POR QUE SOU ANARQUISTA? x Fedro

Traduzo, colo e compartilho (texto e razoamentos) este artigo autoria de Fedro publicado (em castelám) na Revista Anarquista Parrhesia # 33, feita por compas argentinas de Bahia Blanca, que saiu do prelo neste passado mês de abril de 2019 ( nº completo para sua leitura e/ou descárrega acessível em https://es.scribd.com/document/405811859/Parrhesia-n33 )

Porque Anarquismo nom é só uma corrente política, social e cultural mais. Anarquismo é o único movimento que tem a capacidade de adaptar-se ao ritmo da Natureza. É fluído, dinâmico, harmônico, e nom apresenta resistência à mudança incessante, ao movimento, à transformaçom.

O ser humano tende a encaixilha-lo tudo para seu melhor entendimento, mas a Natureza nom pode encaixilhar-se e o Anarquismo tampouco. Paradoxalmente costuma-se acusar a este ideário de incentivar o Caos, a Desordem, mas quem pronunciam essas acusaçons som mentalidades rígidas, inflexíveis, estáticas, que soçobram se algo se sai das suas margens ou resulta inclassificável, temem, tornam-se inseguros. Som estáticos, sim e defendem ao Estado.

Nom é casualidade que ambas palavras, Estado e Estático, provenham da mesma raiz, que designa justamente isso, o Rígido, o que se opõe à dinâmica natural. E ao manifestar-se uns ideais que procuram romper esse estatismo (em ambos sentidos), cujo movimento é tam contínuo que nom permite limites, lacunas, que promove, em definitiva, a liberdade, as mentes rígidas e estreitas assinalam, acusam, vilipendiam. Dizem que somos o caos, quando o caos é o inapreensível. Dizem que procuramos desestabilizar, quando só o rígido pode pretender estabilidade. Dizem, implicitamente, que a Liberdade à que aspiramos dá-lhes Medo. Mas nom só o Estado representa esse anseio do ser humano de submeter tudo a seus limites, também estám as instituiçons que, fazendo uso da coerçom, pretendem ordenar, como as instituiçons bancárias, as instituiçons policiais, as instituiçons religiosas e inclusive as instituiçons educativas que marcam passo ás criancinhas de qual é a ordem a seguir. E nesse mesmo objetivo vam também os preceitos que delas se derivam; as normas, as regras, as leis, os mandamentos, que pretendem resistir o passo do tempo e conservar sua vigência para assim manter a paz que pregam. Todos na procura de dizer-nos qual é a ordem a seguir mas sem aclarar-nos que dita ordem sempre beneficia ao Poder. Só o Estático, insisto, pode desejar uma ordem para evitar o Caos, para nom desmoronarse. A Natureza nom tem ordem nem desordem, é um contínuo fluir, caótica porque nom se deixa atrapar, é a harmonia que subjaz, que se oculta, e que o Anarquismo pretende emanar.

E quando falo de Natureza nom me refiro ao que vulgarmente se entende por natureza (plantas, animais, ambiente natural, etc.). Quando falo de Natureza refiro-me à realidade sem interferência do Humano. Refiro-me à Harmonia do Tudo, ou como o definiria um dos pais do anarquismo, Mijaíl Bakunin, em suas Consideraçons Filosóficas:

«Todo o que é, os seres que constituem o conjunto indefinido do universo, todas as coisas existentes no mundo, quaisquer que seja por outra parte sua natureza particular, tanto desde o ponto de vista da qualidade como da quantidade, as mais diferentes e as mais semelhantes, grandes ou pequenas, próximas ou imensamente afastadas, exercem necessária e inconscientemente, seja por via imediata e direta, seja por transmissom indireta, uma açom e uma reaçom perpétuas; e toda essa quantidade infinita de açons e de reaçons particulares, ao combinar num movimento geral e único, produz e constitui o que chamamos vida, solidariedade e causalidade universal, a natureza.»

É por isso que nom se deve ler o conceito de Natureza (assim tampouco nenhum termo aqui empregado) com uma carga profundamente metafísica ou, se se quer, espiritual. Todo o referido mostra-se no plano material.

Em resumo, Que procura uma Anarquista? Renunciar a toda a pretensom de ordem? Nom, pola contra, o que se procura é desmontar a ideia de ordem, fende-la, debilita-la, para poder depois compreender o sentido do Tudo, da Realidade. Há instituiçons ordenadoras como é o caso da linguagem, cujo propósito nom é mais que recortar os fenómenos que se nos apresentam para poder apreende-los e faze-los tangíveis, instituiçons das que nom podemos abstrair-nos mas sim podemos deconstruir. Nom podemos, como digo, renunciar à linguagem, mas sim podemos jogar com ela, eliminar seus limites, usa-la na medida que precisemos e prescindir dela em outros momentos. O feito é que quando por fim vemos que a ordem nom é natural senom que é normal enquanto foi normalizada polo poder para seu próprio proveito é, nesse instante, quando caimos na conta de todo quanto tem o Anarquismo para ensinar-nos.

Nom é caprichoso procurar abolir o Estado, procurar abolir as instituiçons religiosas, as leis tal como as conhecemos, a instituiçom educativa (que nom é sinônimo de educaçom), a instituiçom policial. Responde mais bem à busca dessa harmonia que subjaz na liberdade do ser humano de poder ser Uma com o Tudo. Responde assim mesmo à necessidade de encontrar um ponto em que possamos conviver pacificamente com a Natureza e entre nós mesmas. Porque o Anarquismo, em definitiva, nom é caos e destruiçom, nem é a ordem que beneficia ao poder. O Anarquismo é o inapreensível do caos e o harmônico da ordem. É o movimento das pessoas livres, e ali todas som bem-vindas.

Fedro

 

 

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