cumprissem o papel de polícia e cooperassem com a exploraçom dos mais oprimidos. Nas primeiras colónias americanas, a classe dirigente teve que impor rapidamente leis contra o matrimónio entre brancos e africanos ou contrea a convivência com nativos, já que em várias ocasions os europeus de classe baixa se uniram aos colonizados na rebeliom, ou se foram viver com eles (achando mais liberdade naquelas sociedades).

  1. Capitalismo e o Estado sempre produzirám ressentimento e rebeliom. As pessoas nom gostamos de ser controladas, nem explodidas. O racismo e o autoritarismo do Estado provocarám que alguns descontentes culpem aos bodes expiatórios e que se aferrem a ideais fascistas de rebeliom. A propaganda direita do Estado assegura o medre do fascismo nas populaçons de despossuidos. Portanto, enquanto exista o Estado, o fascismo é inevitável. Aqueles que se opõem ao fascismo devem apoiar uma revoluçom antiautoritária (5). Mas se há um movimento fascista forte, a revoluçom faz-se difícil ou impossível, pola habilidade dos fascistas de dividir às classes baixas e de atacar aos revolucionários.

  1. Portanto, as pessoas que se opõem ao fascismo devem atacar ao governo e ao capitalismo como suas causas, enquanto se trata ao fascismo como um sintoma agressivo e discapacitante. Anti-fascistas sem crítica alguma ao capitalismo ou ao Estado estám a brigar uma batalha a perder, porque confundem a causa com o efeito. Fascistas nom saem de nenhuma parte. Som alentados polo Estado, e apoiam-se na raiva produzida polo capitalismo. Fascismo nom pode ser vencido simplesmente golpeando fascistas (ainda que em curto prazo a auto-defesa é certamente necessária). Após tudo, fascistas recrutam com frequência dentre a populaçom pobre, que poderia apoiar à verdadeira revoluçom anti-capitalista se pudessem ser educadas para ver mais além da xenofobia e o racismo.

  1. Entom, para derrotar ao fascismo precisamos criar um movimento anti-capitalista que ademais seja anti-autoritário. E tal movimento precisa pertencer às pessoas de todas as cores de pele e de todas as naçons, capazes de solidariedade internacional. Mas renunciar às divisons nacionais/étnicas dos fascistas nom significa ignorar as divisons que sim existem na sociedade. Som os liberais quem adoptam a aproximaçom “daltónica” ao racismo. Nom há diferenças inerentes entre as pessoas com diferente cor de pele — neste sentido somos todas iguais. Mas sim há diferenças em nossas culturas e histórias. Faz grande diferença se a sociedade tratou-te a ti e as tuas ancestras como sub-humanas. Os sistemas de privilégio e opressom seguem dividindo-nos, ainda quando temos boas intençons. Com frequência, os brancos anti-fascistas ignoram estas divisons e se incapacitam para trabalhar com pessoas de outra cor aferrándo-se aos seus privilégios ou cegándo-se às diferenças reais de necessidades, histórias, e consequências dos atos (p.ex., quam duro reagirá a polícia contra diferentes pessoas em base à cor da sua pele). Esta é uma razom pola que nos movimentos “anti-fascistas” em toda Europa e os EEUU som quase por completo conformados por brancos, excluindo efectivamente a pessoas de cor e imigrantes. Superar a supremacia branca é tam importante como superar o capitalismo, e ser daltónico no ponto de só ver a economia é uma maneira em que as pessoas brancas dividem o movimento (muitas pessoas de outra cor nom quererám trabalhar com brancos que minimizam os problemas de longo alcance da supremacia branca). As pessoas brancas devem ademais encontrar suas próprias razons para luitar contra o sistema alienante da supremacia. Em vez de ignorá-la, ver como fere e limita suas próprias identidades, ás pessoas de pele pálida, pode lhes ajudar a se voltar melhores aliados para com as pessoas de outras cores que som as mais obviamente feridas polo racismo. Superar a segregaçom que ironicamente acossa aos antifascistas nom significa que os antifascistas brancos convidem a activistas imigrantes e de outra cor a entrar a seu movimento. Pola contra, significa que anti-fascistas devem compreender como podem ser eles melhores aliados para aqueles que sofrem do fascismo de maneira mais direita; e significa ademais que precisam assumir a responsabilidade por, em vez de desconhecer, aqueles brancos que foram despistados polo racismo para se voltar uma base para o fascismo, e lhes educar.

Portanto, os passos imediatos para a construçom dum movimento capaz de destruir ao fascismo em sua raiz som compreender como nossa sociedade se alimenta do fascismo e aprender onde obstruir este processo; compreender que os privilegiados e os oprimidos experimentam o fascismo e a resistência de forma diferente, e reunir estes entendimentos num espírito de assistência mútua; e dirigir a raiva das pessoas insultadas a diário pola exploraçom e a autoridade longe dos bodes expiatórios e cara aos objectivos que em verdade o merecem: o Capitalismo e o Estado

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NOTAS do Gajeiro:

  • (1) Mais de 500.000 pessoas foram massacradas em Ruanda — uma das naçons mais pobres da terra — entre 7 de abril e 15 de julho de 1994 (algumas fontes dizem até 1 milhom de pessoas teriam sido mortas). Quase todas as mulheres foram estupradas. Muitas das 5.000 criancinhas nascidas dessas violaçons foram assassinadas. O genocídio foi financiado com o dinheiro apropriado de programas internacionais de ajuda do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. As armas vinham principalmente do governo Hutu do país, que as adquirira das naçons ocidentais (especialmente França) e doutras em desenvolvimento (como o Egito). Estima-se que 134 milhons de dólares foram gastos na preparaçom do genocídio sendo que 4,6 milhons foram gastos somente em armas brancas, enxadas e martelos.

  • (2) Em 1939 houvera um intento de golpe de Estado contra Roosevelt por parte de agentes da Bolsa de New York num momento em que Rockefeller, Morgan e Dupont manifestaram estar consternados pola atitude anti-nazista de Roosevelt.

  • (3) No século XIX, britânicos usaram a craniometria para justificar as políticas racistas contra irlandeses e africanos, que consideravam raças inferiores. Os crânios irlandeses teriam a forma dos homens de Cro-Magnon e eram aparentados dos macacos, prova da sua inferioridade, tal como dos africanos. No século XX, nazistas usaram craniometria e antropometria para distinguir arianos de nom-arianos.

  • (4) No estado espanhol tenhem que aprovar 2 exames do Instituto Cervantes: um de conhecementos da lingua espanhola (se procede dum país de fala nom hispana), e um outro de conhecementos constitucionais e socioculturais tipo test que já recebeu o apelo de integracionómetro, com o que se pretende medir o grao de integraçom mediante uma bateria de perguntas como conhecer o nome do atual direitor geral da Polícia até a receita do cocido madrilenho, ou quem compus El amor brujo. Qualquer pergunta pode botar por terra dez años de residência e um atópa-se indefenso nas mãos do funcionário examinador. E se passas o test ainda terás que pasar uma entrevista e esperar vários anos até ser teu expediente aprovado polo Ministério de Justiça.

  • (5) Uma revoluçom autoritária nom é a resposta necessário, dado que o Estado é uma ferramenta de dominaçom, e ainda que possa ser retirada das mãos da classe capitalista em particular, converterá àqueles que o detentam numa nova classe de elite similar. Após tudo, as revoluçons autoritárias de esquerda desembocaram em governos como a URSS, similares de muitas maneiras aos Estados fascistas.

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