DECONSTRUÇOM? x Compas Anarquistas de Rosario (Argentina)

“A teoria da deconstruçom, supom que existem identidades ou determinaçons das quais poderiamos desprender-nos por simple vontade, coma se estas fossem uma eleiçom e nom estiveram definidas por um processo de centos de anos e milhons de pessoas”.
Colo (e traduzo mantendo as negrinhas) este texto que saiu publicado no Boletín La Oveja Negra N°62, Abril-Mayo 2019. Año 8 editado polas compas anarquistas da Biblioteca y Archivo Histórico-Social “Alberto Ghiraldo”:

Cada vez mais, em certos âmbitos anarquistas, feministas, militantes ou de luita em geral, ecoa o conceito de deconstruçom. Para muitas parecera um elemento ineludível e necessário, o caminho cara a um grão de maior consciência e posta em prática efetiva, que se alguma vez chegara a geralizar-se faria possível uma mudança social real. Propõe-lho como uma espécie de autoanálise e de toma de consciência de privilégios, que dependeriam e responderiam a uma série de “interseccionalidades” (sexo, gênero, idade, raza, classe, etc.) que definem a identidade de cada indivídua diferenciándoas das demais e levándoas a reproduzir comportamentos e posiçons de poder ou subordinaçom em relaçom a outras indivíduas. É assim que uma pessoa em processo de deconstruçom seria aquela que está ponhendo em questom os seus “privilégios” e cambiando a sua forma de comportar-se e relacionar-se, tentando nom reproduzir certas formas, lógicas, comportamentos… de nom oprimir coa sua existência a outras pessoas.

Agora bem, esta ideia de que, dalguma maneira, todas seriamos ao mesmo tempo opressoras e oprimidas já que por todos lados há relaçons de poder e é impossível escapar delas, moi simpática deve cair-lhe a quem se atopa nas altas posiçons de Poder.

Nom é casualidade que estas ideias nom derivem das luitas nem dos balanços de suas próprias protagonistas senom de académicos, filósofos, inteletuais, assim como tampouco o é que estejam tam presentes nos âmbitos universitários e de fala-baratos a soldo, perpetuadoras da ordem existente. De súpeto, fam-nos saber que o problema está no nosso interior. O problema nom é que as nossas vidas estejam submetidas ao trabalho, aos tempos mercantis, á ditadura da economia, do dinheiro e os relógios. Para as defensoras da deconstruçom, som como muito meros condicionantes, pero nom condiçons materiais a superar. Parecesse que o mais importante a resolver seriam as relaçons de poder entre pares, quiçás porque seja o único que se apresenta como possível. Assim, todas podemos ser milhores cuma simple toma de consciência. Pero crêr que é possível que a sociedade mude por uma toma de consciência geralizada é tam ingênuo como crêr que um funcionário do Estado, um político, um crego, um empresário, um polícia, deixariam de beneficiar-se de seus “privilégios” por fazer-se conscientes deles.

Dalguma maneira, em tudo isto, está implícita a atitude subjetivista, tam pós-moderna, onde a realidade já nom existe e tudo se enfoca cada vez mais nas percepçons e sensibilidades individuais. Assim, termina-se igualando a opresom do Estado cos “micropoderes” que exerce cada quem. Nom é casualidade tampouco que este tipo de modas apareçam num momento de atomizaçom absoluta, de susceptibilidade geralizada, de vitimizaçom paternalista. Luitar contra quem nos oprimem está passado de moda e agora oprimimo-nos todas entre todas, mesmo somos inimigas de nós mesmas.

Tempos de autoajuda, autossuperaçom, eliminaçom de más influências e energias daninhas para o progresso persoal. Alimentaçom consciente, linguagem inclusiva, consciência sobre contaminaçom, estilos de vida. Tudo está em nós como indivíduas e depende de nós como indivíduas. E se falhamos, somos condenadas como indivíduas e culpáveis. Outra vez, o velho fai-se passar por novo.

A teoria da deconstruçom, supom que existem identidades ou determinaçons das quais poderiamos desprender-nos por simple vontade, coma se estas fossem uma eleiçom e nom estiveram definidas por um processo de centos de anos e milhons de pessoas. Ademais da questom do indivíduo, xorde a ideia de que uma é o que é porque o elege, noutras palavras, porque quere. É assim que uma estudante universitária pode adicar-lhe mais tempo a sua deconstruçom que uma nai de cinco filhas. A perspectiva, em certos âmbitos de luita, parecera deixar de orientar-se cara a uma mudança social real para focalizar-se na criaçom de espaços seguros, onde nom haja incomodidades nem conflitos, onde ninguém se sinta discriminada nem excluida.

Com tudo isto nom estamos negado a importância do câmbio subjetivo ou persoal, nem do modo em que nos comportamos no cotião. Porque isto parece-nos um elemento fundamental para a luita revolucionária e até uma questom de supervivência. Dicir que «quem fala de revoluçom sem faze-la real nas suas próprias vidas cotiás, falam cum cadáver na boca» é moi diferente a perder de vista o feito de que tudo aquilo que reproduzimos é parte duma relaçom social (nom interpersoal) que deve ser destruida de raiz e superada. E nom por gosto, senom porque é a única maneira. Porque justamente, se dizemos que somos uma “construçom”, esta construçom é social e social será a sua destruiçom. É de vital importância compreender que o que somos, muitas das atitudes de merda que reproduzimos e que temos que destruir (nom deconstruir) som produto duma vida que está submetida ás necessidades de outras, ás necessidades da economia anti-humana que muitas vezes volta-nos inumanas. E mentres isso perdure, podemo-nos fazer conscientes disso e tensionar ao máximo as possibilidades de nom reproduçom das suas lógicas. Isso nom implica gerar uma atomizaçom e desconfiança cada vez maiores que justifiquem e continuem reproduzindo os modos que nos impom o Capitalismo.

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