DISCURSO DE BEM-VINDA JORNADAS SOBRE TRABALHO SEXUAL DA CORUNHA no CS A COMUNA

Recém colado em castelám numa Rede Social há escasos minutos, (traduzo e) reproduzo eiqui. Assinalar que nas fotos se advirtem muita assistência desde seu início:

Bons dias, muito obrigado a todos e todas por vir a estas Jornadas de debate sobre Trabalho Sexual que tanto nos custou levar a cabo.

Por primeira vez na Galiza imos falar (num mesmo evento) 8 trabalhadoras sexuais (além de outras 3 pesquisadoras e aliadas).

Nom imos falar de “como iniciar-se no trabalho sexual”, nem imos tentar convencer a ninguém de que “ser puta é guai”.

Mais bem imos falar de nossos problemas, das diferentes violências que sofremos e de quais som nossas reivindicaçons.

O boicote e a série de difamaçons que temos sofrido nos últimos dias, resultando na censura e cancelamento das Jornadas na Universidade da Corunha, demonstra que a luta por nossos direitos vai ser dura e difícil: é paradoxalmente triste que em tempos de democracia se nos tente privar dum dos direitos democráticos mais básicos como é a liberdade de expressom.

Querem silenciar-nos porque nom nos conformamos com o papel que o poder e uma parte da sociedade quer atribuir-nos: o papel de vítimas ingénuas, infantis e traumatizadas, incapazes de tomar decisons nem de falar objetivamente sobre nossa forma de ganhar-nos a vida.

Vem-nos como um perigo porque damos uma versom diferente à da “vítima perfeita”, a que reproduz a linguagem e os argumentos que ao abolicionismo salvacionista lhe interessa difundir, para assim poder manter sua quota de poder na indústria do resgate.

O ocorrido na Universidade da Corunha tem evidenciado o grau de violência e assédio que recebemos a diário. Mas é um tipo de violência que tem ido incrementando nos últimos anos, desde que o feminismo se pôs de moda neste país e tem começado a utilizar-se de maneira eleitoralista. Este feminismo partidário utiliza as ferramentas punitivas do heteropatriarcado para censurar e acalar às vozes dissidentes que poriam em perigo suas posiçons de poder institucional e seus discursos moralistas neoconservadores.

Desde que se aprovou a Lei Mordaça a censura é uma estratégia que se foi aplicando a diferentes colectivos, e a cada vez temos mais noprmalizado que se silencie a denúncia social à injustiça, bem como certas vozes fora do discurso hegemónico. Algo que reflete o contexto internacional do auge do fascismo.

Querem vender-nos que só existe uma maneira de ser feminista, mas os feminismos som plurais e diversos, e as jornadas de hoje fam parte dessa pluralidade e riqueza.

Hoje e amanhã imos falar nom só de nossas testemunhas em primeira pessoa, senom duma reflexom conjunta que elaboramos em diálogo com nossas colegas a nível internacional, tendo em conta os diferentes contextos legislativos. Nosso discurso tamém se nutriu dos múltiplos estudos e textos teóricos que conformam um corpus de conhecimento para nosso colectivo.

Dantes de dar passo às Jornadas, gostaríamos de agradecer o apoio de A Comuna desde o primeiro momento, bem como o de outros espaços oferecidos após que a Universidade da Corunha se rendesse à censura. Sem esses apoios incondicionais, estas Jornadas nom teriam sido possíveis.

Temos o convencimiento de que nossa luta polos direitos humanos é justa e legítima.

E imos continuar:

Quererám censurar-nos, mas nom poderám.
Nom querem que falemos, berraremos.
Calar-nos, jamais.

Muito obrigado.

# JornadasTSCoruña
# DebateSinCensura

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