Cherán [México]: Quando a Autodeterminaçom dum povo levou a um oásis de paz, solidariedade e respeito polo meio. Um exemplo a seguir???

O município de Cherán está ubicado no mapamundi na parte do território de México infesta de crime e assassinatos. Hoje e desde há já mais de 8 anos é um Remanso de Paz, um Oásis de Solidariedade e de profundo Respeito pola Naturaleza. Tudo começara tempo atrás, quando máfias madedeiras e narcotraficantes faziam lá seu agosto – e representantes políticos faziam a vista gorda coa cumplicidade necessária das forças armadas e polícias mexicanas – e derrubavam árvores da comunidade sem importar-lhes as consequências de tal devastaçom.

Em 15 de abril de 2011, fartas desta situaçom de expólio, suas moradoras —em maior medida, gentes da comunidade indígena ‘purépecha’— lideradas por as mulheres, levantára-se em armas para defender seu bosque de empresários madereiros e, de passo, tamém expulsaram à polícia, aos políticos e aos narcos. Agora, recém, o povo de Cherán, surpreende outra vez: Já tem funcionando o meirande coletor de água de chuva da zona que -ubicado no cerro de Kukundicata- se começara a construir no ano 2015 e começara a abastecer de áuga á Comunidade no 2016. Desde entom, é fonte de saúde para suas mais de 16 mil habitantes e os animais da contorna, ao facilitar dispôr, no caso de secas e alguma outra emergência, duma reserva de água de aproximadamente quatro meses, e tamém fonte de benefícios económicos ao ver reduzido o costo dum garrafom em até num 87% com respeito ao prezo de mercado.

“Se cortam as árvores, há menos água. Somos famílias que vivemos do gando, onde iam beber os animais se o manancial se esgotava?” narra Margarita Elvira Romero, uma das organizadoras do levantamento em abril de 2011, cansa dos homicídios e sequestros que já eram rotina, das cobranças de extorsom a pequenos negócios que faziam homens mascarados, e mais de anos de ver com indignaçom como camions, carregados até o topo de troncos recém cortados, passavam frente sua casa, propôs o levantamento ao resto das mulheres em reunions que organizavam em segredo. Dantes do levantamento se perderam mais do setenta por cento do bosque que corresponde a este município, arredor de vinte mil hectáreas.


As razons para o levantamento popular -encabeçado polas mulheres nativas- das que dam conta no vídeo de acima, nom diferem muito das que vivemos nós por estes nossos lares galaicos em múltiples ocasons. A minha memória traz-me lembranças de luitas como as de As Encrobas, Baldaio e Xove, as 3 vitórias populares com grande sucesso quando ainda Franco assinava seus derradeiras sentenças de morte; ou a da Carvalheira de S. Justo de Sacos (Cotovade) nos anos ’90 ou mesmo as mais recéns, coma a d‘O Incio contra a incineradora, Corcoesto contra da mina de ouro ou a maré humana de quando o Prestige e o berro coletivo “Nunca Mais”. Há mais e há arquivos para comprovar quanto digo e nelas sempre tiveram relevância o papel das mulheres, ao igual que noutras lutas na defessa dos postos de trabalho, como a das operárias da empresa têxtil Regojo-Telanosa de Redondela, que se enfrontaram com seus para-águas ás forças vivas bem armadas com pode-se ver nesta famosa fotografia de Delmi Álvarez:

Voltando a luita de Cherán, foram as mulheres da localidade, naquela data histórica do 15 de abril de 2011, quem bloquearam o passo dos camions na estrada que atravessa a cidade e tomaram alguns dos madereiros como reféns.

Conta Melissa Fabián, que na altura tinha 13 anos: “As senhoras estavam a correr. Todas tinham o rosto coberto e machetes em suas mãos.”

Polícias municipais chegaram com o alcaide e outros homens armados arribaram para libertar aos reféns que eram seus colegas e de resultas houvo um confronto entre a gente do povo contra madereiros e a polícia que rematou após que dois madereiros foram feridos por um moço que acendeu um foguete e lançou-no direitamente contra deles.

Este protesto pronto transformou-se num verdadeiro levantamento: as habitantes expulsaram às autoridades corruptas e estabeleceram seu próprio controle. Os políticos e a polícia do lugar foram expulsos rapidamente fora da localidade, pois as pessoas suspeitavam que tinham arranjos com as redes criminosas. E entom Cherán, uma vila de menos de 20.000 pessoas, começou seu caminho cara seu autogoverno.

AUTOGOVERNO

Tras a declaraçom do autogoverno, os partidos políticos foram proibidos —e o seguem a estar— porque consideram que causam divisom na Comunidade. Cherán, além de proibir qualquer partido político em seu território, nega-se a participar nas eleiçons mexicanas, petiçom que tem sido validada polos altos tribunais que lhes deram a razom ao seu direito de nom participar nas eleiçons locais, estatais ou federais.

Tras expulsar ás máfias dos partidos e da madeira, o povo assumira o control do seu Governo e da sua seguridade, e lograra que o Governo federal reconhecera seu direito constitucional de autogovernar-se polo sistema de “usos e costumes” tradicionais, sem interferência de partidos políticos. Formou-se pôr entom o Concelho Maior com 12 pessoas elegidas pola Comunidade que é quem maneja os assuntos de Cherán a través de oito concelhos minores: “Aqui em Cherán há um Concelho Maior e oito concelhos operativos, um desses chama-se Administraçom Local e som os que estám levando o tema do captador e da purificadora de águas a través da sua Comissom de Obras”, explica a moça Yunuen Torres, ex integrante do Conselho de Jovens.

LUITA POLO MEIO AMBIENTE

Desde entom o povo de Cherán, emprendeu uma luita pola conservaçom do meio ambiente: Reforestou a totalidade da superfície arrasada polas talas ilegais, criou vivieros, um seu aserradeiro autogerido e controlado e o gram captador de água de chuva e toda uma  infraestrutura de tomas de água para que este recurso chegara a todas as vivendas.

“Históricamente Cherán tivo problemas de água (de cómo transporta-la, de que chegue aos domicílios). Sempre fora um tema complejo”, menciona Yunuen.

O captador com capacidade de até 20 milhons de litros de água, consolidára-se com o apoio económico do município e com o financiamento duma associaçom. Foram suas moradoras quem construiram a obra e quem se encargam da sua administraçom. Vicente Sánchez, quem estivo trabalhando na administraçom do Concelho de Bens Comunais de Cherán desde 2011 até 2018, destaca que a construiçom do coletor de chuva foi feita por fases: “Junatavam-nos em mesas de trabalho e propunhamos quanto se nos vinha em mente para milhorar a Comunidade. Estávamos com uma pessoa do Concelho Maior e digemos ‘algo bo vai sair de eiqui”. “Muita gente nom cria nesse projeto, de feito estávamos vendo se faze-lo num outro cerro que está ao carom de Paracho e que tamém tem um cráter, pero como está moi profundo era mais difícil. Despois foi-se a ver a parte do cerro Kukundicata que é onde está agora”. A gente nom se imaginou que ia chegar a tal magnitude a obra. Eu som engenheiro agrónomo e estudiei na Universidad Michoacana, sempre digem que tudo é possível botándo-lhe ganas.
Além do coletor de água de chuva, como contei, Cherán conta com outros projetos sustentáveis, como seu aserradeiro autogerido e controlado e os viveiros.

“Temos o tema do viveiro e o aserradeiro, que formam parte dos bens comunais, pero á vez criou-se uma pequena empresa de elaboraçom de tijolos de concreto, para a construçom de ruas ou calçadas, piso firme e demais”, explica a ex integrante do Conselho de Jovens.

A produçom do viveiro valeu para sanear os bosques e o aserradeiro funciona dum jeito controlado, conta Yunuen: “os permisos para baixar madeira som moi restringidos, para talar uma árvore tem que haver uma situaçom moi importante, é dizer, que seja uma árvore que já vai cair por velha ou que lhe fendera um raio, som casos moi específicos para talar as árvores”.

Pola sua banda, tudo quanto se construe na empresa de tijolos vai parar ás mesminhas ruas do povo de Cherán. “Podemos ver que nossas calçadas estám realizadas co mesmo material que a Comunidade labora e isso permitiu-nos fontes de emprego permanentes em cada uma destas áreas”.

BAIXA INSEGURIDADE

Uma outra das tarefas prioritárias que emprendeu esta Comunidade purépecha foi a sua seguridade, que de acordo com suas moradoras disminuiu a violência desde que decidirom erguer-se.

“No tema de nossa própria seguridade, desde 2011 quando inícia o levantamento, desconhece-se ao corpo de polícias e retomam-se figuras importantes dos povos indígenas, de nós como comunidades purépechas, tal é o caso de La Ronda”, sinala Yunuen Torres em referência a uma espécie de corpo de seguridade integrada polos mesmos habitantes de Cherán.

Mas as tarefas de seguridade nom recaim só nos membros de La Ronda, tamém os comuneiros apoiam quando surge uma situaçom perigosa.

“La Ronda nos funciona, funciona que saivamos quem nos estám coidando. Há um câmbio tremendo de sentir-nos seguras ao transitar e que sabemos que se se passa algo tés todo o direito de levantar a voz e dize-lo”, assegura a jovem Yunuen.

Nos primeros sete meses deste 2019, em Cherán houvo 13 delitos cometidos: 4 roubos, 3 lesons dolosas e 1 culposa, 1 violaçom simple, 1 dano á propriedade, 1 despojo, assim como 1 caso de narcomiudeo e 1 de “outros” delitos do fuero comum. Estas cifras som um 72.2% inferiores ás registradas em 2015, quando em tudo o ano houveram 18 delitos: 11 roubos, 3 homicídios culposos, 1 lesom dolosa, 1 violaçom simple, 1 delito contra a família e 1 delito cometido por servidores públicos, de acordo com os dados do Secretariado Ejecutivo do Sistema Nacional de Seguridade Pública (SESNSP).

Cherán é hoje um concelho que lhe abre suas portas ás pessoas alheias para que conheçam seu jeito de vida, incluso há possibilidade de estâncias temporais, mas nunca permanentes.

“Há gente que vem a perguntar se se pode mercar um terreno em Cherán para viver, pero isso nom se pode. A referência para habitar um prédio acá é ter familiares, que haja uma confiança. De vissita nom há problema, de estâncias temporais tampouco, pero duma maneira permanente nom”, explica Yunuen.

Como resultado de tudo isto, hoje Cherán nom tem delinquência, o que contrasta com o resto do Estado de Michoacán de Ocampo —do que fai parte—, que está considerada como uma das zonas mais violentas do país mexicano.

Em Michoacán, Cherán converteu-se num oásis de esperança: sua paz e sua segurança contrastam com o temor que ainda domina às comunidades vizinhas.

Melissa Fabían, a nena quando a revolta, declarara 5 anos quando contava com 18 anos, que ela é optimista e que está disposta a sair às ruas para lutar por manter quanto se conseguira em abril de 2011: “Enquanto haja quanto menos uma pessoa que queira seguir com isto, todas imos estar por trás dessa pessoa. Todas nos sentimos orgulhosas porque pugemos fim a algo e fizemos algo que nenhuma das outras comunidades se tinha atrevido a fazer”.

De feito, algumas Comunidades tentaram seguir seus passos, mas todas acabaram mal. Lembremos que em México as ativistas do meio ambiente e outros defessores da Terra contam-se por duzias entre as pessoas assassinados polas máfias (policial, madereira, cocaleira,…) do Capitalismo e só no 1º semestre deste ano 2019 já se contabilizavam 13 assassinatos:

Diversos médios de toda a orbe têm-lhes feito diversas entrevistas ás moradoras de Cherán baixo a mesma dúvida:
“Como é que esta comunidade tem prosperado numa regiom tam cruel?”.

Margarita e Melissa nom duvidam em oferecer a mesma resposta numa só palavra:
“SOLIDARIEDADE”.

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Referências:

https://www.jornada.com.mx/ultimas/sociedad/2019/09/14/ojarasca-cheran-un-pueblo-defendido-por-mujeres-9833.html

https://lasillarota.com/estados/cheran-ocho-anos-de-lucha-contra-depredadores-del-medio-ambiente-cheran-michoacan-autodefensas-olla/317178

https://www.sinembargo.mx/15-09-2019/3644530

https://www.sinembargo.mx/28-04-2019/3572653

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