Sobre exploradores do Voto do Medo x Acratosaurio Rex

Recolho de AlasBarricadas (e traduzo) este artigo assinado por Acratosaurio Rex (dizer como curiosidade informativa para amantes e defessoras das mal chamadas redes sociais, que o portal anarquista AlasBarricadas está censurado no Facebook desde há tempo):

Volto a dizer, que a mim, sinceramente, ma pela que votes ou nom votes, que te apresentes por Podemos ou pelo PSOE. Dá-me o mesmo. A sério. O que sim considero conveniente, é responder ao discurso que nos estám a meter pelos olhos, que vem a dizer que abstencionistas vamos ter uma grande responsabilidade no triunfo da ultradireita. É incrível essa gente, desesperada por arranhar votos de alguma parte, sem importar sua procedência…, e vam com essa cantilena chamando-nos amigas das fascistas

Vamos ver. As eleiçons dizem os questionários que as vai ganhar o PSOE, que terá que pactuar com alguém. Pablo Iglesias afirma que está disposto ao que faça falta para governar, e ERC –através de seu porta-voz Gabriel Rufián–, tem dito que também, que simplesmente querem uma Mesa para falar bla bla bla. E se nom pode pactuar o PSOE com esses dois actores por exigências do guiom, como nos filmes porno quando te tinhas que empelotar, pois pactuarám com Ciudadanos e a casca-la. Ou farám algum outro malabarismo onanista. De modo que tranquilidade, que ainda há tempo.

Dito isto, afirmo que anarquistas nom temos nada que ver com a ultradireita. O aparecimento desse partiducho ultramontano, tem sido em verdadeiro modo desejada por boa parte da esquerda, já que se queria a toda a costa mostrar uma imagem da España cutrefacta, com essas bandeiras do águia e tal… Pois ala!, já temos ultradireita. Já estám na tv a diário. Como na França com Marine Le Pen e Rassemblement National, ou como na Itália com Alessandra Mussolini e Forza Itália. O aparecimento eleitoral desses cabestros na España, nom a trouxemos as abstencionistas, que vai. Essa abominaçom ideológica, nom é mais que a normalizaçom de algo que já sucede em Europa desde faz muitos anos. A ultradireita hispana nom é nem melhor nem pior que a dos países mencionados. Da austriaca, a húngara, a ucraniana, a finlandesa, ou a norueguense, ou a estadounidense, ou a alemã, ou a russa, ou a… Melhor nem falar. Têm o mesmo discurso ou parecido em todas partes: que os estrangeiros nos roubam, que primeiro os de aqui, que o país X é colhonudo, que os gitanos são maleantes, que as mulheres têm seu lugar no fogar, apoiar a família, a indústria local, o idioma, restaurar a “mili”, acabar com o aborto e toda essa montanha de merda que une Parlamento com assassinos de massas como em Noruega, Nova Zelândia ou USA. Está a passar em todas partes. Da España o mesmo salta a Portugal. E nom é problema do voto o deter essa loucura. Nom. Em Europa levam votando uma porrada de anos, e a cada vez os fachas estám mais presentes. E porquê digo que votar ou nom votar nom deterá aos fachas fachas?

O primeiro, porque se aqui os partidos de esquerda quisessem frear aos fascistas, teriam que apresentar uma frente unida com um programa mínimo, já que em España só governa a esquerda quando há um partido hegemónico, neste caso o PSOE, ou formando uma espécie de Frente Popular. Vale. Que fazem esses partidos no dia a dia? O que mostram som fracturas, divisons, discussons que ninguém entende, uns lios que te cagas para formar listas, manobras, depuraçons, limpezas, incumprimentos… E programas nos que nom especificam as propostas, os procedimentos, os prazos, e a forma de financiamento. Nom se comprometem a nada. E ademais levam fazendo que fazem desde a dissoluçom do Parlamento, e quando se constitua o novo, vam-se atirar falando polos cotovelos para dilucidar a quem põem a mandar. Ou seja, abondo confiáveis no tema antifascista. De qualquer jeito segundo os questionários, vão sacar maioria as esquerdas, aceitando que todo esse marasmo convulso seja a esquerda.

De modo que a mim me causam muito divertimento os espavilados exploradores do Voto do Medo, assegurando que para frear o fascismo há que votar, e que quem nom vote (a eles) é fascista. A ver. A quem dianhos há que votar? Dizê-lo claro foder, e explicar como pensais legislar na contramão do fascismo, que as únicas que têm dito algo ao respeito com clareza som as de PACMA, que nunca obtém cadeira. Expliquem como ides eliminar a Lei 15/97 de 25 de abril, a que facilita a privatizaçom da sanidade e a transferência de fundos públicos a empresas privadas. Definam como lhe ides tirar os privilégios económicos à Igreja Católica, como eliminareis a religiom da escola pública, de que maneira potenciareis sanidade, educaçom, serviços sociais públicos de qualidade sem matar de extenuaçom a sanitários e professorado. Ninguém explica nem o que, nem o como, nem o quando. Nom detalham se vão semear milhons de árvores, se vão proteger aquíferos ou se vam-se fazer sete palhas ao dia com o dedo no cu. Nom há nenhum compromisso. Quanto nos dizem é que lhes votemos, que lhes dêmos o Governo, e depois já farám o que possam, ou o que lhes convenha de acordo com o marco legal que impõe a Uniom Européia.

Por outro lado, ao fascismo nom o vai parar o voto pelo que tenho assinalado dantes: surge por questons concretas relacionadas com a crise, com anos de propaganda persistente de tertulianos e revisionistas, com o financiamento dos movimentos sociais da Igreja pró vida e pró família… Vamos, que abstencionistas nem cheiramos nem fedemos nessa questom.

E se há alguma forma clara de deter a esse fenómeno social reacionário, opino que é potenciando nossos movimentos sociais de maneira que nom se lhes deixe respirar: o movimento feminista, o ecologista, o pacifista, o movimento operário, as plataformas de defesa do público… Em isso é onde há que incidir para estender a cumplicidade, a solidariedade, a força do colectivo, deixando à margem a essa maranha de políticos que só espavilarám quando vejam que correm perigo suas poltronas. Vereis que entom, como sempre, jogaram-se para cima dos movimentos sociais, como carrachos a transmitir a febre maculosa.

Em resumem: Pitoresco isso de que os Exploradores do Medo nos considerem amigas durante cinco minutos se lhes votamos, e depois até 2023 anarquistas, antisistemas, okupas, punkis e demais ralé maldita voltamos ser umas porcalhás. Porque lembremos: um governante o que quer é governar, e o último que precisa é um povo capacitado, consciente e ativo. É essa exigência de ter a gente submetida e passiva, e nom a abstençom, o principal viveiro do fascismo.

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NOTA
Partidos da nova extrema direita (propaganda e discurso que sustentam, olho. Que eu nom tenho nada que ver com essa banda.)

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