Arquivo mensal: setembro 2019

Cherán [México]: Quando a Autodeterminaçom dum povo levou a um oásis de paz, solidariedade e respeito polo meio. Um exemplo a seguir???

O município de Cherán está ubicado no mapamundi na parte do território de México infesta de crime e assassinatos. Hoje e desde há já mais de 8 anos é um Remanso de Paz, um Oásis de Solidariedade e de profundo Respeito pola Naturaleza. Tudo começara tempo atrás, quando máfias madedeiras e narcotraficantes faziam lá seu agosto – e representantes políticos faziam a vista gorda coa cumplicidade necessária das forças armadas e polícias mexicanas – e derrubavam árvores da comunidade sem importar-lhes as consequências de tal devastaçom.

Em 15 de abril de 2011, fartas desta situaçom de expólio, suas moradoras —em maior medida, gentes da comunidade indígena ‘purépecha’— lideradas por as mulheres, levantára-se em armas para defender seu bosque de empresários madereiros e, de passo, tamém expulsaram à polícia, aos políticos e aos narcos. Agora, recém, o povo de Cherán, surpreende outra vez: Já tem funcionando o meirande coletor de água de chuva da zona que -ubicado no cerro de Kukundicata- se começara a construir no ano 2015 e começara a abastecer de áuga á Comunidade no 2016. Desde entom, é fonte de saúde para suas mais de 16 mil habitantes e os animais da contorna, ao facilitar dispôr, no caso de secas e alguma outra emergência, duma reserva de água de aproximadamente quatro meses, e tamém fonte de benefícios económicos ao ver reduzido o costo dum garrafom em até num 87% com respeito ao prezo de mercado.

“Se cortam as árvores, há menos água. Somos famílias que vivemos do gando, onde iam beber os animais se o manancial se esgotava?” narra Margarita Elvira Romero, uma das organizadoras do levantamento em abril de 2011, cansa dos homicídios e sequestros que já eram rotina, das cobranças de extorsom a pequenos negócios que faziam homens mascarados, e mais de anos de ver com indignaçom como camions, carregados até o topo de troncos recém cortados, passavam frente sua casa, propôs o levantamento ao resto das mulheres em reunions que organizavam em segredo. Dantes do levantamento se perderam mais do setenta por cento do bosque que corresponde a este município, arredor de vinte mil hectáreas.

Continuar lendo

Comochoconto – 27set1975 – Lembrança de Txiki, Otaegi, Sánchez Bravo, García Sanz e Baena Alonso

Lá polo ano 2011 nas datas do aniversário deste assessinato de estado emitira polas ondas livres da rádio Kalimera (de Compostela e da orbe enteira) este programa de Comochoconto na sua homenagem. Agora co galho de lembrar tam trágicos acontecementos, vos colo acá nesta minha bitácora, o áudio do mesmo e a entrada que escrevera para dar-lhe pulo na rede:


27-septA alba do 27 de setembro de 1975 eram fusilados Txiki, Otaegi, Sánchez Bravo, García Sanz e Baena Alonso, os dois primeiros militantes da ETA e os outros tres da FRAP. Foram assassinados polo franquismo depois de diversos juízos sumarísimos sem garantes nenhuma de respeito dos direitos humanos. Foram os últimos fusilados estando ainda Franco vivo. As numerosas petiçons internacionais de clemência e as mobilizaçons cidadás nom serviram de nada ante um Dictador que se figera em 1936 assassinando ao seu povo, e que seguira matando para arrogar-se o “direito” de poder seguir matando.

Realizado em base aos textos de:
Continuar lendo

Quando Capitalismo converte meninhas em heroinas. Antes Malala, agora Greta Thumberg

Está rulando pola rede e outros medios alternativos um artigo de opiniom intitulado “No odiamos a Greta Thumberg” assinado polo Frente Ecológico Natura Insurrecta do Perú, onde questonam o papel desta nena sueca que luita contra o Quentamento Global do Planeta Terra (Quentamento que sofremos todas a consequência do Terrorismo do Capital e das suas emisons de gases contaminantes á atmósfera; por certo “Quentamento Global” era um palavro moi forte que causava desasosego e por isso os terroristas mediáticos ao serviço dos intereses do Capital desfrazarom-no co pusilânime, insignificante e nada preocupante “Mudança Climática”). Eiqui a ligaçom ao texto na página Insurgente, que vos convido a lêr.

A raiz disto, há quem, sae na defessa da rapaça porque, aos seus pareceres, as compas do Frente Ecológico focalizam suas críticas numa meninha de corta idade sobre a que botam merda demais; semelha que nom leram bem o lá escrito e descrito polas compas e até que se passaram de alto mesmo o encabeçado do artigo e seu início: “Nom odiamos a Greta Thumberg, odiamos a quem a usam: a mesma burguesia que contamina a Terra. Em tam só um ano, a imagem de Greta fijo-se popular a escala mundial, a diferença dos centos de líderes assassinados em África e América por defender a Terra das multinacionais”.

Nom vou profundizar no contido das críticas do Frente Ecológico, mas sim fazer uma reflexom do porquê me parecem moi razonáveis e acertadas com só botar uma olhada atrás a um passado ainda recém quando uma outra meninha ocupara todos os falsimédios internacionais com uma outra demanda.  Uma outra rapaza que ia mudar o mundo e escolarizar a todos as moças pobres do seu país. Agora é Prémio Nobel e a situaçom, depois de tanto efetivismo mediático, ficou em nada; seu nome: MALALA.

Filha dum poeta ativista e dono duma rede de escolas, the Khushal Public School, no Pakistão; figera-se famosa polo seu enfrentamento aos talibã num momento que vinha moi bem para os intereses do Capitalismo Internacional. De feito se olhades na wikipédia ou buscades notícias sobre ela no google, vos atoparedes com que sua biografia remata quando lhe concedem o Nobel em 2014 á par que desaparecia misteriosamente e só meses antes o principal dirigente do movimento talibã fue el Mulá Mohammed Omar.

O último que atopei sobre ela é que Malala estudiará na prestigiosa universidade de Oxford numa notícia do diário La Vanguardia de 17 de agosto de 2017.

Em tanto no Paquistão uma pesquisa conduzida polo Instituto Nacional de Pesquisas da Populaçom, com assistência de organismos internacionais, referente a 2017-18, concluiu que as mulheres do Paquistão têm pouca escolaridade, som abusadas física e mentalmente e nom têm acesso a informaçons e serviços financeiros. Cerca de metade das mulheres pesquisadas, de idades entre 15 a 49 anos, som analfabetas. Apenas cerca de 17 por cento fazem parte do mercado de trabalho. É comum sofrerem violência física e sexual. A taxa de nascimentos é das mais altas do mundo, cerca de 3,6 nascimentos por mulher. As mulheres estám assim a ser solicitadas a criar uma nova geraçom numa sociedade que enfreenta já grande escassez de recursos. Ainda de acordo com essa pesquisa, 38% das crianças com menos de cinco anos no Paquistão sofrem de raquitismo e 23% delas estám abaixo do peso normal para a sua idade.

Agora é a quenda de Greta e eu espero e desejo que nom seja o novo joguete dos governantes do países que advogam polo Capitalismo Destruitor do Planeta; esses hipócrita que agora se comprometem a fazer algo para mudar a situaçom relegando as emissons 0 para o 2040 !! … Igual para entom Greta já será Ministra de Energia e Contaminaçom na Suécia e eu já estarei criando malvas.

O artigo das compas di o que muitas pensamos. Reitero meu convite a sua leitura

Viver da Prostituiçom sem ser Puta x Andrea Liba (Pikara Magazine)

A autora do artigo, Andrea Liba, membro do projeto ‘Pikara Magazine’, analisa a polémica surgida a raiz da campanha das Abolicionistas da Prostituiçom contra umas jornadas organizadas pola Universidade de A Corunha. Colo (e traduzo) da Directa.cat:

  Desenho de Roser Pineda


Fai dois domingos, uma amiga começava o dia perguntando-me se som abolicionista da prostituiçom. Começamos forte. O primeiro que lhe digo é que o que tenho clarísimo é que estou na contramão da penalizaçom e da perseguiçom institucional e policial das prostitutas. “É que tenho visto que lhe deste gosto a um tuit”, di-me. Entro a Twitter, porque nom entendo exatamente por que me formula esta pergunta agora, e vejo que a polémica estava servida: #UniversidadSinProstitución. O primeiro que penso é: “Já estám. Que deve de ter passado agora?”. E, efetivamente, toda a maquinária abolicionista já estava posta em marcha para tentar que se vetassem umas Jornadas sobre trabalho sexual impulsionadas por uma aluna da Universidade corunhesa, da Faculdade de Sociologia. Diziam que com estas Jornadas a Universidade estava legitimando a exploraçom das mulheres e apoiando aos proxenetas.
Continuar lendo

DISCURSO DE BEM-VINDA JORNADAS SOBRE TRABALHO SEXUAL DA CORUNHA no CS A COMUNA

Recém colado em castelám numa Rede Social há escasos minutos, (traduzo e) reproduzo eiqui. Assinalar que nas fotos se advirtem muita assistência desde seu início:

Bons dias, muito obrigado a todos e todas por vir a estas Jornadas de debate sobre Trabalho Sexual que tanto nos custou levar a cabo.

Por primeira vez na Galiza imos falar (num mesmo evento) 8 trabalhadoras sexuais (além de outras 3 pesquisadoras e aliadas).

Nom imos falar de “como iniciar-se no trabalho sexual”, nem imos tentar convencer a ninguém de que “ser puta é guai”.

Mais bem imos falar de nossos problemas, das diferentes violências que sofremos e de quais som nossas reivindicaçons.

O boicote e a série de difamaçons que temos sofrido nos últimos dias, resultando na censura e cancelamento das Jornadas na Universidade da Corunha, demonstra que a luta por nossos direitos vai ser dura e difícil: é paradoxalmente triste que em tempos de democracia se nos tente privar dum dos direitos democráticos mais básicos como é a liberdade de expressom.
Continuar lendo

A nova guerra contra imigrantes e anarquistas em Grécia. Entrevista a um anarquista de Exarchia

Colo e traduço de Crimethinc:

Cheio de centros sociais ocupados e caracterizado por um espírito combativo antiautoritário, o bairro de Exarchia em Atenas, Grécia tem sido durante muito tempo um ponto de referência importante para os movimentos autónomos de todo mundo. O novo governo de direita que chegou ao poder em Grécia se comprometeu a arrasar este experimento de inclusom e autodeterminaçom. Em 26 de agosto, as redadas policiais em massa desalojaram quatro okupas, incluídas algumas que albergam famílias de refugiados, muitas das quais têm sido enviadas a campos de concentraçom. Neste momento, a polícia antidistúrbios rodeia a Exarchia, preparando seus próximos ataques. Em resposta, convocaram-se manifestaçons. Entrevistamos a um residente de Exarchia sobre o contexto deste novo capítulo de luta e as perspetivas futuras para aqueles que procuram um mundo sem capitalismo ou opressom estatal.

Em janeiro de 2015, quando a onda mundial de vitórias eleitorais de direita estava a cobrar impulso, o novo partido de esquerda Syriza ganhou as eleiçons gregas. Nesse momento, isto inspirou muito entusiasmo de esquerdistas e socialistas em Grécia e em outras partes do mundo; no entanto, argumentamos que Syriza sacaria movimentos das ruas, voltaria a legitimar as instituiçons do estado sem mudar seu caráter essencialmente repressivo e, em última instância, nom abordaria as consequências do capitalismo, polarizando aos votantes gregos para a direita. Como antecipamos, Syriza nom cumpriu suas promessas de defender a Grécia das medidas de austeridade exigidas pola Uniom Européia. Em mudança, impuseram-se medidas de austeridade, polarizando ainda mais a Grécia e confirmando que nom há uma soluçom eleitoral viável às crises impostas polo capitalismo.

Em consequência, em julho de 2019, o partido de direita Nova Democracia ganhou as eleiçons nacionais por maioria clara. Alguns jornalistas de meios corporativos celebraram a vitória da Nova Democracia como um regresso aos negócios como de costume, uma rejeiçom do suposto «extremismo» tanto de Syriza como do fascista partido Aurora Dourada. Mas a vitória da Nova Democracia também é uma vitória para a extrema direita, que tem visto sua agenda racista e nacionalista converter na corrente principal. Assumiram o cargo com a intençom de fazer bodes expiatórios a imigrantes e anarquistas polos falhos do capitalismo neoliberal e as traiçons dos políticos de esquerda. Aproveitando as férias de verão, já começaram a desalojar violentamente os centros sociais anarquistas e as vivendas de refugiados autoorganizadas em Atenas, declarando abertamente a guerra a todos os que se interpõem em sua visom opressiva da ordem.

Realizamos a seguinte entrevista com um anarquista anónimo de Bandeira Negra residente de Exarchia a três maçãs de Exarchia Square, após um pequeno motim nas primeiras horas do 28 de agosto.

Nova Democracia começou declarando a guerra aos anarquistas, especificamente no bairro de Exarchia em Atenas. Temos visto uma série de artigos mau escritos pola imprensa amarela que difundem o medo à «violência anarquista» e prometem importantes repressons governamentais. Porquê têm priorizado centrar nos anarquistas e especificamente Exarchia como o principal inimigo do estado? Que parte da populaçom achas que está de acordo com esta caracterizaçom dos anarquistas?
Continuar lendo

A Prostituiçom nas Universidades Públicas ou De como chegar a ser professor(a) universitária …

Dantes de nada, dizer que tenho relaçons com as universidades públicas galegas desde 1980; primeiro como estudante (mas bem como matriculado) e desde 1989 como PAS; como tal tenho vivido em primeira pessoa (e sofrido) a segregaçom da única universidade galega, a USC, em 3; ao tempo que o resto das universidades públicas espanholas se escindiam e multiplicavam por doqueir tal qual células divididas por meiose (de 29 que havia na decada dos ’70 se passaram a 52 entre finais dos ’80 e primeiros dos ’90).

Coma estudante, moi poucos docentes atopei que souveram ensinar (uma coisa é saber muito dum tema moi concreto e outra ter atitudes para saber -ou querer- ensinar isso que tanto sabes) e pouquíssimos que gostaram de faze-lo (mesmo muitos nom ensinam bem porque nom desejam criar futuras competidoras para ás suas aspiraçons pessoais de prestígio e sona). Se bem foi como PAS que comecei a ver de bem perto tudo o entramado criado nas universidades públicas para chegar a ser professor(a) universitária sem ter que competir com ninguém para se-lo:
Continuar lendo