MANIFESTO DO FEMINISMO GITANO PARA O 25 N​ : Menos liçons, mais interseccionalidade

Sempre na procura de dar voz as sem voz, atopei-me com este Comunicado da Asociación Gitanas Feministas por la Diversidad, que assinalam como suas intençons “queremos promover a igualdade entre gitanas e gitanos, construir um enfoque feminista e combater a triple síndrome de invisibilidade da mulher gitana”. Assim pois, traduzo e colo:

MENOS LIÇONS

Desde Gitanas Feministas por la Diversidad (*) somámo-nos à denúncia das violências machistas o 25N, a violência é um dos eixos de trabalho do Feminismo Gitano desde seus inícios. Nossa perspectiva é interseccional e desde a história de resistência das mulheres gitanas na história e desde os bairros.

Nossa experiência de luita ensinou-nos que a mirada paia à violência de género sofrida polas mulheres gitanas assinala a cultura do Povo gitano como culpado, uma cultura que é vista como mais machista. Partir, assim, do antigitanismo para explicar a violência, exerce mais violência sobre as gitanas. As soluçons propostas polas miradas paias passam por abandonar a cultura própria, a família e a comunidade. Pretende-se empoderar às gitanas com sua branqueadura: quanto mais paia mais livre. Dam-nos liçons sobre nossas próprias experiências. Estas situaçons rematam a maioria das vezes em mais vulnerabilidade das mulheres ao quitar-lhes suas ferramentas próprias de resistência.

Borra-se o papel das violências institucionais e estruturais de raça, classe e género. Apontar só a uma dimensom da violência e nom incluir a situaçom de precariedade operária e económica, a violência institucional e social antigitana, a negaçom dumas condiçons de vida dignas para as gitanas, etc. Nom serve para terminar com a violência.

Nom há soluçons reais para as mulheres gitanas e racializadas porque se nos situa numa posiçom vitimizada, sem capacidade de resistência. Em pisos e instituiçons que nos infantilizam e nos relegam a um papel de vítimas em mãos de paias salvadoras.

Reivindicamos: MENOS LIÇONS, MAIS INTERSECCIONALIDADE

Incorporar a perspectiva interseccional das próprias mulheres gitanas e racializadas no desenho, a implementaçom e execuçom de políticas, planos, programas e açons contra a violência machista.

Políticas de igualdade desenhadas de acordo às necessidades reais das mulheres gitanas e racializadas que transforme os sistemas patriarcais paios, sociais, políticos, económicos e institucionais.

Reclamamos linhas de açom e espaços protegidos, gitanizados e livres de machismo e racismo.

Nom aceitamos mais liçons paias, exigimos políticas interseccionais!

Saúde e Liberdade!


(*) Recolho da sua definiçom na sua web: A ASOCIACIÓN GITANAS FEMINISTAS POR LA DIVERSIDAD (AGDF) começou sua atividade inteletual em abril de 2013. Nasceu enfrontando um feito decisivo, que históricamente e independentemente do projeto político que impere na España e Europa, a questom gitana estivo e está vinculada intrínsecamente com Serviços Sociais, a caridade, o Onegerismo e o paternalismo próprio dum pensamento que assume que há pessoas ás que “salvar e resgatar” dessa “pobreza” cultural que as define de maneira homogénea.

Na sua apresentaqçom como associaçom, dim que “Nom representamos a nenhuma instituiçom, partido político ou religiom. Se bem, somos fieis a nossa gitaneidade. Protetoras e guerreiras da nossa territorialidade.

AGFD é tam gitana como nós outras livres e independentes.

Eiqui um vídeo de María José Jiménez Cortiñas explicando o porquê dum feminismo gitano e começa advirtindo de que vai ferir sensibilidades:

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