[Kurdistám] Erdogan e Putin querem esmagar Rojava x Camille Nashorn

A jornalista Camille Nashorn escreveu em 6 de novembro sobre a situaçom de Rojava. Ela aponta ao final do seu artigo que é nossa obriga informar sobre a situaçom de Rojava e aportar uma solidariedade concreta; e súmo-me a esse dever traduzindo e dando pulo:

Fai um mês que Erdogan começou sua terça ofensiva em Síria, ironicamente baptizada “Fonte de Paz”. Prevista desde fazia muito polo autócrata turco, a invasom de Rojava foi desencadeada aproveitando a retirada das unidades francesas e estadounidenses da regiom.

                                                        Putin e Erdogán em plena sintonia anti-kurda

O objetivo público desta ofensiva é criar uma “zona de segurança” duma profundidade de 30 kilómetros no interior do território sírio para expulsar dele às Forças Democráticas Sírias (FDS, as forças armadas da Administraçom Autónoma do Norte e do Leste de Síria –AANES-, compostas de gente kurda, árabe e de minorias étnicas sírias), destruir o Confederalismo Democrático, e substituir às populaçons kurdas por refugiadas sírias (3,6 milhons de pessoas estám hoje em Turquia depois de ter fugido do caos e os massacres engendrados por Bashar Al Assad). Na TV turca (TRT), Erdogan tem chegado a justificar isto explicando que esta zona desértica correspondia melhor ao estilo de vida das árabes que ao das kurdas.

Putin e Erdogan dirigindo

Depois do alto o fogo aceitado o 17 de outubro por Turquia, chegou-se a muitos acordos. E se Assad deveria abandonar às kurdas e a autonomia de Rojava para concentrar-se na repressom da oposiçom síria, para Putin e Erdogan era inconcebível permitir que seguira existindo a AANES. Assim, estes acordaram deixar ao regime sírio recuperar o controle da regiom de Idlib, último bastiom da rebeliom síria, bem como da maior parte do território controlado polas FDS. A câmbio, Turquia pode pôr em pé seu grande projecto de deslocaçom de populaçons e da “zona de segurança”.

O alto comandante das FDS, Mazloum Abdi, arrinconado pola ofensiva turca e as traiçons internacionais, viu-se obrigado a aceitar um compromisso. As FDS tiveram menos duma semana para retirar-se de Serekaniye e de Girê Spî, evitando assim o massacre. Mas Assad poderia em médio prazo pôr seus pés num terço do território sírio; Turquia ocupa direita ou indireitamente uma parte importante de Rojava; e se, fai uma semana ainda, as FDS negaram-se a integrar-se no exército de Assad sem resoluçom política, nom poderám permanecer muito tempo independentes. O projeto de autonomia de Rojava sae de todo isto profundamente debilitado, ainda que a justificaçom do alto comandante é compreensível: “Entre os compromissos e o genocídio de nosso povo, elegeremos a vida”.

Erdogan e Trump chegaram tamém a um acordo, ao temer este último uma aproximaçom demasiada grande entre Rússia e um membro importante da OTAN. As tropas estadounidenses permanecem por tanto em Síria, mas Trump nom lhes dá de momento outro papel que o de guardar os poços de petróleo do leste do país.

Numerosos perigos

A situaçom humanitária é catastrófica. Os soldados do Exército Nacional Sírio que servem de ajuda a Turquia, som culpadas de crimes de guerra, denunciados por Amnistia Internacional. Os bombardeios turcos sobre os povos de Rojava, e russos na província de Idlib, provocaram numerosas mortes e a Organizaçom para a Proibiçom das Armas Químicas recolhe informaçons sobre utilizaçom de tais armas (napalm e fósforo branco) pola artilharia turca, denunciada polas autoridades kurdas com o apoio de imagens. Estes bombardeios, somados às exaçons dos grupos armados, têm provocado já centenas de mortes civis, entre elas as de dezenas de meninos e meninas. Desde o começo da operaçom turca, em 9 de outubro, entre 300 e 400 combatentes, homens e mulheres das FDS, perderam a vida. Estas e estes combatentes, com frequência jovens, eram as forças vivas da sociedade do futuro, militantes comprometidas e comprometidos em fazer existir uma alternativa política ao caos que rasga Síria desde fai já quase dez anos. Mártires, seus nomes nom serám esquecidos por suas famílias e suas companheiras.

Esta situaçom pode ver-se agravada pola violência que poderiam sofrer os povos de Raqqa ou Manbij, motores da insurreçom e agora a graça de Assad.

As deslocaçons afetam a centenas de milhares de pessoas, às que terám que acrescentar as que fogem de Idlib para o norte, e as refugiadas sírias em Turquia, a quem se acossa para que se instalem em Rojava. Há uma vontade compartilhada por Erdogan e Assad de arabizaçom da regiom.

A perspetiva emancipatória defendida polo Confederalismo Democrático está mais que nunca em perigo, e serám o conjunto de sírias e sírios quem pagarám o preço.

É nossa obriga informar sobre a situaçom de Rojava e aportar uma solidariedade concreta, por exemplo financiando https://rojasorfrance.com (nas páginas https://rojavaazadimadrid.org e https://newrozeuskalkurduelkartea.wordpress.com podem-se encontrar tanto informaçons sobre a situaçom como os meios para solidarizar-se)

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