Evo Morales e o agronegócio por trás dos incêndios no Amazonas boliviano

Muito falar sobre a implicaçom do neonazista Bolsonaro nos lumes do Amazonas; todas esquerdistas assinalam a este emulo de Trump como responsável desta política de desmantelamento deste pulmom do Mundo; mas olham cara outro lado quando o implicado é “dos seus”.

Recolho e traduzo este texto duma compa de Bolívia no que partilha uma série de ligaçons para que poidamos conhecer o que está a acontecer no Amazonas boliviano, dentre elas este vídeo (do 29 de agosto) que amossa a Morales, vestido com a cor do seu partido político, disque apagando focos de lume (ao milhor estilo Feijoo, recém copiado por Casado em Gran Canária). Nóte-se que todo ao redor dos 2 metros quadrados onde se filma, nom há lume algum. Evo nom leva posta máscara alguma que lhe proteja do fume… É UMA MONTAGEM) Ele dizia que nom ia fazer mais campanha política. Mas nem sequer lá estiveram os médios pois as imagens foram filmadas pola sua equipa de imprensa governamental e depois distribuidas aos médios afins. Incluso no vídeo fai-se um paripé de entrevista na que ele fala diante da cámara de militares e de equipas de extinçom que ATÉ HOJE AINDA NOM CHEGARAM á zona:
“Escrevo-lhes para fazer-lhes chegar a voz de meu povo. Precisamos que o mundo saiba que a Amazonia Boliviana precisa ajuda internacional para apagar o incêndio que está a acabar com todo um ecossistema endémico e tamém para mitigar as consequências do desastre ecológico que tem sucedido. Mas nom só isso, tamém queremos que se conheça aos culpados desta catástrofe, para que seu crime nom fique impune. Setembro é o mês das chuvas na minha terra, estamos a rezar para que as chuvas terminem de apagar os incêndios. A ajuda internacional nom puido ingressar porque os protocolos diplomáticos requerem que o governo a solicite. Evo, uma vez que o óbvio era inocultável, limitou-se a dizer que “toda a ajuda é bem-vinda” mas nom a solicitou nem se comunicou com os governos que a ofereceram. Os biólogos expertos dizem que tomará mais de 100 anos a reforestaçom da zona mas, muitos dos animais, insetos e plantas que se queimaram eram únicos no mundo e, portanto, jamais voltarám existir. O desastre já se consumou. Nom anexo fotos de animais carbonizados, porque o considero desnecessário, no entanto, anexo alguns enlaces para que se interioricem um pouco no tema“.

Com meu coraçom roto pola impotência, um saudo.

O 1º é este artigo assinado pola Liga Obrera Revolucionaria por la Cuarta Internacional extraido do site “La Izquierda Diario”; e além aporto ligaçons de outros médios que confirmam o que acá se denúncia:

Em Bolívia e Brasil a voragem capitalista dizimam Comunidades e à fauna e flora nativas. As leis de desmonte e queima controlada em Bolívia mostram que o Governo de Evo Morais, com suas concessons aos empresários agrogadeiros, é corresponsável desses incêndios.

O desastre ambiental provocado por imparáveis incêndios forestais que estamos a viver, já tem arrasado em Bolívia com mais de 600 mil hectares de bosque na Chiquitanía. Esta catástrofe em Brasil e Bolívia é consequência direta das políticas depredadoras ao serviço dos grandes capitais, dos empresários agroindustriais e gadeiros. A magnitude desta tragédia tem provocado dias passados uma crise diplomática devido ao cruze verbal entre Macron e Bolsonaro fazendo gala, ambos mandatários, duma espantosa hipocrisia como denunciamos aqui.

Em Bolívia faz pouco mais de um mês, Evo Morales autorizava o Decreto Supremo 3973 no que avala o desmonte de bosques tanto em terras privadas como comunitárias baixo a desculpa de um “manejo integral de bosques e terras” com o objetivo de alentar ao seitor gadeiro o cumprimento dos contratos de exportaçom de carne vacuna a China. Com este decreto Evo Morales aprofundou a política de fortalecimento e colaboraçom do Estado com os agroindustriais e gadeiros do Oriente, política que já tinha sido alentada durante anos polos representantes do chamado ciclo neoliberal. Tanto os oficialistas, com Evo Morales à cabeça, como os representantes da oposiçom de direita, começando por Carlos Mesa, Oscar Ortiz, Víctor Hugo Cárdenas e outros, que hoje se enchem a boca solicitando “ajuda internacional”, som todos corresponsáveis do atual desastre ambiental.

A perda de biodiversidade que deixa este sinistro é inestimável, pois nom só se arrasou com o bosque nativo chiquitano e parte do chaqueño dizimando a fauna e a flora nativas, senom que tamém afetou a numerosas comunidades que habitam este espaço e terminou com a vida de milhares de animais, muitas espécies únicas deste ecossistema.

A recém decretada Área Protegida “Ñembi Guasu” sofreu uma perda de 203.125 hectares de território, que correspondem ao 17% do área de conservaçom, ameaçando tamém ao povo nom contatado dos ayoreo e a muitas famílias de pequenos gadeiros e guaraníes que vivem dentro ou cerca do área.

Desde sua jurisdiçom como autonomia indígena, as autoridades de Charagua por médio de Mborokuai Simbika Iyapoa Reta –o órgão legislativo–, têm aprovado e sancionado a lei autonómica N° 036/2019: De declaratória de desastre por incêndios florestais na unidade territorial autónoma de Charagua Iyambae; fazendo uso de suas funçons como instância responsável de normar procedimentos e decisons definidas polo Ñemboati Reta (Órgão de decisom colectiva). Exigem orçamento do Governo e um pessoal técnico capacitado que lhes ajude a empreender acções a curto e médio prazo.

Incêndio em Ñembi Guasu, imagens tomadas de Nativa.

A situaçom de crise atual nom deixa de ser beneficiosa para os agroindustriais, empresários gadeiros e o Governo, já que o que lhes convém é ter mais terra deforestada para continuar com seus negócios. O Governo diz ter autorizado “queimas controladas”, mas o verdadeiro é que nom existe nenhuma instância presente aos territórios que controle os chaqueios como o pôs em evidência a cumplicidade da ABT (Autoridade de Fiscalizaçom e Controle Social de Bosques e Terra) e o INRA (Instituto Nacional de Reforma Agrária) com os capitalistas do Oriente. Por outro lado, se é que existem sançons, sempre recaim sobre camponeses pobres que têm queimado uma parcela de sua terra para a fazer produzir, mas nunca para os grandes gadeiros que desmontam muitíssimos hectares para suas atividades.

Esta situaçom, conquanto tem um referente directo no Decreto 3973 de Evo Morales, é tamém consequência da criminosa desflorestaçom que se tem estado dando nos últimos anos em Bolívia, e cujos principais afetados, além da flora e fauna, som os povos indígenas e pequenas populaçons camponesas que habitam nos bosques e selvas bolivianas. E Bolívia, é um dos países menos preparado para as consequências da mudança climática que hoje já se sentem com a escassez de água em algumas regions, secas e a alteraçom dos ciclos dos ecossistemas.

Esta terrível situaçom junto ao que acontece no Amazonas nos demonstra uma vez mais as consequências da sejam de ganho capitalista, que se refere tanto em Evo Morales, com seu falso discurso “Pachamamista”, como em Bolsonaro e seu direto desprezo pola natureza e os direitos dos povos indígenas. É por isso mesmo, que coincidimos com a Cordenadora das Organizaçons Indígenas da Bacia Amazónica (COICA) em que ambos, Morales e Bolsonaro, som absolutos responsáveis polo ecocidio que se está a viver. No entanto, esta situaçom é ao mesmo tempo, resultado e continuidade de anos e anos nos que todos os governos tanto de Bolívia como de Brasil lhe deram milhares de milhons ao agronegócio, que querem mais e mais terras para pastos, soia, para a produçom de biocombustíveis e para a mineria entre outros grandes negócios capitalistas.

A grande indústria gadeira é a responsável polo 18% das emissons globais de GEI, além da principal causa da desflorestaçom a nível mundial. Só no Chaco trinacional (Argentina, Paraguai e Bolívia) se têm deforestado quase 10 milhons de hectares para a gaderia e Bolívia vem encabeçando junto com Paraguai o índice mais alto de desflorestaçom em Latinoamérica. Apesar disto, Evo Morales segue afianzando seu pacto com os empresários gadeiros crucenhos e outorgando-lhes as concessons que pedem.

Enquanto seitores do ecologismo assinalaram nas marchas de Bolívia que o problema “nom é político, é ambiental”, desde a Une Operária Revolucionária pola Quarta Internacional (LOR-CI) e os agrupamentos que impulsionamos como Pan y Rosas e a Corrente Estudiantil Outubro, sustentamos que se trata de um problema profundamente político. Conquanto achamos que o acordar da consciência ambiental é importante, não podemos perder de vista que todo esforço individual é nada ante a complexa estrutura de um sistema económico que nos arrasta ao desastre social e ambiental, e que é aí onde devemos atacar. Precisamos uma mirada e saída estrutural do problema.

Por todo isso e em frente a esta crise consideramos que:

  • O primeiro passo é brigar para que os labregos, indígenas e trabalhadores agrícolas sejam quem controlem e regulem o mau uso da terra e as queimas realizadas, estabelecendo o controle operário da produçom agroindustrial e gadeira com participaçom das comunidades e povos indígenas em toda a corrente produtiva deste seitor. Só dessa forma poder-se-ia conseguir nom só um melhor controle das queimas, senom tamém o maior respeito nas formas de produçom, pola natureza e o meio ambiente.
  •  Como medida imediata exigimos a Ab-rogaçom a lei 741 que habilita o desmonte de até 20 has. em propriedades privadas e comunais e o decreto 3973 que permite as queimas controladas para a expansom da fronteira agropecuária.
  •  É urgente alentar a organizaçom sindical das e os trabalhadores agroindustriais quem som explodidos sistematicamente polos empresários agroindustriais.
  •  Devemos exigir que toda a terra deforestada nom seja utilizada para o milionário negócio da agroindústria e a gaderia, senom que se aplique um imediato plano de reforestaçom e de restituiçom de fauna e flora, afetando as fortunas dos grandes capitalistas responsáveis diretos destas brutais perdas. O financiamento para levar adiante esta tarefa deve provir de impostos progressivos aos milionários ganhos em mãos destes empresários que têm causado esta tragédia.
  •  Assim mesmo, é necessário e urgente reabrir a discussom sobre a propriedade da terra e o latifúndio, o qual foi constitucionalizado polo atual Governo e a oposiçom no pacto do 21 de outubro do 2008 que deu origem à atual Constituiçom Política do Estado. Desde a LOR-CI impulsionamos a expropiaçom do latifúndio e a coletivizaçom baixo administraçom direta das e os trabalhadores agrícolas destas empresas latifundistas. Nem Evo Morales com o MAS, nem as variantes propatronais e empresariais que hoje disputam as eleiçons presidenciais som uma alternativa, porque nenhum deles afetarám os interesses dos grandes capitalistas, porque som seus aliados e claramente como tem sido demonstrado para além de seus diferentes discursos, trabalham para o agronegócio.Estas medidas som as primeiras para impulsionar efetivamente uma luta genuinamente anticapitalista que termine com esta barbárie. Desde a LOR-CI consideramos que a luta contra este sistema capitalista nom pode ficar só numa frase abstrata e geral senom que é necessário e urgente começar à materializar em disposiçons concretas que afetem os interesses empresariais e das grandes capitais que estám a destruir nosso planeta.

–  OUTRAS LIGAÇONS de MUITO INTERÉS:

2) Uma nota do diario “El Deber”, que inclue aúdio (dum medio OFICIALISTA de Bolivia) onde amosa-se que Evo Morales quiger tapa-lo sol com um seu dedo e fiz a vista gorda diante o desastre, porque está em plena campanha eleitoral (em outubre som as eleiçons presidenciais de Bolívia)

https://www.eldeber.com.bo/bolivia/Evo-justifica-las-quemas-Las-pequenas-familias-si-no-chaquean-de-que-van-a-vivir-20190820-0005.html

3) Entrevista a Eliana Torrico, profisional especialista em meio ambiente, falando sobre o tema:

https://cnnespanol.cnn.com/video/bolivia-incendios-amazonia-evo-presidente-extractivismo-naturaleza-medio-ambiente-camilo-sot/

4) Notícia sobre contrataçom do aviom bombeiro mais grande do mundo

https://www.fayerwayer.com/2019/08/incendio-amazonas-bolivia-supertanker/

5) Perfil do meu “compatriota” José Raúl Bolivar (quem é só um dos cidadás que tomou sobre seus ombreiros a responsabilidade que teria que asumir o governo de Morales), a pessoa que contatou ao supertanker e onde da conta das gestons que tivo que fazer para que o governo de Evo aceitara sua chegada. Lá podedes lêr como o governo de Evo, que até entom NOM DECLARARA DESASTRE NACIONAL e por tanto nom destinhara dinheiro suficinte para combater os lumes (que utiliza no seu aparato propagandístico, que é enorme e pagado com o dinheiro dos impostos)  só propom pagar uma parte, deixando nas mãos das cidadás auto-organizadas conseguir o resto do dinheiro. Tamém poderám lêr como é que todos os equipos, vestimenta, medicinas, etc., estám nas mãos dos cidadás de a pé, que diante a inoperância de Morales, vem-se na necessidade de atuar.

https://www.facebook.com/profile.php?id=546187372

6) Notícia com a decisom de Morales de “suspender a sua campanha política” (25 de agosto) “polos incêndios” (algo que nunca fiz)

https://www.prensa-latina.cu/index.php?o=rn&id=300660&SEO=evo-morales-suspende-camapana-electoral-por-incendios-en-chiquitania

7)  Entrevista a Daniela Moreno, ativista pola vida silvestre, e sua testemunha de como está a ser manipulado tudo isto.

https://www.facebook.com/carlacalvosilva/videos/10157293639418828/

8) E, para rematar, a notícia da primeira entrega de carne vacuna a China.

https://mundo.sputniknews.com/america-latina/201908281088521525-bolivia-inicia-exportacion-de-carne-vacuna-a-china/

 

Uma ideia sobre “Evo Morales e o agronegócio por trás dos incêndios no Amazonas boliviano

  1. Pingback: [Bolívia] “A Noite dos Cristais Rotos” x María Galindo | ogajeironagavea

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