Quem governa Bolívia? x María Galindo

Recorro de novo, para falar da situaçom atual em Bolivia, ao bo fazer de María Galindo, artista, performer, ativista, escritora e cofundadora do coletivo boliviano “Mujeres Creando”, quem se autodefine como: “puta, lesbiana, boliviana, construtora de alianças proibidas e mulher que fala desde o lugar da tortura e da violência para imaginar a felicidade desde uma posiçom de desobediencia”. Recolho (traduço e colo) este seu texto, publicado antontem 20 de novembro, no jornal digital boliviano Página Siete

Tuto Quiroga, exvicepresidente do ditador Banzer e na atualidade representante da CIA e da embaixada norte-americana, articula, sem nenhuma legitimidade, as decisons jurídicas e políticas respeito das próximas eleiçons.

Fernando Camacho, presidente do Comité Cívico Pró Santa Cruz, através dos ministros da Presidência, Jerjes Justiniano, defensor dos violadores da Manada crucenha, e através do Ministro de Defesa e outros membros do gabinete toma as decisons militares. Dois exemplos dessas decisons som o decreto que dá permiso aos militares de matar, eximíndo-lhes de consequências penais e que tem permitido a militarizaçom de todo o país. E o decreto que transfere às Forças Armadas mais de 30 milhons de bolivianos para armar-se como para uma guerra civil.

Samuel Doria Medina, através do Ministro de Governo e a Chanceler. Uma encarrega-se de edulcorar a cena para a comunidade internacional e o outro de ameaçar, como reencarnaçom de Arce Gómez (*).

Serve-lhes o café Carlos Mesa, que assiste a suas reunions para dar-lhes uma legitimidade que estas personagens nom tenhem.

Nenhuma destas três personagens tem na democracia boliviana carrego algum, nem bancada sequer, mas estám à cabeça dum governo que nom é nem mais nem menos que um plano fascista que quer ocupar o Estado, as decisons sobre o jazimento de lítio e instalar desde Bolivia a transiçom ao neoliberalismo fascista em todo o continente.

                           María Galindo

As próximas eleiçons que anunciam só lhes interessam se lhes servem para maquilhar de democrático um regime que tem como legitimidade única a ocupaçom policíaco-militar de todas as cidades, por isso é fundamental que o Movimento Al Socialismo (MAS) participe nas próximas eleiçons.

Se as eleiçons nom lhes servem, estas sanguinárias personagens, que ameaçam com acusar-nos de sediçom, quando som eles os primeiros sediciosos, vam-nos puxar cara uma guerra civil.

A Assembleia Legislativa Plurinacional, onde o MAS tem dois terços está hoje à cabeça da Eva Copa, mulher altenha, estudante da UPEA, que tem tido a responsabilidade de assumir um posto tam difícil. Evo Morales e Álvaro García Linera criaram um vazio de poder e uma estampida que reflete um regime clientelar com as organizaçons sociais, que reflete os próprios limites ideológicos e políticos dum projeto que já nom tinha conteúdo popular, e que caiu polo peso da sua própria decadência.

A situaçom que vivemos nom admite análise maniqueu dos bons contra os maus, nem vice-versa. Nom som os jerarcas do MAS cá as vítimas, tal como mostram os relatórios das mortes de quem sabemos mal suas idades e nomes; som as sem nome as que estám a ser assassinadas. Que nom ousem nomea-las como mártires da democracia, porque seu destino som as fosas comuns de quem se beneficiam da morte, como Camacho ou Morales, simultaneamente.

Em Bolívia governa a mentira, nom por nada é ministra de comunicaçons Roxana Lizárraga, protagonista de grosserias nas fakenews. Desatam-se através do WhatsApp campanhas de psicose social que pretende desatar medo para fascistizar nossa vida quotidiana e passar de ocupar o Estado a ocupar nossos corpos, e nossas emoçons.

Evo Morales já nom governa Bolívia, mas seu delito nom é ser indígena; seu delito real é ter protagonizado um governo corrupto, ecocida, misógino e caudilhista.

Governa a mediocridade e a misoginia do ministro Arturo Murillo.

Governa a ignorância e a banalidade da presidenta Janine Añez.

Governa a presença colonial das Naçons Unidas, a Uniom Européia ou a OEA, que sem entender nada da trama complexa social boliviana manejam mesas de “pacificaçom” que excluem à sociedade civil, à Presidenta do Senado que, gostem ou nom, é a segunda ao mando do Estado.

Governa Bolivia a desinformaçom e o saqueio do Estado.

Governa Bolivia a confusom generalizada.

Governa Bolivia o chauvinismo exacerbado.

Deus entrou ao palácio para matar seus filhos e para presentear, e violar às suas filhas. A Bíblia entrou ao palácio da mão de fanáticos que lem o Antigo Testamento como mensagem literal e querem instalar a Lei do Taliom e a submissom das mulheres.

María Galindo


(*) Luis Arce Gómez, militar e exministro de Interior baixo a Ditadura de Luis García Meja Tejada (1980-81), participara em golpes de estado e persecuçons políticas e narcotráfico.  Condenado por Genócidio. Personagem moi reconhecido na História de Bolivia pola sua célebre frase “Con el Testamento bajo el Brazo“, de ameaça á povoaçom boliviana quem nom estivera disposta a cumprir com um seu Decreto Lei. E por estar implicado na desapariçom física de pessoas contrárias ao regime militar

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