Diante a terrível morte de Verónica.- “Nós, as putas” x Gemma Almagro, Poeta de Trincheira

Ando revolto estes dias com o tratamento mediático sobre as circusntâncias do suicídio assistido de Verónica.

Por suposto concordo com as múltiples opinions que criticam a atitude da maioria de seus companheiros de trabalho (e algumas companheiras que tudo há que dize-lo) ao nom denunciar, nem frenar e mesmo potenciar e ajudar a difundir o vídeo de contido sexual da sua companheira de trabalho; e coincido em que é um caso grave de machismo consequência da sociedade patriarcal na que nos movemos. Mas nom só, senom que tamém é um caso ilustrativo da sociedade puritana na que nos vemos imersas, da hipocrasia social que quantifica tudo ato sexual como algo perverso, malvado, escándaloso, pecaminoso e mesmo um delito se se realiza num espaço público. Um caso mais que evidente de que o Sexo segue sendo um Tabú na nossa sociedade.

É assim como, o que sem dúvida é, o ato mais sublime e gozoso da espécie humana segue a estar considerado socialmente como algo moi sujo que todas temos que agochar aos olhos das demais; situaçom refletida tamém nas estúpidas censuras das imagens dos peitos de mulheres lactantes nas Redes Sociais ou nas campanhas escolares de alertas policiais diante de tudo quanto tem consideraçom de ato sexual e por suposto o pápel das diferentes igrejas e religions que seguem a considerar o sexo como algo a tapar-se e a negar-se.

E inda mais!!…, pois no imaginário social do machismo fica essa ideia fixa de que se uma mulher disfruta de seu sexo é que algo tem de puta, e que nom atenderam nem ouviram bem os típicos imperativos paternais quando meninhas: “Nena, nom te toques ai”.
Como eu nom som mulher, volto a recolher (e traduzir) um texto da rede autoria de Gemma Almagro, poeta de trincheira (na foto), que publicou hoje mesmo no seu blogue este seu poema “Nosotras, las putas”

Nós, as putas

Verónica suicidou-se
porque tinha medo de que pensassem
que era uma puta.
Como quando na escola
Bicavas-te cum um luns
e com um outro um martes
e todos assinalavam-te
e diziam que eras dessas,
as ligeiras de cascos,
as faciloas,
as que sairom ras,
as golfas.
Todas as mulheres temos o direito
a ser umas putas.
Eu, concretamente, som mui puta
porque me tiro fotos nua
e gravo-me em vídeo na cama,
tenho um vibrador no banho
e importou-me sempre um caralho
o que diga o vizinho do primeiro B.
Tamém biquei mulheres
e na minha cabeça estám documentados
alguns recordos que,
se se puderam compartilhar por whatsapp,
a certos cretinos de IVECO explodiria-lhes
a sístole, a diástole,
e o pene que tenhem por cerebro.
Ao final tratava-se disso:
Verónica tinha direito
a gardar o seu vídeo e a celar
a sua intimidade.
Tinha tudo seu direito a sentir vergonha,
tinha tudo seu direito a decidir
que o seu marido nom soubera essa verdade.
Assim que se quitou a vida porque
centos de pantalhas
etiquetaram-na coa terrível
palavra.
Ninguém lhe soube explicar
que o problema é dos e das hipócritas
que se ruborizam ao ver uma mulher gozar.
Ninguém lhe puido aclarar que todas
somos assim, meio monjas, meio putas.
Ninguém lhe sussurreu ao ouvido que era fermosa,
ninguém lhe acarinhou a meixela.
Ninguém quis acompanha-la.

DEP, querida mulher, irmá.

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