Solidariedade entre presas anarquistas. Palavras de Lisa para com as compas italianas em greve de fome

Lisa Dorfer, compa anarquista presa no cárcere de Brians I tras ser condenada pola expropriaçom duma sucursal do Pax Bank (Banco do Vaticano) em Aachen, Alemanha; escreve desde sua cela de 2º grão estas palavras solidárias para com Anna Beniamino e Silvia Ruggeri que, segundo informaçom do site anarhija.info, mantenhem a sua greve de fame pese á promesa da direitora da prisom de L’Aquila de que fará presons para seu translado a uma cárcere de regime normal (agora estám presas num módulo de máxima seguridade num cárcere de máximo control).

Lisa, fala e denúncia os regimens de castigo e isolamento e trasmite ás compas que nom estám sozinhas (ainda que, segundo me chegou aos meus ouvidos, para supostas anarquistas e feministas galegas, Anna Beniamino é uma machista por escrever o texto que eu mesmo reproduzim e colei acá há uns dias). Traduzo e colo da Publicación Refractario:

Caras compas,

Quero mandar um forte cumprimento de solidariedade e rebeliom ás compas presas anarquistas, agora mesmo em greve de fome na prisons da Itália, como mesmo a todas as perseguidas e solidárias nas ruas.

A necessidade de lutar contra os cárceres, o isolamento e todas as medidas a cada vez mais avançadas de segurança que nos aplicam a todas as presas e especialmente ás luitadoras, supostas conflituosas, perigosas ou socialmente inadaptadas, é evidente.

O controle (social, físico e psicológico) como também o castigo e o isolamento, som os pilares básicos do Sistema Carcerário, aqui e em todo mundo. As regras do poder som muito simples, e quem as salta, tanto fora na rua como dentro do cárcere, será castigada e isolada dum meio mais social e mais tranquilo… encerrada em prisom inclusive em módulos de isolamento que não são outra coisa que uma prisom dentro da prisom. Às vezes são módulos apartados que não têm contacto nenhum com os módulos normais; e em outros lugares são celas de castigo que estám no mesmo módulo, onde as presas podem interatuar, solidarizarse, comunicar mas também ameaçar, ignorar ou estigmatizar ás castigadas.

No estado espanhol existe o sistema FIES (ficheiro interno de especial rastreamento), um sistema que controla, regista e condiciona ás presas políticas ou conflituosas. O FIES III está desenhado para as presas de bandas armadas, originalmente pensado para ETA e outras bandas organizadas, mas onde nos incluem ás anarquistas condenadas, acusadas ou investigadas por terrorismo.

Obviamente depende muito do grau de perigosidade segundo o qual o estado nos classifica para aplicar as normas do FIES à cada uma e a que cárcere nos mandam…pode ser um isolamento bastante ligeiro e já parecido ao regime fechado normal ou pode ser um isolamento súper duro e súper estrito.

Em princípio passam-nos pelo módulo de isolamento em Soto del Real (Madrid). São 4 galerias – 3 para homens e uma para as mulheres. A galeria de mulheres tem dez celas e segundo o artigo que tem a cada uma se sai aos pátios juntas ou não. O pátio é minúsculo, com arame no teto. Não há absolutamente nada ali menos um lavabo de merda e lixos.

Nas celas, a cama, o armário, a mesa e a ducha estám empotradas. Só se permite ter poucas possesons na cela como um máximo de 2 livros que se podem mudar semanalmente.

Não se podem ter objetos “perigosos” como lâminas, corta-unhas ou pinças por mais que um máximo em media hora (depois se recolhem). O economato passa uma vez ao dia e tem muito poucos produtos. As instâncias e as cartas recolhem-se uma vez ao dia, de maneira que se uma quer consultar ou mudar algo tem que esperar ao dia seguinte. A luz pode-se regular desde dentro da cela mas só se as funcionárias o permitem, se não a acendem e apagam elas desde fora.

O número de cacheos depende de elas segundo o momento ou motivo que queiram, mas são muitos, como também são muitos os controis por detector de metal ou raquetas de metal ( escáner) a cada vez que se sai da cela.

O ‘bom’ de aqui – sobretudo em comparaçom com o isolamento de outros países -é que costumam ser mais permisivos com a comunicaçom tanto ao exterior (telefonemas diários, vis a vis, locutorios também em FIES ) como entre presxs (falar horas pelas janelas, passar cartas entre presxs…) de modo que uma não vive o isolamento tão estrito como pode ser por exemplo nos países do norte de Europa.

Mas se querem castigar a alguém muito, lhe podem manter em módulos de isolamento bem mais duros, criar galerias de isolamento total..

A comida passa por um buraco que está à altura da cintura e só desde ali se comunica com os servidores públicos – que não é nada mais que outra humilhaçom mais para tentar romper a força da pessoa presa.

Após um tempo de observaçom provisória em isolamento que costuma ser de poucos meses, normalmente já passa a módulos de primeiro grau, que estão desenhados para ‘fazer vida’ ali durante anos. Mas também podem manter a presxs especialmente castigadxs – normalmente por terrorismo -num isolamento total, sem a penas coincidir com outrxs presxs, ou aplicar artigos de máxima segurança em casos de pessoas supostamente muito perigosas…como sempre, por castigo ou prevençom…

Em Alemanha também existem módulos de isolamento. Em Koln sozinho para homens por exemplo…mas também as mulheres podem acabar isoladas nestes módulos ou isoladas em módulos de regime normal. Depois existem as celas de castigo extremo, telefonemas ‘ bunker’ onde só se permite ter um vestido proporcionado pelo cárcere, onde uma passa 24 horas sozinha, sem janela e sem mínima conexom com lhe exterior…mas normalmente não se costuma estar ali mais que uns poucos dias ou máximo umas poucas semanas. Mesmo assim, a injustiça e a impotencias vividas ali são enormes.

O isolamento sempre deixa secuelas fortes, é algo, que quem o tenha vivido jamais poderá esquecer, e a loucura e a raiva do ter vivido só aumentam. Há muitas pessoas que não sobrevivem. Tudo depende muitíssimo da força mental (e física) de cada quem e muito do apoio e solidariedade desde fora.

A nível político é mais óbvio que nos tentam isolar, não somente da sociedade de afora senão também dxs demais presxs com quem poderíamos criar cumplicidades e consciência de luta contra este sistema de castigo, cárcere e autoridade. Mas a cada gesto de companherismo e solidariedade que se vive dentro e fora, e a cada firmeza e determinaçom em opor contra seu isolamento como na contramão a todo seu sistema de opresom e miséria, mostrassem que não poderám acabar jamais com nos, nossa luta e nossa paixom para a liberdade total.

FORÇA, CALOR, CARINHO E SOLIDARIEDADE PARA AS COMPAS EM GREVE DE FOME EM ITÁLIA!

NÃO ESTAIS SOZINHAS! A LUTA SEGUE!

CONTRA O CASTIGO, O ISOLAMENTO, OS CÁRCERES E TODO TIPO DE AUTORIDADE!

ATÉ QUE TODXS SEJAMOS LIVRES!

LISA

C.P Brians 1

junho 2019


Aproveito para lembrar que Lisa segue em 2º grão, sem comunicaçons intervidas, nem límite de correspondência e sem estar isolada. Súmo-me ao convite para seguir animando a escrever-lhe e seguir fazendo latente a solidariedade:
Lisa Dorfer

C.P Brians I

Carretera de Martorell a Capellades, Km 23

08.635, Sant Esteve Sesrovires

España

Uma ideia sobre “Solidariedade entre presas anarquistas. Palavras de Lisa para com as compas italianas em greve de fome

  1. Pingback: [Itália]. Anna, Silvia e Natascia, compas presas anarquistas dam por finalizadas suas greves de fome | ogajeironagavea

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